Perguntas do paciente (47)

  • Por que eu tenho ansiedade se eu não tenho motivos pra estar ansiosa? Isso é um defeito da pessoa me

    Por que eu tenho ansiedade se eu não tenho motivos pra estar ansiosa? Isso é um defeito da pessoa mesmo? Pelo o que ela pode ser causada?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Gislaine Lobo

    A ansiedade não é um “defeito” da pessoa. Os transtornos mentais têm causa multifatorial, o que significa que surgem pela combinação de diferentes fatores, e não por algo que você fez ou deixou de fazer.

    Falamos de três grupos principais de influências.

    Fatores biológicos: funcionamento dos neurotransmissores, histórico familiar de transtornos ansiosos, alterações hormonais e características próprias do sistema nervoso que tornam algumas pessoas mais reativas ao estresse.

    Fatores psicológicos: padrões de pensamento que reforçam preocupação, necessidade de controle, medo de falhar, história pessoal marcada por experiências estressoras, críticas ou insegurança na infância e adolescência.

    Fatores ambientais: rotina sobrecarregada, pouco descanso, conflitos familiares ou profissionais, excesso de responsabilidades e períodos prolongados de estresse.

    Em muitos casos, a pessoa realmente diz não ter “motivo” para sentir ansiedade, mas isso acontece porque o corpo já está funcionando em estado de alerta, mesmo sem uma ameaça real presente. É uma resposta desregulada do organismo, e não um sinal de fraqueza.

    O tratamento recomendado combina acompanhamento psicológico, que ajuda a modificar padrões de pensamento e reduzir a reatividade, e, quando necessário, avaliação psiquiátrica para o uso de medicação que estabilize o sistema nervoso. Hábitos como sono regular, atividade física e redução de estimulantes também contribuem muito. Com esse conjunto de cuidados, a ansiedade se torna mais previsível e administrável.


  • Autoestima baixa pode significar depressão? Para aumentar a autoestima o que pode ser feito?

    Autoestima baixa pode significar depressão? Para aumentar a autoestima o que pode ser feito?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Gislaine Lobo

    A baixa autoestima pode aparecer em vários contextos, mas quando ela se mantém por semanas ou meses, acompanhada de perda de interesse, cansaço intenso, alterações de sono, dificuldade de concentração e sentimentos de inutilidade, pode ser um dos sinais associados a um quadro depressivo. Não significa, por si só, que a pessoa está com depressão, mas é um ponto de atenção importante.

    Para fortalecer a autoestima, trabalhamos em diferentes níveis. Na terapia, investigamos pensamentos automáticos negativos, crenças rígidas sobre valor pessoal e padrões de comparação que alimentam a autocrítica. Também ajudamos a pessoa a desenvolver habilidades de autorreforço, reconhecer pequenas conquistas e ampliar comportamentos que geram senso de competência.

    Além disso, organizar uma rotina com autocuidado básico, sono regular, atividade física e pequenas metas realistas contribui para a percepção de eficácia e estabilidade emocional. Em casos em que há suspeita de depressão, é fundamental uma avaliação com psicólogo ou psiquiatra para definir o melhor tratamento e evitar que o quadro se agrave.


  • não consigo conversar com a minha mulher, parece que não tenho assunto, e quando ela fala eu estou n

    não consigo conversar com a minha mulher, parece que não tenho assunto, e quando ela fala eu estou no mundo da lua e sempre falo algo que não tem nada a ver com oque que ele falou ou mudo de assunto ou fico desligado do mundo. que posso fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Gislaine Lobo

    O que você descreve pode acontecer por vários motivos, desde dificuldade de atenção até sinais de estresse elevado, fadiga mental ou problemas na dinâmica do casal. Quando a mente está sobrecarregada, é comum “desconectar” durante conversas importantes, interromper com temas aleatórios ou ter dificuldade de manter o foco no que o outro diz.

