Perguntas do paciente (3)

  • Gostaria de saber se mudanças em excesso na vida de uma criança/adolescente gera consequências na vi

    Gostaria de saber se mudanças em excesso na vida de uma criança/adolescente gera consequências na vida adulta.
    Tenho 24 anos e, durante os 11 anos letivos, estudei em 18 escolas diferentes, além de bairro e cidades, pois meus pais se mudaram muito. Eu sempre fui muito retraída e tive dificuldade em me aproximar das pessoas, em falar alto em público, etc.
    No começo desse ano comecei a fazer terapia, duas vezes ao mês,, após fazer vários exames e descobrir que meus sintomas (tremor, palpitações, etc) não eram físicos. Logo após, uma médica me receitou fluoxetina, pela persistência dos sintomas, e tive uma melhora pouco significante. Tem dias que, mesmo tomando o remédio, a ansiedade toma conta e fico bastante trêmula e mente acelerada, angustiada, insônia, etc. E muitas vezes, quando estou em casa, só quero dormir. Também fico em dúvida se isso deveria acontecer mesmo com a medicação.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Eduardo Aguiar

    Gostaria de pontuar uma possível relação entre os dois elementos que você conecta em seu relato. Ao fato de ter se mudado muitas vezes na infância / adolescência, você agrega a descrição de um comportamento retraído e evitativo. É possível, portanto, que a percepção da falta de referência mais ou menos estável em seu ambiente próximo à qual direcionar demandas de afeto tenha contribuído para inibições ao nível do comportamento e angústias ao nível emocional, na medida em que tais demandas não puderam se ligar a pessoas e situações que lhe dessem realidade. Entretanto, não se pode tirar conclusões definitivas a partir de pontos fixos de experiências subjetivas e apenas em um percurso continuado de análise é possível elaborar o que do passado pode adquirir novos contornos no presente.


  • Uma pessoa narcisista consegue gostar de alguém de verdade, tipo uma mãe narcisista ela consegue rea

    Uma pessoa narcisista consegue gostar de alguém de verdade, tipo uma mãe narcisista ela consegue realmente amar um filho, ou não, ela sempre o fará sofrer ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Eduardo Aguiar

    Na medida em que a lógica do narcisismo demanda um investimento de afetos excessivamente voltado para o próprio sujeito, a relação mãe e filho pode acabar por se constituir de forma deficitária para este último, que não se sente suficientemente amparado pelo outro. Relações deste tipo podem causar prejuízos emocionais para a criança, que se encontra em uma posição dependente e, mais do que isso, compõe a sua maneira de ser no mundo a partir da relação com os cuidadores. O sujeito com traços narcisistas exacerbados cria estratégias múltiplas, eminentemente defensivas, na tentativa de compensar ou mesmo suplantar qualquer perda de afeto percebida, projetando desta maneira suas angústias nas pessoas com as quais se relaciona. Em alguns casos, os filhos existem apenas como propriedade destes sujeitos e enquanto servem aos seus impulsos narcísicos. É comum que aqueles que tenham se relacionado com pessoas assim na infância, produzam uma percepção inferiorizada de si e nutram o desejo, por um lado, de "consertar" os seus cuidadores como forma de "garantir" que tenham sido amados e, de outro, de se ver livres deles como única maneira de projetar algo de originalmente seu no mundo. A análise pessoal abre espaço para que se chegue a um concerto (com "c" mesmo), permitindo compor e executar uma outra sinfonia de afetos a partir de suas vivências do passado.


  • Não consigo gritar, não voluntariamente. Meu tom de voz é "naturalmente" alto, mas quando tempo grit

    Não consigo gritar, não voluntariamente. Meu tom de voz é "naturalmente" alto, mas quando tempo gritar como alternativa para aliviar o estresse, travo, não sai nada.
    Como fazer para "desligar" meu instindo de reprimir e, eu sendo assim desde muito nova, como evitar que tudo saia de uma vez?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Eduardo Aguiar

    O seu relato associa a vontade de gritar à incapacidade de conduzir esta vontade em ato. Você tenta - e é interessante que tenha escrito "tempo" em vez de "tento" - gritar, mas algo lhe impede de aliviar a tensão. Por outro lado, você demonstra o receio de que este grito contido, esta tensão acumulada, possa "sair de uma vez" sem que você consiga evitar. Há, portanto, um desejo de aliviar a tensão, mas não de qualquer maneira, apontando para o desconforto de que a tensão acabe por te dominar em vez de você a ela. É importante lembrar, entretanto, que esta e qualquer interpretação só pode ter valor em meio à análise, quando será possível produzir um saber a respeito do mal-estar que você relata.


Perguntas frequentes

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