Perguntas do paciente (29)

  • Tenho pavor de interagir com as pessoas. Na infância, eu era bastante tímida, mas, mesmo assim, cons

    Tenho pavor de interagir com as pessoas. Na infância, eu era bastante tímida, mas, mesmo assim, conseguia conversar, interagir e brincar com as outras crianças. No entanto, na adolescência, essa timidez evoluiu para um medo enorme de interações sociais, e a situação só piorou. Sempre que alguém fala comigo, fico super nervosa, meu coração acelera e sinto vontade de chorar. Acabo gaguejando e não consigo manter contato visual com ninguém porque, ao olhar nos olhos das pessoas, fico nervosa. Quando interajo com os outros por muito tempo, meu medo só aumenta e, após essas interações, me sinto tão mal que choro descontroladamente, me sentindo um lixo. Só de imaginar que preciso me expor ao público, já começo a ter um ataque de ansiedade. Não consigo nem mesmo dar um bom dia a alguém. Para falar qualquer coisa, preciso fazer um esforço enorme. Isso atrapalha muito a minha vida, principalmente na vida profissional. No meu último emprego, infelizmente precisei lidar com o público e foi horrível. Eu tinha que me esforçar muito para não surtar na frente de todo mundo e, quando o expediente acabava, chorava muito, tremia... saía de lá exausta emocionalmente. Queria procurar ajuda, mas tenho medo de que não levem a sério o que sinto e que eu acabe só perdendo tempo e a minha pouca dignidade. Eu sei que não sou a pessoa mais legal e carismática do mundo, mas só queria ser minimamente normal e não ter um ataque toda vez que preciso falar com alguém. Não aguento mais isso. Queria nunca mais ter que falar com ninguém na vida. Queria saber como faço pra me livrar disso, a o especialista de qual área eu preciso recorrer...

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Ivani Benitez Gonsalez

    O sofrimento que você descreve é intenso e merece ser levado a sério. O medo das interações sociais, acompanhado de ansiedade intensa, sintomas físicos e prejuízos na vida profissional e pessoal, não é "falta de jeito" nem algo que você simplesmente precise superar sozinha.

    É importante buscar a avaliação de um psicólogo. Quadros como o seu podem estar relacionados ao transtorno de ansiedade social, mas um diagnóstico só pode ser feito após uma avaliação cuidadosa.

    Na perspectiva psicanalítica, além de aliviar os sintomas, buscamos compreender os significados desse medo e como ele foi se constituindo ao longo da sua história. Entender esses processos pode abrir espaço para formas mais livres de se relacionar consigo mesma e com os outros.

    O fato de você ter medo de não ser levada a sério é compreensível, mas não deixe que esse receio a impeça de procurar ajuda. Seu sofrimento é real, tem tratamento e você não precisa enfrentá-lo sozinha.


  • Tenho dificuldade em entender quando eu cismo de estar certo,me defendendo em opiniões, sempre dando

    Tenho dificuldade em entender quando eu cismo de estar certo,me defendendo em opiniões, sempre dando razão pra mim,acho que já perdi até empregos por não mudar minha opinião em tudo,sinto que isso está me atrapalhando, como posso melhorar isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Ivani Benitez Gonsalez

    Reconhecer esse padrão já é um passo importante. Muitas vezes, a necessidade de estar sempre certo não está relacionada apenas às opiniões em si, mas à dificuldade de lidar com a possibilidade de errar, ser contrariado ou sentir-se vulnerável.

    Na perspectiva psicanalítica, procuramos compreender o que sustenta essa postura e quais funções ela exerce na vida da pessoa. Quando entendemos a origem desses mecanismos, torna-se mais fácil desenvolver uma escuta mais aberta, tolerar diferenças e flexibilizar posições, sem que isso seja vivido como uma ameaça.

    Se esse comportamento tem causado prejuízos nos relacionamentos e no trabalho, a psicoterapia pode ser um espaço valioso para promover essa compreensão e favorecer mudanças consistentes.


