Perguntas do paciente (18)

  • Como a psicanálise compreende a falha de pertencimento no Transtorno de Personalidade Borderline (TP

    Como a psicanálise compreende a falha de pertencimento no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Gabriel Gonçalves Guimarães

    A psicanálise compreende a falha de pertencimento no TPB a partir de conflitos inconscientes que se perpetuam na formação do sujeito e de sua história. O relato frequente do vazio crônico é uma dimensão conflitual entre a necessidade intensa de vínculos com a angústia frente ao desamparo inerente dessas relações. Pensamos ainda em alguns processos de construção internos de objetos psíquicos que foram criados ao longo da história do sujeito que podem indicar uma cisão na formação da identidade e da dimensão imaginária. Óbvio que isso são apenas apontamentos possíveis e que cada caso de TPB é um caso singular.


  • Estou passando pelo primeiro luto significativo da minha vida, primeira vez que perco alguém com gra

    Estou passando pelo primeiro luto significativo da minha vida, primeira vez que perco alguém com grande vínculo, que no caso foi a minha gatinha de 13 anos...a dor é tão dilacerante, que simplesmente não consigo suportar. Sinto muitas culpas, pelas decisões tomadas sobre os tratamentos, pelo tempo que não curti ela porque estava envolta em problemas do cotidiano, embora cuidei, amei, fiquei muito com ela, sinto que ainda sim, foi pouco, que eu era muito mas muito feliz com ela, eu tinha tudo, e agora ela se foi, a nova realidade me assola de tristeza, nunca mais terei a felicidade com ela. Não sei como lidar com tudo isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Gabriel Gonçalves Guimarães

    Primeiramente, sinto muito pela sua perda. O luto é um processo volúvel, de idas e vindas; e geralmente é um processo longo. Procure ajuda profissional para lidar com esses sintomas. Ao longo de um processo terapêutico ou analítico novos modos de se relacionar com o luto e de lidar com ele começam a ser formados.


  • Morder o próprio lábio é classificado como automutilação? Eu faço isso como uma forma de distração p

    Morder o próprio lábio é classificado como automutilação? Eu faço isso como uma forma de distração para minha ansiedade e falta de motivação/ânimo dessa vida. Normalmente automutilação é tratado pelas pessoas apenas como cortes, as vezes queimaduras voluntárias, mas eu queria saber sobre uma perspectiva profissional como esse ato em específico é classificado.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Gabriel Gonçalves Guimarães

    Podemos considerar o morder o próprio lábio como um ato de automutilação, a depender também da intensidade e da contextualização desse ato. É necessário passar por uma avaliação profissional desse sintoma em um acompanhamento terapêutico. Não necessariamente automutilação são apenas cortes ou queimaduras.


  • Como o psicoterapeuta deve lidar com dependência emocional na aliança terapêutica?

    Como o psicoterapeuta deve lidar com dependência emocional na aliança terapêutica?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Gabriel Gonçalves Guimarães

    É uma ótima pergunta e levanta algumas considerações complexas. Na psicanálise, temos o desenvolvimento da noção de mãe suficientemente boa de Winnicott para pensar fatores de desenvolvimento emocional. Essa é uma dinâmica em que a pessoa que cuida é capaz de suportar os afetos da pessoa cuidada e gradualmente apresenta frustrações suportáveis para o desenvolvimento da autonomia. O mais indicado para se lidar com dependência emocional na aliança terapêutica parte da prerrogativa de oferecer suporte e segurança, mas direcionar o tratamento para o desenvolvimento da autonomia do atendido, através de mudanças graduais.


  • Por que o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é considerado um transtorno de alta gravidade

    Por que o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é considerado um transtorno de alta gravidade?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Gabriel Gonçalves Guimarães

    O TPB possui significativo impacto nas relações afetivas e nas atividades da vida cotidiana. Podemos considerar que sem um tratamento e acompanhamento adequada, há aumento das chances de tomadas de decisões prejudiciais influenciadas pela condição do transtorno. Além de, em alguns casos, poder apresentar risco de vida para si próprio. Por isso, o devido acompanhamento com equipe multiprofissional é recomendado para aumento da qualidade de vida e bem-estar.


