Perguntas do paciente (62)

  • Ultimamente estou me sentindo sobrecarregada, minha memória está péssima, esqueço das coisas muito r

    Ultimamente estou me sentindo sobrecarregada, minha memória está péssima, esqueço das coisas muito rápido. Não estou conseguindo dormir direito pois a minha mente não consegue desligar do trabalho, nem mesmo quando estou fazendo outra atividade como ler. Quando preciso ir para o presencial parece que tudo piora. Às vezes acordo com a mente pesada uma agonia que reflete para o estômago e parece que não sinto as pernas. Domingo sempre bate a agonia por ter que começar tudo de novo. Também comecei a ter muitos pensamentos pessimistas. Sinto cansaço que não acaba, quando acordo é pior ainda. O que fazer? Devo procurar um especialista?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Fernanda Lana de Paula

    Sinto muito que você esteja se sentindo assim — isso realmente cansa e angustia.

    Esses sinais (cansaço constante, mente que não desliga, piora aos domingos, pensamentos negativos) mostram que você pode estar vivendo um nível alto de sobrecarga emocional, e isso merece cuidado.

    Sim, é importante procurar um psicólogo (e, se necessário, um psiquiatra). Você não precisa enfrentar isso sozinha.

    Com apoio adequado, é possível aliviar esses sintomas e voltar a se sentir melhor, aos poucos.


  • Tenho uma filha de 7 anos, ela está no 2º ano do fundamental, tenho percebido que ela vem com alguns

    Tenho uma filha de 7 anos, ela está no 2º ano do fundamental, tenho percebido que ela vem com alguns comportamentos que estão bem diferentes do que ela é. Na hora de escrever é perfeccionista ao ponto de escrever certo de primeira, mas se tiver uma letra maior ou menor, apaga quantas vezes forem precisos para corrigir e diz que nao está entendendo que letra é aquela e fala que escreve muito feio, que tem a letra horrível...(tentei varias vezes conversar com ela e ela nao acredita em mim). Não sai dali até terminar para passar para uma outra atividade da escola, está com dermatite atopica grave (pele bem inflamada) se coça de madrugada inconcientemente.(tenho passado pomada, cremes hidratantes próprio para isso), tem vergonha dos braços e pernas quando vai para a escola e não quer que ninguém veja ou fale alguma coisa...isso está afetando de um jeito que sensibiliza com qualquer palavra e fica triste. Há duas semanas teve crises de asma, (agora voltei com o tratamento para asma para controlar os episódios). Tem dormido pouco, acorda de madrugada perguntando se já terminou a tarefa da escola( caso a gente fale para ela que falta pouco ou que já terminou, ela acorda no meio da noite querendo terminar e volta na mesma tecla dizendo que não sabe escrever, não está enxergando a letra). Me separei do meu marido há quase 2 meses...não dava mais..estava muito sofrido para mim. e não sei se isso tem haver...mas gostaria de saber qual profissional cuida desta parte... ela muda de comportamento repentinamente...faz as coisas e depois não lembra...ja fiz de tudo para saber o que está acontecendo e não sei mais quem procurar..

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Fernanda Lana de Paula

    Crianças sofrem muitas vezes através de sintomas... Imagino o quanto isso tem te preocupado, dá uma sensação de impotência ver uma filha tão pequena sofrendo assim.
    Pelos sinais que você descreve (perfeccionismo, autocrítica, dificuldade de parar, acordar preocupada e sintomas físicos), é possível que ela esteja com ansiedade elevada, e mudanças recentes, como a separação, podem ter contribuído para isso.
    O mais indicado agora é buscar um psicólogo infantil, que vai ajudá-la a expressar o que está sentindo e a lidar melhor com essas emoções. Se necessário, pode haver encaminhamento para psiquiatra infantil.
    Você está atenta e cuidando — isso já faz muita diferença nesse momento.


