Perguntas do paciente (11)
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Qual especialista procurar para tratar compulsão visual e fetiche? Gostaria de saber qual abordagem
Qual especialista procurar para tratar compulsão visual e fetiche?
Gostaria de saber qual abordagem da psicologia é mais indicada para tratar um comportamento compulsivo visual focado em partes do corpo (podolatria). Sinto que essa busca por estímulo é automática e difícil de controlar, não consigo não erotizar os pés.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Não existe uma abordagem única ou "mais indicada" para todos os casos. Quando um determinado comportamento passa a gerar sofrimento, sensação de perda de controle ou prejuízos na vida da pessoa, acredito que vale procurar um psicólogo e iniciar um processo na psicoterapia, com o profissional e abordagem que mais faz sentido para você.
Acredito que o trabalho terapêutico possa oferecer um espaço onde se amplie a compreensão de como esse padrão funciona na sua vida, em quais situações surge, o que o desencadeia, quais consequências o mantêm e por que ele parece tão automático. Ter um fetiche, por si só, não costuma ser um problema clínico. A questão passa a merecer atenção quando gera sofrimento, prejuízos ou sensação de perda de controle.
Pela terapia, é possível desenvolver maior compreensão sobre esses padrões e ampliar o repertório para lidar com eles de forma mais flexível e alinhada ao que você considera importante para sua vida
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Tenho 20 anos, atualmente me encontro em uma fase complicada da vida e, por diversos motivos, durant
Tenho 20 anos, atualmente me encontro em uma fase complicada da vida e, por diversos motivos, durante os ultimos anos minha válvula de escape tem sido a pornografia. Gostaria de saber como proceder, como atenuar esse problema e quais medidas tomar
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sinto muito que você esteja passando por um período difícil e que esteja se sentindo preso(a) a isso como forma de escape. Quando a pornografia passa a ocupar esse lugar de “válvula de alívio”, geralmente não é sobre falta de força de vontade, mas sobre uma estratégia que seu organismo encontrou para lidar com emoções e situações difíceis e aversivas, como ansiedade, solidão, frustração ou estresse.
Na perspectiva da Análise do Comportamento, entendemos que todo comportamento tem uma função. Se o uso de pornografia se manteve ao longo do tempo, é porque em algum nível ele tem ajudado você a diminuir desconfortos ou produzir algum tipo de alívio imediato. O problema é que, a longo prazo, ele pode gerar culpa, vergonha, isolamento ou dificultar outras áreas da vida.
O primeiro passo não é simplesmente “parar”, mas entender em quais situações isso acontece:
– O que você estava sentindo antes?
– Em que momentos do dia ocorre com mais frequência?
– O que muda nas horas seguintes?
Esse mapeamento ajuda a identificar as variáveis que estão mantendo o comportamento. A partir daí, o trabalho terapêutico envolve construir outras formas de lidar com essas emoções e situações, ampliando seu repertório: novas fontes de prazer, formas de regulação emocional, habilidades para enfrentar problemas e diminuir a dependência desse único recurso de alívio.
A psicoterapia pode ajudar muito nesse processo, de forma respeitosa e sem julgamentos, olhando para sua história, seu contexto atual e o que faz sentido para você construir daqui pra frente.
Buscar ajuda já é um passo importante. Você não precisa lidar com isso sozinho(a).
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Tenho 28 anos e meu namorado 27, estamos juntos a 5 anos e moramos juntos. Enfrentamos um problema q
Tenho 28 anos e meu namorado 27, estamos juntos a 5 anos e moramos juntos. Enfrentamos um problema que causa desconforto em ambos, a pornografia. Eu já consumi a anos atrás, mas consegui me livrar, mas é algo que até hj as vezes aparece na mente como uma ideia de se ver, mas mesmo assim, opto por não ver. Meu namorado já vem de um histórico como a maioria dos homens, de crescer vendo pornografia e ser tratado como algo normal. Já peguei mais de uma vez no celular e já foi motivo de piorar meus problemas psicológicos, e um quase término. De princípio ele não aceitava tratamento pois tinha preconceito. Uma vez ele teve coragem e me confidenciou que além da pornografia já chegou a olhar pra outras mulheres e desejar, e que tinha consciência que era errado. E isso normalmente acontecia quando a gente brigava. Recentemente ele começou a falar mais abertamente sobre o uso, e até falou para os pais dele, que ele esconde quase tudo. Naquele momento eu pensei que fosse o fim, mas não foi. Eu noto a diferença de comportamento quando ele assiste pornografia nas relações sexuais que temos. E perguntei se ele havia consumido novamente e ele confirmou. A primeira vez eu senti nojo dele e de mim, mas tento não focar nisso, pois é um problema dele, não diz sobre mim. Mas como somos um casal isso afeta. Hj ele diz que aceita tratamento. Então estou em busca de selecionar alguns profissionais que podem auxiliar ele a parar de vez com isso e ter mais alto controle. Ele é do tipo que acredita que homem não demonstra fraquezas e tem que lidar com tudo sozinho, mas na verdade quem tem lidado com os problemas dele sou eu. Também preciso voltar a fazer, e pretendo, mas já deixo claro, que o uso de pornografia não é algo que aceitamos no nosso relacionamento e já conversamos sobre. Então não é algo pra ser aceito como normal, pois já existem estudos que comprovam que esses estímulos não tem benefício algum. Gostaria de conhecer profissionais que trabalham com isso, e como poderiam nos ajudar com práticas confiáveis e seguras.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, espero que estejam bem. Sinto muito por essas situações, dá para perceber o quanto essa situação tem sido dolorosa e desgastante para você, e é importante que esse sofrimento seja levado a sério.
