Perguntas do paciente (7)
-
Como trabalhar com uma criança de 3 anos a morte do pai que nunca conheceu, sendo que a partir dos 2
Como trabalhar com uma criança de 3 anos a morte do pai que nunca conheceu, sendo que a partir dos 2 anos tem como figura paterna o padastro.
Há uma idade adequada para para iniciar o assunto?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Essa é uma situação que envolve muitas camadas de luto. Antes de pensar em quando falar sobre a morte do pai biológico, seria importante investigar o que está mobilizando esse desejo nos adultos.
Pode haver uma vontade legítima de preservar a história do pai, mas também culpa ou medo de apagá-lo, como se o padrasto estivesse ocupando o seu lugar. Para a criança, a figura que exerce a função paterna em sua vida concreta tende a ser mais significativa do que alguém que ela nunca conheceu.
Por isso, seria interessante trabalhar primeiro as necessidades dos adultos em relação a essa preocupação. Aos três anos, não é preciso antecipar uma elaboração sobre a morte a não ser que o questionamento parta dela mesma.
Por volta dos sete anos, ela poderá compreender melhor a irreversibilidade da morte e elaborar essa história de maneira mais simbólica.
-
Culpa Religiosa / Castidade / Relacionamento O que fazer quando a igreja impõe algo que vc não c
Culpa Religiosa / Castidade / Relacionamento
O que fazer quando a igreja impõe algo que vc não concorda ou não tem certeza se quer viver de fato?
Sou católica, tenho 23 anos, gosto muito de viver a minha fé e frequentar a igreja. Só q há alguns meses venho sentindo a sensação de culpa principalmente em viver alguns princípios da igreja.
Desde os 19 anos, frequento a igreja mais ativamente, fiz catequese, e tudo em relação a primeira comunhão e crisma.
Mas com o passar dos anos, foram surgindo questionamentos sobre relacionamentos mais precisamente em relação a: Castidade/Se manter casta até o casamento.
É um assunto q sempre foi uma questão pra mim. Na Igreja isso sempre é aprendido como correto e uma certa "obrigação".
A questão é que isso vem me deixando mal, pq quando penso em não seguir a castidade minha mente entra em conflito. Eu não sou uma pessoa tão religiosa, mas sempre valorizei minha relação com Cristo e a Igreja, e isso tem pesado minha consciência.
Já tem um tempo que eu tenho tentado colocar um certo limite mas isso acaba voltando em pensamentos negativos/culpa.
A questão é como viver minha fé mesmo não concordando com certas doutrinas/dogmas?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá,
A "construção" da nossa identidade se dá a partir de nossas crenças e valores. Por outro lado você já disse: "Não sou uma pessoa muito religiosa"
O que está te impedindo de viver de forma não muito religiosa? A incongruência entre o que pensamos, acreditamos e fazemos pode geral bastante desconforto. Recomento iniciar um processo terapêutico para aprofundar esse entendimento e desenvolver mais autonomia da sua identidade.
-
Pessoas rígidas são mais propensas ao esgotamento a Síndrome do Esgotamento Profissional (Burnout )
Pessoas rígidas são mais propensas ao esgotamento a Síndrome do Esgotamento Profissional (Burnout ) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Embora a rigidez cognitiva possa aumentar a vulnerabilidade ao estresse e ao Burnout em alguns contextos, isso não acontece de forma automática ou universal. Em determinadas situações, características associadas à rigidez como; disciplina, senso de responsabilidade, organização e necessidade de previsibilidade, podem funcionar justamente como fatores de proteção psíquica. Algumas pessoas conseguem utilizar estruturas rígidas para manter estabilidade emocional, criar limites claros e evitar o caos interno diante de rotinas muito exigentes.
Além disso, é importante tomar cuidado para não individualizar excessivamente o Burnout, como se ele fosse apenas consequência da personalidade da pessoa. Em muitos casos, o esgotamento está relacionado a condições objetivas de vida: excesso de trabalho, sobrecarga emocional, cuidado contínuo de filhos, familiares dependentes ou pessoas adoecidas, acúmulo de funções domésticas, pressão financeira e ausência de rede de apoio. Nessas situações, mesmo indivíduos emocionalmente flexíveis e conscientes dos próprios limites podem adoecer.
