Perguntas do paciente (14)

  • Como a TCC trabalha a baixa autoestima e a autoimagem negativa de si, já que a autoimagem é imutável?

    Como a TCC trabalha a baixa autoestima e a autoimagem negativa de si, já que a autoimagem é imutável?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Debora Preda

    Mas justamente por isso a TCC não trabalha com a ideia de “mudar quem você é”, e sim a forma como você aprendeu a se enxergar. A autoimagem não é imutável: ela foi construída por experiências, crenças e interpretações, então pode ser ressignificada. Não é sobre sair de “sou um uma péssima pessoa” para “sou perfeita”, mas conseguir se enxergar de uma forma mais realista e menos cruel.


  • É possível termos sentimentos ou sensações que não queremos ter? Ontem eu estava acordando, ainda c

    É possível termos sentimentos ou sensações que não queremos ter?

    Ontem eu estava acordando, ainda com muito sono, em tinha aberto os olhos ainda, quando do nada me veio na cabeça um cara que um dia gostei e sorri. Assim que abri os olhos, pensei: “Ué, mas eu nem gosto mais dele. Essa pessoa me fez passar por coisas ruins, então por que eu tive essa reação?”

    Passei o dia remoendo isso e me sentindo culpada, porque eu sei que não gosto mais dele e não quero voltar a ficar com ele. Mas aquele momento me fez questionar se uma reação espontânea pode significar alguma coisa.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Debora Preda

    Sim! A gente pode ter pensamentos, sentimentos e reações que não escolheu ter. O cérebro faz associações o tempo todo e isso não significa necessariamente que você ainda gosta da pessoa ou que quer alguma coisa com ela. Você sorriu, só isso. O problema começou quando você tentou transformar esse sorriso em uma prova de que ainda sente algo. Nem toda reação espontânea precisa ter um significado profundo.


  • Tenho dificuldade de me priorizar metas pessoais e fazer o que gosto. Sou de família que me deixou u

    Tenho dificuldade de me priorizar metas pessoais e fazer o que gosto. Sou de família que me deixou um pouco de lado emocionalmente e acredito que isso me bloqueia de me priorizar mais, sinto que tenho que tirar força negativa de dentro de mim pra tentar me priorizar e tenho uma crença de que acho que seria muito egoísta da minha parte ao me colocar em primeiro lugar. Como se trabalha isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Debora Preda

    Eu trabalharia isso com bastante cuidado, porque se você passou muito tempo aprendendo a colocar os outros na frente, se priorizar pode mesmo dar a sensação de estar fazendo algo errado. Na TCC, a gente vai entendendo de onde veio essa ideia de que se colocar em primeiro lugar é egoísmo e vai questionando isso aos poucos. E também praticando pequenas escolhas em que você se prioriza, sem precisar esperar a culpa desaparecer.
    Porque sentir culpa não significa que você está sendo egoísta. Às vezes, significa só que você está aprendendo a se colocar na própria vida também.


  • Tenho problemas com ansiedade, mas minha ansiedade parece estar ligada ao meu perfeccionismo (traço

    Tenho problemas com ansiedade, mas minha ansiedade parece estar ligada ao meu perfeccionismo (traço de personalidade que tenho desde muito tempo). Geralmente quando não consigo ter certeza absoluta de tudo, sinto desconforto e ansiedade. Mas... como já tenho comportamentos obsessivos por causa do perfeccionismo e percebi que também sou impulsivo em meio a incerteza, gostaria de saber: quando devo começar a suspeitar de TOC?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Debora Preda

    Eu começaria a suspeitar de TOC quando essa necessidade de ter certeza e os comportamentos para aliviar a ansiedade começam a tomar muito espaço na vida. Não é só ser perfeccionista, mas sentir que precisa checar, confirmar, revisar, pesquisar ou repetir algo para conseguir aliviar o desconforto.
    O mais importante é observar esse ciclo: dúvida → ansiedade → tentativa de ter certeza/alívio → alívio momentâneo → dúvida de novo.
    Mas isso não dá pra concluir só por esses sinais. Se você percebe que esse ciclo é frequente, difícil de controlar ou está atrapalhando sua vida, vale buscar uma neuroavaliação para entender melhor o que está acontecendo.


