Perguntas do paciente (32)

  • como se livrar do vicio em pornografia teleguiada?

    como se livrar do vicio em pornografia teleguiada?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Daniele Rodrigues

    O uso compulsivo de pornografia raramente é sobre sexo, e sim sobre o que ela resolve momentaneamente: alívio de tédio, ansiedade, solidão ou desconforto que não encontrou outra saída. Entender qual emoção o comportamento está tentando silenciar costuma ser mais útil do que tentar parar na força de vontade, que quase sempre falha e alimenta vergonha. Na ACT o trabalho envolve perceber o impulso sem obedecer a ele, criando espaço entre o gatilho e a ação, e na DBT se desenvolvem habilidades para atravessar o pico da vontade sem ceder. Um passo simples é mapear os horários e estados emocionais em que o uso acontece, porque o padrão quase sempre aparece. Se estiver difícil de manejar sozinho, acompanhamento psicológico faz diferença real. Cuide-se.


  • Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estam

    Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estamos juntos há quase 3 anos e, ultimamente, sinto que não tenho mais aquela animação ou aquela sensação gostosa que sentia antes. Isso tem me deixado muito ansiosa, porque eu não quero machucá-lo e também não quero terminar. Ao mesmo tempo, não me sinto desconfortável ou presa ao lado dele. Quando conversamos, muitas vezes é bom e consigo ficar conversando até tarde. Eu reconheço que ele é uma pessoa que me ama, cuida de mim, se preocupa comigo e demonstra isso muito pelas atitudes.

    Tenho me perguntado se ainda o amo ou se estou confundindo amor com carência, rotina ou ansiedade. Quero entender meus sentimentos e, se for possível, quero recuperar o carinho e a conexão que sinto que perdi. Não quero fingir nem obrigar meus sentimentos, só queria entender o que está acontecendo comigo e saber se é possível voltar a sentir amor e entusiasmo pela pessoa que amo.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Daniele Rodrigues

    Pelo que você descreve, existe cuidado, conversa boa, ausência de desconforto. O que mudou parece ser a intensidade, não o vínculo. É comum que a euforia inicial dê lugar a um afeto mais estável, e essa transição costuma ser lida como perda de amor quando na verdade é uma mudança de estágio. O que merece atenção é a própria dúvida virar um ciclo de checagem constante do que você sente, porque isso é ansiedade se disfarçando de resposta. Na ACT esse padrão de tratar o pensamento como veredito se chama fusão cognitiva, e o caminho passa por observar a dúvida sem tentar resolvê-la à força. Sim, é possível reconstruir conexão, e a terapia ajuda a diferenciar o que é fase do que é incompatibilidade. Cuide-se.


  • Tenho depressão e toda vez que estou passando por um momento difícil começo a pesquisar sobre sintom

    Tenho depressão e toda vez que estou passando por um momento difícil começo a pesquisar sobre sintomas de doenças,dessa vez foi sobre fobia social,já tinha dificuldade de ter interações sociais mais depois que comecei a pesquisar começei a dar crises quando saio de casa,daí me isolei, começei a tomar escitalopram mais ainda não deu resultados,ainda tenho medo de ter crises se eu for sair de casa, pesquisar sintomas atrapalha no meu tratamento?
    A terapia pode me ajudar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Daniele Rodrigues

    Dá para sentir o quanto pesquisar sintomas virou uma armadilha, porque a busca que promete alívio acaba alimentando o medo e as crises que você tenta evitar. Esse padrão de checar funciona como uma compulsão, traz alívio momentâneo e logo devolve mais dúvida e vigilância sobre o corpo, então sim, costuma atrapalhar o tratamento por manter o cérebro em estado de alarme constante. Um caminho é notar a vontade de pesquisar sem obedecer a ela na hora, adiando e tolerando o desconforto que aparece, algo que a terapia ajuda a treinar. Vale lembrar que a medicação é apenas uma parte e leva algumas semanas para agir, caminhando junto do acompanhamento psicológico. Se as crises persistirem, mantenha contato próximo com quem acompanha seu tratamento. Cuide-se.