  • Que tipo de profissional (terapeuta ou psicólogo ou psiquiatra) devo buscar? Tenho alta desconfiança

    Que tipo de profissional (terapeuta ou psicólogo ou psiquiatra) devo buscar? Tenho alta desconfiança de ter ansiedade desde a adolescência, tenho muitos traumas de infância que ainda me afetam (como agressão dos pais, problemas de atenção, bullying (psicológico) por colegas da escola e familiares, solidão, isolamento e muitas fugas da realidade por divagação), também sou bem paranoica desde criança, insegura, tenho crises de pânico e choro repentinas, estresses severos que me dão enxaqueca forte e vômito ou refluxo no estômago e trauma de chorar. Recentemente, finalmente estou criando coragem e juntando dinheiro para começar a me tratar e descobrir meus reais problemas, mas não faço ideia de qual profissional especifico eu deveria ir, já que tem tantas vertentes e tipos.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Fernanda Lana de Paula

    Você já deu um passo muito importante ao reconhecer isso e buscar ajuda.

    O mais indicado para começar é um psicólogo, que poderá avaliar sua história, seus sintomas e te acompanhar no processo terapêutico. Diante das crises de pânico, intensidade emocional e sintomas físicos, também pode ser importante uma avaliação com psiquiatra, caso haja necessidade de medicação.

    Em resumo:

    Psicólogo → início do acompanhamento e compreensão do quadro
    Psiquiatra → avaliação complementar, se necessário

    Você não precisa saber tudo agora — começar já é o mais importante.


  • Meu filho tem 14 anos ele foi diagnosticado quando era mais novo só que não fez o tratamento será qu

    Meu filho tem 14 anos ele foi diagnosticado quando era mais novo só que não fez o tratamento será que agora ele consegue ser tratado .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Fernanda Lana de Paula

    Qual o diagnóstico? Provavelmente sim.


  • Eu tenho um vínculo emocional muito forte com um personagem fictício, que funciona como meu principa

    Eu tenho um vínculo emocional muito forte com um personagem fictício, que funciona como meu principal porto seguro e suporte emocional durante crises de depressão e ansiedade. No entanto, ultimamente tenho vivido um ciclo angustiante:

    ​Quando estou em crise, sinto uma necessidade desesperada de protegê-lo da minha própria tristeza, com medo de 'manchar' a imagem dele ou associá-lo a sentimentos ruins. Isso me priva do meu único refúgio no momento em que mais preciso.

    ​Quando finalmente me sinto bem ou estável, sinto uma espécie de 'anestesia emocional'. Não consigo sentir a euforia ou o carinho de antes, o que me gera um pânico enorme de estar perdendo o interesse ou parando de amar esse personagem, mesmo eu querendo muito manter esse vínculo.

    ​Gostaria de saber: por que meu cérebro 'desliga' o sentimento justamente quando estou bem? E como posso lidar com esse medo obsessivo de estar perdendo minha conexão com ele sem que isso se torne uma fonte de ansiedade tóxica? É normal esse entorpecimento emocional após períodos de grande estresse?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Fernanda Lana de Paula

    Entendo o quanto isso é importante para você! Esse vínculo funciona como um apoio emocional, e o medo de perdê-lo pode ser muito angustiante.

    Esse “desligamento” quando você melhora pode ser uma forma de proteção do cérebro após estresse intenso, gerando uma espécie de anestesia emocional. Isso não significa que o sentimento acabou.

    Ao mesmo tempo, é importante, com cuidado, manter a diferenciação entre realidade e ficção, para que esse vínculo não se torne sua única fonte de segurança emocional.

    Com acompanhamento psicológico, é possível preservar o que esse vínculo representa para você, mas também ampliar outras formas de apoio e reduzir essa ansiedade.

    Você não está perdendo algo, seu emocional está tentando se reorganizar.


  • Porque sinto que nao sou querida entres meus irmaos?

    Porque sinto que nao sou querida entres meus irmaos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Fernanda Lana de Paula

    Preciso saber mais informações sobre você para conseguir te ajudar. Pode ser muita coisa...