  • Suspeito estar no espectro autista, possuir TDAH, e, potencialmente, depressão. Com qual profissiona

    Suspeito estar no espectro autista, possuir TDAH, e, potencialmente, depressão. Com qual profissional deveria falar primeiro?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Debora Preda

    Nesse caso, eu recomendaria começar por uma neuroavaliação, porque ela permite investigar de forma mais ampla as suspeitas de TEA e TDAH e também entender se existem outros fatores, como sintomas depressivos, influenciando esse funcionamento.
    A partir dos resultados, dá para ter mais clareza sobre o que está acontecendo e, se necessário, encaminhar para um psiquiatra para complementar a avaliação e pensar em tratamento.


  • eu tenho diagnóstico de TDAH e TEA nível 1. Além disso, percebo em mim características das cinco sob

    eu tenho diagnóstico de TDAH e TEA nível 1. Além disso, percebo em mim características das cinco sobre-excitabilidades (intelectual, emocional, imaginativa, sensorial e psicomotora) e vários sinais associados a altas habilidades/superdotação. Isso pode indicar uma dupla excepcionalidade (TDAH/TEA junto com altas habilidades)? Existe alguma avaliação que eu possa fazer para investigar isso?"

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Debora Preda

    Pode sim existir uma dupla excepcionalidade, mas essas características, isoladamente, não confirmam altas habilidades/superdotação. Inclusive, TEA e TDAH podem influenciar bastante a forma como esses sinais aparecem.
    O caminho mais adequado seria fazer uma neuroavaliação voltada também para investigação de altas habilidades/superdotação, avaliando não só o QI, mas diferentes aspectos cognitivos, como raciocínio, memória, atenção, criatividade e funcionamento executivo.
    Assim conseguimos entender melhor o seu perfil e se existe realmente uma dupla excepcionalidade, em vez de olhar apenas para uma característica isolada.


  • Por que a pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) sente necessidade de "falsificar" sinais s

    Por que a pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) sente necessidade de "falsificar" sinais sociais?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Debora Preda

    Porque muitas vezes a pessoa aprende que o jeito natural dela de se comunicar não é bem recebido socialmente. Então começa a observar e copiar os outros: força contato visual, ensaia respostas, imita expressões, tenta parecer mais espontânea, segura estereotipias ou esconde desconfortos.
    Não é necessariamente fingimento para enganar. Muitas vezes é uma estratégia para ser aceita, evitar julgamentos e conseguir se encaixar.
    E isso tem um custo. Pode gerar exaustão depois de interações sociais, necessidade de ficar sozinha para se recuperar, ansiedade, sensação de estar sempre “atuando”, perda da percepção das próprias necessidades e até crises ou burnout.
    Por isso, às vezes a pessoa passa anos pensando “mas eu consigo socializar”, sem perceber o quanto precisa se esforçar para conseguir.


  • O que define o Masking especificamente no Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?

    O que define o Masking especificamente no Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Debora Preda

    No TEA, masking é quando a pessoa esconde ou adapta conscientemente ou automaticamente características autistas para parecer mais dentro do esperado socialmente.
    Pode ser, por exemplo, forçar contato visual, ensaiar conversas, copiar expressões e gestos, esconder movimentos repetitivos, controlar a forma de falar ou fingir que está confortável quando não está.
    O que caracteriza o masking não é simplesmente “se comportar bem” ou se adaptar. É quando existe uma diferença entre o que a pessoa está vivenciando internamente e o que ela demonstra externamente, geralmente para evitar julgamento, rejeição ou para conseguir se encaixar.
    E é justamente aí que mora o custo: a pessoa pode até parecer que está “dando conta”, mas estar gastando uma quantidade enorme de energia para isso.


  • Como identificar quando alguém com Transtorno do Espectro Autista (TEA) está "mascarando"?

    Como identificar quando alguém com Transtorno do Espectro Autista (TEA) está "mascarando"?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Debora Preda

    Não existe um “sinal” único que diga que a pessoa está mascarando. O mais importante é perceber a diferença entre o que ela demonstra e o quanto aquilo custa para ela.
    Alguns exemplos são: ensaiar mentalmente o que vai falar, observar e copiar o comportamento dos outros, forçar contato visual, controlar movimentos repetitivos, fingir que entendeu uma situação social, esconder desconfortos sensoriais ou parecer super à vontade em uma situação e ficar completamente exausta depois.
    Então, às vezes, olhando de fora você pensa: “nossa, ela socializa super bem”. Mas quando investiga melhor, descobre que aquela interação exigiu um esforço enorme.
    Por isso, na avaliação, não basta observar se a pessoa consegue fazer algo. É importante entender como ela consegue fazer e qual é o custo disso.