  • Tenho muita dificuldade com foco, especialmente depois da pandemia. Até leitura, que era um dos meus

    Tenho muita dificuldade com foco, especialmente depois da pandemia. Até leitura, que era um dos meus maiores prazeres quando mais novo, agora parece mais um fardo do que qualquer outra coisa, mesmo tentando muito. Como lidar com isso? Como não me render a vontade de 'instagramar' e ser mais produtivo? Sinto que tem atrapalhado muito minha vida acadêmica.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Daniele Rodrigues

    A perda de foco depois da pandemia é um relato extremamente comum, e não é falta de disciplina. O cérebro se habituou a estímulos rápidos e recompensa imediata, e a leitura, que exige atenção sustentada e tolera tédio, passou a competir em desvantagem com o feed. Reconquistar essa capacidade é possível, mas funciona como treino, começando com blocos curtos e realistas em vez de tentar voltar direto ao que você conseguia antes. Reduzir o atrito ajuda mais do que força de vontade, então deixar o celular fisicamente longe durante o estudo costuma render mais do que prometer não olhar. Práticas de atenção plena também treinam justamente esse retorno ao foco. Se estiver afetando muito a vida acadêmica, vale investigar com um psicólogo o que está por trás. Cuide-se.


  • A 2 meses eu venho tendo lapsos de memória, não consigo me concentrar nas coisas, não consigo racion

    A 2 meses eu venho tendo lapsos de memória, não consigo me concentrar nas coisas, não consigo racionar direito e tô tendo muita ansiedade, não consigo conversar mais com as pessoas e também não sinto vontade, sinto que as pessoas não me querem por perto e que me odeiam, na escola eu só consigo chorar pelo jeito que eu estou porque tá afetando o meu relacionamento, eu não consigo conversar mais com o meu namorado, sinto que ele vai me deixar a qualquer momento e começo a ter muita ansiedade, e não tô conversando muito com ele mais por causa disso, eu me sinto vazia, não consigo achar graça de memes, entender vídeos, ter opinião própria, eu sinto que só estou vegetando, sinto que me perdi de mim mesma, e coisas que eu sabia antes eu esqueci, não consigo nem fazer contas fáceis de cabeça mais, e só sinto vontade de ficar deitada na minha cama pra sempre, choro o tempo todo, e tô muito sensível também, qualquer coisa que me falam eu choro, e não consigo mais discutir com ninguém, não tenho energia pra isso, só aceito tudo. Quero saber oque eu posso ter, eu posso estar com depressão?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Daniele Rodrigues

    Esses dois meses com lapsos de memória, muita ansiedade e só conseguindo chorar na escola mostram um sofrimento grande, que merece cuidado e não algo para você atravessar sozinha. Quando estamos assim, a mente costuma distorcer a leitura das relações, e por isso surge com tanta força a sensação de que as pessoas não te querem por perto e te odeiam, ou de que ele vai te deixar a qualquer momento. Não conseguir mais conversar e não sentir vontade não significa que você mudou para sempre, e sim que está sobrecarregada agora. Um primeiro passo importante é contar como está se sentindo para um adulto de confiança, alguém da sua família ou da escola. Procurar um psicólogo vai te ajudar a entender o que está acontecendo e a melhorar. Cuide-se.


  • Tenho 20 anos e meu namorado mora cerca de 40 km de mim. Normalmente só conseguimos nos ver nos fins

    Tenho 20 anos e meu namorado mora cerca de 40 km de mim. Normalmente só conseguimos nos ver nos fins de semana. Nos últimos dias passamos quatro dias seguidos juntos: viajamos, cozinhamos, dormimos juntos e aproveitamos muito a companhia um do outro. Foi uma experiência muito especial, porque pudemos viver um pouco da rotina como casal.

    Hoje precisei voltar para casa e, desde que cheguei, estou com uma sensação de vazio e uma vontade de chorar. Não aconteceu nenhuma briga, não existe nenhum problema entre nós e também não tenho problemas em casa nem estou infeliz com a minha família. Pelo contrário, gosto muito de estar em casa e tenho uma boa convivência com a minha família.

    As despedidas dos fins de semana normalmente já me deixam um pouco tristinha e com saudade, mas a despedida de hoje foi diferente. Depois desses quatro dias juntos, senti uma tristeza muito maior, um vazio que eu não esperava sentir. Não é medo de perder o relacionamento, nem insegurança. É simplesmente uma saudade muito intensa da companhia dele. Sinto falta de dividir a rotina, acordar juntos, cozinhar, conversar e terminar o dia ao lado dele.