    Um primeiro passo é observar em quais momentos isso acontece e se há fatores como cansaço, irritabilidade, ansiedade ou falta de tempo de qualidade juntos. Criar pequenos rituais de conversa sem distrações ajuda muito: celular afastado, ambiente tranquilo e períodos curtos de diálogo em que você se compromete a estar presente.

    Se essa dificuldade é frequente ou está afetando o relacionamento, vale buscar uma avaliação clínica com psicólogo para entender se há questões de atenção, estresse crônico ou padrões de comunicação que precisam ser trabalhados. A terapia de casal também pode ajudar a reorganizar a forma de conversar, melhorar a escuta e reconstruir conexão.


  • Boa tarde! Tenho sofrido de uma ansiedade severa. Porém, não sei se é sobre só ansiedade ou estresse

    Boa tarde! Tenho sofrido de uma ansiedade severa. Porém, não sei se é sobre só ansiedade ou estresse. Como faço para fazer uma avaliação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Gislaine Lobo

    Boa tarde.

    Quando falamos em ansiedade intensa, é comum que ela se confunda com manifestações de estresse crônico, porque ambas compartilham sintomas como irritabilidade, tensão muscular, dificuldade de concentração, alterações de sono e sensação de alerta constante.

    Do ponto de vista clínico, utilizamos critérios do DSM-5-TR para diferenciar quadros, observando elementos como:

    - persistência dos sintomas (ansiedade presente na maior parte dos dias por semanas ou meses);
    - evitação de situações por medo ou desconforto;
    - sintomas físicos como taquicardia, sudorese, tremores, dispneia;
    - preocupação excessiva e difícil de controlar;
    - impacto funcional na rotina, no trabalho e nos relacionamentos.

    Já o estresse costuma estar mais associado a uma sobrecarga objetiva demandas elevadas, falta de recuperação, exaustão emocional e pode evoluir, inclusive, para quadros ansiosos quando se mantém por tempo prolongado.

    Para diferenciar com precisão, é imprescindível uma avaliação clínica individualizada, realizada por psicólogo(a) ou psiquiatra, que investigará histórico, contexto, sintomas e intensidade, definindo se há um transtorno de ansiedade, estresse crônico ou ambos coexistindo.

    Esse é o primeiro passo para um plano terapêutico baseado em evidências e para que você receba o cuidado adequado.


  • Sou depressiva e as vezes me sinto estranha,será que um dia voltarei a ser normal, mal posso sair de

    Sou depressiva e as vezes me sinto estranha,será que um dia voltarei a ser normal, mal posso sair de casa que fico ruim parece que vol desmaia. Sinto meu coração apertando como se eu Foce morrer,mais o médico diz que é ansiedades .já não agüento mais viver com medo me ajudem. Oque posso fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Gislaine Lobo

    Entendo o quanto isso é angustiante. Quando sintomas depressivos e ansiosos aparecem juntos, o corpo realmente reage de forma muito intensa: sensação de desmaio, coração acelerado, aperto no peito, medo de morrer, fraqueza nas pernas e vontade de evitar sair de casa. Esses sintomas são comuns em quadros de ansiedade severa, especialmente quando há crises de pânico associadas, e eles podem coexistir com a depressão.

    O fato de você estar se sentindo “estranha” não significa que não há saída. Esses sintomas são tratáveis e costumam melhorar muito quando a pessoa recebe o acompanhamento adequado.

    Alguns passos importantes:

    Avaliação psiquiátrica regular: Ajustes na medicação são fundamentais para estabilizar tanto o humor quanto a ansiedade. Quando a ansiedade está muito alta, o corpo interpreta situações comuns como ameaças, e isso provoca as sensações físicas que você descreveu.

    Psicoterapia: Na Terapia Cognitivo-Comportamental trabalhamos a compreensão das crises, o reconhecimento dos sinais precoces, a regulação da respiração, a redução de pensamentos catastróficos e estratégias graduais para retomar atividades que hoje provocam medo.