Bem, pela ótica da Psicoterapia Analítico-Comportamental, uma abordagem da psicologia com qual atuo, entendemos que o foco não é rotular a pornografia como “certo” ou “errado”, mas compreender qual função esse comportamento está cumprindo na vida dele e também na dinâmica do casal.
Todo comportamento que se mantém ao longo do tempo é reforçado de alguma forma. No caso do uso de pornografia, muitas vezes ele funciona como uma estratégia rápida de regulação emocional: aliviar tensão, frustração, solidão, raiva depois de brigas ou até evitar contato com emoções difíceis. Quando isso acontece repetidamente, o comportamento é fortalecido, ou seja, a probabilidade dele acontecer novamente aumenta, mesmo que depois venha culpa, prejuízo na relação ou sofrimento. Ou seja, não é simplesmente falta de caráter ou “fraqueza”, é um padrão aprendido que hoje está tendo custos altos.
Em terapia, o trabalho não é só “tirar a pornografia”, mas aumentar repertório. Isso envolve:
identificar em que situações o uso acontece (antes de brigas? depois? quando está sozinho? entediado? ansioso?); mapear quais emoções e pensamentos costumam aparecer antes e depois; entender quais consequências estão mantendo o comportamento no curto prazo (alívio, distração, excitação) apesar dos prejuízos no longo prazo; construir, de forma gradual, outras formas de lidar com essas mesmas situações que não prejudiquem ele nem a relação.
Também é importante trabalhar crenças como “homem tem que dar conta sozinho”, porque isso dificulta pedir ajuda e falar sobre vulnerabilidades, o que, paradoxalmente, mantém o problema. O fato de ele já estar falando com você, admitir a dificuldade e aceitar buscar ajuda é um passo enorme e é um ótimo sinal de prognóstico.
Para você, faz todo sentido que isso mexa com autoestima, nojo, comparação e insegurança. Esses sentimentos também merecem cuidado.
Um processo que acredito fazer sentido nesses casos é um focado em compreender padrões, modificar o ambiente, desenvolver autocontrole de forma prática e fortalecer comportamentos alinhados ao tipo de vida e relacionamento que vocês querem construir, não na base da culpa, mas de responsabilidade e mudança possível.
Vocês não precisam lidar com isso sozinhos, e esse tipo de dificuldade tem, sim, caminho de tratamento estruturado e respeitoso.
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Preciso falar o tempo todo nas sessões de terapia?
Preciso falar o tempo todo nas sessões de terapia?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá. Espero que você esteja bem. Então, na minha perspectiva não necessariamente. O ritmo das sessões varia conforme o momento e as necessidades de cada pessoa. Em alguns encontros, você pode sentir vontade de falar mais e, em outros, pode precisar de tempo para pensar ou apenas refletir junto com o terapeuta.
Na Análise do Comportamento, uma das várias abordagens da psicologia, entendemos que o que acontece na sessão também é um comportamento relevante e observar como você se expressa, silencia ou reage faz parte do processo. O importante é que o espaço seja seguro o suficiente para que você se sinta à vontade, seja para falar, ouvir ou simplesmente estar ali.
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Acho que tenho TOC de pensamento relacionado a pornografia. Foram 16 anos de consumo desde a infânci
Acho que tenho TOC de pensamento relacionado a pornografia. Foram 16 anos de consumo desde a infância marcados por um abuso leve aos 5 anos. Decidi parar faz duas semanas, mas conteúdos sexuais do passado que me envergonho de ter consumido me atormentam. Sinto que está ficando pior a cada dia. Também já tive compulsões no passado após sofrer assaltos (não cheguei a tratar).
Às questões principais são: a TCC que tanto falam pode me ajudar sem que eu tenha que ver diretamente as imagens de cunho erótico?Como posso me tratar sem que isso me incomode ou cause alguma resposta groinal? Existe outra forma de tratar?
Agradeço qualquer resposta.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá! Espero que esteja bem!
Primeiramente, sinto muito pelo que você passou e por tudo que tem enfrentado. Imagino o quanto deve estar sendo difícil lidar com tudo isso.
Bem, eu não trabalho diretamente com a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), mas pelo que você descreve, talvez esteja se referindo a processos como a terapia de exposição ou dessensibilização sistemática. É importante lembrar que essas são apenas algumas das técnicas que a TCC pode utilizar e nem sempre são indicadas para todos os casos.
Sim, a psicologia oferece outras possibilidades de cuidado. Existem diversas abordagens clínicas, como a Psicanálise, a Abordagem Centrada na Pessoa (ACP), entre outras. Falando da perspectiva com que atuo, a Análise do Comportamento, também baseada em evidências assim como a TCC, entende que todo comportamento (incluindo pensamentos, sentimentos e emoções) cumpre uma função em nossa vida, sendo mantido pelas consequências que produz. Além disso, compreendemos que nossos comportamentos são moldados não apenas pelo ambiente atual, mas também pela nossa história singular de vida. