Perguntas do paciente (15)

  • Como trabalhar com uma criança de 3 anos a morte do pai que nunca conheceu, sendo que a partir dos 2

    Como trabalhar com uma criança de 3 anos a morte do pai que nunca conheceu, sendo que a partir dos 2 anos tem como figura paterna o padastro.

    Há uma idade adequada para para iniciar o assunto?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Fabio Marchioro

    Olá. Sua preocupação é legítima e sensível.

    Em crianças de 3 anos, a compreensão da morte ainda não contempla o conceito de irreversibilidade e universalidade da morte da forma como os adultos o entendem. O que elas captam, principalmente, é a ausência, a mudança na dinâmica familiar e as emoções dos adultos ao redor.

    Não existe uma “idade ideal” rígida para iniciar o assunto. O que existe é o princípio de que a criança tem o direito de saber a verdade de forma adequada à sua idade e capacidade emocional. A partir dos 2–3 anos já é possível — e muitas vezes necessário — começar a nomear a realidade de forma simples, honesta e cuidadosa, especialmente quando há figuras parentais presentes (no caso, o padrasto) que sustentam a segurança afetiva.

    Algumas orientações práticas:

    - Linguagem simples, verdadeira e sem eufemismos confusos - Evitar “foi viajar”, “está dormindo” ou “foi para o céu” de forma isolada (esses recursos podem gerar confusão e ansiedade). Preferir: “O corpo dele parou de funcionar.” Depois, se a família tiver uma linguagem espiritual ou religiosa, ela pode ser acrescentada de forma complementar, nunca como substituto da realidade.

    - A presença do padrasto como base segura - O fato de a criança já ter o padrasto como figura paterna desde os 2 anos é um grande recurso protetor. O trabalho não é “substituir” ou “explicar o que falta”, mas ajudar a criança a integrar duas realidades: a do pai biológico (que faz parte de sua história, do passado) e a do padrasto (que faz parte de seu presente afetivo e de cuidado).

    - Observar a criança, não forçar o tema - Em geral, crianças dessa idade perguntam quando estão preparadas ou quando algo no ambiente (conversas, fotos, reações emocionais dos adultos) as mobiliza. Se a criança não pergunta, não é necessário forçar uma “conversa formal”. Pode-se ir introduzindo a informação de forma natural, em doses pequenas, e observar como ela reage (comportamento, brincadeiras, sonhos, mudanças de humor, regressões).

    - O papel dos adultos - O mais importante, nessa idade, não é a “explicação perfeita”, mas a capacidade dos adultos de sustentar a emoção sem se desorganizar. Quando os cuidadores conseguem falar com clareza e, ao mesmo tempo, transmitir segurança (“você está protegido, amado e cuidado”), a criança internaliza essa base.

    Se a família desejar, o acompanhamento psicológico pode ajudar os adultos a elaborarem a sua própria forma de contar essa história e a lidarem com as reações da criança ao longo do tempo (especialmente quando ela for um pouco maior e começar a fazer perguntas mais complexas sobre identidade, origem e pertencimento).


  • Tenho muita dificuldade com foco, especialmente depois da pandemia. Até leitura, que era um dos meus

    Tenho muita dificuldade com foco, especialmente depois da pandemia. Até leitura, que era um dos meus maiores prazeres quando mais novo, agora parece mais um fardo do que qualquer outra coisa, mesmo tentando muito. Como lidar com isso? Como não me render a vontade de 'instagramar' e ser mais produtivo? Sinto que tem atrapalhado muito minha vida acadêmica.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Fabio Marchioro

    Olá, obrigado por compartilhar isso com tanta honestidade.

    A dificuldade de foco que você descreve — especialmente a perda do prazer pela leitura e a atratividade constante das redes — é algo que muitos pacientes têm relatado desde a pandemia.

    Não se trata apenas de “falta de disciplina”. O período de isolamento, a hiperexposição a estímulos curtos e a incerteza prolongada alteraram, para muita gente, a forma como o cérebro regula atenção, motivação e recompensa.

    Ler exigia, antes, um ritmo mais lento e sustentado de atenção. Hoje, o cérebro acostumado a microdoses de dopamina (notificações, stories, scrolls) tende a viver a leitura como um esforço desproporcional. Isso não significa que você “perdeu” a capacidade de ler ou de se concentrar.

