Perguntas do paciente (40)
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Sinto que depois que minha esposa engravidou eu comecei a ficar mais tempo preso ao celular rolando
Sinto que depois que minha esposa engravidou eu comecei a ficar mais tempo preso ao celular rolando feed, depois de um tempo comecei a buscar tbm uma necessidade em pornografia que acabou se tornando uma compulsão, olhava no trabalho ou sempre que ela não estava por perto, qual a melhor ajuda profissional a se buscar e geralmente como é o tratamento?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá. Em primeiro lugar, quero valorizar a sua coragem em compartilhar esse relato tão honesto. A transição para a paternidade e a espera por um filho trazem transformações profundas na rotina, na dinâmica do casal e, principalmente, no mundo interno do homem. É um período que, embora muito bonito, costuma gerar ansiedades, medos e pressões invisíveis.
Muitas vezes, quando nos sentimos sobrecarregados ou desconectados diante de uma grande mudança, nosso psiquismo busca 'válvulas de escape' rápidas para aliviar a tensão. O uso excessivo do celular e a pornografia compulsiva frequentemente entram nesse lugar: funcionam como uma anestesia imediata para dar conta de uma angústia ou de uma solidão que ainda não foi colocada em palavras. Na clínica, nós não olhamos para isso apenas como uma falta de controle, mas como um sintoma que está tentando sinalizar que algo aí dentro precisa de cuidado.
Qual ajuda buscar?
O caminho ideal é iniciar um processo de psicoterapia (a psicoterapia de orientação psicanalítica é excelente para isso). Se você perceber que a compulsão está muito difícil de controlar no dia a dia e interferindo no seu trabalho, associar a terapia a uma consulta com um psiquiatra pode ser muito importante para um suporte inicial.
Como costuma ser o tratamento?
Na terapia, o foco não será apenas fazer você 'parar' com o comportamento, mas entender o que desencadeou essa necessidade de fuga. Vamos acolher a sua história sem julgamentos, investigar as ansiedades ligadas a esse novo momento de vida e te ajudar a construir formas mais saudáveis e autênticas de lidar com o estresse e com as emoções. Você não precisa passar por essa transição sozinho. Busque um profissional de psicologia para te acompanhar de perto.
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Há alguns anos cometi uma infidelidade no meu relacionamento. Meu parceiro soube de tudo na época, n
Há alguns anos cometi uma infidelidade no meu relacionamento. Meu parceiro soube de tudo na época, nós conversamos sobre o assunto e ele decidiu me perdoar. No entanto, eu não consigo me perdoar. Frequentemente surgem lembranças daquele período, acompanhadas de culpa e remorso intensos. Mesmo já tendo contado o que aconteceu, sinto uma necessidade constante de voltar ao assunto e confirmar se ele realmente me perdoa, como se eu precisasse repetir a história ou acrescentar detalhes para ter certeza disso. Essa necessidade me causa muito sofrimento. Isso pode estar relacionado à ansiedade ou ao TOC? É possível superar essa culpa e essa necessidade de buscar confirmação?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá. Sinto muito que você esteja carregando esse peso há tanto tempo. O cenário que você descreve é doloroso, mas muito frequente: o parceiro consegue perdoar e seguir em frente, mas a própria pessoa se torna seu juiz mais implacável.
Sobre a sua dúvida: sim, esse movimento de ser invadido por lembranças do passado, seguido por uma culpa intensa e uma necessidade urgente de buscar reasseguramento (perguntar se o outro perdoou, contar detalhes repetidamente para 'testar' se o perdão é real) tem um funcionamento muito parecido com os ciclos de ansiedade e de transtornos do espectro obsessivo-compulsivo (TOC). Nesses quadros, a mente cria um pensamento que gera angústia, e a 'busca por confirmação' funciona como um comportamento para aliviar o alvoroço interno. O problema é que esse alívio dura pouco e o ciclo recomeça.
Pela perspectiva da psicanálise, nós olhamos para isso também por outro ângulo: a necessidade de repetir a história e de buscar a punição ou o perdão constante do outro pode ser uma tentativa inconsciente de aplacar uma culpa que você sente que 'não tem direito' de se livrar. É como se, no fundo, você sentisse que precisa continuar sofrendo para pagar pelo erro.
É possível superar?
Com certeza. Mas a resposta para a sua angústia não está mais no que o seu parceiro diz, e sim no que esse erro significou para você e para a sua história. O tratamento ideal é a psicoterapia. No espaço terapêutico, sem julgamentos morais, você poderá investigar por que é tão difícil aceitar a sua própria imperfeição e, aos poucos, transformar o remorso que paralisa em responsabilidade que permite seguir em frente. Não hesite em buscar a ajuda de um psicólogo para trilhar esse caminho de reconciliação com você mesmo(a).
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Desenvolvi um medo de que não consigo controlar meus próprios pensamentos e emoções depois de uma ex
Desenvolvi um medo de que não consigo controlar meus próprios pensamentos e emoções depois de uma experiência bastante exaustiva de auto cobranças por uma seleção de pós graduação. Fico me vigiando pra ver se consigo controlar pensamentos, tento provar que x y pensamento não faz sentido. Mas quanto mais faço isso mais fico remoendo e mais sinto falta de controle. Passei a entender que meu problema é que estou com uma ideia muito rígida de controle mental e que ela não falta de capacidade emocional, estou no caminho certo?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Você está no caminho certíssimo: o seu problema não é falta de capacidade, é o excesso de esforço.
O que está acontecendo com você é um reflexo do cansaço extremo que a seleção da pós-graduação causou. Você treinou sua mente para ser rigorosa, analítica e não admitir erros. Agora, sem perceber, você está tentando aplicar esse "modo de estudo" dentro das suas emoções, e é aí que mora a armadilha.
Aqui estão três pontos para você entender o que está acontecendo:
1) O pensamento é como uma mola: Sabe quando você tenta empurrar uma mola para baixo com toda a força? Quanto mais você aperta, mais pressão ela faz para subir. Com o pensamento é igual. Quanto mais você diz "eu não posso pensar nisso" ou tenta provar logicamente que o pensamento é errado, mais importância você dá a ele — e mais ele volta para te assombrar.
