Perguntas do paciente (9)
-
De que forma o vazio deixado pelo abandono do meu pai se transformou em uma insegurança constante de
De que forma o vazio deixado pelo abandono do meu pai se transformou em uma insegurança constante de que serei deixada a qualquer momento?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sentir um medo constante de ser deixada depois de ter vivido o abandono de um dos pais é algo mais comum do que muitas pessoas imaginam. Experiências desse tipo, especialmente na infância, podem marcar profundamente a forma como passamos a perceber os relacionamentos.
Na psicologia do desenvolvimento, a teoria do apego mostra que nossas primeiras relações com figuras parentais ajudam a formar expectativas internas sobre os vínculos. Quando ocorre um afastamento ou abandono importante, a criança pode desenvolver um padrão de apego mais inseguro, no qual os relacionamentos passam a ser vividos com maior sensibilidade à possibilidade de perda.
Como a criança ainda não possui recursos emocionais para compreender plenamente o que aconteceu, essa experiência pode ficar registrada como uma sensação persistente de que as pessoas importantes podem ir embora a qualquer momento. Na vida adulta, isso às vezes aparece como medo intenso de abandono ou necessidade de maior segurança nas relações.
A psicoterapia pode ajudar a compreender como essas experiências iniciais influenciaram a forma de viver os vínculos e, gradualmente, construir relações sentidas com mais estabilidade e confiança.
-
Tenho uma dúvida sobre a técnica do copo com água divulgada por Lair Ribeiro. Nessa prática, a pesso
Tenho uma dúvida sobre a técnica do copo com água divulgada por Lair Ribeiro. Nessa prática, a pessoa faz uma pergunta ao subconsciente, bebe metade da água antes de dormir e depois bebe o restante ao acordar.
Minha dúvida é a seguinte: se após beber o primeiro gole a pessoa demora bastante tempo para adormecer, essa demora poderia enfraquecer ou até ‘dissipar’ o possível efeito da técnica? Ou o processo já estaria estabelecido independentemente do tempo que se leve para pegar no sono?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Essa é uma dúvida compreensível dentro da proposta da técnica. No entanto, é importante esclarecer que essa prática não possui respaldo científico nas áreas da psicologia ou da neurociência. Não há evidências de que o ato de “perguntar ao subconsciente” dessa forma, nem o consumo de água antes e depois do sono, produza efeitos sobre resolução de problemas ou processamento mental durante o sono.
Assim, a questão sobre o tempo para adormecer parte de um pressuposto que não se sustenta empiricamente. Em outras palavras, não há um mecanismo demonstrado que possa ser enfraquecido ou dissipado.
Técnicas desse tipo são frequentemente divulgadas sem validação empírica e podem gerar expectativas que não se confirmam na prática.
Para esse tipo de questão, tende a ser mais útil recorrer a formas mais estruturadas de reflexão ou a um acompanhamento clínico que permita elaborar melhor pensamentos, dúvidas e processos de decisão.
-
Nunca senti nenhum tipo de amor por ninguém. É normal isso?
Nunca senti nenhum tipo de amor por ninguém. É normal isso?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Bem, ninguém nasce com a obrigatoriedade de amar alguém, entretanto, questões relativas a instinto, necessidade de convivência social, medo da solidão ou simplesmente o acaso emocional, podem nos levar a desenvolver forte afeição por alguém e essa afeição pode desembocar em um sentimento mais forte, prazeroso ou recompensador que pode ser definido como amor.
Quando você diz que nunca sentiu nenhum tipo de amor por quem quer que seja, entende-se que nunca se apegou a pai, mãe, irmão, parceiro afetivo, animal de estimação etc.
Você pergunta se isso é normal.
A normalidade em psicoterapia e em especial na psicanálise, não é algo que possa ser avaliado com a simplicidade do sim ou do não. Não vejo anormalidade nesse fato, mas, não posso deixar de reconhecer que não se trata de um comportamento, no mínimo, usual.
Não amar alguém, no sentido do que seja o amor no entendimento do senso comum, não é, por si só, evidência de psicopatologia, desde que por traz desse comportamento não se escondam desejos reprimidos, traumas, experiências frustrantes, decepções, ou qualquer tipo de vivência desagradável que, consciente ou inconscientemente, possam ter anestesiado ou bloqueado sua capacidade de se deixar envolver afetivamente, interagir com pessoas do seu convívio e se permitir apaixonar-se e amar alguém.
Embora, por si só, essa condição não deva ser considerada uma psicopatologia, estou certo de que a psicoterapia, certamente, pode ser recomendável para alinhar seus pensamentos, emoções e sentimentos àquilo que efetivamente possa ser relevante para a sua regulação emocional e para a sua felicidade.