    Significa que o sistema de atenção está sobrecarregado e, em muitos casos, desregulado. Algumas direções que costumo trabalhar com pessoas nessa situação:

    - Não começar pela produtividade: Quando a gente tenta “forçar foco” logo de cara, muitas vezes aumenta a frustração. Pode ser mais eficaz começar recuperando pequenas experiências de atenção sem pressão de rendimento (por exemplo, ler 8–10 minutos de algo que realmente desperte curiosidade, sem meta de páginas).

    - Observar o impulso de “instagramar” sem se identificar totalmente com ele. Em vez de só tentar resistir, vale a pena notar o que acontece no corpo e na mente no momento em que surge a vontade de abrir a rede. Muitas vezes esse impulso funciona como uma forma de escapar de desconforto, tédio ou ansiedade ligada à vida acadêmica.

    - Reconstruir o ritmo de atenção de forma gradual: A capacidade de atenção sustentada costuma voltar com treino progressivo, mas raramente com exigências muito altas no início. Pequenos blocos de foco, seguidos de pausas reais (sem tela), tendem a funcionar melhor do que longas sessões forçadas.

    - Investigar se há outros fatores associados: Em alguns casos, a dificuldade de foco pós-pandemia se mistura com ansiedade, cansaço mental, alterações no sono, ou mesmo traços de TDAH que antes eram compensados e agora ficaram mais evidentes. Vale avaliar isso com calma.

    Pense que o objetivo não é “vencer o Instagram”, e sim recuperar a possibilidade de estar presente e interessado nas coisas que realmente importam para você.


  • Tenho 20 anos e meu namorado mora cerca de 40 km de mim. Normalmente só conseguimos nos ver nos fins

    Tenho 20 anos e meu namorado mora cerca de 40 km de mim. Normalmente só conseguimos nos ver nos fins de semana. Nos últimos dias passamos quatro dias seguidos juntos: viajamos, cozinhamos, dormimos juntos e aproveitamos muito a companhia um do outro. Foi uma experiência muito especial, porque pudemos viver um pouco da rotina como casal.

    Hoje precisei voltar para casa e, desde que cheguei, estou com uma sensação de vazio e uma vontade de chorar. Não aconteceu nenhuma briga, não existe nenhum problema entre nós e também não tenho problemas em casa nem estou infeliz com a minha família. Pelo contrário, gosto muito de estar em casa e tenho uma boa convivência com a minha família.

    As despedidas dos fins de semana normalmente já me deixam um pouco tristinha e com saudade, mas a despedida de hoje foi diferente. Depois desses quatro dias juntos, senti uma tristeza muito maior, um vazio que eu não esperava sentir. Não é medo de perder o relacionamento, nem insegurança. É simplesmente uma saudade muito intensa da companhia dele. Sinto falta de dividir a rotina, acordar juntos, cozinhar, conversar e terminar o dia ao lado dele.

    Isso é normal? É comum sentir essa tristeza tão forte depois de passar vários dias tão felizes com a pessoa que amo, mesmo sabendo que nosso relacionamento está bem?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Fabio Marchioro

    Olá, obrigado por compartilhar com tanta clareza e delicadeza o que está sentindo.

    O que você descreveu é profundamente humano — e, de certa forma, belo.

    Quando passamos vários dias intensos e próximos de alguém que amamos, vivendo a rotina juntos (acordar, cozinhar, conversar, dormir lado a lado), o corpo e o coração se acostumam com aquela presença. O retorno, a distância, mesmo que seja só de alguns dias, cria um contraste grande e, muitas vezes, doloroso. O vazio e a vontade de chorar que você sente não são sinal de algum problema no relacionamento. São, muitas vezes, a própria medida de quanto aquele encontro foi verdadeiro, significativo e nutritivo.

    A saudade intensa depois de dias felizes juntos não significa que algo está errado. Significa, sim, que o amor está vivo. Que a companhia do outro faz diferença real na sua vida. Que dividir o cotidiano — e não só os momentos especiais — te toca de um jeito profundo. Isso é precioso.
    É comum, sim, sentir essa tristeza mais forte justamente porque a experiência foi boa.

    O coração demora um pouco para se reajustar à ausência depois de ter experimentado a plenitude da presença. E isso não precisa ser combatido. Pode ser acolhido como prova de que você é capaz de se vincular com intensidade e de valorizar a conexão.