    Isso é normal? É comum sentir essa tristeza tão forte depois de passar vários dias tão felizes com a pessoa que amo, mesmo sabendo que nosso relacionamento está bem?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Daniele Rodrigues

    Esse vazio e a vontade de chorar depois de dias tão bons com seu namorado fazem sentido, porque você provou de uma rotina a dois que gostaria de ter e a despedida traz o contraste. Sentir a falta com essa intensidade não é fraqueza nem exagero, é o apego funcionando diante de uma distância real que pesa. Costuma ajudar nomear o que sente sem tentar apagar, reconhecendo que é tristeza e saudade, e cuidar de si nas horas seguintes com pequenas coisas que te acolhem. Também pode ser útil combinar com ele formas de manter a conexão viva durante a semana, para que a saudade não vire só ausência. Se esse vazio começar a tomar conta e atrapalhar seu dia a dia, conversar com um profissional pode ajudar a atravessar isso. Cuide-se.


  • Olá, tudo bem? Como sei se estou fazendo "transferência" pra minha psicóloga, ou gostando e tenso in

    Olá, tudo bem?
    Como sei se estou fazendo "transferência" pra minha psicóloga, ou gostando e tenso interesse amoroso/sexual por ela mesmo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Daniele Rodrigues

    Perceber esse tipo de sentimento pela sua psicóloga e ficar em dúvida sobre o que ele significa é mais comum do que parece, e não é motivo para vergonha. Na terapia, é frequente que afetos intensos apareçam em relação ao profissional, às vezes ligados a figuras e necessidades da sua história, o que costumamos chamar de transferência. Isso não exclui que existam sentimentos genuínos, mas o mais importante não é rotular como amor ou como transferência, e sim entender o que esse afeto comunica sobre você e suas relações. O espaço mais seguro para isso é a própria terapia, levando o assunto para a sua psicóloga, que está preparada para acolher sem julgamento. Trazer isso à tona costuma ser um material muito rico para o processo. Cuide-se.


  • Olá, sou jovem e não sei lidar com minha própria cabeça, quando estou com meu namorado estou bem, ma

    Olá, sou jovem e não sei lidar com minha própria cabeça, quando estou com meu namorado estou bem, mas quando tentamos algo mais íntimo, meus traumas tomam conta e eu choro e fico com medo(fui abusada com 5 anos e com 11 anos). Eu não sei o que fazer, sóbria eu fico mal, bêbada eu fico pior, pois eu tenho crises de pânico e vejo meus abusadores e começo a ter memórias dos abusos, não quero que meu namorado tenha uma namorada defeituosa. O que eu faço?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Daniele Rodrigues

    Antes de tudo, o que aconteceu com você na infância não te torna defeituosa, e sua reação diante da intimidade é uma resposta compreensível de quem viveu algo tão grave, não uma falha sua. Memórias intrusivas, crises de pânico e medo ao se aproximar são marcas frequentes do trauma, e o corpo reage tentando proteger você mesmo quando hoje existe segurança. O álcool tende a piorar esse quadro, porque reduz o controle sobre o que vem à tona, então evitá-lo nesses momentos costuma ajudar. Esse é um sofrimento que merece um cuidado específico, e existem abordagens voltadas para trauma que ajudam a reprocessar essas memórias em um ritmo seguro. Buscar acompanhamento com um profissional que trabalhe com trauma é o passo mais importante agora, e você não precisa atravessar isso sozinha. Cuide-se.


  • Porque a depressão está sempre na espreita pra nós pegar de novo, após acontecimentos ruins?

    Porque a depressão está sempre na espreita pra nós pegar de novo, após acontecimentos ruins?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Daniele Rodrigues

    A sensação de que a depressão está à espreita tem base real. Quem já teve episódios depressivos desenvolve caminhos mentais mais acessíveis, e diante de um evento difícil o pensamento tende a escorregar rápido para padrões antigos de autocrítica e desesperança. Isso não significa estar condenado a repetir o ciclo, significa que a vulnerabilidade exige manejo. A terapia cognitiva baseada em mindfulness foi desenvolvida justamente para prevenir recaídas, ensinando a reconhecer o início do escorregão antes que ele se aprofunde. Perceber os primeiros sinais, como alteração no sono, isolamento e perda de interesse, permite agir cedo. Acompanhamento psicológico contínuo, mesmo em períodos estáveis, é o que mais protege. Cuide-se.