2) Depois de tanta cobrança nos estudos, parece que um "fiscal" interno ficou ligado 24 horas por dia na sua cabeça. Você passou a vigiar seus pensamentos como se eles fossem uma prova que você não pode errar. Mas a mente humana não é uma ciência exata; ela produz coisas estranhas, bobas e sem sentido o tempo todo. O segredo da saúde mental não é controlar o que surge, mas não dar bola para o que não presta.
3) Sua mente está "frita" de tanto cansaço. Quando estamos exaustos, nossa capacidade de deixar os pensamentos passarem diminui. Você não perdeu o controle; você só está sem energia para ignorar o que deveria ser ignorado.
Como começar a melhorar?
Pare de debater: Quando um pensamento chato vier, não tente provar que ele não faz sentido. Apenas diga para você mesma: "Ih, lá vem aquele pensamento de novo. Deixa ele aí, estou cansada demais para brigar com ele agora".
Dê tempo ao tempo: Você precisa "desmamar" da adrenalina da pós-graduação. Seu corpo e sua mente precisam entender que a prova acabou e que agora você tem permissão para ser espontânea, e não apenas produtiva.
Se você sente que esse "remoer" está pesado demais, procure um terapeuta. O objetivo da terapia não será te ensinar a controlar os pensamentos, mas te ajudar a ficar em paz com o fato de que nem tudo precisa de controle.
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Tive pouco apoio emocional na infância, adolescência e não tive apoio emocional da minha mãe na vida
Tive pouco apoio emocional na infância, adolescência e não tive apoio emocional da minha mãe na vida adulta quando mais precisei e ela não me aceita como homossexual. Sinto me solitário na família e sinto que as coisas são mais difíceis pra mim. Como evitar desistir de tudo e ter forças pra continuar mesmo com falta de apoio familiar?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sinto muito que você esteja atravessando esse deserto emocional. O que você descreve — a falta de apoio histórico e a rejeição pela sua orientação sexual — não é apenas uma "tristeza", é o que chamamos na psicologia de desamparo. Quando os nossos primeiros vínculos (os pais) falham em oferecer reconhecimento e proteção, a sensação é de que o mundo é um lugar hostil e de que estamos sozinhos na caminhada.
No entanto, é possível encontrar forças para continuar, e isso passa por algumas etapas fundamentais:
1. O luto pela mãe que você precisava (mas não teve)
Um dos processos mais dolorosos, porém libertadores, é aceitar que sua mãe talvez não tenha as "ferramentas emocionais" para te dar o amor e a aceitação que você merece. Parar de esperar que a validação venha dela é o que permite que você pare de se ferir tentando abrir uma porta que está trancada por dentro. A rejeição dela diz sobre as limitações e preconceitos dela, e não sobre o seu valor como filho ou como pessoa.
2. Família Biológica vs. Família Escolhida
Se o seu núcleo de origem é um espaço de solidão, é vital investir na construção de uma família escolhida. São os amigos, parceiros e comunidades que celebram a sua existência exatamente como você é. Para quem sofre rejeição familiar por ser homossexual, encontrar esses "portos seguros" fora de casa é uma estratégia de sobrevivência e de cura subjetiva.
3. Transforme a sobrevivência em existência
Muitas vezes, quem cresce com pouco apoio emocional aprende a ser "forte demais" o tempo todo. Mas ninguém sustenta a força sem descanso. O desejo de "desistir" costuma ser um pedido de socorro do seu psiquismo dizendo que o modo como você está vivendo (carregando tudo sozinho) está pesado demais. É preciso buscar ajuda para que você não precise mais apenas sobreviver, mas possa começar a viver.
4. A análise como lugar de refúgio
A psicoterapia é o espaço onde você pode reconstruir o seu senso de valor. No consultório, trabalhamos para que você aprenda a ser o seu próprio "cuidador", integrando as feridas da infância e fortalecendo a sua identidade adulta. É o lugar onde você deixa de buscar o olhar de aprovação da sua família e passa a sustentar o seu próprio desejo.
Não desista da sua história. O fato de o seu ponto de partida ter sido difícil não significa que o seu destino será a solidão. Existem muitos lugares no mundo onde a sua vida será celebrada e onde você poderá construir laços baseados no respeito e na reciprocidade.
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sempre tive que pensar em tudo como se eu tivesse que tomar decisões mentais que meu cérebro deve
sempre tive que pensar em tudo
como se eu tivesse que tomar decisões mentais que meu cérebro deveria fazer sozinho, de forma automática
por exemplo monitorar minha emoções, reações expressões
por exemplo " sorria levemente, pare de sorrir, sorria com os olhos, interrompa o contato visual"
" você está ansioso, respire mas não tão forte para não notarem seu nervosismo "
" o motorista do carro está errado e te ofendeu mas não responda, ignore! ele pode estar embriagado ou até armado. Se necessário fuja, se ele te seguir, faça um trajeto diferente da sua casa, busque um lugar com mais movimentação para que possam te ajudar se necessário "
isso é extremamente cansativo
tenho que pensar em tudo, reações que deveriam ser automáticas se tornam tarefas para meu consciente coordenar, decidir
fico exausto demaisRESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que você descreve é uma experiência extremamente exaustiva chamada hipervigilância. É como se, em vez de deixar seu corpo e sua mente funcionarem no "piloto automático", você tivesse assumido o controle manual de tudo: desde o brilho do seu sorriso até as rotas de fuga em um trânsito comum.
Para a psicanálise, isso não é um defeito do seu cérebro, mas sim uma estratégia de defesa que se tornou pesada demais. Vamos entender por que isso acontece:
1. Imagine que existe um vigia dentro da sua cabeça que acredita que, se ele relaxar por um segundo, algo terrível vai acontecer. Esse vigia (que chamamos de Superego) é muito rígido e acredita que você só estará seguro se monitorar cada gesto e prever cada tragédia. Você não confia que o mundo é seguro o suficiente para que você possa apenas "ser" espontâneo.
2. Quando planejamos cada detalhe — como o que fazer se o motorista nos seguir — estamos tentando, no fundo, evitar a sensação de estarmos desamparados. Para quem viveu situações onde não se sentiu protegido ou validado, o controle vira uma armadura. O problema é que carregar uma armadura 24 horas por dia drena toda a sua energia vital.