    O amor, quando é genuíno, não é só alegria contínua. Ele também passa por essas ondulações de presença e ausência, ciclos de plenitude e saudade. É nesses movimentos que ele se mostra necessário e belo: porque nos lembra do quanto a companhia do outro importa e do quanto vale a pena cultivá-la, mesmo à distância.

    Você não precisa ter medo desse sentimento. Ele não prenuncia perda. Ele anuncia profundidade. Tenha orgulho do que vocês estão construindo juntos. E procure conversar com um profissional se ainda tiver dúvidas. Cuide-se com carinho.


  • Olá, tudo bem? Como sei se estou fazendo "transferência" pra minha psicóloga, ou gostando e tenso in

    Olá, tudo bem?
    Como sei se estou fazendo "transferência" pra minha psicóloga, ou gostando e tenso interesse amoroso/sexual por ela mesmo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Fabio Marchioro

    Olá, espero que você esteja bem.

    Essa é uma pergunta muito importante — e bastante comum.

    Na psicoterapia, especialmente em abordagens que trabalham com a relação terapêutica (como a psicologia analítica e a psicanálise), a transferência é o fenômeno em que sentimentos, expectativas e padrões de relacionamento antigos do paciente são reativados e direcionados à figura do terapeuta. Isso pode incluir carinho, idealização, irritação, dependência e, sim, também interesse erótico ou amoroso.

    A dificuldade está justamente em distinguir, de forma clara, o que é transferência e o que seria um interesse “real” e atual pela pessoa da psicóloga. Na prática, essa separação quase nunca é tão nítida quanto gostaríamos. Muitas vezes os dois elementos se misturam.

    Alguns pontos que costumam ajudar a pensar nisso:

    - Se o interesse surge principalmente dentro do espaço da terapia e parece muito ligado à forma como ela te escuta, te compreende ou ocupa um lugar de acolhimento e autoridade emocional, há grande chance de haver um componente transferencial significativo.

    - Se o sentimento parece se sustentar também fora da sessão, com fantasias sobre a vida pessoal dela, desejo de uma relação concreta fora do setting terapêutico, ou idealização intensa da pessoa “real”, isso também precisa ser olhado com cuidado — porque mesmo nesses casos a transferência costuma estar presente.

    - O fato de você estar se perguntando sobre isso já é um sinal de maturidade psíquica. Muitas pessoas sentem e não conseguem nomear.

    O mais importante é: não tente resolver essa dúvida sozinho. Esse material (o interesse, a dúvida, a confusão) é extremamente valioso para o trabalho terapêutico. Trazer isso abertamente para a sessão — mesmo que seja constrangedor — costuma abrir caminhos importantes de compreensão sobre como você se relaciona, o que busca no outro e quais padrões afetivos estão se reatualizando.

    A psicóloga, por sua vez, tem a responsabilidade ética de manter o setting e os limites claros, independentemente do que estiver sendo transferido. Isso faz parte do cuidado que todos os psicólogos têm que demonstrar por seus pacientes.


  • Olá, sou jovem e não sei lidar com minha própria cabeça, quando estou com meu namorado estou bem, ma

    Olá, sou jovem e não sei lidar com minha própria cabeça, quando estou com meu namorado estou bem, mas quando tentamos algo mais íntimo, meus traumas tomam conta e eu choro e fico com medo(fui abusada com 5 anos e com 11 anos). Eu não sei o que fazer, sóbria eu fico mal, bêbada eu fico pior, pois eu tenho crises de pânico e vejo meus abusadores e começo a ter memórias dos abusos, não quero que meu namorado tenha uma namorada defeituosa. O que eu faço?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Fabio Marchioro

    Obrigado por ter a coragem de escrever sobre algo tão doloroso e íntimo.

    Antes de qualquer outra coisa: você não é defeituosa. O que você descreve — o medo, o choro, as crises e as memórias que invadem especialmente em momentos de intimidade ou quando bebe — são respostas compreensíveis de um sistema nervoso que aprendeu, muito cedo, a se proteger de experiências que foram invasivas e assustadoras. Isso não define o seu valor nem a sua capacidade de amar e de ser amada.

    É comum que, em relacionamentos afetivos e sexuais, memórias traumáticas antigas sejam reativadas. O corpo e a mente ainda carregam a marca daqueles momentos, mesmo que racionalmente você saiba que está segura com o seu namorado. O álcool, por sua vez, costuma reduzir as defesas e facilitar a invasão dessas memórias, o que explica por que as crises pioram quando você bebe.

