Perguntas do paciente (3)

  • Sou muito insegurança, e também tenho dificuldade quando algo sai do meu controle. Tem dias que acor

    Sou muito insegurança, e também tenho dificuldade quando algo sai do meu controle. Tem dias que acordo mal, desanimada, com medo de ser demitida por não ser boa o suficiente, sinto que nada que eu faça está bom. Algo pequeno se torna gigante, acabo me comparando com outras pessoas da minha área e sinto que nunca vou alcançar o nível. Me sinto frustada e irritada, e super mal por não me sentir boa. Isso é normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Carla Santarem

    Oi minha querida
    Isso que tu está sentindo é mais comum do que parece, mas não por isso deve ser ignorado ou naturalizado. Essa insegurança constante, o medo de ser demitida, a sensação de não ser boa o suficiente, a comparação com outras pessoas e a tendência de transformar algo pequeno em algo enorme são sinais claros de uma autocrítica muito severa e possivelmente de um padrão de pensamento disfuncional.

    Muitas pessoas, principalmente em ambientes de alta exigência ou instabilidade, sentem que precisam provar seu valor o tempo todo. E quando algo sai do controle, isso ativa uma sensação de impotência, como se tudo estivesse desmoronando. Isso não significa fraqueza. Significa que tu está sobrecarregada por pensamentos distorcidos, pressão interna e falta de acolhimento emocional.

    A comparação com os outros pode reforçar ainda mais essa dor. Quando olhamos para o outro apenas pelo resultado, esquecemos do processo, das dificuldades que ele também teve, das ajudas que recebeu, dos erros cometidos. Comparar bastidores com o palco dos outros é injusto — e cruel!

    Tu está lidando com pensamentos automáticos que dizem:
    – "Não sou boa o suficiente."
    – "Vão perceber que não dou conta."
    – "Nada do que eu faço é realmente bom."

    Esses pensamentos não são verdades absolutas. Eles são aprendidos ao longo da vida, muitas vezes desde cedo. Mas podem ser questionados, entendidos e transformados. O problema não é sentir isso — o problema é acreditar cegamente nisso sem questionar.

    Tu pode começar se perguntando:

    Quais evidências concretas (provas reais) eu tenho de que sou ruim no que faço?

    O que estou ignorando quando foco apenas no que não fiz?

    Que expectativa estou tentando atingir, e de onde ela vem?

    Depois de responder a essas perguntas, escreva uma conclusão, é o que chamamos de resposta adaptativa, ou seja, uma visão mais alinhada com a realidade, e não influenciada pelas emoções ou autocritica.

    Essa sensação de frustração e irritação por não se sentir boa o suficiente não é fraqueza, é um sinal de que tu precisa se acolher com mais compaixão. O teu valor não está só na tua produtividade ou na comparação com os outros. Ele está na tua presença, na tua ética, na tua história — e isso não se mede com métricas externas.

    Tu não precisa dar conta de tudo, e não precisa estar "pronta" para ser boa. Tu já é valiosa — mesmo com medo, mesmo com dias ruins.

    Lembre-se: sentir-se insegura ou desanimada em alguns dias não define quem tu é — muito menos tua competência ou valor. Tu está fazendo o melhor que pode com as ferramentas que tem, e isso já é muito!

    Talvez hoje tu não consiga ver isso com clareza… e tudo bem! Mesmo nos dias nublados, o sol continua lá. A tua força também!

    Tu não precisa enfrentar tudo sozinha, tá! Com acolhimento, apoio e um passo de cada vez, é possível reconstruir esse olhar sobre si mesma.

    Seja gentil contigo mesma. Tu merece o mesmo cuidado e respeito que oferece aos outros.
    Espero ter ajudado. Abraço, minha querida.






  • A meditação sem o foco na respiração apenas fechando os olhos e ficar imóvel sem foco nenhum também

    A meditação sem o foco na respiração apenas fechando os olhos e ficar imóvel sem foco nenhum também induz ondas cerebrais lentas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Carla Santarem

    Oiii

    Sim, mesmo quando tu apenas fecha os olhos, fica imóvel e não foca em nada específico, o cérebro pode entrar em um estado de relaxamento que favorece ondas cerebrais mais lentas, como as ondas alfa (associadas ao relaxamento e à tranquilidade).

    Esse tipo de pausa silenciosa, sem estímulos, já ajuda o cérebro a reduzir a atividade mais acelerada (como as ondas beta, típicas de quando estamos resolvendo problemas ou muito ansiosos). Então sim, pode ter um efeito calmante e restaurador.

    Agora, quando a gente associa isso a um foco suave na respiração ou em um ponto de atenção, o efeito pode ser ainda mais profundo — porque o cérebro treina atenção plena, reduz o “piloto automático” e ativa regiões ligadas à autorregulação emocional.

    Mas olha só: isso não é uma regra rígida. Cada cérebro responde de um jeito. E o mais importante é o que essa prática provoca em ti. Se tu sente que te acalma, organiza ou faz bem — já é sinal de que teu sistema nervoso está se beneficiando =)

    Então sim, ficar imóvel e em silêncio, mesmo sem focar em algo, pode ajudar a induzir estados cerebrais mais calmos. E isso é muito bem-vindo nos dias de hoje, onde tudo é estímulo o tempo inteiro. Espero ter contribuído. Abraço!


  • Qual é a relação entre neuropsiquiátricos e transtornos de pensamento ?

    Qual é a relação entre neuropsiquiátricos e transtornos de pensamento ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Carla Santarem

    Olá

    Vamos lá, a relação entre os transtornos neuropsiquiátricos e os transtornos de pensamento está no fato de que muitos desses quadros afetam a forma como a pessoa percebe e entende as coisas à sua volta. Isso interfere diretamente no que ela pensa, sente e como reage.

    Transtornos como esquizofrenia, transtorno delirante ou episódios psicóticos, por exemplo, podem causar alterações importantes no pensamento — como delírios (a pessoa acredita em algo que não é real, como se estivesse sendo perseguida, por exemplo) ou pensamentos muito confusos e desconectados da realidade.

    Mas transtornos como ansiedade e depressão também mexem com o pensamento, só que de outro jeito: a pessoa não perde o contato com a realidade, mas passa a ter pensamentos automáticos e negativos sobre si, os outros e o mundo. Isso gera sofrimento emocional e comportamentos que acabam atrapalhando a vida dela no dia a dia.

    Ou seja, os transtornos de pensamento podem aparecer tanto em quadros mais graves quanto em situações emocionais mais comuns — e em todos os casos, existe tratamento. Seja com psicoterapia, medicação ou os dois, é possível organizar o pensamento, reduzir o sofrimento e recuperar o equilíbrio.

    Se tu estiver passando por isso, ou conhece alguém que esteja, buscar ajuda profissional é um passo de coragem e cuidado. Com o suporte certo, dá pra viver com mais leveza e clareza. Espero ter ajudado. Abraço!


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