  • Uma amiga minha, depois que eu abraçei, de frente, uma outra amiga no aniversário dela, me disse que

    Uma amiga minha, depois que eu abraçei, de frente, uma outra amiga no aniversário dela, me disse que eu não posso abraçar de frente uma mulher, exceto minha mãe, vó, irmã ou namorada porque a maioria das mulheres não gosta que homens a abracem, mesmo que elas venham te abraçar de frente, pois o jeito correto do homem é abraçar é de lado.

    Queria saber se eu realmente só devo abraçar de lado por conta de ser homem e a maioria das mulheres não gostam disso ou se é possível abraçar uma mulher de frente com respeito? É uma questão de caso a caso ou é mais geral?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Fernanda Lana de Paula

    Não existe uma regra fixa. O mais importante é respeito, contexto e consentimento.
    Um abraço de frente pode ser adequado quando há proximidade e abertura da outra pessoa. Em outros casos, pode gerar desconforto — isso varia de pessoa para pessoa.
    Na dúvida, observe os sinais ou opte por uma forma mais neutra. O essencial é o respeito aos limites individuais.


  • Olá! Então, atualmente estou enfrentando uma luta interna, e acredito que não tenha como vencer ela

    Olá! Então, atualmente estou enfrentando uma luta interna, e acredito que não tenha como vencer ela totalmente.

    Eu acho errado sentir atração física por mulheres que eu não tenho intenção de construir um relacionamento, e acredito que não tenha como "desligar" esse sentimento, apenas mudar a forma como enxergo ele, a questão é que eu não vejo a atração com bons olhos, eu me sinto sujo, perverso ... Eu apenas converso com um atendente, por exemplo, e às vezes acho ela atraente e eu não consigo achar certo considerar uma mulher atraente dessa maneira, no caso apenas pelos aspectos físicos, sendo que, como eu disse anteriormente, nem estou construindo um relacionamento com a moça.

    Eu realmente preciso de uma direção, pois isso uma hora ou outra vai me desgastar, eu sinto uma repulsa tão grande desses pensamentos que me traz um sentimento de vergonha e culpa tão forte depois que não dá nem vontade de sair de casa de novo, sim, é nesse nível, mas eu ainda saio, é só para ilustrar a tamanha aversão que eu tenho da atração física que eu sinto. O que fazer? Devo buscar ajuda de um especialista?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Fernanda Lana de Paula

    Olá! Entendo o quanto isso tem sido difícil para você — essa culpa e essa repulsa realmente cansam.

    Sentir atração física é algo natural e automático, não depende de escolha nem define seu caráter. O que parece estar gerando sofrimento é a forma como você interpreta esse sentimento, associando-o a algo “errado” ou “sujo”.

    Esse tipo de conflito interno pode levar a um ciclo de pensamento → culpa → evitação, que aumenta ainda mais a ansiedade.

    Sim, é muito indicado buscar um psicólogo, que pode te ajudar a ressignificar esses pensamentos, reduzir a culpa e construir uma relação mais saudável com sua própria experiência emocional.

    Você não está fazendo nada de errado por sentir — mas merece aprender a lidar com isso sem tanto sofrimento


  • Eu tenho um adolescente que com 15 anos era um adolescente alegre que e enturmava com todos tinha vá

    Eu tenho um adolescente que com 15 anos era um adolescente alegre que e enturmava com todos tinha vários amigos depois que completou 16 se isolou só quer fica dentro do quarto no celular se afastou dos amigos se afastou da família,ele fala que não tem amigos gosta de ficar sozinho, gosta de ler livros de desenho,gosta de desenhar não quer ir de jeito nenhum em psicólogo dormir tarde anda triste desanimado não conversa não olha na cara da gente não é com toda que ele conversa as vezes ele está ótimo depois do nada fica triste desanimado isolado as vezes sai às vezes não quer sair fala que ele não tem amigos fala que ele não está na idade de namorar ela está com 17 anos vai fazer 18 anos em outubro ele fala que os jovens de hj só fica fazendo coisas erradas tento conversar com ele mais ele não conversa só conversar quando está precisando de alguma coisa ou quando está sentindo alguma coisa
    O que fazer? Como ajudar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Fernanda Lana de Paula

    Imagino o quanto isso tem te preocupado... é difícil ver um filho mudar assim e não saber como ajudar. Saberia dizer se algo aconteceu na escola ou em algum local com seu filho? Se sofreu algum bullying ou terminou alguma amizade?