    Existem abordagens terapêuticas específicas para ajudar a processar traumas de abuso sexual na infância. Uma delas é a Terapia de Exposição Narrativa (Narrative Exposure Therapy – NET). Nela, a pessoa é acompanhada de forma estruturada e segura a reconstruir a linha do tempo da sua vida, integrando as experiências traumáticas dentro de uma narrativa mais ampla e coerente. O objetivo não é reviver o trauma de forma descontrolada, mas permitir que as memórias sejam elaboradas, reduzindo o poder que elas ainda exercem no presente — inclusive no momento da intimidade.

    Esse tipo de trabalho precisa ser feito com um profissional capacitado em trauma e no diagnóstico e tratamento de Transtorno de Estresse Pós-traumático (TEP). Este trabalho segue em um ritmo respeitoso e com bastante cuidado com a segurança emocional. Não é algo para se enfrentar sozinha, nem sob efeito de álcool.

    Você merece um espaço em que possa ser ouvida sem julgamento e onde possa, aos poucos, recuperar a sensação de segurança no próprio corpo e nas relações. O fato de você estar buscando ajuda já é uma demonstração de força, determinação e um passo importante. Se quiser conversar sobre como iniciar esse processo ou sobre o que tem sido mais difícil no dia a dia, entre em contato com um psicólogo qualificado. Cuide-se, ok?


  • Porque a depressão está sempre na espreita pra nós pegar de novo, após acontecimentos ruins?

    Porque a depressão está sempre na espreita pra nós pegar de novo, após acontecimentos ruins?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Fabio Marchioro

    Muita gente que já passou por um episódio depressivo sente exatamente isso: a impressão de que a depressão fica “à espreita”, pronta para "dar o bote", para voltar quando a vida aperta de novo.

    Não é sua imaginação. Depois de uma depressão, seu emocional pode ficar mais sensível a estressores. Acontecimentos difíceis — perdas, frustrações, sobrecarga, conflitos — acabam encontrando um terreno que já esteve vulnerável antes.

    Isso não significa que a pessoa está “fraca” ou condenada a ter novos episódios. Significa que o organismo aprendeu um caminho de resposta ao sofrimento e, sob pressão, tende a reativar esse caminho com mais facilidade. É como se a memória emocional e biológica da depressão anterior deixasse uma espécie de marca, aumentando a reatividade.

    Por isso, o trabalho depois de uma depressão não é só “sair do fundo do poço”. É também fortalecer a capacidade de reconhecer os primeiros sinais, cuidar dos fatores de risco (sono, ritmo de vida, relações, propósito de vida) e desenvolver recursos internos e externos que funcionem como proteção.

    Quanto mais cedo a pessoa consegue identificar que algo está desregulando, maior a chance de intervir antes que o quadro se instale de novo com força. Se você tem sentido essa sensação de vulnerabilidade, vale muito a pena conversar com um psicólogo sobre como isso tem aparecido na sua vida e o que pode ser feito para ajudar a construir mais estabilidade. Você não precisa enfrentar isso sozinho.


  • Tenho muita dificuldade em concentração no trabalho, agitação, pensamento acelerado. O que posso faz

    Tenho muita dificuldade em concentração no trabalho, agitação, pensamento acelerado. O que posso fazer nessa situação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Fabio Marchioro

    Olá, obrigado por compartilhar o que está sentindo.

    Dificuldade de concentração no trabalho, agitação e pensamento acelerado formam uma combinação bastante comum, e costumam gerar bastante desgaste — especialmente quando a pessoa precisa manter o rendimento e a clareza mental no dia a dia.

    Esses sintomas podem ter diferentes origens: excesso de estresse, ansiedade, privação de sono, sobrecarga mental, ou mesmo características de atenção que se tornam mais evidentes em momentos de pressão. O importante é não tratar isso apenas como “falta de foco” ou “falta de disciplina”.