3. O que deveria ser instintivo (como respirar ou reagir a uma ofensa) se tornou uma tarefa. É por isso que você se sente tão exausto. Você está gastando o dobro da energia que as outras pessoas gastam, porque está "calculando" o que elas fazem de forma natural. É como tentar coordenar as batidas do próprio coração: é um esforço impossível que gera angústia.
Como começar a aliviar esse peso?
Reconheça o cansaço: O primeiro passo é validar que o seu cansaço é real. Você está fazendo um trabalho hercúleo de proteção constante.
O objetivo do tratamento: Na análise, o objetivo não é te dar mais controle, mas sim te ajudar a sentir-se seguro para perder o controle. É entender de onde veio essa ordem interna de que você "precisa dar conta de tudo sozinho" para sobreviver.
Dê um passo de cada vez: Tente, em ambientes muito seguros (com amigos próximos ou no próprio consultório), deixar um pequeno gesto sair sem planejamento. Experimente o alívio de não ter que decidir o tamanho do seu sorriso por alguns minutos.
Viver no "modo manual" é uma tentativa desesperada de se manter seguro. O tratamento ajuda você a perceber que nem tudo é uma ameaça e que seu "sentinela" interno finalmente pode tirar um descanso.
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Sempre que tenho um compromisso eu passo mal, só penso nisso e não durmo, quando durmo nao descanso
Sempre que tenho um compromisso eu passo mal, só penso nisso e não durmo, quando durmo nao descanso apenas sonhando com isso. Recentemente consegui um emprego na minha área, tenho muito medo muito mesmo. Estou ha 3 dias sem dormir, sem comer, com ânsia de vomito e com o intestino desregulado. Não consigo me concentrar. Nem me sentir feliz. Não consigo pensar em mais nada, só sinto medo e passo mal e choro. Me dar falta de ar e piriri. Choro que falta o ar. Sinto angústia e me dói o peito. Me disseram que é frescura ou preguiça, mas não é. Eu sinto a mesma coisa quando penso que todo mundo consegue fazer coisas simples ou básicas (como arrumar um emprego) e eu não. E agora que consegui um emprego, me sinto ainda pior. Eu não sei o que fazer. Eu quero desistir e deixar o emprego, mas é muito difícil arrumar emprego na minha cidade e eu não cumpri nenhum dia de serviço ainda. Como lidar com isso?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sinto muito que você esteja passando por isso. É fundamental começar dizendo o que você já sabe, mas que precisa ouvir de um profissional: o que você sente não é preguiça, falta de vontade ou "frescura".
O que você descreve — a insônia, a dor no peito, a falta de ar e as reações gastrointestinais — são manifestações psicossomáticas de uma ansiedade aguda. O seu corpo está reagindo a esse novo emprego como se estivesse diante de uma ameaça vital, um perigo real de morte, e não como um evento social ou profissional.
Por que isso acontece justamente agora?
Muitas vezes, a conquista de algo muito desejado (como o emprego na sua área) pode disparar o que chamamos de "angústia de separação" ou um medo profundo de não corresponder a um ideal de perfeição. A sensação de que "todo mundo consegue e eu não" revela uma cobrança interna cruel, que ignora o seu tempo e a sua dor.
Como lidar com isso agora?
Busque ajuda profissional imediata: O seu quadro atual é de alto sofrimento e privação (sono e alimentação). Você precisa de um suporte que combine a Psiquiatria (para estabilizar os sintomas físicos e permitir que você volte a dormir e comer) e a Psicologia/Psicanálise (para entender o que esse emprego representa simbolicamente e por que ele se tornou tão aterrorizante).
Não tome decisões definitivas sob crise: No auge do desespero, a nossa mente só quer "fugir" da dor, e por isso o desejo de desistir do emprego é tão forte. Tente focar apenas em sobreviver ao dia de hoje. Se possível, procure um pronto-atendimento se a falta de ar e a dor no peito persistirem, para descartar causas físicas e receber medicação de alívio imediato.
Acolha a sua fragilidade: Tentar lutar contra o medo ou se cobrar para "estar feliz" só aumenta a ansiedade. Entenda que, neste momento, você está doente. E, como qualquer pessoa doente, você precisa de cuidado e tratamento, não de julgamento.
O medo de falhar ou de ser exposto em um novo ambiente é paralisante, mas ele pode ser tratado. Você não precisa carregar esse peso sozinha e não é menos capaz por estar sofrendo agora. Procure ajuda o quanto antes para que você possa, aos poucos, retomar o seu espaço de vida.
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Há uma semana estou com sintomas horríveis de ansiedade: não sinto fome, não durmo, não sinto tesão,
Há uma semana estou com sintomas horríveis de ansiedade: não sinto fome, não durmo, não sinto tesão, fico com uma angústia no peito que não passa, tremores, calafrios, sudorese excessiva e por aí vai. Não paro de pensar no meu futuro em qualquer questão de “vou conseguir dormir essa noite?” até “qual o propósito de viver sofrendo desse jeito?” e “quando eu for mais velho e/ou idoso como será minha vida?”. Sinto que estou completamente desconectado da realidade e que me tornei uma pessoa diferente negativamente. Estou fazendo acompanhamento terapêutico por 4 semanas antes disso tudo acontecer e medicamentoso há 4-3 dias. Isso vai passar? Vou conseguir voltar a funcionar? Vou conseguir voltar a ter desejos e metas? Devo mudar de psicanálise para TCC?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que você está vivenciando é um estado de hipervigilância e angústia aguda. É compreensível que, sob esse sofrimento, surjam perguntas sobre o futuro e o propósito da vida, pois a dor presente é tão intensa que parece que ela será eterna. Mas a resposta curta e direta é: sim, isso passa. Para ajudar você a atravessar esse momento, precisamos pontuar alguns fatores importantes:
1. O tempo da medicação
Você mencionou que iniciou os remédios há apenas 3 ou 4 dias. Na psiquiatria, a maioria das medicações para controle de ansiedade e estabilização do humor leva de 15 a 21 dias para atingir o efeito terapêutico esperado. Nestes primeiros dias, é comum inclusive sentir um leve aumento da ansiedade ou efeitos colaterais antes da melhora. O que você sente agora é o pico do transtorno, e o remédio ainda não teve tempo de "construir a rede de proteção" necessária.