  • 4. O que é a "transferência" e como ela pode ser trabalhada no vínculo terapêutico de Transtorno de

    4. O que é a "transferência" e como ela pode ser trabalhada no vínculo terapêutico de Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Gabriel Gonçalves Guimarães

    A transferência é um fenômeno da clínica psicanalítica em que determinadas relações de objeto e manifestações psíquicas são atualizadas na relação entre analisando e analista. Podemos pensar esse aspecto no trabalho de vínculo no TPB com o ponto da construção de um setting seguro para manifestações inconscientes em que as relações de objeto sejam atualizadas, revividas e elaboradas. O processo de elaboração auxilia na formulação de novos benefícios para o sujeito em sua relação com o mundo, em que a falta e o desamparo possam ser considerados e vivenciados de maneira mais saudáveis.


  • Como trabalhar a transferência negativa no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?

    Como trabalhar a transferência negativa no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Gabriel Gonçalves Guimarães

    Consideramos a transferência negativa como uma manifestação que pode ocorrer durante um processo de análise, mas que apresenta prejuízos para progressão dessa. Trabalhar a transferência negativa no TPB significa abordar a questão do vínculo diretamente com finalidade de interpretação da transferência negativa e da construção de novos pontos de vinculação e aliança terapêutica, visando favorecer uma transferência adequada para realização do trabalho.


  • O que é hiperfoco e como ele se relaciona com o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?

    O que é hiperfoco e como ele se relaciona com o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Gabriel Gonçalves Guimarães

    Na psicanálise, compreendemos o hiperfoco como uma fixação do investimento psíquico/libido em determinado objeto, pensamento ou conflito. Considerando o TOC, Sigmund Freud sinalizava que a mente pode ficar aprisionada em ciclos de dúvida, controle e atos, visando neutralizar uma determinada angústia. O pensamento obsessivo tende a funcionar como uma tentativa de dominar conflitos inconscientes por meio da intelectualização, da repetição e da garantia de uma certeza absoluta.


  • O objetivo do psicologo(a) e mudar a forma de pensar do paciente ou tem nada ver ?

    O objetivo do psicologo(a) e mudar a forma de pensar do paciente ou tem nada ver ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Gabriel Gonçalves Guimarães

    Não é o objetivo principal. Pode ocorrer principalmente em algumas abordagens da psicologia, como a TCC que tem um foco maior em crenças existentes no quadro. Podemos dizer que o objetivo em si é alteração do quadro de sofrimento inicial.


  • Um psicanalista pode receitar ansiolíticos e/ou antidepressivos? Obrigado.

    Um psicanalista pode receitar ansiolíticos e/ou antidepressivos?

    Obrigado.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Gabriel Gonçalves Guimarães

    Olá. Apenas se ele tiver a formação, o registro e estiver atuando enquanto médico-psiquiatra. Um psicanalista por si só não receita medicações.


  • Por favor algum médico me ajuda.Estou grávida e estou com depressão e com muito medo por favor.

    Estou grávida e estou com depressão. Devo procurar algum especialista para obter alguma ajuda?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Gabriel Gonçalves Guimarães

    É extremamente recomendado no seu caso. Associações entre depressão e gravidez são muito comuns e o acompanhamento o quanto antes ajuda a intervir e prevenir possíveis complicações afetivas e psicológicas no futuro.


  • Por que eu tenho ansiedade se eu não tenho motivos pra estar ansiosa? Isso é um defeito da pessoa me

    Por que eu tenho ansiedade se eu não tenho motivos pra estar ansiosa? Isso é um defeito da pessoa mesmo? Pelo o que ela pode ser causada?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Gabriel Gonçalves Guimarães

    Bom dia. Muitas vezes as causas das nossas manifestações psíquicas estão no inconsciente, de difícil percepção por nós mesmos. Não é um defeito da pessoa, mas uma condição de saúde que precisa ser cuidada. Assim como nosso corpo manifesta efeitos, a mente também o faz. Pode ter uma causa inconsciente na sua vivência.