    Muitas vezes o cérebro está operando em um estado "hiperalerta", o que dificulta sustentar a atenção e a calma no fluxo normal de pensamentos. Enquanto você busca compreender melhor o que está acontecendo, algumas medidas podem ajudar a reduzir o impacto imediato:

    - Organize o trabalho em blocos menores de tempo, com pausas reais (sem nenhuma tela) entre eles
    - Reduza estímulos desnecessários no ambiente, quando possível
    - Observe o sono e a qualidade do descanso
    - Registre, mesmo que de forma breve, em quais momentos a agitação e a dificuldade de concentração pioram

    Essas estratégias não resolvem a causa, mas podem trazer algum alívio enquanto você investiga o que está por trás desse quadro. Muitas vezes, compreender a origem desses sintomas já é o primeiro passo para recuperar mais clareza e tranquilidade.


  • Como posso lidar com a tristeza de ter perdido meus objetos de infância sem autorização?

    Como posso lidar com a tristeza de ter perdido meus objetos de infância sem autorização?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Fabio Marchioro

    Olá! Antes de mais nada, quero dizer que sinto muito pela sua tristeza. Perder objetos de infância não é apenas “perder coisas” — é como se um pedaço vivo da sua história, das suas memórias mais puras e do seu "eu criança" tivesse sido levado sem permissão. Essa dor faz todo o sentido e é completamente válida.

    Muitas vezes esses objetos (um brinquedo, um caderno, uma roupa e até um desenho) funcionam como âncoras emocionais. Eles guardam sensações de segurança, alegria, proteção e identidade que, ao desaparecerem, deixam um vazio que a mente interpreta quase como um luto. É normal sentir raiva, saudades e até uma espécie de desamparo.

    Mas existem algumas formas de lidar com isso:

    1- Permitir-se sentir o luto - Reserve um momento tranquilo para escrever ou falar em voz alta sobre o que esses objetos representavam para você. “Aquele ursinho me fazia sentir protegido quando…”, “Aquele caderno era onde eu escrevia meus planos…”. Nomear o que se perdeu ajuda a processar a perda.
    2- Ritual de despedida ou ressignificação - Você pode criar um pequeno ritual simbólico: acender uma vela, escrever uma carta para o seu "eu criança" contando o que aconteceu e o que ainda carrega dentro de si, ou até desenhar/recriar um daqueles objetos. O importante é transformar a ausência em algo que você possa tocar novamente, mesmo que de forma simbólica.

    3- Reconectar com o que aqueles objetos carregavam - Pergunte-se: qual era a característica emocional que eles me davam (alegria, liberdade, conforto, criatividade)? Depois, busque trazer essas qualidades para a vida adulta de formas novas — pode ser um hobby, um objeto que você escolha conscientemente agora, ou até atividades que façam seu eu criança se sentir visto e acolhido.

    4- Trabalho interno (se você quiser aprofundar) - Na perspectiva analítica, esses objetos muitas vezes representam partes do Self infantil que precisam ser reintegradas. Sonhos recentes envolvendo infância ou objetos podem ser muito reveladores. Se sentir que a tristeza está muito intensa ou recorrente, você pode explorar isso tudo com mais calma — é um material rico e precioso.

    Você não está sendo “bobo” ou “exagerado”. O que está sentindo é humano, profundo e merece espaço. Seria útil contar para um profissional mais sobre algum dos objetos que te marcou mais ou como essa tristeza tem aparecido no dia a dia. Você merece todo o cuidado e respeito.


  • Como é a busca por sentido se relaciona com o controle da impulsividade?

    Como é a busca por sentido se relaciona com o controle da impulsividade?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Fabio Marchioro

    Olá! Obrigado por sua pergunta tão reflexiva sobre como a busca por sentido se relaciona com a impulsividade. Como psicólogo inspirado nos ensinamentos de Viktor Frankl, fundador da Logoterapia, vou explicar essa conexão de forma acessível, mas com profundidade, para ajudar você a refletir sobre isso.

    Viktor Frankl, em sua obra clássica Em Busca de Sentido (originalmente “Man’s Search for Meaning”), argumenta que a principal motivação humana não é o prazer (como em Freud) ou o poder (como em Adler), mas sim a “vontade de sentido” – ou seja, a busca por um propósito maior na vida. Ele desenvolveu essa ideia a partir de suas experiências nos campos de concentração nazistas, onde observou que as pessoas que sobreviviam emocionalmente eram aquelas que encontravam um significado mesmo no sofrimento extremo.