2. A sensação de desconexão (Despersonalização)
Sentir-se "desconectado" ou uma "pessoa diferente" é um mecanismo de defesa do cérebro quando o nível de estresse ultrapassa o limite suportável. Não significa que você enlouqueceu ou que mudou para sempre; é apenas o seu psiquismo tentando se proteger de uma dor que ele não consegue processar no momento. Conforme a ansiedade baixar, essa sensação de realidade retornará.
3. Mudar de Psicanálise para TCC?
Não é o momento de tomar decisões drásticas sobre a modalidade terapêutica. Você está em análise há apenas 4 semanas — um tempo muito curto para uma reestruturação subjetiva. A Psicanálise foca na causa e na sustentação do sujeito, enquanto a TCC foca no manejo de sintomas. Ambas são eficazes, mas mudar agora pode gerar mais angústia por ter que recomeçar um vínculo do zero em plena crise. O mais importante no momento não é a técnica, mas a aliança terapêutica: você se sente seguro e escutado pelo seu analista? Se sim, permaneça e leve essas questões para a sessão.
4. A volta dos desejos e metas
A depressão e a ansiedade aguda "sequestram" o nosso desejo. É impossível pensar em metas quando se está lutando para respirar ou dormir. O desejo voltará naturalmente assim que as funções básicas (sono, apetite e silêncio interno) forem restabelecidas pela medicação e pela fala.
Minha orientação:
Mantenha o contato estreito com seu psiquiatra: Relate esses sintomas iniciais. Ele pode avaliar se é necessário algo para alívio imediato (SOS) enquanto a medicação principal não faz efeito.
Não lute contra os pensamentos: Quando vier o "como será minha velhice?", tente responder para si mesmo: "Agora eu não consigo resolver isso, meu foco é apenas chegar até a noite de hoje".
Dê tempo ao tempo: Você está no início de um processo. O cuidado já começou, agora é preciso sustentar o intervalo entre o início do tratamento e o alívio dos sintomas.
Você voltará a funcionar e a desejar. O sofrimento de agora é uma fase, não o seu destino final.
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Como o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) afeta a percepção de rejeição social?
Como o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) afeta a percepção de rejeição social?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A percepção de rejeição no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) não é apenas um "receio", mas uma experiência frequentemente vivida com uma intensidade visceral. Para entender como isso ocorre, podemos olhar para três pilares fundamentais:
Hipersensibilidade Interpessoal: O indivíduo com TPB possui uma espécie de "radar" ultra-atento a sinais sociais. Um atraso de cinco minutos em uma resposta de mensagem ou uma mudança sutil no tom de voz podem ser interpretados como sinais inequívocos de que um abandono é iminente.
Dificuldade na Regulação Emocional: Quando essa percepção de rejeição é ativada, o sistema emocional responde de forma abrupta. A dor psíquica da rejeição é sentida como uma dor física real, o que pode levar a reações de pânico, raiva intensa ou esforços desesperados para evitar que o outro se afaste.
A "Lente" do Abandono: Frequentemente, existe uma dificuldade em sustentar a "constância objetal". Isso significa que, se o outro não está presente ou demonstra algum sinal de descontentamento, a pessoa pode perder a sensação de que ainda é amada ou valorizada, sentindo-se subitamente desamparada.
É importante ressaltar que essa sensibilidade não é uma "escolha" ou "manipulação", mas sim uma forma de funcionamento psíquico que traz muito sofrimento.
O papel da psicoterapia:
Na clínica, o trabalho consiste em ajudar o paciente a criar um espaço de pausa entre a percepção (o sinal de rejeição) e a reação. Através da análise e de abordagens específicas (como a Terapia Dialética Comportamental ou a Psicanálise), é possível aprender a validar as próprias emoções sem ser paralisado por elas, construindo relações mais estáveis e menos pautadas pelo medo.
Se você ou alguém próximo se identifica com esse sofrimento, a busca por um acompanhamento especializado é o primeiro passo para encontrar novas formas de se relacionar consigo e com os outros.
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Como o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) se manifesta em contextos de alta demanda (ex: a
Como o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) se manifesta em contextos de alta demanda (ex: ambiente acadêmico ou profissional)?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Em contextos de alta pressão, como o ambiente corporativo ou a pós-graduação, o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) costuma se manifestar de forma menos "óbvia" do que nas relações familiares, mas com um sofrimento interno devastador. O ponto central aqui é a dificuldade em separar o desempenho profissional do valor pessoal.
As principais manifestações são:
Hipersensibilidade à Crítica: No ambiente acadêmico ou profissional, o feedback é constante. Para quem tem TPB, uma correção técnica ou uma crítica construtiva pode ser recebida como um ataque pessoal ou um sinal de rejeição total. Isso pode gerar desde uma paralisia por perfeccionismo até reações de raiva ou desespero.
Ciclo de Idealização e Desvalorização: É comum começar um novo projeto ou emprego com extremo entusiasmo e idealização (da empresa, do chefe ou do orientador). No entanto, ao primeiro sinal de frustração ou falha, o indivíduo pode passar a ver o ambiente como hostil ou perigoso, levando a pedidos de demissão impulsivos ou abandono de cursos.
O "Tudo ou Nada" na Performance: Existe uma oscilação entre períodos de hiperprodutividade (onde a pessoa tenta provar seu valor para evitar ser "descartada") e episódios de exaustão emocional ou dissociação, onde a concentração desaparece devido ao ruído das emoções internas.
A Síndrome do Impostor Intensificada: A instabilidade na autoimagem faz com que o sucesso nunca pareça real. Mesmo com um currículo brilhante, a pessoa sente que é uma "fraude" e que será descoberta e exposta a qualquer momento, o que gera uma ansiedade crônica.
O papel do suporte especializado
Nesses contextos, a psicoterapia é fundamental não para "corrigir" o profissional, mas para ajudá-lo a construir uma distância saudável entre quem ele é e o que ele entrega. O trabalho clínico foca em:
Regulação Emocional: Aprender a lidar com a frustração sem agir por impulso.