    Pelo que você descreve, seu filho apresenta sinais de isolamento, oscilação de humor, desânimo e perda de interesse social, o que pode estar relacionado a um quadro de sofrimento emocional, como ansiedade, tristeza persistente ou início de depressão. Essa fase também pode envolver questionamentos sobre valores e pertencimento, o que explica algumas falas dele.

    O fato de ele não querer ir ao psicólogo é comum, principalmente nessa idade. Forçar pode gerar mais resistência. O mais importante agora é:

    Manter o vínculo: esteja disponível, sem pressão excessiva
    Abrir espaço de escuta, mesmo que ele fale pouco
    Evitar críticas ou confrontos diretos
    Validar sentimentos quando ele se abre, mesmo que brevemente

    Você também pode buscar um psicólogo infantil/adolescente para orientação aos pais, mesmo que ele não vá inicialmente. Isso ajuda muito na forma de conduzir em casa.

    Se houver piora importante (isolamento extremo, fala de desesperança, mudanças intensas de comportamento), é indicado procurar também um psiquiatra infantil.

    Você não está sem caminhos... com apoio adequado, é possível ajudá-lo a se reorganizar emocionalmente.


  • Já sou adulta e tenho uma mania desde de criança de sucção da língua e alisar panos específicos (inc

    Já sou adulta e tenho uma mania desde de criança de sucção da língua e alisar panos específicos (inclusive já separei até uma blusa da minha filha pra isso) me acalma, me dá sono. O ruim é que eu paro no tempo, se eu puder passo o dia todos assim. Já tentei parar mas é difícil, quando não tô com o pano eu faço a sucção e me imagino alisando o pano. Isso me incomoda, parece que sou refém porque por um momento eu paraliso e me sinto desconfortável quando as pessoas percebem... Lembro que minha mãe brigava comigo e falava: - tu vai casar e continuar fazendo isso? Muitas vezes fazia escondido. Essa mania me dá uma sensação tão boa, mas não tenho controle sobre ela. O que faço para parar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Fernanda Lana de Paula

    Imagino o quanto isso pode ser confuso para você — ao mesmo tempo que traz conforto, também gera incômodo e sensação de perda de controle.

    Esse tipo de comportamento, iniciado na infância e mantido na vida adulta, costuma funcionar como uma forma de autorregulação emocional — algo que acalma, reduz ansiedade e traz sensação de segurança. Por isso é tão difícil interromper apenas “na força de vontade”.

    O ponto importante não é simplesmente “parar”, mas entender quando e por que isso acontece, e aos poucos construir outras formas de regulação que não te prendam ou te exponham.

    Algumas direções que podem ajudar:

    Identificar gatilhos (tédio, ansiedade, cansaço)
    Criar substituições mais discretas (ex.: objetos sensoriais, técnicas de respiração)
    Reduzir o tempo aos poucos, sem interrupção brusca

    O mais indicado é buscar um psicólogo, que pode te ajudar a trabalhar esse hábito de forma estruturada, sem julgamento, e com mais autonomia.

    Você não é “refém por escolha” — esse é um padrão aprendido que pode ser modificado com cuidado e constância.


  • Eu vivo em alerta no meu relacionamento. Mesmo sem motivos concretos, eu sinto que algo ruim vai aco

    Eu vivo em alerta no meu relacionamento. Mesmo sem motivos concretos, eu sinto que algo ruim vai acontecer, como uma traição. Isso me deixa ansiosa e eu não consigo relaxar. Quando ele sai entro em p}ânico, não durmo, vivo no alerta, choro muito e não consigo controlar que penso. Se ele meche no celular sem eu estar perto sinto como se algo está errado, e isso me cansa. o que fazer ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Fernanda Lana de Paula

    Acredite, você não é a única... atendo muitas pessoas que sofrem de ciúmes patológico, de insegurança e medo de traição... talvez por algum evento na infância, por histórico de relacionamentos passados, por crenças internalizadas... Imagino o quanto isso deve estar sendo angustiante para você! Viver nesse estado de alerta constante cansa muito e traz um sofrimento real.