    Agora, como isso se relaciona com a impulsividade? A impulsividade pode ser vista como uma manifestação do que Frankl chamava de “vácuo existencial”: um vazio interno que surge quando não encontramos ou perdemos o sentido em nossas vidas. Nesse estado de frustração existencial, as pessoas podem recorrer a comportamentos impulsivos – como decisões precipitadas, compras excessivas, relacionamentos instáveis ou até vícios – como tentativas desesperadas de preencher esse vazio. Esses atos impulsivos oferecem uma gratificação imediata, mas superficial, que não resolve o problema de fundo. Pelo contrário, eles podem agravar o ciclo, levando a mais arrependimento, ansiedade e um senso ainda maior de falta de direção.

    Por outro lado, quando cultivamos ativamente a busca por sentido, a impulsividade tende a diminuir. Frankl propõe três caminhos principais para encontrar significado:

    1. Através de ações e criações: Realizando trabalhos ou projetos que nos conectem com algo maior que nós mesmos, o que nos dá foco e reduz a necessidade de impulsos reativos.

    2. Através de experiências: Vivenciando o amor, a beleza ou conexões profundas, que nos ancoram emocionalmente e nos ajudam a dar uma parada e refletir antes de agir impulsivamente.

    3. Através do desenvolvimento de uma atitude perante o sofrimento inevitável: Escolhendo como responder a desafios, transformando-os em oportunidades de crescimento, o que fortalece a resiliência e o autocontrole.

    Em termos práticos, na terapia, podemos explorar isso por meio de exercícios, como refletir sobre valores pessoais, identificar padrões impulsivos ligados a momentos de vazio e reorientar ações para alinhá-las com um propósito autêntico. Se você se identifica com isso, uma conversa mais personalizada em consulta pode ser muito valiosa para mapear esses padrões e fortalecer sua “vontade de sentido”.

    Se quiser compartilhar mais detalhes sobre o que está vivendo, estou aqui para ajudar. Cuide-se!


  • Conheci uma pessoa incrível e estamos vivendo algo intenso e muito bom. Mas antes de assumir um rela

    Conheci uma pessoa incrível e estamos vivendo algo intenso e muito bom. Mas antes de assumir um relacionamento sério, ela quer saber se eu quero ter filhos um dia.

    Eu realmente não sei responder e não quis mentir para ela, fui sincero e disse que tenho dúvidas.

    Como devo refletir sobre esse assunto? Como atingir o auto conhecimento necessário para saber se quero ter filhos um dia? Qual tipo de ajuda profissional eu posso precisar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Fabio Marchioro

    Olá! Primeiro, parabéns pela sua sinceridade ao compartilhar suas dúvidas com essa pessoa especial. Essa honestidade é um passo importante para construir um relacionamento verdadeiro. Refletir sobre querer ou não ter filhos é uma decisão muito pessoal e que pode levar tempo, mas há caminhos que podem te ajudar a ganhar mais clareza.

    1. Autoconhecimento e reflexão pessoal: Comece se perguntando o que te faz ter dúvidas. Por exemplo: seria um receio de todas as responsabilidades e preocupações financeiras envolvidas no processo? Ou talvez uma questão de não se imaginar como pai no momento? Pergunte a si mesmo:
    • Como eu me vejo daqui a 5 ou 10 anos?
    • Quais são meus valores e prioridades na vida?
    • Como a ideia de ter filhos se encaixa (ou não) nos meus planos? Pense também nas experiências que teve com crianças (familiares, amigos) e como elas influenciaram você.

    2. Converse com pessoas próximas: Falar com amigos ou familiares de confiança que já têm filhos (ou que escolheram não ter) pode trazer novas perspectivas. Pergunte como foi a decisão deles e como a vida mudou depois. Isso pode te ajudar a entender melhor os prós e contras.

    3. Explore suas emoções: Às vezes, as dúvidas vêm de medos ou crenças que nem sempre percebemos. Por exemplo, você já parou para pensar se há alguma experiência do passado (como sua própria infância) que influencia sua visão sobre ser pai? Tente identificar essas emoções… mas sem se julgar.

    4. Busque ajuda profissional: Um psicólogo pode ser um grande aliado nesse processo. A terapia pode te ajudar a explorar suas dúvidas, valores pessoais e desejos de forma estruturada. Um bom terapeuta vai te ajudar a esclarecer o que está por trás da sua incerteza e como alinhar sua decisão com o que é mais autêntico no momento para você.

