Perguntas do paciente (3)

  • Por que a pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) sente necessidade de "falsificar" sinais s

    Por que a pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) sente necessidade de "falsificar" sinais sociais?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Felipe Augusto

    Essa 'falsificação' é na verdade, uma ferramenta de sobrevivência chamada camuflagem social (ou masking).

    A pessoa com autismo sente a necessidade de fazer isso para tentar se encaixar e evitar ser julgada ou excluída em situações do dia a dia. É como se ela estivesse 'atuando' o tempo todo para parecer neurotípica e garantir que será aceita nos círculos sociais ou no trabalho.

    O grande problema é que manter essa 'máscara' gasta uma energia mental absurda. No final do dia, o cansaço é tão grande que pode levar ao esgotamento total (burnout), porque viver tentando ser quem você não é, só para agradar os outros, custa muito caro para a saúde mental.


  • Qual a importância do contexto cultural na avaliação do Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?

    Qual a importância do contexto cultural na avaliação do Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Felipe Augusto

    O contexto cultural é o que define as 'regras invisíveis' do que é considerado normal ou estranho em uma conversa. Como o diagnóstico de autismo avalia justamente a comunicação e a interação, o profissional precisa saber se aquele comportamento é um sintoma ou apenas um costume da criação daquela pessoa.

    Por exemplo: em algumas culturas, não olhar nos olhos é sinal de profundo respeito, e não uma dificuldade de conexão. Se a gente ignora a cultura, corre o risco de dar um diagnóstico errado para quem só está seguindo as regras do seu grupo, ou de deixar passar o autismo em quem aprendeu a se 'camuflar' muito bem dentro daquelas normas sociais.

    Levar a cultura em conta é o que garante que a avaliação seja justa e humana, enxergando a pessoa de verdade e não apenas preenchendo um check-list de manual


  • Quais técnicas de terapia cognitivo-comportamental (TCC) são usadas para tratar a visão de túnel?

    Quais técnicas de terapia cognitivo-comportamental (TCC) são usadas para tratar a visão de túnel?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Felipe Augusto

    A visão de túnel é como se a gente estivesse usando um tapa-olho que só deixa enxergar um pedacinho bem pequeno da realidade, geralmente a parte mais difícil ou negativa. Na terapia, o meu papel não é te convencer a ver tudo colorido ou "pensar positivo", mas te ajudar a tirar esse acessório para que você consiga olhar para a paisagem inteira novamente.

    Para fazer isso, a gente começa agindo como se fôssemos detetives dos próprios pensamentos, fazendo perguntas que ajudam a perceber o que ficou de fora dessa visão estreita e se existem outras explicações para o que está acontecendo. Muitas vezes, eu peço para o paciente listar o que realmente comprova aquele pensamento ruim, mas também o que prova o contrário, como se estivéssemos em um tribunal avaliando evidências reais.

    Outra técnica que ajuda muito a clarear as ideias é quando desenhamos um gráfico de pizza para distribuir as responsabilidades de um problema; isso faz a gente perceber que aquele ponto onde a mente travou é só uma fatia pequena de algo muito maior. Com o tempo e o treino de atenção plena para se manter no presente, o cérebro começa a "desaprender" esse hábito de focar só no detalhe e passa a entender que a realidade é muito mais ampla do que aquele túnel onde a mente se enfiou. É, no fim das contas, um processo de reeducação para você ganhar mais autonomia sobre onde escolhe colocar a sua atenção


Perguntas frequentes

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