Perguntas do paciente (4)
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Tenho problemas com ansiedade, mas minha ansiedade parece estar ligada ao meu perfeccionismo (traço
Tenho problemas com ansiedade, mas minha ansiedade parece estar ligada ao meu perfeccionismo (traço de personalidade que tenho desde muito tempo). Geralmente quando não consigo ter certeza absoluta de tudo, sinto desconforto e ansiedade. Mas... como já tenho comportamentos obsessivos por causa do perfeccionismo e percebi que também sou impulsivo em meio a incerteza, gostaria de saber: quando devo começar a suspeitar de TOC?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Entendo a sua dúvida — e ela é bastante pertinente, porque perfeccionismo, intolerância à incerteza, ansiedade e TOC podem realmente apresentar algumas características em comum. O fato de você perceber esse padrão e estar tentando diferenciá-los já é um passo importante.
Mas, mais do que olhar apenas para “eu tenho pensamentos obsessivos ou comportamentos repetitivos”, é importante observar qual é a função desses comportamentos e o quanto eles estão sendo utilizados para reduzir ou neutralizar a sua ansiedade.
O perfeccionismo, por exemplo, pode envolver uma necessidade muito grande de fazer as coisas corretamente, evitar erros, ter controle. Já a intolerância à incerteza pode fazer com que situações nas quais não existe uma garantia de 100% sejam percebidas como especialmente desconfortáveis. Nesses casos, a pessoa pode começar a buscar informações, revisar, checar, pedir confirmação, ruminar ou tentar encontrar uma certeza que, na prática, é impossível alcançar.
No TOC, podemos encontrar algo semelhante, mas existe um padrão mais específico: obsessões, que são pensamentos, imagens ou impulsos intrusivos e recorrentes que provocam ansiedade ou desconforto, e/ou compulsões, que são comportamentos ou atos mentais realizados para diminuir esse desconforto ou prevenir algum resultado temido.
Um aspecto importante é que, no TOC, a compulsão tende a funcionar como uma espécie de “alívio” da ansiedade. A pessoa sente incerteza → surge o desconforto → ela realiza determinada ação mental ou comportamental para ter certeza ou neutralizar a possibilidade de algo ruim → sente algum alívio → e, com o tempo, o cérebro aprende que aquela ação é necessária diante da dúvida. Isso pode acabar mantendo o ciclo.
Alguns sinais que indicam que vale a pena você investigar TOC são: pensamentos intrusivos, recorrentes, necessidade de realizar rituais ou ações mentais para aliviar a sua ansiedade, busca constante por certeza, muito tempo gasto nesses comportamentos e se vem causando prejuízo no seu dia a dia.
Vale ressaltar que, ter perfeccionismo, necessidade de controle ou dificuldade com incerteza não significa necessariamente ter TOC. Esses padrões também podem aparecer em quadros de ansiedade sem configurar o transtorno.
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É possível mudar qualquer crença central e qualquer crença intermediária disfuncional? E mesmo após
É possível mudar qualquer crença central e qualquer crença intermediária disfuncional? E mesmo após conseguir mudar essas crenças, depois de um tempo elas voltam fazendo com que o paciente tenha recaídas? Se o paciente tem recaídas por conta de que a crença disfuncional antiga voltou, então não é possível mudar crenças disfuncionais para sempre ou por algum tempo?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Vamos lá. É possível modificar crenças centrais e crenças intermediárias disfuncionais, mas isso não significa necessariamente que a crença antiga será completamente apagada e nunca mais poderá ser ativada. O objetivo do tratamento não é simplesmente "apagar" uma crença antiga, como se ela deixasse de existir, mas reduzir sua rigidez, sua força e sua influência sobre a maneira como a pessoa interpreta a realidade e age.
Por exemplo, uma pessoa pode ter desenvolvido a crença central "eu sou incapaz". Ao longo da terapia, ela pode começar a construir uma crença mais adaptativa, como "eu tenho limitações, mas também sou capaz de aprender e realizar muitas coisas". Com novas experiências e evidências, essa nova perspectiva vai se fortalecendo, enquanto a crença antiga vai perdendo força.
Isso não significa necessariamente que houve uma "perda" de todo o progresso terapêutico ou que a crença voltou exatamente à força que tinha antes. É possível que ela tenha sido apenas ativada temporariamente. A diferença pode estar na forma como o paciente responde a essa ativação.
O Objetivo na terapia é justamente que o paciente aprenda a reconhecer a reativação de seus padrões disfuncionais e consiga responder a eles de uma maneira diferente. A manutenção da mudança não depende de nunca mais experimentar pensamentos ou crenças disfuncionais, mas de não permitir que eles continuem governando a interpretação da realidade e o comportamento como acontecia anteriormente.