  • Quando um casal perde completamente o respeito um pelo outro após anos de conflitos e ofensas, ainda

    Quando um casal perde completamente o respeito um pelo outro após anos de conflitos e ofensas, ainda é possível reconstruir esse respeito do ponto de vista da psicologia?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Ivani Benitez Gonsalez

    Sim, é possível, mas não em todos os casos. Reconstruir o respeito exige que ambos reconheçam o sofrimento envolvido, estejam dispostos a rever suas atitudes e assumam responsabilidade pela forma como se relacionam.

    Na perspectiva psicanalítica, os conflitos repetitivos costumam expressar dinâmicas emocionais mais profundas que, quando não compreendidas, tendem a se repetir. Elaborar essas questões pode abrir espaço para novas formas de diálogo e convivência.

    No entanto, quando não há disposição para a mudança ou quando as ofensas e desrespeitos persistem, também é importante refletir se a manutenção da relação continua sendo saudável para ambos. A psicoterapia, individual ou de casal, pode auxiliar nesse processo de compreensão e decisão.


  • Gostaria de tentar entender o que eu estou sentindo. Tem momentos que sinto uma tristeza a ponto de

    Gostaria de tentar entender o que eu estou sentindo. Tem momentos que sinto uma tristeza a ponto de querer me isolar e choro muito. Não consigo entender de onde vem esse sentimento de tristeza. Estou em um relacionamento que sinto que na hora de expressar meu ponto de vista não sou compreendida ou a sensação que tenho que tenho que pisar em ovos na hora de falar. Já ouve outro episodio de me sentir muita tristeza por meus sentimentos não serem validados. Isso é normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Ivani Benitez Gonsalez

    O que você descreve merece atenção e acolhimento. A tristeza intensa, o desejo de se isolar e a sensação de não ser compreendida podem estar relacionados à forma como você tem vivido suas relações, especialmente quando sente que seus sentimentos não encontram espaço para serem ouvidos e validados.

    Na perspectiva psicanalítica, os afetos têm uma história. Nem sempre conseguimos identificar de imediato a origem do sofrimento, mas ele costuma expressar conflitos e experiências que vão além da situação atual. A psicoterapia pode ajudar a compreender o significado dessa tristeza e por que determinadas situações a afetam de maneira tão profunda.

    Sentir-se repetidamente invalidada em um relacionamento não deve ser encarado como algo "normal". Vale a pena olhar para esse sofrimento com cuidado, para que você possa compreender suas necessidades e encontrar formas mais saudáveis de se posicionar e de se relacionar.


  • Olá! Eu estou ficando um pouco preocupado com a minha situação atual, não para entrar em pânico, mas

    Olá! Eu estou ficando um pouco preocupado com a minha situação atual, não para entrar em pânico, mas estou ficando receoso.

    Eu venho chorando e ficando bem triste por conta de provavelmente nunca poder ter a chance de conhecer um grupo de K-pop que eu construí um Relacionamento Parassocial, e eu não sei se esse sentimento vai se "acalmar", entendo que muito disso é idealização minha da possível interação que aconteceria entre mim e o grupo, mas eu simplesmente não consigo parar de pensar nisso, eu fico mal de verdade, eu me "identifiquei" e me "conectei" tanto com o grupo que eu acho que não consigo mais ignorar isso.

    Vale ressaltar também que a minha vida social no momento está bem parada, isso com certeza acaba intensificando bastante toda essa questão. Será que isso uma hora vai passar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Ivani Benitez Gonsalez

    O que você está sentindo é mais comum do que parece. Relações parassociais podem despertar vínculos afetivos intensos e genuínos, especialmente quando o grupo ou artista representa acolhimento, identificação ou companhia em momentos de maior solidão.

    Na perspectiva psicanalítica, mais importante do que o objeto desse vínculo é compreender o que ele representa para você e quais necessidades emocionais ele está ajudando a preencher. O fato de sua vida social estar mais restrita pode, de fato, intensificar esse investimento afetivo.