    O que você descreve parece uma ansiedade intensa ligada ao medo de perder ou ser traída, mesmo sem sinais concretos. Esses pensamentos vêm com muita força e acabam tirando sua paz, seu sono e sua sensação de segurança.

    É importante saber que isso não é culpa sua, nem falta de controle — é algo que pode ser compreendido e cuidado. Tentar vigiar ou controlar o que acontece ao redor pode até aliviar na hora, mas costuma manter esse ciclo de ansiedade.

    Buscar ajuda com um psicólogo pode te apoiar a entender de onde vem esse medo e a construir mais segurança emocional, para que você consiga viver seu relacionamento com mais tranquilidade.

    Você não precisa enfrentar isso sozinha.


  • Culpa Religiosa / Castidade / Relacionamento O que fazer quando a igreja impõe algo que vc não c

    Culpa Religiosa / Castidade / Relacionamento

    O que fazer quando a igreja impõe algo que vc não concorda ou não tem certeza se quer viver de fato?

    Sou católica, tenho 23 anos, gosto muito de viver a minha fé e frequentar a igreja. Só q há alguns meses venho sentindo a sensação de culpa principalmente em viver alguns princípios da igreja.

    Desde os 19 anos, frequento a igreja mais ativamente, fiz catequese, e tudo em relação a primeira comunhão e crisma.

    Mas com o passar dos anos, foram surgindo questionamentos sobre relacionamentos mais precisamente em relação a: Castidade/Se manter casta até o casamento.

    É um assunto q sempre foi uma questão pra mim. Na Igreja isso sempre é aprendido como correto e uma certa "obrigação".

    A questão é que isso vem me deixando mal, pq quando penso em não seguir a castidade minha mente entra em conflito. Eu não sou uma pessoa tão religiosa, mas sempre valorizei minha relação com Cristo e a Igreja, e isso tem pesado minha consciência.

    Já tem um tempo que eu tenho tentado colocar um certo limite mas isso acaba voltando em pensamentos negativos/culpa.

    A questão é como viver minha fé mesmo não concordando com certas doutrinas/dogmas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Fernanda Lana de Paula

    O que você está vivendo é um conflito muito humano — e mais comum do que parece. Quando valores pessoais, afetivos e religiosos entram em choque, é natural surgir culpa, dúvida e angústia.

    É importante diferenciar duas coisas: fé e instituição. A sua relação com a espiritualidade pode ser algo íntimo, construído com sentido próprio, e não precisa ser vivida apenas a partir de regras que geram sofrimento. Questionar não significa falta de fé, mas sim um processo de amadurecimento e construção de autonomia.

    A culpa que você descreve parece estar mais ligada a um conflito interno entre o que você aprendeu e o que você sente/deseja hoje. E esse tipo de conflito não se resolve com repressão, mas com reflexão, escuta interna e, muitas vezes, apoio profissional.

    Na prática, pode ser importante se perguntar:

    O que faz sentido para mim hoje, de forma genuína?
    O que eu escolho viver por convicção, e não apenas por obrigação?

    A terapia pode ajudar justamente nesse ponto: integrar sua fé com sua identidade, sem que isso seja vivido com sofrimento ou culpa constante.

    Você não precisa abandonar sua espiritualidade para se escutar — é possível construir um caminho que seja verdadeiro para você, com mais leveza e coerência interna.


  • Fui diagnosticada com TEPT (transtorno de Estresse Pós Traumático). Minha psiquiatra me encaminhou p

    Fui diagnosticada com TEPT (transtorno de Estresse Pós Traumático). Minha psiquiatra me encaminhou para fazer tratamento EMDR pois é o melhor tratamento para trauma, segundo a OMS.
    Poderia me explicar como funciona o tratamento?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Fernanda Lana de Paula

    Receber um diagnóstico de TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático) pode trazer muitas dúvidas — e é muito positivo que você já esteja buscando entender o tratamento indicado.