  • Sou muito impulsivo, sou viciado em livro/curso e isso tem atrapalhado meu trabalho pois nao consigo

    Sou muito impulsivo, sou viciado em livro/curso e isso tem atrapalhado meu trabalho pois nao consigo ficar o tempo necessario trsbalhando, sempre me distraio com conteúdos/perfeccionismo. A TCC ou psicoterapia podem me ajudar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Daniele Rodrigues

    Sim, TCC e psicoterapia ajudam, e o padrão que você descreve é mais comum do que parece. Consumir conteúdo e cursos dá a sensação de estar avançando sem o desconforto de executar, e o perfeccionismo entra como justificativa: enquanto não estiver perfeito, não começa. O que sustenta o ciclo costuma ser a ansiedade diante da possibilidade de fazer mal feito, e a distração funciona como alívio imediato. Na TCC se trabalha a reestruturação dessas exigências, e na ACT se treina agir na direção do que importa mesmo com o desconforto presente, em vez de esperar ele passar. Vale também avaliar com um profissional se há um componente de desatenção envolvido. Buscar psicoterapia é um caminho concreto aqui. Cuide-se.


  • Tenho muita dificuldade em concentração no trabalho, agitação, pensamento acelerado. O que posso faz

    Tenho muita dificuldade em concentração no trabalho, agitação, pensamento acelerado. O que posso fazer nessa situação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Daniele Rodrigues

    Dificuldade de concentração acompanhada de agitação e pensamento acelerado pode ter origens diferentes, e vale investigar qual é a sua. Ansiedade costuma produzir exatamente esse quadro, porque a mente em estado de alerta divide recursos entre a tarefa e a vigilância constante, e nenhuma das duas fica bem feita. Também pode envolver desatenção, sobrecarga ou privação de sono, e o manejo muda conforme a causa. Enquanto isso, práticas de atenção plena ajudam a treinar o retorno ao foco, e blocos curtos de trabalho com pausas programadas reduzem a sensação de dispersão. Uma avaliação psicológica pode identificar o que está por trás e direcionar o tratamento certo. Cuide-se.


  • Tenho 19 anos e, há cerca de 1 mês e meio, comecei a ter episódios diários (cerca de 4–5 vezes por d

    Tenho 19 anos e, há cerca de 1 mês e meio, comecei a ter episódios diários (cerca de 4–5 vezes por dia) em que surgem “flashes” muito rápidos e involuntários de tragédias, acidentes, assassinatos ou mortes envolvendo pessoas ao meu redor ou, às vezes, eu mesmo. Eles aparecem do nada, em qualquer lugar (rua, trabalho, casa), duram apenas alguns segundos e, enquanto acontecem, fico totalmente focado neles, como se estivesse vendo mentalmente a cena. Só percebo que foi um pensamento depois que acaba. Às vezes paro o que estou fazendo e, em algumas situações, acabo conferindo ou fazendo algo simples para evitar que aquilo possa acontecer (por exemplo, trancar a porta antes de dormir), porque fico com a sensação de “e se acontecer?”.

    Além disso, quando eu era criança (menos de 10 anos), tive episódios em que, acordado, via uma “bola gigante”, via espinhos na parede e sentia uma sensação muito estranha de estar preso ou pressionado, como se meu corpo estivesse sem espaço. Às vezes eu levantava desesperado, andava em círculos e chamava minha mãe porque aquilo parecia muito real. Esses episódios desapareceram. Por volta dos 12–14 anos, passei por uma fase em que tinha uma sensação constante de que seria morto ou assassinado a qualquer momento. Isso também passou. Há cerca de 6 meses, a sensação de pressão e a “bola gigante” voltaram 1 a 3 vezes e desapareceram novamente.

    Recentemente também tive um sonho extremamente realista em que levei um tiro na região do pescoço/cabeça, caí no chão, minha visão ficou muito prejudicada (como um clarão), tentei pedir socorro e acordei muito assustado.