-
Como posso reconhecer e diferenciar o pensamento acelerado de uma busca por criatividade e produtivi
Como posso reconhecer e diferenciar o pensamento acelerado de uma busca por criatividade e produtividade?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que você chama de “pensamento acelerado”, embora popularmente assim tratado pelo senso comum, refere-se a condições ou sintomas que nem sempre são reconhecidos como uma condição psicopatológica isolada. Embora o termo Pensamento Acelerado ou Síndrome do Pensamento Acelerado (SPA) não conste literalmente em manuais diagnósticos como o DSM-5, o fenômeno que descreve é cientificamente reconhecido.
Em alguns casos, pode estar associado a transtornos como o TDAH, o TAG (transtorno de ansiedade generalizada), o transtorno bipolar e ao uso de estimulantes do sistema nervoso central (SNC). A indicação para procurar um profissional de saúde mental depende da frequência e da intensidade desses episódios, bem como dos prejuízos que possam causar ou de suas repetições automáticas e disfuncionais.
Todos passamos por momentos de ansiedade ou estresse pontuais, causados por frustrações ou expectativas desreguladas — o que não caracteriza um transtorno nem motivo de maiores preocupações. Também é natural que nossos pensamentos se acelerem quando vivemos um bom momento, criando e produzindo algo que nos traz satisfação.
Portanto, considero que não há motivo para preocupações se essa suposta aceleração não leva a fuga de ideias, ambições obsessivas ou mudanças bruscas e injustificáveis de opinião, humor ou foco, mas, ao contrário, tem favorecido sua capacidade de se concentrar e de se dedicar ao que gosta e lhe faz bem.
-
Quais são os valores fundamentais da Logoterapia? .
Quais são os valores fundamentais da Logoterapia? .
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A Logoterapia, desenvolvida por Viktor Frankl (1905-1997), é uma abordagem psicoterapêutica baseada na busca de significado e sentido na vida. Seus valores fundamentais são:
1. A Busca de Sentido como motivação primária, que é a principal argumentação de
Frankl, que sustenta que a motivação humana fundamental não é o prazer (como Freud propunha) ou o poder (como Adler), mas a busca de significado. As pessoas têm uma necessidade intrínseca de encontrar propósito em suas vidas.
2. A Liberdade de Atitude, que se constitui em um dos pilares mais importantes da logoterapia e é a ideia de que, embora não possamos sempre controlar as circunstâncias externas, temos a liberdade de escolher nossa atitude perante elas. Frankl desenvolveu essa compreensão durante seu encarceramento em campos de concentração nazistas.
3. A Responsabilidade Pessoal, que consolida a ideia de que cada pessoa é responsável por encontrar ou criar um significado em sua vida. Essa responsabilidade não pode ser delegada; é intransferível e pessoal. Com liberdade vem responsabilidade.
4. A Capacidade de Transformar o Sofrimento em Significado: a logoterapia reconhece que o sofrimento é inevitável, mas propõe que pode ser transformado em crescimento pessoal e significado. O sofrimento sem sentido é destrutivo, mas aquele que tem propósito pode ser enobrecedor.
-
Moro só há mais de 25 anos e não me vejo nem me relacionando nem dividindo espaço com ninguém. Detes
Moro só há mais de 25 anos e não me vejo nem me relacionando nem dividindo espaço com ninguém. Detesto receber pessoas em casa , adoro me divertir só - saio muito , vou para restaurantes , museus , trilhas. Isso tudo começo quando percebi que gostava de minha companhia e que levei muito tempo para ter meu espaço e viver a vida que queria . Ultimamente olhei para trás e percebi que meu último relacionamento foi em 2013, que não sinto falta e que estou bem . Que tipo de pessoa meu comportamento me faz em termos de sociabilidade ? Sou um heremita?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Se sua declaração é genuína e reflete exatamente o que você sente, você está apenas exercendo o seu direito de viver da forma que mais recompensa emocional lhe proporciona. A solidão e o isolamento merecem uma atenção especial quando não são opcionais; quando ocorrem porque o indivíduo não se sente aceito socialmente e, por experiências traumáticas, prefere não se arriscar em novos relacionamentos afetivos ou de amizade. Quando se sente inseguro ou incapaz de atrair pessoas para o seu convívio, ele se recolhe e evita aproximações, e isso lhe causa fortes sentimentos de frustração, solidão e rejeição, que o fazem sentir-se infeliz. Ainda que, aparentemente, não seja esse o seu caso, vale um convite para que você faça reflexões constantes sobre como realmente se sente. Às vezes demonstrações frequentes de valorização da “independência”, do “eu me amo” e do “eu não preciso de ninguém”, escondem uma certa fraqueza ou vergonha de se admitir só, sem alguém para amar e compartilhar a vida. As redes sociais têm contribuído para essa excessiva valorização da autoestima como mecanismo de defesa contra a frustração que uma vida de solidão não escolhida pode causar. Portanto, se você busca esse isolamento por preferência e opção, não considero que haja qualquer problema ou condição de sociabilidade que precise ser definida e atribuída a você, entretanto, se você não fez essa opção por motivos religiosos ou filosóficos, você pode sim, referir-se a si próprio como um eremita, num sentido contemporâneo, figurativo e até meio que, carinhosamente, irônico, com você mesmo.