    5. Dê tempo ao tempo: Não sinta pressão para decidir agora. É normal levar meses ou até anos para ter certeza. Continue conversando com sua parceira sobre o assunto, mantendo a transparência. Mostre que você está refletindo ativamente. Isso pode fortalecer a confiança entre vocês.

    Por fim, lembre-se de que não existe uma resposta “certa” ou “errada”. O importante é chegar a uma decisão que seja fiel aos seus valores e que te traga paz. Se quiser começar com um profissional, procure um psicólogo na sua região ou online para te acompanhar nessa jornada de autoconhecimento. Boa sorte no seu relacionamento e nessa reflexão tão valiosa!


  • O que posso fazer para apoiar alguém que é neurodivergente?

    O que posso fazer para apoiar alguém que é neurodivergente?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Fabio Marchioro

    Olá! Sua pergunta é muito importante. Apoiar alguém que é neurodivergente envolve uma atitude que se reveste de compreensão, paciência e respeito às particularidades da pessoa. Acredito que você poderia se beneficiar de algumas sugestões práticas:
    1. Eduque-se: Pesquise sobre a neurodivergência específica da pessoa (como por exemplo autismo, TDAH, dislexia, etc.) para entender melhor suas necessidades e características.
    2. Escute ativamente: Pergunte como ela prefere ser apoiada e esteja aberto a ouvir sem julgamentos.
    3. Adapte a comunicação: Algumas pessoas podem preferir instruções claras ou comunicação escrita. Observe o que funciona melhor.
    4. Respeite os limites: Neurodivergentes podem ter sensibilidades sensoriais ou precisar de pausas. Respeite esses momentos sem pressionar.
    5. Celebre as forças: Valorize as habilidades únicas da pessoa, como criatividade ou foco intenso em áreas de interesse.
    6. Ofereça apoio prático: Ajude com organização, lembretes ou outras tarefas, desde que a pessoa aceite.
    Cada pessoa é única, então o diálogo aberto é essencial. Espero que isso ajude.


  • É mesmo verdade que contar números mentalmente induz ondas cerebrais mais lentas?

    É mesmo verdade que contar números mentalmente induz ondas cerebrais mais lentas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Fabio Marchioro

    Olá! Que pergunta interessante! Sim, há evidências de que realizar atividades mentais repetitivas, como contar números mentalmente, pode promover um estado de maior relaxamento. Isso acontece porque tarefas repetitivas e rítmicas, como contar, podem estimular a produção de ondas cerebrais mais lentas, como as ondas alfa ou theta, que estão associadas a estados de calma, meditação ou até mesmo sono leve. Estudos em neurociência mostram que essas ondas predominam quando a mente está menos focada em estímulos externos e mais em tranquilos processos internos.

    No entanto, o efeito pode variar de pessoa para pessoa e depende do contexto, como o nível de concentração ou o estado emocional. Se você está buscando formas de relaxar ou melhorar o foco, contar números pode ser uma técnica simples e eficaz, mas combinar com outras práticas, como respiração profunda, pode potencializar os benefícios. Caso queira explorar mais sobre isso ou tenha dúvidas específicas, é sempre bom conversar com um profissional, como um neurologista ou psicólogo, para um acompanhamento personalizado. Espero ter ajudado!


  • Uma pessoa com deficiência intelectual leve tem maior risco de desenvolver Alzheimer à medida que en

    Uma pessoa com deficiência intelectual leve tem maior risco de desenvolver Alzheimer à medida que envelhece??

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Fabio Marchioro

    Olá! Sua pergunta é muito importante. Vou explicar de forma clara e baseada em evidências. Pessoas com deficiência intelectual leve podem, em alguns casos, apresentar um risco aumentado de desenvolver certas condições, como a doença de Alzheimer, à medida que envelhecem. Mas é importante ressaltar que isso depende de fatores específicos e pode ser influenciado por fatores como:
    • Histórico de saúde: Condições como epilepsia, lesões cerebrais ou problemas cardiovasculares, que às vezes acompanham a deficiência intelectual, podem aumentar o risco.
    • Estilo de vida: Fatores como sedentarismo, dieta desbalanceada ou falta de estimulação cognitiva podem contribuir para o risco, assim como na população geral.
    • Diagnóstico desafiador: Em pessoas com deficiência intelectual, os sintomas de Alzheimer podem ser mais difíceis de identificar, já que alterações cognitivas podem ser confundidas com a própria condição preexistente, o que pode levar a um diagnóstico tardio.

