Perguntas do paciente (8)

  • Seria proveitoso para uma pessoa de 75 anos de idade iniciar psicoterapia?

    Seria proveitoso para uma pessoa de 75 anos de idade iniciar psicoterapia?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Guilherme Barati

    Muito. Tem aparecido cada vez com mais frequência pacientes acima dos 70 anos. Pra psicanálise, o desejo não envelhece, ao contrário do corpo. Há sempre algo que, enquanto estivermos vivos, nos falta, pulsa, impulsiona... Uma conversa com alguém querido que ainda não tivemos, um lugar que ainda não fomos, enfim, algo que ainda não foi dito, feito, sentido. Quanto aos limites, todas as idades tem os seus. E em cada uma delas podemos usar uma justificativa para nossa inércia: ora falta tempo, dinheiro, ora falta disposição... E é tarefa do analista escutar o que sujeito pode fazer, considerando os limites e perspectivas daquela fase da sua vida, e buscar, na capacidade de desejar, a força que lhe daria vitalidade e sentido para seguir.


  • Como saber se tenho síndrome de ansiedade ou síndrome do pânico?

    Como saber se tenho síndrome de ansiedade ou síndrome do pânico?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Guilherme Barati

    O pânico aparece de repente, pega o paciente de surpresa. Ele está num dia normal e sem uma causa legível, começa a ter sintomas físicos como taquicardia, sensação de desmaio, tontura, formigamentos. É comum o paciente não reconhecer a natureza emocional do problema, pois se manifesta em sintomas corporais, e, muitas vezes, ele vai parar no pronto socorro geral.
    Já a Síndrome de Ansiedade como você chamou, ou Transtorno de Ansiedade Generalizada, vem como um desconforto psíquico persistente, sob a forma de preocupação, ou seja, há um sentimento de tensão constante de algo ruim pode acontecer. A natureza psíquica fica mais clara do que no caso do pânico, que se manifesta no corpo.
    Embora tragam muito sofrimento e deem a sensação de algo grave, o tratamento conjunto com o psicólogo e o médico trazem resultados relativamente rápidos em ambos os casos. Geralmente se usam antidepressivos (Inibidores de recaptação de serotonina) no caso médico. Já no campo da psicoterapia, fazemos um trabalho de colocar em palavras e organizar o turbilhão de sentimentos e afetos que estão acumulados, represados, sem direção. Abrimos um espaço para que eles sejam expressados e tenham suas soluções endereçadas, uma a uma. A ansiedade e o pânico são patolgias do mundo acelerado em que vivemos, não permitindo que as pessoas simbolizem suas experiências e se posicionem diante delas. A vida vai parecendo um rolo compressor em que a pessoa se sente levada, sem controle do que acontece. A psicoterapia vai devolver ao paciente a capacidade de se colocar mais ativamente diante das demandas dos outros, situando-o a partir do próprio desejo, tornando-o menos desamparado diante de um mundo caótico, imediatista e exigente.


  • Gostaria de uma indicação para um especilista em tratamento para agressor ( violência contra mulher).? Regiao

    Gostaria de uma indicação para um especilista em tratamento para agressor ( violência contra mulher).?
    Regiao São Paulo.

    Agradeço muito se alguém puder ajudar!

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Guilherme Barati

    Profissionais da área de psicologia de diferentes abordagens e que tratem adultos podem atendê-lo. O importante é que ele vá e se sinta acolhido por quem o tratar. No meu trabalho com violência doméstica buscávamos sensibilizar os profissionais de saúde mental para o seu papel que deve ser diferenciado do judiciário. Não nos cabe julgar, mas acolher e tratar. O tratamento só vai realmente acontecer se houver vínculo de confiança e que permita o paciente falar sem ser corrigido ou culpado a priori. É a qualidade deste vínculo que vai possibilitar ao paciente a reflexão sobre seus atos, enfim vai levá-lo a se perguntar o por quê de recorrer a agressão. Outro fator importante a considerar é que tal vínculo só vai acontecer se ele de fato quiser se tratar e se tal situação lhe trouxer sofrimento. O tratamento irá na direção de abordar o que acontece nos momentos de conflito e da possibilidade de elaboração da agressividade no domínio do pensamento e da fala e não mais da ação.


  • Por que me apaixono por pessoas que não tenho contato e mal conversamos?

    Por que me apaixono por pessoas que não tenho contato e mal conversamos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Guilherme Barati

    A paixão parte sempre de uma idealização. Reconhecemos um traço no objeto da paixão que por ser imaginariamente tão grandioso, haveria de completar todas as faltas. Ora isso só é possível quando o objeto está distante, pois a convivência do dia a dia geralmente nos aproxima do que a pessoa realmente é e com isso a paixão vai se enfraquecendo, transformando -se em algo mais leve ou desaparecendo por completo. Repare que todo o drama amoroso dos filmes, novelas e livros falam da impossibilidade, de desafios; de dificuldades que tornam a realização duvidosa e objeto de uma luta incessante. Um processo psicoterapeuta pode lhe ajudar a decidir se deseja sair da fantasia do amor, ou seja de um amor platônico; para a realização dele na realidade. Muitas pessoas preferem imaginar o amor a vive-lo, pois a realidade traz alegrias como decepções. Viver uma paixão da trabalho e há de se pensar se deseja fazê-lo! Não existe certo ou errado neste campo. O seu caminho será escrito por vc