  • Que tipo de profissional (terapeuta ou psicólogo ou psiquiatra) devo buscar? Tenho alta desconfiança

    Que tipo de profissional (terapeuta ou psicólogo ou psiquiatra) devo buscar? Tenho alta desconfiança de ter ansiedade desde a adolescência, tenho muitos traumas de infância que ainda me afetam (como agressão dos pais, problemas de atenção, bullying (psicológico) por colegas da escola e familiares, solidão, isolamento e muitas fugas da realidade por divagação), também sou bem paranoica desde criança, insegura, tenho crises de pânico e choro repentinas, estresses severos que me dão enxaqueca forte e vômito ou refluxo no estômago e trauma de chorar. Recentemente, finalmente estou criando coragem e juntando dinheiro para começar a me tratar e descobrir meus reais problemas, mas não faço ideia de qual profissional especifico eu deveria ir, já que tem tantas vertentes e tipos.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Debora Preda

    Começaria por um psicólogo que tenha experiência com ansiedade, crises de pânico e trauma. Não precisa ficar presa à ideia de encontrar “a vertente perfeita” logo de cara. O mais importante é encontrar alguém que saiba trabalhar com essas questões e que você se sinta segura para construir esse vínculo.
    A TCC pode ser uma boa opção para ansiedade e pânico, e o profissional também pode utilizar uma abordagem focada em trauma, dependendo do que for identificado ao longo do processo.
    Também acho importante considerar uma avaliação com psiquiatra, principalmente porque você relata crises de pânico, choro intenso e sintomas físicos importantes durante períodos de estresse. O psiquiatra pode avaliar se existe algum transtorno associado e se medicação faria sentido.
    E uma coisa que eu queria reforçar: você não precisa chegar já sabendo “qual é o meu diagnóstico”. Parte do processo é justamente investigar isso com calma. Depois de tantos anos lidando com tudo sozinha, procurar ajuda já é um passo enorme.


  • Um adulto escolher se mudar de casa 15 vezes em 2 anos é possivelmente uma característica de autismo

    Um adulto escolher se mudar de casa 15 vezes em 2 anos é possivelmente uma característica de autismo ou há algumas outras condição que a princípio explica melhor isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Debora Preda

    Pode ter relação, mas só esse comportamento, sozinho, não é suficiente para pensar em autismo.
    Eu teria mais curiosidade em entender o que acontece por trás dessas mudanças. A pessoa muda porque fica sobrecarregada? Porque sente necessidade de novidade? Porque se adapta mal ao ambiente? Por impulsividade? Por questões emocionais ou relacionais?
    Existem várias possibilidades, como TDAH, ansiedade, instabilidade emocional ou simplesmente circunstâncias de vida. No TEA também pode haver questões relacionadas ao ambiente, mas precisamos olhar para o funcionamento como um todo.
    Então, mais do que contar “15 mudanças”, eu investigaria o que ela estava tentando encontrar ou evitar em cada uma delas. É aí que a história começa a fazer sentido.


  • Quais são as queixas clínicas no Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?

    Quais são as queixas clínicas no Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Debora Preda