Muitas pessoas vivem uma realidade em que não existe possibilidade concreta de descanso adequado. Elas precisam continuar funcionando porque existem responsabilidades inadiáveis, vínculos dependentes e demandas permanentes. Nesses casos, o corpo e a mente acabam operando em estado prolongado de adaptação e sobrevivência. O sofrimento não surge necessariamente de uma incapacidade individual de flexibilizar pensamentos, mas de uma estrutura de vida que mantém a pessoa continuamente exposta à sobrecarga.
A própria rigidez, em alguns contextos, pode representar uma tentativa de organização psíquica diante de ambientes instáveis ou excessivamente demandantes. Para certas pessoas, manter rotina, controle e previsibilidade ajuda a preservar funcionalidade e senso de segurança emocional. O problema tende a surgir quando essa rigidez impede completamente o reconhecimento dos próprios limites ou quando a pessoa passa a acreditar que precisa suportar tudo sozinha para manter valor, pertencimento ou reconhecimento.
Por isso, compreender o Burnout exige olhar não apenas para características individuais, mas também para fatores sociais, relacionais e contextuais. A saúde mental não depende exclusivamente da capacidade pessoal de adaptação, mas também das condições concretas de existência, apoio emocional, divisão de responsabilidades e possibilidade real de recuperação ao longo da vida.
-
Olá, recentemente passei por uma crise de ansiedade e perdi um tempo ao meu ex namorado para refleti
Olá, recentemente passei por uma crise de ansiedade e perdi um tempo ao meu ex namorado para refletir oq estava acontecendo comigo pq nunca me havia acontecido isso e eu sentia ansiedade so de pensar nele. Depois que minha mente clareou percebi que não queria perder-lo, mas quando fui conversar novamente ele falou que ja queria terminar o relacionamento e que nao era culpa minha, mas sim ele que não estava conseguindo se doar para mim. Estou me sentindo péssima, sinto que estraguei tudo. E também muito confusa sobre essa situação, sinto vontade de ficar perguntando até saber oq significa não conseguir se doar, apesar de suspeitar que seja "não gosto o suficiente de você" me sinto meio traída.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Percebo o quanto essa situação te mobilizou emocionalmente e como existem muitas dúvidas, sentimentos e interpretações acontecendo ao mesmo tempo. Em momentos assim, é muito comum a mente tentar encontrar respostas imediatas para aliviar a dor e a confusão.
Acredito que um processo terapêutico possa ser muito importante para você nesse momento. A terapia pode te ajudar a elaborar essas questões com mais profundidade, compreender melhor seus sentimentos, fortalecer seu autoconhecimento e identificar padrões emocionais e relacionais para que você não precise reviver, sem perceber, ciclos de sofrimento semelhantes no futuro.
-
Gosto d um homem q tem todos os sintomas de TDAH, porém, parece q fala ele entende como ofensa. O qu
Gosto d um homem q tem todos os sintomas de TDAH, porém, parece q fala ele entende como ofensa. O que devo fazer?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Atualmente, no Brasil, não existe uma lei que classifique automaticamente o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) como deficiência para todos os efeitos legais, como ocorre, por exemplo, com o Transtorno do Espectro Autista. Ainda assim, o tema vem sendo cada vez mais discutido no campo jurídico, educacional e social devido aos impactos funcionais significativos que o transtorno pode gerar na vida acadêmica, profissional e emocional de quem convive com ele.
O principal fundamento jurídico utilizado nessas discussões é a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015), que define pessoa com deficiência como aquela que possui impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial que, em interação com barreiras, possa obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. A partir dessa definição, alguns casos de TDAH podem ser reconhecidos judicialmente como deficiência quando há prejuízo funcional importante e persistente.
Apesar disso, o entendimento predominante ainda é de que o diagnóstico de TDAH, por si só, não garante automaticamente enquadramento como Pessoa com Deficiência (PcD). Em concursos públicos, benefícios e políticas de cotas, normalmente é necessária avaliação individualizada que demonstre impacto significativo na funcionalidade e autonomia da pessoa.
A principal legislação específica sobre o tema atualmente é a Lei nº 14.254/2021, que dispõe sobre o acompanhamento integral para educandos com dislexia, TDAH e outros transtornos de aprendizagem. Essa lei reforça o direito ao acompanhamento especializado, identificação precoce e suporte educacional, reconhecendo a necessidade de acolhimento e adaptações no ambiente escolar.