    O EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing) é uma abordagem psicoterapêutica voltada ao processamento de experiências traumáticas. A ideia central é que, após um trauma, algumas memórias ficam “mal processadas”, permanecendo muito vívidas, carregadas de emoção e facilmente reativadas.

    Como funciona, de forma geral:

    Mapeamento e preparo: inicialmente, o terapeuta compreende sua história, identifica memórias-alvo e trabalha estratégias de segurança emocional para que você se sinta mais estável durante o processo.
    Acesso à memória traumática: você é convidada a lembrar da situação de forma guiada e gradual, focando em imagens, pensamentos, emoções e sensações corporais associadas.
    Estimulação bilateral: enquanto acessa essa memória, o terapeuta conduz estímulos alternados (como movimentos oculares, toques alternados ou sons).
    Reprocessamento: ao longo das sessões, a memória tende a perder a carga emocional intensa e passa a ser integrada de forma mais adaptativa — ou seja, você ainda lembra do que aconteceu, mas com menos sofrimento e reatividade.

    O que muitas pessoas relatam:

    Diminuição da intensidade emocional ligada à lembrança
    Menor ativação física (ansiedade, tensão)
    Mudanças na forma de interpretar a experiência (menos culpa, mais compreensão)

    É importante destacar que o processo é gradual, respeita o seu ritmo e não significa “reviver o trauma de forma desorganizada”, mas sim reprocessá-lo com suporte e segurança.


  • É comum sentir vontade de vingança tendo Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?

    É comum sentir vontade de vingança tendo Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Fernanda Lana de Paula

    Pode acontecer, sim — mas é importante compreender o que está por trás disso, sem julgamentos.

    Pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) tendem a vivenciar emoções de forma muito intensa, especialmente em situações de rejeição, abandono ou mágoa. Nesses momentos, podem surgir pensamentos de vingança como uma forma de lidar com a dor, a injustiça percebida ou o sentimento de ter sido ferido(a).

    No entanto, esses pensamentos geralmente estão mais relacionados ao sofrimento emocional intenso e à dificuldade de regulação do que a um desejo real de causar dano. Muitas vezes, são passageiros e diminuem quando a emoção é compreendida e elaborada.

    Com acompanhamento psicológico, é possível trabalhar essas emoções de forma mais segura, desenvolver formas de lidar com a raiva e construir respostas que não tragam prejuízos para si ou para os relacionamentos.


  • “Como orientar familiares de pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?”

    “Como orientar familiares de pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?”

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Fernanda Lana de Paula

    Primeiro de tudo o familiar precisa estar disposto a querer ajudar e a participar do processo terapêutico, ele querendo a orientação é extremamente importante, pois conviver com uma pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode ser desafiador e, muitas vezes, emocionalmente intenso — por isso, a orientação aos familiares é fundamental.

    De modo geral, é importante ajudar a família a desenvolver uma postura de equilíbrio entre acolhimento e limites. Validar os sentimentos (“eu entendo que isso foi difícil para você”) não significa concordar com todos os comportamentos, mas sim reconhecer a experiência emocional do outro.

    Também é essencial trabalhar comunicação clara, não reativa e consistente, evitando críticas excessivas, invalidação ou mudanças bruscas de postura. A previsibilidade nas relações costuma trazer mais segurança.

    Outro ponto importante é o estabelecimento de limites saudáveis, para proteger tanto o familiar quanto a própria pessoa em sofrimento. Cuidar de alguém não deve significar se anular.


  • “O que desencadeia crises emocionais no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?”

    “O que desencadeia crises emocionais no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?”

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Fernanda Lana de Paula

    Não existe um fator único que desencadeia uma crise, cada pessoa tem seu gatilho... Para muitas pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), as crises emocionais não surgem “do nada” — elas costumam estar ligadas a vivências que são sentidas de forma muito intensa e, muitas vezes, dolorosa.

