Perguntas do paciente (27)

  • É possível um esquizofrénico ( sexo feminino) ter filhos sem muitas dificuldades e sem perigo para o

    É possível um esquizofrénico ( sexo feminino) ter filhos sem muitas dificuldades e sem perigo para o bebé?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Jaqueline Wazen

    Olá, como vai? A gravidez e a maternidade, de maneira geral, são possíveis a uma mulher que tenha recebido o diagnóstico de esquizofrenia. A esquizofrenia por si não impede a gravidez. O que poderia impedir uma gestação bem-sucedida? Qualidade de vida desfavorável: uso de álcool ou outras drogas, desnutrição materna, presença de outras doenças que inviabilizam a boa formação do feto. Outros fatores: uso de certos medicamentos para doenças diversas que podem ser abortivos ou causar má formação fetal. Se já há o diagnóstico para esquizofrenia, então possivelmente há o acompanhamento psiquiátrico, um bom caminho é sanar as dúvidas mais específicas com o profissional que faz o acompanhamento. No mais, existe uma estatística não muito exata quanto à probabilidade de transmissão genética associada à esquizofrenia. De qualquer modo, a qualidade da maternagem é um fator preventivo à saúde mental do bebê. E assim concluímos que ao cuidar de si (não deixar de tomar seus medicamentos, não colocar-se em situações que possam vulnerabilizar sua saúde física e mental) a mãe também estará cuidando de seu bebê. Espero ter podido contribuir. Jaqueline


  • Como conviver com um esquizofrenico extremamente negativo delirante e intimidador....por vezes agres

    Como conviver com um esquizofrenico extremamente negativo delirante e intimidador....por vezes agressivo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Jaqueline Wazen

    Olá, como vai? Os pontos colocados por você são desafiadores por um lado, mas, por outro, bastante usuais. Eu diria inclusive que para essa pergunta cabe não uma resposta, mas um acompanhamento. Veja: um dos sintomas que preenche critério para diagnóstico de esquizofrenia é a alteração de juízo de realidade (delírio); uma das experiências mais comuns em quem convive com pessoas com diagnóstico de esquizofrenia são a impotência e o medo, que são disparados pelos mais variados motivos (resistência ao tratamento; surtos; dificuldade de estabilização do quadro; presença de delírios persecutórios; dificuldade na comunicação; dificuldade em entender as alterações vivenciadas pelo outro; às vezes, associação com uso de álcool e drogas; dificuldade do familiar em aceitar a condição de saúde mental da outra pessoa, dentre muitos outros). Para Esquizofrenia não há cura. O que há então? Tratamentos. O medicamentoso; em alguns casos, o psicoterápico; em outros, há indicação de terapia ocupacional. O chamado CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) é um dos serviços de saúde público que foi estruturado para acompanhamento tanto das pessoas que receberam o diagnóstico, quanto aos seus familiares. Dependendo de sua região e cidade, esse acompanhamento também pode ser feito pelo Posto de Saúde mais próximo de sua residência. Uma outra possibilidade é o acompanhamento pelo sistema privado e nesse caso, havendo identificação, o profissional indica ao paciente ou ao seu familiar que também busque a avaliação de outro especialista para complementar o acompanhamento. O que é importante, fundamental quando o familiar está se sentindo desamparado ou confuso é que busque apoio e orientação. É necessário entender se a pessoa se manifesta de maneira agressiva por conta de desestabilização, falta de medicação, tratamento inadequado ao quadro, se se trata de manipulação ou uma resposta reativa a algo que desagradou sobremaneira. Enfim, são várias as possibilidades de explicação para uma conduta agressiva. Teria muitos outros pontos a observar, mas que dependeriam de questões específicas ao caso. Por fim, em situações de risco mais extremas , cabe ligar para o SAMU. Caso necessite de outras orientações, estou à disposição. Boa sorte, Jaqueline.


  • E verdade que a esquizofrenia com passar dos anos a pessoa vai ficando boba?