    As queixas clínicas no TEA podem ser bem diferentes de uma pessoa para outra, principalmente porque muitos adultos chegam ao atendimento depois de anos tentando se adaptar e mascarar suas dificuldades.
    Nas minhas experiências de atendimento, é muito comum aparecerem queixas relacionadas à exaustão social, sensação de não pertencer, dificuldade de entender ou acompanhar determinadas situações sociais, necessidade de ficar sozinho depois de interações e sensação de estar constantemente “atuando” para parecer adequado.
    Também aparecem bastante sobrecarga sensorial, irritabilidade, crises, dificuldade para lidar com ambientes muito barulhentos ou cheios, alterações na percepção corporal e necessidade de estratégias específicas para conseguir se regular.
    Outra queixa muito frequente é a dificuldade de funcionamento executivo: começar tarefas, organizar a rotina, manter uma atividade, administrar tempo, lidar com demandas simultâneas, lembrar compromissos e sair da inércia mesmo sabendo exatamente o que precisa ser feito. Em alguns casos, isso se mistura bastante com TDAH.
    A rigidez cognitiva e a dificuldade com mudanças também aparecem, mas nem sempre como a pessoa imagina. Às vezes não é simplesmente “não gostar de mudanças”, mas sofrer muito quando aquilo que foi planejado não acontece, quando existe imprevisibilidade ou quando a pessoa não consegue saber o que vai acontecer.
    Vejo também muitas queixas relacionadas à regulação emocional: dificuldade para identificar e nomear o que está sentindo, crises diante de sobrecarga, dificuldade para recuperar o equilíbrio depois de uma situação intensa e tendência a acumular desconforto até chegar ao limite.
    Outra questão muito presente é a ruminação. A pessoa fica revivendo uma conversa, tentando entender uma situação social, procurando onde errou, pensando no que deveria ter respondido ou tentando encontrar uma explicação que finalmente traga certeza.
    Em adultos, também aparecem bastante questões de autoimagem e autoestima, especialmente depois de anos ouvindo que eram “estranhos”, “sensíveis demais”, “preguiçosos”, “difíceis” ou “inteligentes, mas não se esforçam”. Quando existe masking, é comum a pessoa chegar ao consultório sem entender por que consegue aparentemente funcionar, mas paga um custo tão alto para isso.
    Também são frequentes dificuldades relacionadas a sono, alimentação, interesses restritos ou muito intensos, hiperfoco, procrastinação, dificuldade de transição entre atividades e sensação de funcionamento em extremos: ou consegue mergulhar completamente em algo ou não consegue sequer começar.
    E talvez uma das queixas que mais aparecem seja justamente: “Eu sei que consigo, mas não consigo funcionar do jeito que esperam de mim.”
    Por isso, na avaliação de adultos autistas, eu acho importante não olhar apenas para comportamentos muito estereotipados. É preciso investigar como essa pessoa funciona, quanto esforço ela precisa fazer para parecer que está funcionando e qual é o custo disso na vida real.


  • Por que o hiperfoco pode ser "desadaptativo" no Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?

    Por que o hiperfoco pode ser "desadaptativo" no Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Debora Preda

    O hiperfoco não é necessariamente algo ruim. Ele pode ser uma baita ferramenta, principalmente para aprender, criar e desenvolver habilidades.
    Ele pode se tornar desadaptativo quando o interesse fica tão dominante que começa a atropelar outras necessidades: a pessoa esquece de comer, dormir, tomar banho, trabalhar, estudar ou cumprir outras tarefas porque sair daquele foco é muito difícil.
    Também pode acontecer de a pessoa usar o hiperfoco como uma forma de fugir de situações desconfortáveis. Por exemplo, mergulhar horas em um jogo, série ou assunto para não entrar em contato com ansiedade, frustração ou outras demandas.
    Então não é o hiperfoco em si que é o problema. A questão é: ele está ajudando a pessoa a funcionar ou está fazendo a vida dela ficar menor?


  • Qual a importância do contexto cultural na avaliação do Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?

    Qual a importância do contexto cultural na avaliação do Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Debora Preda

    É muito importante, porque comportamento não existe fora de contexto. O que é considerado “normal”, “estranho”, “educado” ou “adequado” muda bastante conforme a cultura, a família, a classe social, o gênero e o ambiente em que a pessoa cresceu.
    Na avaliação de TEA, eu não posso simplesmente olhar para um comportamento e dizer “isso é autismo”. Preciso entender como aquela pessoa aprendeu a se relacionar, o que era esperado dela e quanto esforço ela precisou fazer para se adaptar.
    Por exemplo, contato visual, forma de cumprimentar, comunicação, expressão emocional e até interesses podem ser interpretados de maneiras diferentes dependendo do contexto.
    Então, uma boa avaliação não olha só para o comportamento: olha para a história da pessoa + o contexto em que ela vive + o funcionamento dela ao longo da vida. É isso que ajuda a diferenciar uma característica do TEA de algo que pode ser simplesmente uma diferença cultural ou uma adaptação ao ambiente.


Perguntas frequentes

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