O TDAH também é frequentemente compreendido como uma deficiência invisível, justamente porque seus impactos nem sempre são percebidos externamente. Muitas crianças, adolescentes e adultos convivem diariamente com dificuldades relacionadas à atenção, organização, impulsividade e regulação emocional sem que isso seja facilmente identificado pelo ambiente. Essa invisibilidade faz com que muitas vezes o sofrimento seja minimizado ou interpretado como desinteresse, preguiça ou falta de esforço, o que pode gerar consequências importantes para a autoestima e saúde emocional.
Nos últimos anos, projetos de lei vêm sendo discutidos no Congresso Nacional buscando ampliar o reconhecimento legal do TDAH como deficiência para determinados fins, especialmente relacionados à inclusão social, educacional e garantia de direitos. Entretanto, até o presente momento, não existe previsão legal automática e universal que enquadre toda pessoa com TDAH como PcD.
Referências:
BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Brasília, DF: Presidência da República, 2015. Disponível em: Planalto – Lei Brasileira de Inclusão. Acesso em: 14 maio 2026.
BRASIL. Lei nº 14.254, de 30 de novembro de 2021. Dispõe sobre o acompanhamento integral para educandos com dislexia, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) ou outro transtorno de aprendizagem. Brasília, DF: Presidência da República, 2021. Disponível em: Planalto – Lei 14.254/2021. Acesso em: 14 maio 2026.
CÂMARA DOS DEPUTADOS. Projeto classifica pessoa com TDAH como pessoa com deficiência. Brasília, DF, 2025. Disponível em: Câmara dos Deputados. Acesso em: 14 maio 2026.
INSTITUTO CLARO. Quais são os direitos da pessoa com TDAH? São Paulo, 2024. Disponível em: Instituto Claro. Acesso em: 14 maio 2026.
-
Olá! Minha mãe perdeu minha irmã ainda bebê a alguns anos atrás e passou por uma depressão pós-par
Olá!
Minha mãe perdeu minha irmã ainda bebê a alguns anos atrás e passou por uma depressão pós-parto. E a uns anos atrás depois de alguns outros problemas acabou ficando desaparecida por 15 dias e a achamos andando nas ruas como se fosse uma moradora de rua e quando a encontramos ela achava que todos da família estavam mortos. Agora faz tratamento com medicamentos e estamos em busca de um psicólogo, porém não sabemos em que especialidade o psicólogo é melhor pra situação que ela viveu. Alguém pode ajudar?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Quando a realidade fica muito dura a mente usa de artifícios de fuga da realidade. No caso da sua mãe o luto da sua irmã pode não ter sido bem elaborado. Busque um psicólogo(a) especialista em luto, e quem sabe grupo de enlutados pode ajudar. Desejo melhoras.
-
a atividade fisica melhora uma pessoa que tem as boas emoções apagadas, que nao sente mais a vida com
a atividade fisica melhora uma pessoa que tem as boas emoções apagadas, que nao sente mais a vida com o coração, como se o coração estivesse insensivel?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A atividade física é excelente e, sem dúvida, um dos pilares fundamentais da saúde. Costumo pensar em três grandes bases para o bem-estar: sono de qualidade, movimento do corpo e boa nutrição. Quando uma dessas áreas está comprometida, nosso equilíbrio físico e emocional também tende a sofrer.
Ao mesmo tempo, a atividade física não substitui um processo terapêutico quando a questão envolve algo mais profundo, como um sentimento de vazio, falta de sentido, desconexão consigo mesmo ou aquilo que você descreve como um coração insensível. O exercício pode trazer mais energia, disposição, bem-estar e até melhorar o humor, mas não resolve causas emocionais e existenciais que estão por trás do sofrimento.
Por isso, vejo a atividade física e a terapia como caminhos complementares. Enquanto o movimento fortalece o corpo e favorece diversos processos biológicos importantes, a terapia oferece um espaço para compreender o que está sendo vivido, elaborar emoções, resgatar sentidos e promover transformações mais profundas. Quando os dois acontecem juntos, o potencial de benefício costuma ser significativamente maior. A atividade física é geralmente bastante associada à boas emoções.
Autor
Perguntas frequentes
-
roacutan pode ser tomado juntamente com o litio, usado para tratamento da bipolaridade?
A associação entre isotretinoína (Roacutan) e lítio não deve ser feita sem…