    Se a pessoa em questão tiver uma condição específica (como síndrome de Down) ou histórico médico relevante, seria interessante consultar um neurologista ou especialista em saúde mental para uma avaliação personalizada.


  • fui casada por 5 vezes e este meu último relacionamento entre idas e vindas está a 6 anos só que sep

    fui casada por 5 vezes e este meu último relacionamento entre idas e vindas está a 6 anos só que separamos e voltamos por varias vezes, quando estou com ele quero estar longe se estou longe quero ele. agora decidimos voltar e recomeçar do zero, tenho medo de dar errado novamente. Não consigo me entender. Que me aconselham?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Fabio Marchioro

    Olá! Agradeço por compartilhar sua história com tanta sinceridade. O que você descreve reflete um conflito interno profundo, que pode ser comum em relacionamentos intensos e cíclicos como o que você vive. Essa sensação de querer estar perto e, ao mesmo tempo, querer se afastar, junto ao medo de que a relação não dê certo novamente, sugere uma busca por equilíbrio entre suas emoções, desejos e medos. Na psicologia, especialmente na abordagem junguiana, esse movimento de “idas e vindas” pode estar ligado a aspectos inconscientes da psique. O relacionamento pode estar trazendo à tona desejos, projeções e conflitos sobre o que você busca em um parceiro e em si mesma. A ambivalência que você sente — querer ele quando está longe e querer distância quando está perto — pode refletir uma luta para integrar partes opostas de sua psique, como o desejo de conexão e a necessidade de autonomia.

    Além disso, o padrão de separações e retornos guarda aspectos de nós mesmos que evitamos enfrentar, como inseguranças, medos de abandono ou até dificuldade em estabelecer limites claros. O fato de você ter tido cinco casamentos anteriores sugere que esse ciclo pode estar ligado a questões mais profundas sobre como você se relaciona consigo mesma e com os outros, algo que vale a pena explorar com cuidado e carinho.

    Sugestões para seguir em frente:
    1. Autoconhecimento através da reflexão: Reserve um momento tranquilo para escrever sobre o que a atrai nesse relacionamento e o que a faz querer se afastar. Pergunte-se: “O que eu busco nele que talvez eu precise encontrar em mim mesma?” ou “Que partes de mim se sentem ameaçadas quando estou tão próxima dele?” Essas perguntas, inspiradas na psicologia junguiana, ajudam a trazer à tona conteúdos inconscientes.

    2. Considere anotar seus sonhos, pois eles podem revelar símbolos ou mensagens sobre seus conflitos internos.

    3. Os medos que você menciona (de dar errado novamente) podem estar ligados a experiências passadas, talvez de outros casamentos ou até de momentos anteriores na vida. Tente acolher esses medos sem julgamento, como se fossem uma parte de você que precisa de atenção.

    4. Trabalhar a relação de forma consciente - além de, claro, você e seu parceiro conversarem abertamente sobre o que “recomeçar do zero” significa para cada um, leve em consideração que a dificuldade em “se entender” que você menciona é um sinal de que um processo terapêutico pode ser transformador. Um psicólogo pode ajudá-la a explorar os padrões de seus relacionamentos e encontrar mais clareza sobre o que você deseja para si mesma. A terapia individual pode ser um espaço seguro para trabalhar o medo de repetir ciclos e fortalecer sua autoestima.

    Qualquer dúvida é só entrar em contato.


  • Como superar os pensamentos intrusivos? Chegaram desde a gravidez e não sei oque fazer!

    Como superar os pensamentos intrusivos?
    Chegaram desde a gravidez e não sei oque fazer!

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Fabio Marchioro

    Os pensamentos intrusivos durante a gravidez são desafios comuns. Mas também são oportunidades de crescimento. Eles podem ser mensagens do inconsciente, convidando-a ao autoconhecimento, conectar-se a si mesma e integrar as experiências ativadas pela maternidade. Práticas como imaginação ativa, diário de sonhos e expressão criativa podem transformar esses pensamentos em caminhos para o autoconhecimento, enquanto o apoio profissional e o autocuidado garantem um manejo seguro. Lembre-se de que você não está sozinha nessa jornada, e cada passo para acolher suas emoções é um ato de coragem e amor por si mesma e pelo seu bebê. Se precisar de mais orientações ou quiser aprofundar algum ponto é só me chamar


Perguntas frequentes

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