    E verdade que a esquizofrenia com passar dos anos a pessoa vai ficando boba?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Jaqueline Wazen

    Olá, como vai? Se formos pensar na nossa história de tratamentos e cuidados com pessoas diagnosticadas como "esquizofrênicas" veremos que, apesar de muitos avanços, ainda há muitos "mitos", inverdades e preconceitos. Nós, profissionais da saúde mental, temos podido afirmar que qualidade de vida (o que inclui ter relacionamentos com pessoas, fazer parte de grupos, ter afazeres, viver desafios) é fundamental para pessoas com sofrimento mental (incluindo as com diagnóstico de esquizofrenia). Hoje em dia, entende-se que muitos problemas e dificuldades que surgem com o passar dos anos não é por causa do quadro, mas sim pela falta de cuidados ou pela má qualidade da assistência. Dizendo de outro modo, o uso de medicamentos adequados ao quadro, a assistência psicológica, médica (com o clínico), com terapeuta ocupacional, o contato com pessoas, produzir, trabalhar, diminui as chances de perdas cognitivas e o agravamento do quadro. O contrário, então, também é válido: ter um histórico de surtos não tratados ou mal tratados, medicamentos inadequados, uso de álcool e drogas, falta de apoio familiar, de vizinhos, solidão, isolamento, manutenção em cárcere privado, início tardio do tratamento, presença de outras doenças, tudo isso pode afetar negativamente a condição de vida de uma pessoa com diagnóstico de esquizofrenia. Por que não podemos nos esquecer disso: estamos falando de uma pessoa, com potencialidades (e inteligência acima da média pode ser uma delas) e com limitações (inteligência abaixo da média pode ser uma delas). Resumindo: não podemos afirmar que com o tempo uma pessoa com diagnóstico de esquizofrenia fique "boba". Espero ter colaborado de alguma forma. Boa sorte, Jaqueline.


  • Quais são as diferenças entre estresse pós-traumático e transtorno delirante persistente?

    Quais são as diferenças entre estresse pós-traumático e transtorno delirante persistente?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Jaqueline Wazen

    Olá, como vai? A pergunta está bem ampla e permite vários enfoques. Por não saber a necessidade e intenção da distinção vou convidar a pensar três aspectos: houve a presença de uma situação concreta e impactante que poderia estar ligada ao surgimento dos sintomas ou não? Quais sintomas a pessoa está apresentando e qual tem sido a evolução no decorrer das semanas? Terceiro ponto diz respeito à autopercepção, ou seja, à capacidade do indivíduo de perceber o que tem lhe acontecido e estabelecer relações com outros elementos da personalidade, da história de vida e situações impactantes, traumáticas da vida. Um dos critérios para se pensar em TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático) é a vivência de uma situação de alto impacto, traumática para o sujeito, que tem o poder de abalar sua capacidade de assimilação, entendimento e aceitação do ocorrido. Os sintomas podem ser bastante variados, incluindo uma psicose reativa breve. Veja: se houver o surgimento de sintomas psicóticos eles surgem como reação e é mais limitado no espaço de tempo. O Transtorno Delirante Persistente é entendido como um Transtorno Psicótico, assim como a esquizofrenia e o levantamento de história de vida e sintomática será outro. Gostaria de pontuar que conhecer sinais e sintomas é importante quando é algo que nos acomete ou alguém próximo, mas o raciocínio clínico do profissional de saúde mental, seja psiquiatra ou o psicólogo, é essencial. Espero ter contribuído. Jaqueline.


  • Estresse pós traumatico pode causar surto psicotico ou delírios?

    Estresse pós traumatico pode causar surto psicotico ou delírios?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Jaqueline Wazen

    Olá, como vai? Há uma diversidade de reações possíveis porque nós precisamos considerar tanto elementos que dizem respeito à pessoa em questão, quanto especificidades do episódio traumático, tais como: características de personalidade; resiliência; se havia anteriormente ao episódio traumático outras doenças que poderiam dificultar ou retardar a superação ou ainda tornar o episódio traumático mais intensificado; rede de apoio; momento de vida; idade. Em linhas gerais, sim, poderia haver a chamada psicose reativa breve e, consequentemente presença de delírios. Bom pontuar que estou me referindo ao TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático e não ao TEA (Transtorno de Estresse Agudo) e que a eclosão da psicose está associada ao TEPT. Por fim, pontuo que é importante a busca pela compreensão de diagnósticos, mas sem o pensamento clínico do profissional de saúde mental (psiquiatra, psicólogo) pode haver muita confusão. Espero ter podido contribuir. Abçs, Jaqueline.


