Perguntas do paciente (7)
-
O que não fazer quando se tem ansiedade e depressão ?
O que não fazer quando se tem ansiedade e depressão ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Acho importante diferenciarmos a ansiedade da depressão, cada quadro tem um prognóstico recomendado.
O que não fazer no caso da ansiedade é reforçar pensamentos ruminativos ou intrusivos ou ignorar suas causas. Vamos ouvir o que ela quer tanto nos dizer e agir (principalmente sair do pensar para o agir) para que possamos desligar esse desconfortável alarme interior.
Enxergo a ansiedade como um descompasso interno em relação ao tempo das coisas, então é importante entendermos e aceitarmos esse ritmo que os processos demandam para se desenvolverem, entendendo que devemos sempre estarmos atentos para "ter a serenidade para aceitar aquilo que não podemos mudar, a coragem para mudar o que for possível e a sabedoria para saber discernir entre ambos".
Já no quadro da depressão, há uma lentificação em relação a esse ritmo da vida, um desânimo generalizado e falta de motivação, baixa autoestima. O que não fazer é se entregar a esse desânimo. Pode parecer contraintuitivo, mas é importante estar em movimento (exercício físico), ter relações saudáveis (não ficar muito sozinha), estar em contato com a natureza, com a água, praticar o contato com a espiritualidade.
A depressão diz sobre uma falta de sentido, então é importante uma auto análise sobre o que faz sentido para você e então buscar ter uma vida mais alinhada aos seus valores, gosto da palavra propósito (algo maior que o si mesmo).
Temos que entender o que nossos sintomas querem nos dizer ao invés de enxergá-los como inconvenientes que devem ser retirados do caminho. Assim podemos existir de uma forma mais consicente e autoimplicada com o nosso desejo. Angústia (quando bem trabalhada, escutada) é potência!
Abraços, boa sorte.
@psibeatrizsarah
-
Meu gênero é feminino, e desde que nasci atuo como uma mulher. Porém, não consigo me imaginar relaci
Meu gênero é feminino, e desde que nasci atuo como uma mulher. Porém, não consigo me imaginar relacionando amorosamente/sexualmente com alguém tendo esse corpo, pois não gosto dele, tenho certas inseguranças. Mas com um corpo masculino me sinto segura pensando nisso. Isso pode indicar que eu seja uma pessoa trans?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, pode indicar sim. Vivemos em uma sociedade em que o padrão heteronormativo ainda é muito dominante e há preconceito (explícito ou velado) com pessoas transgêneros. Imagino que o primeiro passo é o autorreconhecimento de quem você é e de qual seu desejo. Daí aos poucos você ganha a firmeza interna para se colocar no mundo de uma forma mais autêntica e para ter relações de mais sentido para você.
Os rótulos (cis, trans, não binário..) são importantes, mas vale pensar também sobre quem você é para além deles, a sua singularidade, que pode ultrapassar as possibilidades de identificação de gênero existentes. A psicoterapia é um bom lugar para cuidar de inseguranças e dos traumas, o que queremos é que você se sinta bem, confortável com quem você é, com o que busca e como se expressa. Aumentando a validação interna, diminui-se a necessidade de validação externa.
-
Há casos de doença mental na minha família, corro riscos?
Há casos de doença mental na minha família, corro riscos?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Pode influenciar, mas a genética não é preditora. O mais importante é a sua forma de estar no mundo, como você lida com a sua existência, sua autorresponsabilidade, os contextos aos quais você habita. Como dito, somos seres bio(lógicos)psico(lógicos)sociais, e ainda acrescento: espirituais. A biologia em nós faz parte de um todo que é muito maior que ela.
-
A pessoa com Deficiência pode ter uma vida normal?
A pessoa com Deficiência pode ter uma vida normal?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim, gosto de questionar o que é o "normal". A palavra aqui é: inclusão. As adaptações de espaços, o suporte e ferramentas pessoais são fundamentais para que a pessoa com deficiência possa habitar diferentes lugares com maior fluidez e autonomia, se sentindo mais pertencente no convívio social, o que pode trazer a sensação de "normalidade". Mas o "normal" não existe, somos seres únicos com vivências únicas, mesmo aqueles que nao têm deficiência não têm uma vivência "ideal" ou "normal"...
-
Quais são os meios para poder ter uma válvula de escape de forma saudável?
Quais são os meios para poder ter uma válvula de escape de forma saudável?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, o exercício físico é uma boa opção, assistir um filme leve, o contato com a espiritualidade, conversar com amigos ou com algum psicólogo, comer uma fruta, tirar uma soneca, estar na natureza, estar com um animal de estimação, fazer amor com seu/sua parceiro (a). Gosto de pensar sobre a importância de termos equilíbrio em nossas escolhas como uma via para ser mais saudável. Por exemplo, comer um chocolate pequeno pode ser saudável, comprar algo que você queira depois de ter refletido que realmente vale à pena pode ser saudável. É sobre ir afinando o senso interno para perceber até onde o prazer é sustentável, escutando suas emoções para que você não se restrinja e nem se "afrouxe" demais.
-
Quais as características neuropsicológicas das pessoas com Transtorno da personalidade Borderline (
Quais as características neuropsicológicas das pessoas com Transtorno da personalidade Borderline ( Limítrofe)?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Muita labilidade emocional, medo de abandono, comportamento extremamente impulsivo "se você me deixar, eu vou me ma***..". Autoimagem muito ligada á validação que o outro (normalmente o par romântico) dá, baixa autoestima.
-
Quais são os motivos que contribuem para habitar um louco em nós?
Quais são os motivos que contribuem para habitar um louco em nós?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Acredito que esse termo "louco" pode ser um tanto quanto estigmazado, preconceituoso. A psicologia já não mais ocupa um lugar de formatar as pessoas em um padrão socialmente aceito, como o fez durante seus primórdios. Citando minha colega "de médico e louco, todo mundo tem um pouco", escute o que sua "loucura" tem a lhe dizer, o que é que foi negado pela via da consciência que teve que surgir como um sintoma, o que é que estava sufocado que teve que gritar. Talvez o processo seja sobre aceitar suas "arestas", compreendendo que esse padrão normativo de existir é um tanto quanto ilusório e cabe a você aguçar essa bússula interna do sentido.
Perguntas frequentes
-
Ouvir vozes dentro da cabeça caracteriza alucinaçõses no transtorno esquizoafetivo? Junto com oscila
Esse fenômeno se chama na verdade pseudoalucinações. São vozes dentro da…