    Gostaria de saber que tipo de condição ou investigação poderia explicar esse conjunto de sintomas e qual profissional seria o mais indicado para avaliar esse caso.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Daniele Rodrigues

    Ter vários flashes por dia com cenas de tragédias que surgem do nada e prendem sua atenção costuma assustar bastante, principalmente pelo medo do que esses pensamentos significam sobre você. Pensamentos intrusivos como esses são involuntários e não dizem respeito ao seu caráter nem indicam que você quer que algo aconteça, eles aparecem justamente porque você os teme e tenta afastá-los. Quanto mais a gente luta contra ou tenta ter certeza de que nada vai acontecer, mais eles voltam, num ciclo parecido com o do TOC. Um caminho é aprender a notar o pensamento e deixá-lo passar sem tratá-lo como ameaça real nem buscar neutralizá-lo, algo que a terapia treina de forma gradual. Como isso começou de forma recente e frequente, vale procurar um profissional para avaliar de perto e te orientar. Cuide-se.


  • Olá. Tenho TOC diagnosticado e uma dúvida que tem me causado muito sofrimento. Há alguns anos comet

    Olá. Tenho TOC diagnosticado e uma dúvida que tem me causado muito sofrimento.

    Há alguns anos cometi uma infidelidade com uma pessoa do meu passado. Meu companheiro me perdoou e seguimos juntos, mas eu nunca consegui me perdoar.

    Recentemente imaginei como minha vida poderia ter sido se eu tivesse ficado com essa pessoa. Foi apenas um pensamento hipotético, e logo pensei que sou feliz no meu relacionamento atual. Mesmo assim, senti uma culpa muito intensa, como se esse pensamento significasse que fiz algo errado novamente.

    Esse tipo de pensamento pode ser uma manifestação do TOC ou pode indicar que ainda tenho algum sentimento por essa pessoa? Como lidar com essa culpa?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Daniele Rodrigues

    Sentir culpa por um pensamento que surgiu sem convite é uma das formas mais dolorosas de sofrimento, e o que você descreve faz todo sentido dentro de um quadro de TOC. A mente com TOC tem o hábito de tratar pensamentos involuntários como confissões, como se tê-los fosse equivalente a querer aquilo ou ser aquele tipo de pessoa. Na abordagem ACT, esse padrão é chamado de fusão cognitiva, e o caminho de saída passa por aprender a observar o pensamento sem se identificar com ele: "minha mente trouxe isso, mas isso não me define." O pensamento hipotético sobre outra vida não diz nada sobre os seus sentimentos reais, só diz que a sua mente está funcionando do jeito que o TOC ensinou. Se esse ciclo de culpa e ruminação estiver difícil de manejar, buscar apoio de um psicólogo é um passo importante. Cuide-se.


  • Olá, estou em uso de Sertralina 50mg há 22 dias. Neste período já noto melhora significativa na ansi

    Olá, estou em uso de Sertralina 50mg há 22 dias. Neste período já noto melhora significativa na ansiedade, nunca mais tive as crises. Porém, estou me sentindo "muito tranquila", o que me causa até certa estranheza. Comentei com a psiquiatra que acompanha meu tratamento e a mesma afirmou que isso é comum e o organismo tende a acostumar, com o passar das semanas está é a nova sensação que será presente, a de bem-estar. Comentei o mesmo com minha psicóloga e ela aponta que isto é comum e justamente o bjetivo da medicação e que essa nova sensação de tranquilidade deve ser trabalhada em terapia, para que eu aprenda a lidar com ela e finalmente "descansar a cabeça" e que esta estranheza é comum pois vivi muitos anos com TAG e devo me readequar a este novo funcionamento. Ao mesmo tempo, quando paro, acabo me sentindo agoniada, pois parece que "não sou eu" e acabo me sentindo triste com isto.
    Com o andar do tratamento, a tendência é que esta sensação seja comum e "meu novo normal"?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Daniele Rodrigues

    O que você está sentindo faz sentido e é mais comum do que parece. Depois de anos convivendo com TAG, a ansiedade deixa de ser apenas sintoma e passa a funcionar como referência de identidade, então a calma chega com gosto de estranhamento, quase como perda. Não é que você não seja mais você, é que o estado que você conhecia como normal era o alerta constante, e agora falta esse ruído de fundo familiar. Sua psicóloga está certa ao apontar que esse é justamente o material a ser trabalhado, porque aprender a habitar a tranquilidade sem desconfiar dela é um processo de reorganização, não algo automático. Nomear essa estranheza nas sessões, em vez de tentar afastá-la, costuma ser o caminho. Cuide-se.