  • Bom dia! A ansiedade deixa a gente como se tivesse com uma bola na garganta?

    Bom dia!
    A ansiedade deixa a gente como se tivesse com uma bola na garganta?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Gabriel Gonçalves Guimarães

    Bom dia! A ansiedade costumeiramente apresenta sintomas físicos, como por exemplo esse de sentir entalação na garganta. Seria interessante investigar mais a fundo como se dá esse sintoma de "uma bola na garganta". Em uma psicanálise investigaríamos as associações e as causas inconscientes desse sintoma.


  • Não sou gay mas tenho dificuldade em falar com mulheres, que tipo de ajuda vocês indicam?

    Não sou gay mas tenho dificuldade em falar com mulheres, que tipo de ajuda vocês indicam?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Gabriel Gonçalves Guimarães

    Recomendo uma psicanálise para analisar os papéis e as identificações apresentadas ou não referente a mulheres. É possível que haja algum conteúdo inconsciente que esteja influenciado na dificuldade. Também é possível que você trabalhe isso na TCC no sentido dos comportamentos condicionados e das crenças envolvidas. São duas perspectivas de trabalho diferentes, mas que podem auxiliar no seu caso.


  • A depressão pode afetar o raciocínio (a capacidade de pensar com clareza nas coisas)?

    A depressão pode afetar o raciocínio (a capacidade de pensar com clareza nas coisas)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Gabriel Gonçalves Guimarães

    A depressão é um quadro que afeta o nível de energia disponível tanto psiquicamente quanto fisicamente. Devido a isso, pode sim afetar o raciocínio, no sentido de economia de energia. Não é regra, mas pode acontecer.


  • Boa tarde! Tenho sofrido de uma ansiedade severa. Porém, não sei se é sobre só ansiedade ou estresse

    Boa tarde! Tenho sofrido de uma ansiedade severa. Porém, não sei se é sobre só ansiedade ou estresse. Como faço para fazer uma avaliação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Gabriel Gonçalves Guimarães

    Olá, boa tarde. Primeiramente, é interessante você consultar um especialista na área, como um médico-psiquiatra ou psicólogo, a fim de avaliar (seja por realização formal de avaliação/testagem ou de processo terapêutico) quais são os sintomas de ansiedade apresentados e em que medida estão associados ao estresse. É muito comum haver associação entre os dois, principalmente em alguns quadros psicopatológicos.


  • É possível desenvolver autoestima após adulto (+40 anos)?

    É possível desenvolver autoestima após adulto (+40 anos)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Gabriel Gonçalves Guimarães

    É extremamente possível. Por mais que pensemos que em determinadas etapas da vida há pouca mobilização de mudança para alguns aspectos da nossa vida afetiva e mental, nossa psiquê é extremamente plástica e possível de mudança com o acompanhamento adequado. Seria interessante um trabalho terapêutico que pense como essa autoestima foi construída ao longo do tempo e como ela está repercutindo atualmente no seu cotidiano.


  • Tive uma crise de ansiedade em novembro e procurei um psiquiatra que desde então me passou Sertralin

    Tive uma crise de ansiedade em novembro e procurei um psiquiatra que desde então me passou Sertralina pela manha e Rivotril à noite. Me dei bem logo de início, sem efeitos colaterais. Mas, em dezembro a minha mãe tentou suicídio e eu consegui evitar. Lidei bem com a situação até duas semanas atrás. De duas semanas para cá, não tenho ânimo para fazer nada, estou muito para baixo e confusa. Voltei ao Psiquiatra e ele me indicou fazer terapia...confesso que não tenho vontade alguma. Não tive experiências boas com terapeutas passados...então, não sei o que fazer, porque a medicação não está me ajudando mais...

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Gabriel Gonçalves Guimarães

    Encontrar um psicoterapeuta ou um analista adequado é uma tarefa que pode ser árdua. Para o trabalho ser frutífero e proveitoso é importante ter um processo de transferência com o profissional, e nem sempre isso ocorre de imediato. É recomendado que você inicie com um profissional que te cause interesse e que te mobilize afetivamente.


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