Diferenciação: Entender que um "não" profissional não é um abandono pessoal.
Construção de Limites: Aprender a dizer não e a não absorver a pressão externa como se fosse uma questão de sobrevivência.
Se o ambiente que deveria ser de crescimento está se tornando um cenário de angústia constante, o acompanhamento psicológico é o caminho para transformar a alta demanda em um desafio sustentável, e não em um gatilho de crise.
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Qual a diferença entre identidade difusa no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e crise exi
Qual a diferença entre identidade difusa no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e crise existencial?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Embora ambas envolvam sentimentos de vazio e dúvida sobre quem somos, a natureza e a intensidade dessas experiências são bem distintas:
1. A Crise Existencial (O questionamento sobre o sentido)
A crise existencial é, geralmente, um evento datado ou motivado por grandes mudanças (perda de emprego, luto, fim de um relacionamento ou uma transição de ciclo de vida).
O foco: É o "porquê". A pessoa se pergunta sobre o sentido da vida, suas escolhas e o futuro.
A base: Apesar da dúvida, a pessoa ainda mantém um senso de continuidade. Ela sabe quem foi no passado, apenas não sabe para onde ir no futuro. É um incômodo que costuma impulsionar reflexões filosóficas e mudanças de rota.
2. A Identidade Difusa no TPB (A falta de um "centro")
No Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), a identidade difusa é uma característica estrutural e crônica. Não é uma dúvida sobre o "sentido da vida", mas sobre a própria existência de um "eu" sólido.
O foco: É o "quem". A pessoa sente que é um "camaleão", mudando de personalidade, gostos, opiniões e valores dependendo de com quem ela está.
A base: Há uma falta de continuidade psíquica. O indivíduo pode sentir-se uma pessoa completamente diferente de um dia para o outro. Isso gera um vazio crônico — uma sensação de que, por dentro, não existe nada sólido que sustente quem ela é quando está sozinha.
Manifestação: Essa indefinição leva a mudanças impulsivas e radicais de carreira, religião, estilo e até de orientação sexual, em uma tentativa desesperada de "preencher" esse vazio com uma nova identidade.
Em resumo:
A crise existencial é uma "nuvem" que passa sobre uma montanha (o eu); a identidade difusa é como se a montanha fosse feita de areia, mudando de forma a cada vento que sopra.
O papel da terapia:
Enquanto a crise existencial pode ser trabalhada como uma busca por novos propósitos, a identidade difusa no TPB requer um processo clínico profundo de integração. O objetivo é ajudar o paciente a construir um senso de si mesmo que não dependa exclusivamente do olhar ou da presença do outro, integrando suas diversas facetas em uma identidade mais estável e contínua.
Se esse sentimento de vazio e despersonalização é constante e causa prejuízos nas suas relações e escolhas, o acompanhamento com um profissional especializado em transtornos de personalidade é o caminho mais indicado.
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Qual são os desafios no tratamento do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?
Qual são os desafios no tratamento do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O tratamento do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é um processo profundo e, embora apresente excelentes prognósticos com o acompanhamento adequado, impõe desafios específicos tanto para o paciente quanto para o profissional.
Os principais eixos de desafio são:
1. O Estabelecimento do Vínculo (Aliança Terapêutica)
Devido ao medo intenso do abandono e à sensibilidade à rejeição, o paciente pode testar o vínculo terapêutico constantemente. Existe uma tendência à oscilação: em um momento, o terapeuta é visto como alguém salvador (idealização); em outro, como alguém que não se importa ou que irá falhar (desvalorização). Sustentar essa relação sem que o tratamento seja interrompido precocemente é o desafio número um.
2. O Manejo da Impulsividade e Crises
O tratamento não acontece apenas dentro do consultório. Manejar comportamentos impulsivos e crises que ocorrem no cotidiano exige que o terapeuta e o paciente estabeleçam combinados claros e estratégias de regulação emocional que possam ser acessadas em momentos de desespero. O desafio é transformar o "atuar" (agir impulsivamente) em "falar" sobre a dor.
3. A Tolerância ao Mal-estar e ao Vazio
Muitas pessoas com TPB buscam a terapia para eliminar a dor emocional imediatamente. No entanto, o processo terapêutico envolve aprender a tolerar o mal-estar sem recorrer a mecanismos de fuga prejudiciais. Aprender a conviver com o sentimento de vazio crônico até que se possa construir um sentido próprio é uma etapa exigente do caminho.
4. A Estabilidade no Longo Prazo
O progresso no TPB muitas vezes não é linear. Existem avanços e recaídas. O desafio aqui é manter a motivação e entender que as crises não anulam o progresso já feito. É um trabalho de "formiguinha" na construção de uma identidade mais integrada e estável.
O que faz a diferença?
O sucesso no tratamento geralmente envolve uma abordagem multidisciplinar (psicologia e psiquiatria) e, acima de tudo, a escolha de profissionais que tenham experiência em transtornos de personalidade. Atualmente, abordagens como a Psicanálise, a Terapia Dialética Comportamental (DBT) e a Terapia Focada em Esquemas apresentam evidências robustas de melhora na qualidade de vida e na estabilização dos sintomas.
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Como a psicoterapia pode ajudar a pessoa com linfoma a lidar com a culpa e a frustração por depender
Como a psicoterapia pode ajudar a pessoa com linfoma a lidar com a culpa e a frustração por depender dos outros durante o tratamento?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Esta é uma das dores mais profundas e menos faladas durante o tratamento do linfoma. A sensação de "ser um peso" ou a frustração por não conseguir mais realizar tarefas simples do dia a dia pode ser tão desgastante quanto os efeitos colaterais físicos.
Na psicoterapia, trabalhamos para que essa fase de dependência não seja lida como um sinal de fraqueza, mas como um processo de cuidado necessário. Veja como o acompanhamento pode ajudar:
1. Ressignificando o conceito de "dependência"
Nossa cultura valoriza muito a autonomia e a produtividade. Quando o linfoma obriga a uma pausa, o paciente sente que perdeu seu valor. A terapia ajuda a entender que a dependência é temporária e estratégica: você está poupando energia para que seu corpo possa combar a doença. Receber ajuda não é sinal de falência pessoal, é uma ferramenta do tratamento.