  • Sou diagnosticada com TDAH e Bipolaridade e sempre fiz TCC, mas nao sinto que me ajuda muito. Gosta

    Sou diagnosticada com TDAH e Bipolaridade e sempre fiz TCC, mas nao sinto que me ajuda muito. Gostaria de saber se a Terapia DBT é adequada, mesmo que eu não tenha borderline.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Daniele Rodrigues

    A DBT foi criada para borderline, mas hoje é usada com bons resultados para TDAH e bipolaridade, porque trabalha justamente o que essas condições tornam mais difícil: regulação emocional, tolerância ao mal-estar, atenção plena e efetividade interpessoal. Dito isso, a abordagem é apenas um dos pilares do tratamento. A relação terapêutica, os objetivos definidos junto ao seu psicólogo e a avaliação sobre o uso ou ajuste de medicação para TDAH e bipolaridade são igualmente importantes. Se a TCC não está trazendo o alívio que você esperava, vale conversar abertamente com seu terapeuta sobre isso e, se necessário, buscar um segundo olhar de um profissional com formação em DBT. Cuide-se.


  • Sou mulher, 45 anos e sem experiência sexual com alguém. Recorro a porno eventualmente (fico meses s

    Sou mulher, 45 anos e sem experiência sexual com alguém.
    Recorro a porno eventualmente (fico meses sem acessar, não tenho vontade).
    Em 2015 me deparei com vídeos mais bizarros, como de zoo por exemplo e parei ali mesmo. Mas isso desencadeou uma crise enorme em mim.
    Na época procurei ajuda com um terapeuta sexual, mas depois que relatei o que estou dizendo aqui, a primeira pergunta dele foi: Ninguém nunca quis transar com você?! Não voltei mais.
    Desde 2021 sou acompanhada por uma psiquiatra, diagnosticada com depressão e ansiedade.
    Minha libido é baixa, mas semana passada, por tédio, resolvi ver alguma coisa e me deparei novamente com algo bizarro. Se fiquei 5min foi muito, perdi a vontade na hora e desde então estou muito mal.
    Me sinto culpada, suja, angustiada. Como uma viciada com recaída depois de 11 anos.
    Sei que preciso de terapia, mas podem me dar uma luz, por favor?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Daniele Rodrigues

    Dá para sentir o peso de estar muito mal, se sentindo culpada, suja e angustiada depois desse episódio, ainda mais carregando o que ouviu daquele terapeuta em 2015. Vale separar duas coisas, o tédio que te levou a ver alguma coisa e a perda de vontade na hora em que apareceu algo bizarro, que mostra justamente o quanto aquilo não combina com você. Se ver como uma viciada com recaída depois de 11 anos tende a aumentar a autocondenação por algo que durou cinco minutos. Sua história merece um cuidado respeitoso, sem julgamento, olhando também para a depressão e a ansiedade que já são acompanhadas. Você mesma reconhece que precisa de terapia, e procurar alguém que te trate com respeito é a luz mais concreta aqui, porque aquele atendimento não representa o que a terapia deveria ser. Cuide-se.


  • Há 4 anos conheci uma garota, não chegamos a namorar, mas nunca esqueci ela, errei com ela, penso ne

    Há 4 anos conheci uma garota, não chegamos a namorar, mas nunca esqueci ela, errei com ela, penso nela todo dia, até cheguei a namorar outra pessoa depois, mas nunca me senti feliz com o meu relacionamento recente

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Daniele Rodrigues

    Pensar nela todo dia há quatro anos, sem nunca ter esquecido, e não ter se sentido feliz no relacionamento recente mostra o quanto essa história ficou em aberto dentro de você. Quando a mente volta sem parar à mesma pessoa, muitas vezes não é só sobre ela, e sim sobre algo que ela representa, uma possibilidade ou um afeto que não teve para onde ir. Esse pensamento repetido dá a sensação de estar resolvendo, mas costuma manter você preso ao passado em vez de elaborar de fato. Vale olhar para o peso que carrega o ter errado com ela, e para o que esse dia a dia de lembranças tenta te dizer. Se isso continuar ocupando seus dias e atrapalhando novas relações, um acompanhamento pode ajudar a fechar esse ciclo. Cuide-se.


