Perguntas do paciente (8)

  • Como diferenciar projeção patológica de uma percepção verdadeira?

    Como diferenciar projeção patológica de uma percepção verdadeira?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Fernanda Barcellos Serralta

    Nem sempre é fácil. Às vezes, o que achamos que o outro está sentindo ou pensando diz mais sobre nós mesmos do que sobre ele. Isso é o que chamamos de projeção — quando, sem perceber, colocamos para fora sentimentos nossos que ainda não conseguimos reconhecer internamente.

    Por exemplo: sentir que alguém está bravo com você, quando na verdade você está bravo e não se deu conta disso. Ou achar que foi rejeitado, quando na verdade está com medo de ser.

    Já uma percepção mais real costuma vir com menos certeza absoluta e mais espaço para dúvida. A gente consegue pensar: “será que é isso mesmo?” ou “será que estou interpretando dessa forma por algo meu?”

    A psicoterapia ajuda justamente nisso: a separar o que vem de dentro do que está fora, e a entender por que certas situações nos afetam tanto. Com o tempo, vamos ganhando mais clareza sobre nós mesmos — e mais liberdade nas relações.


  • Diferença entre pensamentos intrusivos e pensamentos normais ?

    Diferença entre pensamentos intrusivos e pensamentos normais ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Fernanda Barcellos Serralta

    Todos nós temos pensamentos variados ao longo do dia — alguns agradáveis, outros neutros, e outros nem tanto. É absolutamente normal ter pensamentos esquisitos, inadequados ou mesmo agressivos de vez em quando. Em geral, esses pensamentos passam rápido, não nos causam tanto sofrimento e conseguimos simplesmente deixá-los ir.

    Já os pensamentos intrusivos costumam ter algumas características específicas:
    - Eles aparecem de forma repetitiva e indesejada.
    - Têm um conteúdo que pode parecer estranho, inaceitável ou até assustador para a pessoa.
    - Geram muito desconforto — ansiedade, culpa, vergonha — e, justamente por isso, tendem a se repetir, porque a pessoa tenta expulsá-los ou controlá-los, o que paradoxalmente os fortalece.

    É importante saber que ter pensamentos intrusivos não significa querer agir de acordo com eles. Muito pelo contrário: o sofrimento costuma vir justamente porque eles são contrários aos valores e desejos conscientes da pessoa. E isso precisa ser entendido com cuidado.

    Na psicoterapia psicodinâmica, lidamos com esse tipo de sofrimento de forma diferente da simples tentativa de suprimir os pensamentos. Em vez de combater diretamente o conteúdo, procuramos compreender o que esse pensamento pode estar tentando comunicar.
    Muitas vezes, pensamentos intrusivos têm a ver com conflitos internos que não conseguimos elaborar sozinhos — desejos ambivalentes, sentimentos reprimidos, angústias ligadas à culpa, vergonha ou experiências do passado que ainda estão vivas dentro de nós.

    Na psicoterapia, criamos um espaço seguro para olhar para isso juntos, com curiosidade e sem julgamento. O objetivo não é 'se livrar' do pensamento, mas entender o que está por trás dele, o que ele representa na vida psíquica daquela pessoa, e por que se manifesta daquela maneira. À medida que o conflito psíquico vai sendo reconhecido e simbolizado, o pensamento tende a perder força e a repetição a diminuir.

    Ou seja, o caminho não é o controle, mas a compreensão.
    E quando conseguimos compreender, encontramos também alívio.


  • Para tratamento de ansiedade e depressão, qual é mais recomendado: Neuropsicólogo ou Psicólogo?

    Para tratamento de ansiedade e depressão, qual é mais recomendado: Neuropsicólogo ou Psicólogo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Fernanda Barcellos Serralta

    Olá. De modo geral eu diria que o tipo de profissional depende da natureza da depressão. Como você não deu nenhum detalhe, assumo que não há processos orgânicos determinando o quadro, ou que ao menos você não sabe isso. A orientação então seria de você procurar um psicólogo, que é um profissional generalista. Se ele achar necessário uma avaliação especializada com um neuropsicólogo, irá fazer esse encaminhamento. O neuropsicólogo é um psicólogo especializado na interface entre psicologia e neurologia. Portanto, ele irá avaliar e/ou intervir nas situações em que aspectos orgânicos, cerebrais, estão afetando o funcionamento cognitivo, afetivo e/ou comportamental da pessoa. Pode ser que o psicólogo ache necessário alguma intervenção medicamentosa (novamente a depender do tipo de depressão, sua intensidade, e/ou risco); neste caso ele irá sugerir a avaliação ou acompanhamento de um médico psiquiatra. Em muitos casos, o tratamento combinado (psicoterapia e medicação) é a melhor indicação, ao menos na etapa mais aguda dos sintomas. Para depressões não severas (sem sintomas psicóticos e sem risco de suicídio) e reativas a estressores externos, a psicoterapia é o tratamento de escolha. Fico à disposição.


  • O que o paciente precisa fazer para a terapia ter sucesso?