  • Sofri decepções em relacionamentos e fiquei com ansiedade e fobia das pessoas, evito sair com amigos,

    Sofri decepções em relacionamentos e fiquei com ansiedade e fobia das pessoas, evito sair com amigos, o que devo fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Guilherme Barati

    A relação com as pessoas é uma das principais fontes de sofrimento . Freud já dizia isso em 1929 em "O mal-estar na civilização". Muitas vezes, os conflitos e desapontamentos representam tarefas impossíveis para nossa capacidade de elaboração, tornam-se traumáticos e trazem como resposta sintomas intensos como estes que você relata. Se for intenso demais e em longo prazo de tal forma que lhe impede de seguir adiante, vale procurar um psiquiatra, além do psicólogo.
    Caso seja recente, pode ser que ainda não tenha sido possível fazer o luto das expectativas que foram depositadas, das culpas que são atribuídas a cada um e, também, da revisão das feridas narcísicas sofridas, que muitas vezes, as pessoas nomeiam como queda da auto-estima. O processo analítico pode ajudar o trabalho de elaboração, revisitando a história desta decepção e apontando possibilidades de mudança de posicionamentos, de tal forma que se faça novas apostas e se passe da desistência do desejo para a reinvenção


  • Há um mês comecei a ter a síndrome do pânico. Meu psiquiatra receitou a Sertralina, tomo há 10 dias.

    Há um mês comecei a ter a síndrome do pânico. Meu psiquiatra receitou a Sertralina, tomo há 10 dias. O problema é que não me sinto mais a mesma, pois parece que fiquei lesada. Há possibilidade da síndrome ter me deixado com sequelas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Guilherme Barati

    Tenho escutado isso (o medo de sequelas) de alguns pacientes que chegam ao consultório depois de ter o primeiro episódio de pânico. O receio de um dano não reparável pode vir da intensidade da angústia vivida, que tão de tão intensa, divide a vida entre um antes e um depois. Mas de fato, não há uma sequela. A medicação ainda está em fase de adaptação e muitas vezes os pacientes relatam sintoma físicos que apesar de leves, "lembram" o momento da crise. Muitas vezes, eles ainda estão iniciando a medicação, sentem-se vulneráveis e qualquer sensação corporal, muitas vezes as mais simples e comuns são vistas como uma possível sinal de nova crise. Quando o paciente ainda está nos primeiros 20 dias de adaptação ao remédio, cabe ao psicólogo criar um clima de apoio e ajudá-lo a diferenciar as sensações desagradáveis, dando nomes a ela. Também cabe trabalhar o paciente para que assuma posição ativa no tratamento, comunicando sua dúvidas e desconfortos com seu médico.


  • Ficar obcecado por uma pessoa pode ser um transtorno?

    Ficar obcecado por uma pessoa pode ser um transtorno?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Guilherme Barati

    Nem sempre. A experiência de estar apaixonado traz componentes obsessivos. O apaixonado praticamente pensa o tempo inteiro e de forma incontrolável em uma pessoa, tendo até dificuldades de levar sua vida cotidiana. A literatura e arte retratam os sofrimentos amorosos como marca da humanidade e de uma importante e inesquecível experiência. No entanto, se isso continua por um longuíssimo tempo, muito intensamente e prejudica fortemente o trabalho, a saúde, aí sim pode se tornar um transtorno. Geralmente, isso vai ao encontro de uma predisposição que a pessoa tinha de ficar preso a um pensamento. E possivelmente a experiência de conhecer alguém que possuía uma característica fortemente relacionada ao seu desejo e sua história afetiva acabou por desencadear sintomas mais intensos. Portanto, é a intensidade, o tempo em que se dá e uma certa predisposição é que vão configurar um transtorno. Nem todas as experiências relacionais marcantes e sofridas o são.


  • A sindrome do pânico aumenta a pressão arterial?

    A sindrome do pânico aumenta a pressão arterial?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Guilherme Barati

    Sim, em alguns casos a síndrome do pânico causa elevação da pressão arterial. Não por acaso, muitos pacientes vão parar no pronto socorro, suspeitando de um mal cardíaco. Os médicos fazem exames e não encontram causa física. Por ser uma síndrome, os sintomas são inespecíficos, não uniformes e, portanto, às vezes o paciente não sabe o que está ocorrendo. É válido a partir da primeira crise se identificar como o pânico se manifesta naquela pessoa, pois os sintomas se articulam com suas predisposições corporais. Assim, se já se tem propensão a pressão alta é bem possível que ela aconteça. É frequente formigamento, tontura, náusea, vômitos, tremor, variações da temperatura, calafrios e medo de morrer. Inicia-se com a sensação de perigo iminente do qual se deve fugir. A relação com o coração se dá porque a mente envia mensagem de alarme, descarrega-se adrenalina, acelera-se o coração, e, assim os músculos recebem sangue e ficam aptos a agir. É uma reação de defesa tão intensa que falha.


Perguntas frequentes

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