    Esses sentimentos tendem a se transformar ao longo do tempo, principalmente quando novas experiências, vínculos e interesses passam a fazer parte da vida. No entanto, se esse sofrimento tem sido intenso, persistente e está interferindo no seu bem-estar, a psicoterapia pode ajudá-lo a compreender esse vínculo e encontrar formas mais satisfatórias de se relacionar consigo mesmo e com os outros.


  • Como a ansiedade interfere na atenção de pacientes com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)?

    Como a ansiedade interfere na atenção de pacientes com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Ivani Benitez Gonsalez

    A ansiedade exerce um papel central no TOC e pode comprometer significativamente a atenção. Quando a mente está tomada por pensamentos obsessivos, preocupações ou pela necessidade de realizar compulsões, torna-se mais difícil manter o foco nas atividades do dia a dia.

    Na perspectiva psicanalítica, os sintomas obsessivos são compreendidos como uma forma de lidar com conflitos psíquicos e com a ansiedade. Por isso, além de aliviar os sintomas, é importante compreender o significado que eles têm para cada pessoa. A psicoterapia pode favorecer esse processo, contribuindo para uma relação menos sofrida com os pensamentos e para uma melhora gradual da capacidade de atenção e da qualidade de vida.


  • A saúde mental pode ser definida apenas pela ausência de transtornos mentais?

    A saúde mental pode ser definida apenas pela ausência de transtornos mentais?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Ivani Benitez Gonsalez

    Não. A saúde mental vai muito além da ausência de transtornos mentais. Ela envolve a capacidade de lidar com as emoções, enfrentar as dificuldades da vida, estabelecer relações satisfatórias e adaptar-se às mudanças, preservando o bem-estar psíquico.

    Na perspectiva psicanalítica, saúde mental não significa estar livre de conflitos, mas poder reconhecê-los, elaborá-los e encontrar maneiras mais saudáveis de lidar com eles. Quando o sofrimento se torna intenso ou persistente, a psicoterapia pode favorecer esse processo, promovendo maior autoconhecimento e qualidade de vida.


  • O que acontece quando emoção e dissimulação entram em conflito?

    O que acontece quando emoção e dissimulação entram em conflito?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Ivani Benitez Gonsalez

    Quando emoção e dissimulação entram em conflito, surge uma tensão entre o que a pessoa sente de forma genuína e o que tenta mostrar ou esconder.
    A emoção tende a se expressar, enquanto a dissimulação exige controle. Isso pode gerar ansiedade, irritação e sensação de incoerência interna. Muitas vezes, o afeto acaba aparecendo de forma indireta, em mudanças de humor ou atitudes contraditórias.
    Esse conflito é comum, mas quando se torna frequente ou rígido, pode levar a desgaste emocional e distanciamento de si mesmo. A psicoterapia ajuda a reconhecer e integrar melhor esses estados, tornando as relações mais autênticas e menos sofridas.


  • Por que a pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode ter emoções tão contraditória

    Por que a pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode ter emoções tão contraditórias ao mesmo tempo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Ivani Benitez Gonsalez

    Pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline costumam vivenciar emoções de forma muito intensa e rápida, o que pode dar a impressão de sentimentos contraditórios acontecendo ao mesmo tempo.
    Isso ocorre porque há uma dificuldade na regulação emocional: os afetos não se organizam de maneira estável e podem oscilar rapidamente entre extremos, como amor e raiva, proximidade e rejeição. Além disso, existe uma sensibilidade acentuada a sinais de abandono ou frustração, o que pode ativar respostas emocionais intensas e ambivalentes diante de uma mesma situação ou pessoa.
    Do ponto de vista psíquico, essas experiências também estão relacionadas a dificuldades na integração de aspectos positivos e negativos de si e do outro , um mecanismo conhecido na psicanálise como “clivagem”. Assim, sentimentos opostos podem coexistir sem se articularem, sendo vividos como conflitantes ou confusos.

    A psicoterapia, especialmente com abordagem psicodinâmica, pode ajudar a pessoa a reconhecer, nomear e integrar melhor esses estados emocionais, promovendo maior estabilidade nas relações e na percepção de si mesma.


Perguntas frequentes

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