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Como a terapia cognitivo comportamental (TCC) trabalha a baixa autoestima, ansiedade social e depres
Como a terapia cognitivo comportamental (TCC) trabalha a baixa autoestima, ansiedade social e depressão juntos? Crenças da baixa autoestima como: "eu sou feio", "ninguém vai me amar e me achar atraente". Crenças da depressão como: "Sou inútil", "ninguém gosta de mim", "não sou bom o suficiente", "todos são melhores do que eu". E crenças e pensamentos da ansiedade social como: "Estão me julgando", "Eu tenho que agradar todo mundo", "se me criticarem, significa que sou ruim".
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Na TCC, baixa autoestima, ansiedade social e depressão podem ser trabalhadas conjuntamente porque, embora tenham características próprias, frequentemente estão interligadas por crenças centrais negativas sobre si mesmo, além de padrões de pensamento e comportamentos que acabam mantendo o sofrimento. A TCC trabalharia os três problemas de forma integrada, em vez de tentar “corrigir” cada pensamento isoladamente.
Por exemplo, uma pessoa pode ter uma crença central como “eu não sou bom o suficiente”. A partir dela, diferentes situações podem ativar pensamentos automáticos diferentes:
• Na baixa autoestima, pode aparecer: “Sou feio”, “ninguém vai me achar atraente”, “ninguém vai querer ficar comigo”.
• Na depressão: “Sou inútil”, “ninguém gosta de mim”, “todos são melhores do que eu”, “não tenho valor”.
• Na ansiedade social: “Estão me julgando”, “vou passar vergonha”, “preciso agradar todo mundo”, “se me criticarem, significa que sou uma pessoa ruim”.
Na terapia não se trabalha apenas tentando substituir esses pensamentos ruins por pensamentos positivos. O objetivo é identificar o ciclo que mantém essas crenças e desenvolver uma visão de si mesmo mais realista, flexível e baseada em evidências, trabalhando tanto os pensamentos quanto os comportamentos. Aos poucos, você não precisa deixar de ter inseguranças para conseguir viver; você aprende a não tratar cada pensamento negativo como se fosse uma verdade.
A terapia tentaria interromper esse ciclo em diferentes pontos. Podendo trabalhar as crenças e interpretações cognitivas, reduzindo a evitação social, fazer exposição gradativa, desenvolver habilidades de enfrentamento, aumentar atividades significativas, trabalhar autocrítica e investigar experiências de vida que contribuíram para a formação dessas crenças.
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Como a TCC trata a depressão, anedonia, falta de motivação, falta de energia, e crenças centrais e c
Como a TCC trata a depressão, anedonia, falta de motivação, falta de energia, e crenças centrais e crenças intermediárias disfuncionais?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Quando existe depressão, é muito comum acontecer justamente isso que você descreveu: pouca energia, falta de motivação, perda de prazer nas coisas que antes eram boas, isolamento e pensamentos negativos sobre si mesmo.
A primeira coisa seria entender como esse ciclo está funcionando para você. Por exemplo: você pode estar sem energia, então deixa de fazer coisas; por fazer menos coisas, tem menos experiências de prazer, realização e contato com outras pessoas; isso acaba aumentando a sensação de vazio e pensamentos negativos como “eu não consigo”, “sou inútil” ou “nada vai mudar”. E o ciclo continua.
Por isso, a terapia não espera necessariamente você recuperar a motivação para começar a agir. Muitas vezes trabalhamos com ativação comportamental: começar com pequenas ações possíveis, mesmo sem vontade, para gradualmente aumentar experiências de prazer, conexão e sensação de competência.
E quando existe anedonia, não espera que a atividade seja imediatamente prazerosa. No começo, pode ser que você faça algo e pense: “não senti nada”. E tudo bem. A ideia é justamente ir reintroduzindo experiências e observando, ao longo do tempo, se existe alguma mudança no humor, na energia ou na sensação de domínio.
Em conjunto são trabalhadas as crenças centrais, como “sou inferior”, “não sou amado” ou “não tenho valor”, e as crenças intermediárias, como “preciso ser perfeito para ser aceito” ou “se eu fracassar, significa que sou um fracasso” trabalhando de forma colaborativa, investigando padrões de pensamentos.
A ideia não é simplesmente pensar positivo, mas questionar essas crenças, testar outras possibilidades na prática e construir uma visão mais realista e flexível sobre você e sobre a sua vida como também desenvolver ferramentas para reconhecer esses ciclos mais cedo e conseguir responder a eles de uma maneira diferente quando aparecerem novamente.
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Perguntas frequentes
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