  • é possível afirmar que o aumento na taxa de divórcios tenha influencia direta no crescente número

    é possível afirmar que o aumento na taxa de divórcios tenha influencia direta no crescente número de casos de alienação parental?
    tal problema sempre existiu, porém, apenas recentemente ela se tornou mais evidente, por que?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Jaqueline Wazen

    Olá, como vai? Não é possível afirmar enquanto relação de causa e consequência: o fato de, fez com quê. Existem uma série de questões envolvidas para o aumento do número de casos de divórcio, separação, dissolução de união estável. A melhor aceitação da dissolução do vínculo do casal pela sociedade; mudanças na cultura e no modo de entender o que vem a ser família; independência feminina; conflito quanto à assunção de papeis no lar, entre outros motivos. A alienação parental pode ocorrer tanto com a separação efetiva do casal, mas também quando os pais ainda dividem o mesmo lar, mas não se reconhecem mais como casal. A lei da Alienação Parental foi fundamental para legitimar um fenômeno que vinha sendo identificado maciçamente pelos profissionais que atuavam mais diretamente nas situações de litígio. É uma lei importante para facilitar a identificação de situações de alienação, para facilitar a intervenção e atuar preventivamente. No mais, sabe-se que a mulher, via de regra, tende a denegrir e difamar com mais frequência e intensidade a imagem do genitor, do que o contrário. A mãe tende a se valer mais da relação com a criança para agredir e atacar a outra parte. Há acusações falsas que muitas vezes são levantadas contra os pais como forma de vingança. Enfim, não existe uma resposta única e verdadeira para essas questões, entretanto como as crianças e adolescentes têm sido muito atingidos pelos conflitos entre os adultos, é mais do que necessário pensar sobre isso. Espero ter contribuído.


  • É possivel ( legalmente) comprovar através de áudio ( fala da criança) que ela está sendo vitima

    É possivel ( legalmente) comprovar através de áudio ( fala da criança) que ela está sendo vitima de aluenação parental e sofrendo maus tratos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Jaqueline Wazen

    Olá, como vai? Somente o áudio não possui suficiência para comprovação da chamada alienação parental. Existem diferentes caminhos para assistência quando se identifica indícios de alienação parental e maus-tratos, vou citar alguns. Em certos casos, os pais se separam, mas há brigas e muitas discordâncias entre eles, então como forma de extravasar raiva, ressentimento, mágoa e ter a criança como cúmplice, uma das partes difama o outro para a criança, diz coisas que dão a entender que a outra parte não é boa mãe ou bom pai. Se ainda há alguma possibilidade, muitas vezes a alienação se resolve pelo caminho extra-judicial: ou por conversas entre as famílias ou por intermédio de advogado contratado pela parte que se sente em prejuízo na relação com a criança. Um outro caminho não raro é quando a criança é encaminhada para avaliação pelo psicólogo. Havendo indícios de conflitos entre os adultos que tem repercutido negativamente para o filho, é de práxis que o psicólogo aborde os pais e é esperado que faça intervenções e orientações a todos os envolvidos. Quando a situação dita de alienação e os indícios de maus-tratos estão muito acentuados, apontam para maior complexidade e o alienador ou agressor se mostra inflexível, vale a judicialização. Neste caso, é necessário ou a contratação de um advogado ou ainda, a família pode buscar a OAB, se não tiver condições de pagar esse profissional. A lei que versa sobre a alienação parental é a 12.318/2010, pode valer a pena consultar para entender melhor as situações que configuram alienação parental e para entender que quando há judicialização são feitas avaliações por profissionais nomeados pelo Juiz, normalmente são do Setor Psicossocial do Fórum, e também por aqueles contratados eventualmente pelas partes. Espero ter contribuído. Jaqueline.


Perguntas frequentes

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