-
Um psicanalista pode receitar ansiolíticos e/ou antidepressivos? Obrigado.
Um psicanalista pode receitar ansiolíticos e/ou antidepressivos?
Obrigado.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Se ele, além de psicanalista, tiver uma formação acadêmica em medicina, sim, pode. Se for apenas psicanalista, sem graduação em medicina, não pode. A prescrição de medicação para transtornos de ansiedade e depressão é, normalmente, prerrogativa dos médicos psiquiatras, embora, muitos, de outras especialidades, prescrevam ansiolíticos e antidepressivos, o que é normal e não é ilegal. Há, entretanto, um aspecto interessante a ser considerado: me parece algo compreensível o psicanalista, sendo também psiquiatra, prescrever psicofármacos. Por outro lado, há que se admitir ser, no mínimo controverso o fato de um psicanalista médico ortopedista, embora amparado por lei e por outros normativos, prescrever esse tipo de medicação a seus pacientes. Só para refletir.
-
olÁ! Como vai? Estou me relacionando há 3 meses com um estrangeiro que veio ao Brasil por motivo d
olÁ! Como vai?
Estou me relacionando há 3 meses com um estrangeiro que veio ao Brasil por motivo de um namoro no ano passado, porém, não deu certo e ele ficou muito deprimido a ponto de recorrer à terapia. após 6 meses nos conhecemos e estamos nos dando muito bem, há sintonia mental e valores mjuito parecidos.
O que me aflige são referencias recorrentes a lugares ou experiências que teve no antigo relacionamento quando esteve no Brasil.
Já comentei que não gosto de comparações pois me sinto mal e me afasto, porem ele responde que são apenas referências..
O que devo fazer?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Seu caso é comum e semelhante a muitos que chegam aos consultórios. Entendo que ouvir frequentemente referências à ex de seu namorado, feitas por ele mesmo, possa ser algo bastante incômodo e emocionalmente desagradável. Ele justifica que são apenas “referências”, e, de fato, se fossem raras, poderíamos até entendê-las como referências eventuais, sem maior importância. Agora, você relata que são frequentes e que já manifestou sua contrariedade com isso. Quanto a “comparações”, é preciso estar atenta para classificar adequadamente esses comentários como “comparações”, pois às vezes as pessoas, por estarem incomodadas, tendem a achar que a simples menção à ex, pode significar que o parceiro está sentindo saudade ou comparando a vida que tinha antes com a de agora. Pode não ser exatamente isso que esteja ocorrendo com ele. Preste atenção nisso. Diga a ele com serenidade que a frequência desses comentários lhe deixa insegura quanto ao prazer que ele possa realmente estar sentindo a seu lado, e reforce o pedido para que ele, ao menos, diminua o número de vezes que se refere a ex. Não faz muito sentido também impedir que ele faça uma ou outra menção a lugares que já esteve com ela. Não é bom tratar isso como um tabu. Você precisa tentar desenvolver um certo controle sobre como entende e responde emocionalmente a isso. Agora, se estiver certa de que, mesmo após seus pedidos ele não se esforça para evitar os comentários que continuam frequentes e sugerindo comparações, aí sugiro que você seja mais firme nas suas cobranças, tentando demonstrar com muita determinação o seu inconformismo e os seus limites. Não estou sugerindo que rompa a relação, mas que assuma as rédeas dos seus sentimentos e de suas emoções.
-
Terapia dialética pra transtorno bordeline é bom??
Terapia dialética pra transtorno bordeline é bom??
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Provavelmente você esteja se referindo à Terapia Comportamental Dialética (TCD), conhecida também pelas iniciais DBT, do inglês Dialectical Behavior Therapy. Sim a DBT é hoje considerada a terapia padrão ouro para tratamento do TPB (Transtorno de Personalidade Borderline). Não é o tipo de abordagem que eu pratico, até porque não trato TPB, mas, se você estiver perguntando por você ou para um amigo, recomendo fortemente que busque um profissional capacitado e experiente, que atue com este tipo de terapia. Outras terapias podem funcionar também, pois a DBT não é a única abordagem para tratamento da TPB, mas, certamente, é a que tem propiciado os melhores resultados terapêuticos.
Perguntas frequentes
-
Comecei a tomar amplictil com depakene a3dias e estou sentindo muita dor de cabeça por que?
Olá. Como vai? Pode haver relação com o início do tratamento. A cefaleia…