2. Diminuindo a "Dívida Emocional"
Muitos pacientes sentem que estão "devendo" algo aos familiares e amigos que cuidam deles, o que gera uma culpa enorme. O psicólogo auxilia o paciente a perceber que o cuidado é uma via de mão dupla baseada no afeto, e não um fardo. Trabalhamos para que você consiga aceitar o zelo do outro sem se sentir inferiorizado por isso.
3. Lidando com a perda de controle
O linfoma retira o controle sobre a rotina, o corpo e os planos. Isso gera uma frustração imensa que, muitas vezes, é descontada em quem está mais próximo. Na terapia, criamos um espaço seguro para que você possa extravasar essa raiva e essa tristeza, evitando que esses sentimentos corroam os seus vínculos afetivos.
4. Fortalecendo a comunicação com os cuidadores
Muitas vezes, a culpa impede o paciente de dizer o que realmente precisa, ou o faz aceitar ajudas que ele ainda não quer. A psicoterapia ajuda a desenvolver uma comunicação mais clara e honesta com a família, estabelecendo limites saudáveis: "Onde eu ainda consigo agir sozinho?" e "Onde eu realmente preciso que você segure a minha mão?".
O objetivo do suporte psicológico é garantir que, enquanto o seu corpo se recupera, a sua identidade e a sua autoestima permaneçam preservadas.
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Como a terapia psicológica pode auxiliar na gestão do medo da recaída do câncer?
Como a terapia psicológica pode auxiliar na gestão do medo da recaída do câncer?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá! Esta é uma preocupação legítima e muito comum após o término de um tratamento oncológico. O fim das sessões de quimioterapia ou radioterapia marca o início de uma nova etapa: o desafio de retomar a vida emocional.
A terapia é fundamental nesse processo porque o medo da recaída não é apenas um "pensamento negativo", mas uma resposta ao impacto profundo que a doença causou na sua percepção de segurança. Veja como o acompanhamento psicológico auxilia:
1. Transformando o pânico em palavra
Muitas vezes, o medo da recaída se manifesta como uma "hipervigilância": qualquer dorzinha ou sinal no corpo é lido como o retorno da doença. Na terapia, ajudamos você a traduzir esse pânico físico em palavras. Quando damos nome ao que sentimos, o medo deixa de ser um "monstro invisível" e passa a ser algo que podemos manejar.
2. Saindo do "Modo de Sobrevivência"
Durante o tratamento, a mente foca apenas em sobreviver. Quando o tratamento acaba, é comum surgir um vazio ou um esgotamento emocional súbito. O psicólogo ajuda você a processar esse trauma, permitindo que a experiência do câncer se torne parte da sua história, mas que não seja mais o centro da sua identidade.
3. Lidando com a incerteza
A doença nos confronta com o fato de que não temos controle sobre tudo. A terapia não serve para dar falsas garantias de que "nada vai acontecer", mas para fortalecer os seus recursos internos. O objetivo é que você consiga conviver com a dúvida sem que ela paralise os seus planos, seus desejos e a sua alegria de viver o presente.
4. Um espaço para a "verdade emocional"
Existe uma pressão social para que o paciente curado seja sempre "otimista" e "grato". Na terapia, você tem permissão para sentir medo, raiva ou cansaço sem julgamentos. Acolher esses sentimentos é, curiosamente, o que mais nos dá força para seguir em frente.
O suporte psicológico oferece o "chão" emocional necessário para que você recupere a confiança no seu corpo e na sua vida.
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Estimados psicólogos e psicólogas, boa noite! Meu médico disse que as minhas tonturas frequentes são
Estimados psicólogos e psicólogas, boa noite! Meu médico disse que as minhas tonturas frequentes são uma doença pouco conhecida chamada Vertigem Fóbica. Nesse caso, devo procurar um psicólogo, psicanalista ou psiquiatra? Como será o tratamento desse doença no caso de recorrer a um psicólogo/a? Agradeço desde já pela atenção.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá! É muito importante que você já tenha esse diagnóstico em mãos, pois a Vertigem Fóbica é um exemplo claro de como nossas emoções podem afetar diretamente o nosso equilíbrio físico.
Sobre a sua dúvida de qual profissional procurar, o ideal é pensar em um trabalho em conjunto:
Psicólogo ou Psicanalista: A escolha entre um ou outro depende muito de com qual profissional você estabelecerá um bom vínculo. Na psicanálise, por exemplo, o foco será entender o que essa tontura está tentando "comunicar" sobre o seu momento de vida. O mais importante é que você se sinta seguro e acolhido para falar abertamente sobre suas questões. É nesse espaço que você vai tratar a causa emocional do desequilíbrio.
Psiquiatra: É muito importante considerar o acompanhamento psiquiátrico também. Como a vertigem fóbica gera um desconforto físico real e constante, o psiquiatra pode prescrever medicações que ajudam a estabilizar o sistema nervoso. Isso ajuda a diminuir a intensidade da tontura, dando a você mais "fôlego" e tranquilidade para avançar no seu processo de terapia.
Como será o tratamento?
Diferente de um exame médico, o tratamento com um psicólogo ou psicanalista acontece através da fala. Nós vamos investigar:
O que vem antes da tontura: Momentos de estresse, pressão ou situações em que você se sente "sem chão".
A perda de controle: Muitas vezes, a vertigem está ligada ao medo inconsciente de perder o controle sobre algo na vida.
A tradução do sintoma: O objetivo é fazer com que você não precise mais manifestar a ansiedade através do corpo. Quando colocamos a angústia em palavras, o corpo tende a relaxar e o sintoma de tontura perde a força.
O melhor caminho é não escolher apenas um, mas unir o suporte medicamentoso (se necessário) com a investigação profunda que a terapia oferece.
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Olá! Estou passando por dias difíceis. Estou trabalhando com atendimento ao público para ser preci
Olá!
Estou passando por dias difíceis.