    Manejo fisiológico da ansiedade: Técnicas de respiração, exposição gradual a sair de casa com segurança, sono regular e redução de cafeína podem ajudar a diminuir o nível de alerta do corpo.

    Evite enfrentar isso sozinha. A sensação de “não vou voltar a ser normal” é muito comum em momentos de piora, mas ela não descreve a realidade do tratamento. A grande maioria das pessoas melhora quando o cuidado certo é implementado de forma contínua.

    Se os sintomas estão tão intensos que você sente que vai desmaiar ou perder o controle, procure atendimento psicológico e retorne ao psiquiatra para reavaliar o tratamento. Há caminhos eficazes, e você não precisa suportar isso sozinha.


  • Como superar os pensamentos intrusivos? Chegaram desde a gravidez e não sei oque fazer!

    Como superar os pensamentos intrusivos?
    Chegaram desde a gravidez e não sei oque fazer!

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Gislaine Lobo

    Pensamentos intrusivos são comuns no período da gravidez e do pós-parto, porque o corpo passa por mudanças hormonais importantes que deixam o sistema nervoso mais sensível ao estresse, ao medo e à hiperresponsividade. Eles surgem de forma automática, sem que a pessoa queira, e costumam gerar culpa e vergonha, mas não significam que você concorda com aquilo que pensa.

    Para lidar com eles, trabalhamos algumas estratégias: reconhecer que são pensamentos automáticos e não fatos, reduzir a tentativa de “expulsá-los”, praticar respiração para diminuir a ativação fisiológica e organizar rotinas de descanso que ajudem a estabilizar o corpo.

    Se esses pensamentos estão frequentes, gerando sofrimento, medo de ficar sozinha, prejuízo no cuidado com o bebê ou impacto no seu dia a dia, é importante buscar avaliação com psicólogo e, se necessário, com psiquiatra. Pensamentos intrusivos têm tratamento e tendem a melhorar muito com acompanhamento profissional.


  • Como posso melhorar da depressão, existe cura? sou bipolar há 20 anos.

    Como posso melhorar da depressão, existe cura? sou bipolar há 20 anos.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Gislaine Lobo

    Quando falamos em transtornos do humor, incluindo a transtorno bipolar, o objetivo clínico não é “cura” no sentido tradicional, mas sim remissão dos sintomas, estabilização do humor e manutenção da qualidade de vida ao longo do tempo.

    Com um tratamento estruturado e contínuo, é absolutamente possível viver com estabilidade, construir rotina, manter relações e trabalhar mesmo após muitos anos de diagnóstico.

    O manejo baseado em evidências envolve três frentes essenciais:

    - Tratamento medicamentoso
    - Acompanhamento psiquiátrico regular para ajuste de estabilizadores de humor e outros medicamentos necessários conforme cada fase (depressiva, hipomaníaca ou eutímica).

    - Psicoterapia: A Terapia Cognitivo-Comportamental e outras abordagens contemporâneas oferecem estratégias para: reconhecer sinais precoces de mudança de humor, organizar rotina, manejar pensamentos depressivos, prevenir recaídas e fortalecer habilidades de enfrentamento.

    - Higiene do sono e rotina saudável: Em transtornos de humor, o ciclo sono-vigília é um dos principais reguladores emocionais. Sono regular, atividade física, alimentação organizada e redução de álcool e estimulantes têm efeito direto na estabilidade.

    Com essa combinação (medicação, psicoterapia e hábitos regulados) observamos alta taxa de remissão sustentada, menos oscilações e muito mais previsibilidade no dia a dia.

    Ou seja: sim, é possível melhorar significativamente e viver com qualidade, mesmo com diagnóstico de bipolaridade. O ponto de partida é estar acompanhado por profissionais especializados e construir um plano terapêutico contínuo.


Perguntas frequentes

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