Perguntas do paciente (3)
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Há alguns anos cometi uma infidelidade no meu relacionamento. Meu parceiro soube de tudo na época, n
Há alguns anos cometi uma infidelidade no meu relacionamento. Meu parceiro soube de tudo na época, nós conversamos sobre o assunto e ele decidiu me perdoar. No entanto, eu não consigo me perdoar. Frequentemente surgem lembranças daquele período, acompanhadas de culpa e remorso intensos. Mesmo já tendo contado o que aconteceu, sinto uma necessidade constante de voltar ao assunto e confirmar se ele realmente me perdoa, como se eu precisasse repetir a história ou acrescentar detalhes para ter certeza disso. Essa necessidade me causa muito sofrimento. Isso pode estar relacionado à ansiedade ou ao TOC? É possível superar essa culpa e essa necessidade de buscar confirmação?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Obrigado por compartilhar algo tão pessoal e delicado. O que você descreve é realmente sofrido e merece reflexão atenta.
Sim, tanto a ansiedade quanto padrões obsessivos podem estar presentes naquilo que você relata. A busca repetida por confirmação é um comportamento que frequentemente acompanha a ansiedade e pode ter características obsessivas. No entanto, é importante não pensarmos apenas em "TOC" ou "ansiedade" de forma isolada.
Do ponto de vista psicanalítico, o que você descreve também sugere algo mais profundo: a culpa que você diz carregar pode estar relacionada não apenas ao ato em si, mas ao significado inconsciente que a infidelidade tem para você. A dificuldade em se perdoar, mesmo tendo recebido o perdão do seu parceiro, indica que há algo em você que não acredita que merece ser perdoado. Essa descrença muitas vezes tem raízes em aspectos inconscientes sobre merecimento, autoestima ou vivências anteriores.
A repetição compulsiva de contar e pedir confirmação pode ser uma tentativa de resolver internamente algo que não foi realmente elaborado psiquicamente. É como se você buscasse externamente o que não consegue dar a si mesmo internamente.
A boa notícia: Sim, é absolutamente possível superar isso. Mas isso exige mais do que apenas conversar sobre o fato, exige um trabalho de compreensão mais profunda sobre por que essa culpa permanece tão viva e por que você não consegue se perdoar.
Recomendo um processo terapêutico ou psicanalítico onde você possa explorar essas questões.
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"Como as comorbidades do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) se relacionam com déficits em
"Como as comorbidades do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) se relacionam com déficits em funções executivas, controle inibitório, processamento emocional, tomada de decisão e cognição social?"
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) frequentemente ocorre em conjunto com outros transtornos, como depressão, ansiedade, TDAH, uso de substâncias e transtornos alimentares. Essas comorbidades podem intensificar dificuldades em funções executivas (planejamento e organização), controle dos impulsos, regulação emocional, tomada de decisão e cognição social (interpretação de emoções e intenções dos outros).
No entanto, é importante destacar que esses prejuízos variam de pessoa para pessoa e não decorrem apenas do TPB, mas também da interação entre as comorbidades, a história de desenvolvimento e o estado emocional do indivíduo. Por isso, uma avaliação psicológica cuidadosa é fundamental para compreender o funcionamento de cada paciente e direcionar um tratamento adequado.
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Por que pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) podem interpretar neutralidade como
Por que pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) podem interpretar neutralidade como rejeição?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Do ponto de vista kleiniano, o paciente borderline tende a operar a partir de um objeto interno predominantemente persecutório ou abandonante. Diante de experiências ambíguas, especialmente da neutralidade do outro, não encontra um espaço para dúvida, mas uma confirmação de expectativas já inscritas em sua história objetal. A neutralidade é frequentemente vivida como repetição de uma ausência afetiva primária, marcada pela indisponibilidade emocional e pela falta de reconhecimento.
Nesse contexto, a identificação projetiva ocupa papel central: estados de abandono, rejeição e desamparo são projetados no objeto, que passa a ser percebido como portador dessas qualidades. A postura neutra favorece esse processo por oferecer poucos elementos que contradigam a projeção. Na transferência, o abandono não se apresenta como lembrança, mas como experiência atualizada, expressão da compulsão à repetição descrita por Freud. Por essa razão, a neutralidade técnica, quando aplicada de forma rígida, pode reforçar vivências traumáticas. Com esses pacientes, a presença afetiva reconhecível do analista constitui parte fundamental do enquadre terapêutico, sem que isso implique abandono da função analítica.
Perguntas frequentes
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Estou querendo tomar chá de unha de gato e uxi amarelo porem tomo sertralina. Posso tomar ?
Não existem estudos clínicos de boa qualidade que garantam a segurança da…