Estou trabalhando com atendimento ao público para ser precisa como operadora de caixa. Não tenho diagnóstico, mas tudo me faz pensar que tenho ansiedade social não sei se chega a ser um transtorno. Na minha infância e adolescência sofri bastante bullying relacionado a minha aparência hoje estou melhor com isso a minha aparência me agrada mais, mais sofro as consequências sou insegura e me cobro demais. Me julgo ser estranha, mas não apenas eu me chamam de medida, séria quieta e até acham que estou com raiva, mas sou uma pessoa com um bom coração e essas vem de clientes e isso me faz desanimar sempre que sinto uma melhora esse comentário vem e não tenho controle para lidar com isso me faz querer parar parece que meu jeito de ser é está no mundo incomoda as pessoas e elas fazem questão de falar isso o que só piora a ansiedade e eu sei que posso sim está sendo estranha, mais só estou ansiosa. Eu sou uma boa pessoa, não sou metida e nem desinteressada não sei por se incomodam tanto comigo. Quero aprender a me acolhe, me aceitar de tal forma que esses comentários, mas é difícil quanto estou tentando me curar e só reforçam esse medo. Existe solução para isso ou sempre o meu jeito de ser vai incomoda é difícil conseguir melhorar assim e ainda tem os sintomas a mão tremendo e fico desajeitada. O caminho da cura é me aceitar como lidar com esse tratamento das pessoas. Isso me faz querer desistir do emprego.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sinto muito que você esteja passando por isso. O que você descreve é um ciclo exaustivo: você se esforça para estar bem, mas o comentário de um estranho 'atropela' sua melhora.
Pela psicanálise, o que você vive no caixa do mercado não é apenas sobre o agora. O bullying na infância e adolescência cria uma espécie de 'lente' pela qual a gente enxerga o mundo. Se lá atrás você foi levada a acreditar que era estranha ou inadequada, hoje o seu corpo reage a qualquer olhar externo como se fosse um novo ataque.
Aqui estão alguns pontos para você começar a respirar mais aliviada:
A 'cara de brava' e a armadura: Muitas vezes, quem sofreu bullying desenvolve uma fisionomia mais séria ou fechada sem perceber. Não é porque você é 'metida', é uma defesa. O seu corpo está tentando te proteger de um mundo que já foi hostil com você. Os clientes não veem seu coração, eles veem a sua armadura.
O sintoma no corpo: A mão que treme e o jeito desajeitado são sinais de que a sua ansiedade está tentando 'falar' por você. Quando a gente se cobra demais para parecer normal, o corpo acaba denunciando o esforço.
O caminho não é só aceitação, é compreensão: Você pergunta se o seu jeito sempre vai incomodar. A resposta é: as pessoas sempre vão projetar coisas em você, especialmente no atendimento ao público. O segredo não é mudar para agradar o cliente, mas entender que o comentário dele diz muito sobre a pressa e a falta de educação dele, e não sobre a sua essência.
Existe solução, sim. A terapia não vai te transformar em uma pessoa 'extrovertida e perfeita', mas vai te ajudar a descolar a opinião dos outros da sua própria identidade. Quando você entende por que precisa dessa 'armadura', ela começa a ficar mais leve e, aos poucos, você para de tremer porque para de se sentir em um campo de batalha.
Não desista de você. O que você chama de 'estranheza' talvez seja apenas a sua singularidade tentando encontrar um lugar seguro para aparecer.
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E se eu não gostar do meu analista nas primeiras sessões? Devo insistir ou é melhor trocar logo de p
E se eu não gostar do meu analista nas primeiras sessões? Devo insistir ou é melhor trocar logo de profissional?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Essa é uma excelente pergunta! Muita gente se sente 'presa' ao profissional logo de cara e acaba desistindo da terapia inteira porque não bateu o santo com aquele analista específico.
Na psicanálise, o que a gente chama de transferência (essa conexão entre analista e paciente) é o motor do tratamento. Se essa conexão não acontece, o trabalho fica muito difícil. Aqui estão três dicas para te ajudar a decidir:
Geralmente, a primeira sessão é carregada de ansiedade. Às vezes, o que você não gostou foi da situação, e não do profissional. Eu costumo sugerir que, se possível, você tente umas três sessões para entender se o estilo de escuta dele realmente não combina com você.
Às vezes, a gente não gosta do analista porque ele pontuou algo que nos incomodou (e que precisava ser dito). Mas, se o desconforto for com a postura, a falta de pontualidade, ou se você simplesmente não se sente seguro para falar, não precisa insistir.
Você está investindo seu tempo e dinheiro. É fundamental que você sinta que aquele profissional, embora possa te desafiar, está 'do seu lado'. Se você sente que precisa pisar em ovos ou que não é compreendido, procure outro.
O segredo é: Não desista da psicanálise por causa de um profissional. Às vezes, é como sapato: você precisa experimentar um ou dois até encontrar aquele que te permite caminhar com firmeza.
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Minha família é muito tóxica e me sinto culpada por querer me afastar. A psicanálise ajuda a lidar c
Minha família é muito tóxica e me sinto culpada por querer me afastar. A psicanálise ajuda a lidar com essa culpa sem me forçar a perdoar?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Essa é uma dúvida excelente e que traz um alívio enorme para muita gente: não, a psicanálise não vai te forçar a perdoar ninguém.
Diferente de algumas abordagens que buscam uma 'paz' forçada ou uma harmonia familiar a qualquer custo, a psicanálise trabalha com a verdade do seu sofrimento. Aqui estão três pontos para você refletir sobre isso:
O Perdão não é um botão: Na nossa prática, a gente entende que o perdão não é uma obrigação ética ou religiosa. Às vezes, o perdão nem é possível — e tudo bem. O foco da terapia não é fazer as pazes com quem te machucou, mas fazer as pazes com a sua história e com as suas decisões.
A Culpa como 'Herança': Famílias tóxicas costumam usar a culpa como uma corda para manter as pessoas por perto. Você se sente culpada porque foi ensinada que cuidar de si mesma é 'trair' a família. Na análise, a gente ajuda você a entender que se afastar de um ambiente que te adoece não é maldade, é autopreservação.