    Os gatilhos mais comuns envolvem percepção de rejeição, abandono ou instabilidade nas relações, além de conflitos interpessoais, críticas, frustrações e mudanças inesperadas. Mesmo situações que parecem pequenas para outras pessoas podem ser vividas com grande intensidade.

    Além dos fatores externos, também existem gatilhos internos, como lembranças difíceis, sensação de vazio, insegurança ou medo de perder vínculos importantes.

    De modo geral, há uma alta sensibilidade emocional, com respostas rápidas e intensas ao estresse. Com acompanhamento psicológico, é possível identificar esses gatilhos e desenvolver formas mais seguras e reguladas de lidar com as emoções.


  • O paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) percebe seus comportamentos depois?

    O paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) percebe seus comportamentos depois?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Fernanda Lana de Paula

    Sim — muitas pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) conseguem perceber seus comportamentos depois, especialmente quando a intensidade emocional diminui.

    Durante momentos de crise, a emoção pode ser tão intensa que dificulta a reflexão no momento, levando a reações mais impulsivas. Após esse pico, é comum surgir consciência do que aconteceu, às vezes acompanhada de culpa, arrependimento ou confusão.

    É importante destacar que essa percepção pode variar: algumas pessoas têm mais facilidade de insight, enquanto outras precisam de mais tempo e apoio para elaborar o ocorrido.

    Com acompanhamento psicológico, é possível aumentar gradualmente essa consciência também no “durante”, desenvolvendo maior capacidade de pausa, reflexão e escolha de respostas mais alinhadas ao que a pessoa deseja para si.


  • Bom, ultimamente tenho me distraído muito com redes sociais e conteúdo +18, e isso tem atrapalhado b

    Bom, ultimamente tenho me distraído muito com redes sociais e conteúdo +18, e isso tem atrapalhado bastante o meu foco.
    Às vezes eu até me analiso e sei o que preciso fazer para alcançar o que quero, mas acabo me perdendo e ficando sem foco.
    Quero começar alguns cursos técnicos, mas está difícil, rs.
    Percebi que essas distrações com conteúdo +18 e redes sociais estão interferindo na minha evolução, tanto pessoal quanto profissional, e entendi que preciso largar isso.
    Atualmente sou solteiro, não bebo nem fumo. Vejo conteúdo +18 de vez em quando há dias em que consigo ficar sem, mas em outros é mais difícil.
    Preciso me libertar disso. Alguma dica?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Fernanda Lana de Paula

    Esse é o mal do século... a famosa dopamina barata que tanto escutamos nas redes sociais... o prazer imediato... não se culpe, você é uma vítima... os conteúdos são feitos para as pessoas ficarem viciadas sim, mas existem alguns exercícios que podemos tentar para diminuir o sofrimento... e sim, dói, sei que todas as vezes que você tenta parar e não consegue você fica chateado com você mesmo... Entendo sua dificuldade, e o fato de você já perceber esse padrão é um passo muito importante.

    Essas distrações funcionam como fontes de recompensa imediata, o que acaba competindo com atividades que exigem mais esforço, como estudar. Não é falta de capacidade, mas um hábito que pode ser ajustado.

    Algumas orientações práticas:

    Diminua o acesso (retire notificações, use bloqueadores em horários críticos)
    Identifique gatilhos (tédio, ansiedade, rotina noturna)
    Comece pequeno nos estudos (20–30 minutos por dia)
    Use pausas antes de agir (ex.: esperar alguns minutos quando surgir o impulso)

    Evite a autocrítica excessiva — mudanças acontecem de forma gradual.
    Se estiver difícil sozinho, o acompanhamento psicológico pode ajudar bastante nesse processo de retomada de controle e foco.