    O que o paciente precisa fazer para a terapia ter sucesso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Fernanda Barcellos Serralta

    O sucesso de uma psicoterapia depende de muitos fatores que podemos dividir em 4 grandes pontos: o paciente (a natureza do problema, as capacidades psicológicas da pessoa, a motivação e prontidão para a mudança, etc.), o terapeuta (qualificação técnica, empatia, ética, etc.); 3- Relacionamento (vínculo emocional e de trabalho da dupla paciente-terapeuta); 4- Contexto psicossocial (cultura, apoio social, condições financeiras, etc). Desses fatores sem dúvida o relacionamento terapêutico se destaca. É a base de qualquer forma de psicoterapia. Como se pode imaginar, todos os outros fatores influenciam a natureza e qualidade desse relacionamento. Sua pergunta é super importante mas também revela incerteza sobre os resultados de uma psicoterapia. Cada abordagem requer do paciente algumas condições mais específicas. Alguns fatores são mais fundamentais para facilitar uma boa experiência inicial na abordagem psicanalítica/psicodinâmica, por exemplo: a motivação para fazer mudanças internas e a capacidade de explorar pensamentos e sentimentos íntimos. Dúvidas e incertezas fazem parte do processo. O que conta positivamente é a determinação da pessoa de superar esses obstáculos e a confiança no profissional escolhido para lhe acompanhar neste percurso.


  • Tenho muitas questões pessoais como medo de sair de casa ou medo de trabalhar. Simplesmente não cons

    Tenho muitas questões pessoais como medo de sair de casa ou medo de trabalhar. Simplesmente não consigo e infelizmente a independência é o maior dos meus sonhos. Infelizmente me casei com um rapaz que não quer crescer ele tem 28 anos parece ter 15 ... não quer fazer cursos para melhorar a nossa finança... já que não consigo trabalhar ele trabalha com meu pai... que não paga muito ... as despesas estão cada vez mais apertadas e sei que se ele tem possivelmente síndrome de Peter Pan há uma boa parcela de culpa minha e da minha família, mas deixar o controle da situação na mão dele me parece a pior ideia de todas... se não sou a escolher um aluguel mais barato então terei de lidar com muitas crises minhas, nao consigo respirar... entao vo la e faço a unica coisa que elw faz é dizer se gosta ou não... não tem responsabilidade financeira então se não policio nosso dinheiro é um fato a falência... me sinto sozinha e mt triste, não tenho culpa de ter uma mãe narcisista "com diagnostico" mas temos culpa pelos relacionamentos que nos metemos... não tive essa sorte de ter uma boa relação... não tive ajuda... crises são constantes o que devo fazer Para ser livre?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Fernanda Barcellos Serralta

    Olá, pelo seu relato percebe-se o quanto de carga emocional a tua situação atual de vida acarreta. Somos moldados pelos nossos relacionamentos. Estes podem ser tanto a nossa fonte de crescimento e apoio como de desgaste e inércia. Frequentemente são ambas e entramos em conflito. Nas situações em que a pessoa sofre em razão de armadilhas que ela mesmo criou para si, como parece ser o teu caso, não há liberdade sem autoconhecimento. A boa notícia é que nas situações de conflito interpessoal a psicoterapia é uma excelente solução. Minha sugestão é que procures um profissional para buscar mais informações numa consulta inicial e explorar essa alternativa. Fico à disposição.


  • Qual a diferença entre TCC e Psicanálise? Alguma delas é mais indicada para trabalhar questões em re

    Qual a diferença entre TCC e Psicanálise? Alguma delas é mais indicada para trabalhar questões em relação ao âmbito profissional, como ansiedade, lidar com pressão e cobrança, e etc?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Fernanda Barcellos Serralta

    O que hoje se denomina Psicanálise ou TCC é muito diferente das propostas originais dos seus fundadores (Sigmund Freud e Aaron Beck, respectivamente).Ambos os modelos evoluíram ao longo do tempo (que bom, não é mesmo?) e atualmente designam de modo geral um grupo bastantes heterogêneo de variantes. Na sua base, são bastante distintas: a psicanálise focalizando os determinismos inconscientes (fantasias, desejos, expectativas, tendências à repetição de padrões de relacionamentos, etc) dos comportamentos, pensamentos, sentimentos e relações problemáticas via a exploração e análise das associações livres do paciente na sessão (aquilo que está sentindo ou pensando no momento, com o terapeuta) e a interpretação desses sentidos pelo terapeuta ou pelo próprio paciente com o auxílio do terapeuta; e a TCC examinando pensamentos, crenças e comportamentos disfuncionais (conscientes ou automáticos) por meio da observação e analise destes, bem como da experimentação de novas respostas. A psicanálise ao longo do tempo foi derivando formas alternativas de psicoterapia (a psicoterapia psicanalítica e a psicoterapia breve, por exemplo). Isso ocorreu também com a TCC (a terapia do esquema, por exemplo). Algumas dessas modalidades se aproximam bastante, de modo que as fronteiras hoje são menos definidas. Independentemente disso, os estudos comparativos de resultados em psicoterapia mostram que para a maior parte das condições que levam os pacientes ao tratamento, o fator de maior relevância e peso é o relacionamento paciente-terapeuta. Mais do que a abordagem, é a qualidade do trabalho conjunto paciente-terapeuta que faz a diferença! Neste sentido, uma psicoterapia é muito diferente de uma medicação. Não é uma substância ou técnica que é aplicada. É um um processo que comporta um conjunto de procedimentos que só funcionam no contexto de uma relação única que se estabelece entre duas pessoas. Sabe-se também, pelos estudos científicos existentes, que é de extrema importância que exista um adequado ajuste das expectativas do paciente (inclusive o seu estilo cognitivo e cultura) com a abordagem oferecida. É verdade que a TCC possui mais evidências de resultados. Isso não é a mesma coisa que dizer que possui as maiores evidências de resultados. Possuem mais evidências por que são mais prágmáticas e suas características são mais fáceis de serem estudadas por métodos científicos. As psicoterapias psicanalíticas breves ou focais (e até a psicoterapia psicanalítica de longo prazo) possuem um corpo significativo de evidências de resultados para a maior parte das condições clinicas. Infelizmente até mesmo a maior parte dos psicanalistas desconhece isso. Trabalhei 15 anos como pesquisadora em psicoterapia em contato com estudos nacionais e internacionais. Até hoje não se conseguiu mostrar a superioridade de uma abordagem sobre a outra. Assim que na hora de buscar uma psicoterapia, a recomendação deveria ser baseada nas expectativas do paciente, seu estilo pessoal, a formação técnica do terapeuta e as suas qualidades pessoas. Espero ter ajudado e complementado as respostas anteriores.


  • Acredito que eu tenha transtorno borderline, qual profissional procurar?

    Acredito que eu tenha transtorno borderline, qual profissional procurar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Fernanda Barcellos Serralta

    O transtorno de personalidade borderline é uma condição clínica complexa cujo diagnóstico só pode ser feito por profissional habilitado, psicólogo ou médico psiquiatra. As características do transtorno são compartilhadas com outros diagnósticos ou podem se assemelhar a outros quadros clínicos. O primeiro passo é reconhecer a necessidade de ajuda e buscar um profissional para consultar, obter escuta e apoio emocional e avaliação para fins de diagnóstico. Isso pode levar mais de uma sessão, idealmente entre duas e três consultas. A psicoterapia, muitas vezes combinada com medicação para tratar sintomas mais específicos, é o tratamento de escolha para os transtornos de personalidade borderline (coloquei propositalmente assim, no plural, porque cada paciente é único e a apresentação do transtorno é muito particular ao indivíduo). Diversas modalidades de psicoterapia possuem evidências de bons resultados com pacientes com esse diagnóstico, entre elas modalidades derivadas da psicanálise como a terapia focada na transferência" e a "terapia baseada na mentalização". Trabalho com ambas e a indicação de uma ou outra modalidade depende de diversos fatores, entre eles, a gravidade da desregulação emocional e a capacidade de tolerar a angústia. Porém, tão ou mais importante do que a abordagem, os resultados do tratamento irão depender do relacionamento de fatores como o desejo de mudar, o engajamento na terapia, a formação, experiência e habilidade do profissional para ajustar a terapia às necessidades do paciente, o relacionamento estabelecido entre a dupla paciente-terapeuta, entre outros. Fico à disposição se quiseres agendar consulta ou receber alguma outra informação. Abraços. @fernandaserralta


  • O que é transtorno de personalidade? Como ajudar pessoa que sofre desde?

    O que é transtorno de personalidade? Como ajudar pessoa que sofre desde?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Fernanda Barcellos Serralta

    Cada pessoa é diferente das outras em razão de um conjunto organizado e mais ou menos estável de características pessoais
    (modos habituais de ser e de agir) que são fruto de sua herança biológica e das suas experiências de vida. A personalidade consiste nesse conjunto de características que incluem, entre outros aspectos, o tom afetivo e reativo predominante (humor e temperamento), os traços (comportamentos e atitudes característicos e observáveis) e a identidade (o senso de EU). O conceito de "transtorno" da personalidade baseia-se na observação de que existem pessoas nas quais todos ou alguns desses elementos que podem se tornar disfuncionais e produzir sofrimento em si ou nos outros. A rigidez dos traços (falta de flexibilidade) e as perturbações da identidade que levam a problemas interpessoais são típicos da maioria dos transtornos da personalidade. A personalidade é um a função psicológica complexa. O melhor tratamento para a maior parte das suas perturbações, é a psicoterapia. Alguns medicamentos podem ser usados como adjuvantes, para aliviar alguns sintomas afetivos, cognitivos ou comportamentais que podem acompanhar o transtorno. Um dos problemas que costuma acompanhar os transtornos da personalidade é que a pessoa pode não reconhecer que tem um um problema (uma vez que se trata do seu jeito habitual de SER). Quando a pessoa reconhece que seu sofrimento deriva da sua forma de se relacionar com os outros e com o mundo e procura ajuda psicológica, as perspectivas de mudança são bastante favoráveis.


Perguntas frequentes

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