Lugar de Fala, não de Julgamento: O consultório é o lugar onde você pode dizer 'eu não gosto da minha mãe' ou 'eu quero distância do meu pai' sem que ninguém te olhe com reprovação. A gente quer entender o que esse afastamento significa para você e como você pode viver bem, com ou sem essas pessoas por perto.
O objetivo da psicanálise é te dar autonomia. Se depois de se fortalecer você decidir perdoar, que seja um movimento seu, e não uma imposição. E se decidir não perdoar, a análise serve para que você consiga sustentar essa escolha sem carregar o peso do mundo nas costas.
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Como lidar com a sensação de fracasso profissional quando toda a minha identidade está ligada ao tra
Como lidar com a sensação de fracasso profissional quando toda a minha identidade está ligada ao trabalho?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Essa sensação de vazio é desesperadora porque, quando a gente coloca todas as fichas no trabalho, qualquer instabilidade na carreira parece uma ameaça à nossa própria existência. Se eu não sou o 'diretor', o 'gerente' ou o 'profissional de sucesso', quem sobra?
Para lidar com isso, precisamos olhar para alguns pontos que a gente costuma ignorar na correria:
O 'Eu' não é o seu crachá: Na psicanálise, a gente entende que o trabalho é apenas uma das formas de expressar quem somos, mas não a única. O problema é que a sociedade nos empurra para uma 'monocultura da identidade'. Se o seu trabalho é a única fonte de valor, qualquer crítica ou fracasso profissional vira um ataque direto ao seu caráter. Não é.
O custo da alta performance: Muitas vezes, essa ligação excessiva com o trabalho é uma fuga de outras áreas da vida que estão desassistidas. O 'fracasso' profissional dói tanto porque ele nos obriga a olhar para o que sobrou fora do escritório: a família, os hobbies, o lazer e, principalmente, a nossa própria companhia.
Recalcular a rota: O fracasso é um dado da realidade, mas o 'sentir-se um fracasso' é uma construção da sua cabeça. A terapia ajuda a separar o que você faz do que você é.
O caminho não é 'trabalhar menos', mas sim 'investir mais' em outras partes de si mesmo. É preciso redescobrir o que te dá prazer e sentido além da produtividade. Se você sente que não existe nada em você fora do trabalho, esse é o momento ideal para começar uma análise e recuperar o resto da sua história.
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Amo meus filhos, mas me sinto exausta e às vezes arrependida da rotina da maternidade. É normal sent
Amo meus filhos, mas me sinto exausta e às vezes arrependida da rotina da maternidade. É normal sentir isso ou preciso de tratamento urgente?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A primeira coisa que você precisa ouvir é: você não é uma mãe ruim por sentir isso. O que você está vivendo é o que a gente chama de 'ambivalência materna', e ela é muito mais comum do que a publicidade de fraldas deixa transparecer.
O amor pelos filhos e o arrependimento da rotina (ou da perda da sua liberdade) podem, sim, coexistir no mesmo coração. Aqui está o porquê de você estar sentindo isso:
O Luto da Mulher que você era: Quando os filhos chegam, a mulher que você era precisa 'morrer' para dar lugar à mãe. É normal sentir falta da sua autonomia, do seu tempo e de ser a prioridade da sua própria vida. O arrependimento, muitas vezes, não é sobre os filhos, é sobre a carga que veio com eles.
A Solidão do Cuidado: A nossa sociedade exige que a mãe seja perfeita, mas não oferece a 'aldeia' necessária para criar uma criança. A exaustão que você sente é física, mas é principalmente mental por estar sempre no modo de alerta e serviço.
O Medo de Falar: Como existe um tabu enorme sobre o assunto, você guarda isso e o sentimento vira uma 'bola de neve' de culpa. E a culpa consome mais energia do que o próprio cuidado com as crianças.
É caso de tratamento urgente?
Não necessariamente 'urgente' no sentido de doença grave, mas é essencial que você tenha um espaço seu. A psicanálise ajuda justamente a separar o seu 'Eu mulher' do seu 'Eu mãe'.
Você não precisa de um diagnóstico para buscar ajuda; você precisa de um lugar onde possa dizer 'estou cansada de ser mãe hoje' sem ser julgada. Quando você dá voz a esse cansaço na terapia, ele para de te sufocar no dia a dia. Você merece ser cuidada também.
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Como a psicanálise lida com o racismo estrutural? O analista leva em conta o sofrimento que vem de f
Como a psicanálise lida com o racismo estrutural? O analista leva em conta o sofrimento que vem de fora, da sociedade, ou foca só na minha infância?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Essa é uma dúvida muito necessária. Por muito tempo, infelizmente, espalhou-se a ideia de que a psicanálise só olhava para o 'dentro', para o papai e para a mamãe, ignorando o que acontece na calçada do consultório.
Mas a psicanálise que a gente pratica hoje entende que não existe um 'eu' sem o social. Veja como a gente lida com o racismo estrutural na clínica:
O trauma não vem só da família: O racismo é uma violência contínua que molda a forma como a pessoa se enxerga e se coloca no mundo. Ignorar isso seria uma falha ética grave. O sofrimento que vem do preconceito, da exclusão e do olhar do outro é tão real e 'analisável' quanto qualquer questão da infância.
O analista não é neutro: O analista precisa estar atento ao seu próprio lugar (seja ele branco ou negro) para entender como isso aparece na relação com o paciente. A gente não finge que a cor da pele não importa; a gente entende que ela atravessa a escuta.
A infância e o social se cruzam: Muitas vezes, o que a pessoa traz como 'insegurança' ou 'baixa autoestima' não nasceu do nada, mas foi construído por uma sociedade que, desde a infância, disse que aquele corpo ou aquele jeito era 'menos'.
Portanto, a resposta é: levamos tudo em conta. A psicanálise serve para te ajudar a entender sua história individual, mas também para te fortalecer diante de um sistema que tenta te silenciar. O divã é um lugar de liberdade e de denúncia de tudo que te oprime, venha de dentro ou de fora.
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Perguntas frequentes
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Ouvir vozes dentro da cabeça caracteriza alucinaçõses no transtorno esquizoafetivo? Junto com oscila
Esse fenômeno se chama na verdade pseudoalucinações. São vozes dentro da…