  • Ao chegar no meu trabalho,sinto um pouco de angustia, sencacao de estar no piloto automatico, tenho

    Ao chegar no meu trabalho,sinto um pouco de angustia, sencacao de estar no piloto automatico, tenho medo constante de perde o controle da minha vida, sinto estagnado, nao tenho prazer em estar no meu trabalho, tenho medo de perder minha sanidade, meu homor oscila bastante, sinto como se estivesse sem saida . o que issso pode ser ? quando não estou no trabalho sinto isso diminuir, porém de uns tempos pra cá, tenho enxergado tudo como se fosse obrigação porque isso acontece ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Fernanda Lana de Paula

    Sinto muito que você esteja passando por isso — o que você descreve é angustiante, mas é mais comum do que parece e tem explicação.

    Essas sensações de angústia ao chegar no trabalho, “piloto automático”, medo de perder o controle e falta de prazer podem estar relacionadas a um quadro de esgotamento emocional (burnout), ansiedade ou até início de um estado depressivo. O fato de melhorar fora do trabalho sugere que o ambiente ou a forma como ele está sendo vivenciado tem um papel importante.

    A sensação de que “tudo virou obrigação” costuma aparecer quando há sobrecarga emocional, desmotivação ou perda de sentido, fazendo com que atividades antes neutras ou até agradáveis passem a ser percebidas como pesadas.

    O medo de “perder a sanidade” também pode surgir em momentos de ansiedade elevada — mas, na prática, isso geralmente está mais ligado à intensidade do sofrimento emocional do que a uma perda real de controle.

    É importante não ignorar esses sinais. Um acompanhamento psicológico pode te ajudar a entender o que está por trás disso, reorganizar sua rotina emocional e resgatar sensação de controle e direção.

    Você não está sem saída — mas talvez esteja precisando de apoio para encontrar novos caminhos.


  • Estou passando por um momento delicado...minha avó está perto dos 90 anos mas está com a saúde muito

    Estou passando por um momento delicado...minha avó está perto dos 90 anos mas está com a saúde muito fragilizada. Ela tem demência e alzheimer e a cada dia decai mais. Os médicos dizem que a passagem dela pode ocorrer a qualquer momento, pode ser dias, semanas ou alguns meses apenas em um cenário otimista. Eu não estou sabendo lidar bem com a situação, sempre fui muito próxima dela e é como se eu estivesse me despedindo com ela aqui ainda. É uma dor e angústia constante. Será que a terapia poderia ajudar nesse processo e como faria isso? Ou devo procurar ajuda terapêutica depois que as coisas ocorrerem? Estou confusa nesse momento.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Fernanda Lana de Paula

    Cada pessoa lida com as perdas dos entes queridos de maneiras diferentes... mesmo dentro da mesma família... para alguns dói muito, para outros é apenas uma despedida temporária, para outros faz parte da vida... mas independente da maneira como a pessoa sente, esse sentimento precisa ser visto com muito respeito e acolhimento. só quem sente sabe o que esta se passando dentro do seu coração. Sinto muito pelo que você está vivendo. A sua dor faz sentido — esse processo de “se despedir aos poucos” de alguém tão importante é muito difícil e costuma gerar uma mistura de tristeza, angústia, medo e até sensação de impotência.

    O que você está experienciando é conhecido como luto antecipatório, que acontece quando começamos a elaborar a perda antes que ela ocorra de fato. E sim, a terapia pode ajudar — e muito — já nesse momento, não é necessário esperar.

    Durante esse processo, o acompanhamento psicológico pode te ajudar a:

    Acolher e organizar essas emoções intensas, sem precisar enfrentá-las sozinha
    Dar sentido a esse momento, respeitando o vínculo e a história de vocês
    Encontrar formas de estar presente com sua avó, dentro do que é possível agora
    Se preparar emocionalmente para a perda, de maneira mais amparada

    Buscar ajuda agora pode tornar esse caminho menos solitário e mais suportável. E, caso você queira, o processo terapêutico pode continuar também no período de luto após a perda.

    Você não precisa dar conta disso sozinha.


Perguntas frequentes

Todos os conteúdos publicados no doctoralia.com.br, principalmente perguntas e respostas na área da medicina, têm caráter meramente informativo e não devem ser, em nenhuma circunstância, considerados como substitutos de aconselhamento médico.