  • Recebi pouco afeto na minha criação, percebo que às vezes tenho dificuldade de ver quando me apaixon

    Recebi pouco afeto na minha criação, percebo que às vezes tenho dificuldade de ver quando me apaixono por alguém e uma vez percebi que gostei de uma pessoa quando ele cortou o contanto quando tive uma coragem pra falar com ele. É possível eu conseguir não só amar como também identificar com mais facilidade esse sentimento e qual seria a relação de amar com a força pra seguir nas minhas metas pessoais?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Daniele Rodrigues

    Crescer com pouco afeto pode dificultar o reconhecimento das próprias emoções, inclusive do amor. Quando o contato afetivo foi escasso na infância, o sistema emocional aprende a minimizar ou não nomear o que sente, e isso persiste na vida adulta de formas sutis como a que você descreveu. A boa notícia é que a capacidade de identificar e conectar com as próprias emoções pode ser desenvolvida. Na terapia, especialmente em abordagens como ACT e TCC, esse é um trabalho possível e profundo. Quanto à relação entre amor e motivação pessoal, sentir-se conectada consigo mesma e com o que importa para você tende a fortalecer o movimento em direção às próprias metas. São processos que se alimentam mutuamente. Buscar apoio terapêutico pode ajudar nessa jornada. Cuide-se.


  • Boatarde gostaria de tirar uma dúvida sobre o processo terapêutico. Sinto muita dificuldade em lidar

    Boatarde gostaria de tirar uma dúvida sobre o processo terapêutico. Sinto muita dificuldade em lidar com a ansiedade e angústia nos dias em que não tenho sessão. Queria saber se é uma prática comum na psicologia os profissionais entregarem algum tipo de material físico para o paciente levar para casa, como cartões com mensagens de apoio, blocos de exercícios rápidos ou lembretes para momentos difíceis? E isso realmente ajuda na eficácia do tratamento durante a semana?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Daniele Rodrigues

    A ansiedade nos dias sem sessão costuma ser mais intensa do que parece, porque é exatamente nesses momentos que o conteúdo trazido na terapia precisa ser sustentado sem apoio externo. Quanto à sua dúvida, sim, o uso de materiais de apoio entre sessões é uma prática reconhecida, especialmente em abordagens como TCC e DBT. Registros de pensamento, fichas de habilidades de regulação emocional, cartões de coping ou exercícios de atenção plena são recursos que muitos terapeutas utilizam justamente para fortalecer o que é trabalhado na sessão durante os dias da semana. A eficácia depende menos do suporte físico em si e mais de como o material se conecta ao que está sendo desenvolvido na terapia. Vale conversar com o seu terapeuta sobre essa necessidade, já que isso é uma informação importante sobre como o processo está sendo vivido. Cuide-se.


  • Parece que tudo depende de mim. Como eu faço para parar de sentir isso?

    Parece que tudo depende de mim. Como eu faço para parar de sentir isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Daniele Rodrigues

    Essa sensação de que tudo depende de você raramente aparece do nada. Ela costuma ser construída ao longo do tempo, em contextos onde assumir o controle foi a forma de se sentir seguro, de ser reconhecido ou de evitar que as coisas desmoronassem. O que foi uma estratégia de adaptação no passado pode ter se tornado um peso no presente. Olhar para esse padrão com curiosidade, não para se culpar, mas para entender de onde ele veio e o que ele ainda está tentando proteger, é um passo importante. Na ACT, esse processo envolve perceber que você não precisa ser o pilar de tudo para ter valor ou para que a vida siga. Se esse peso está difícil de carregar, acompanhamento psicológico pode ajudar a revisitar essa história e construir novos modos de se relacionar com a responsabilidade. Cuide-se.


Perguntas frequentes

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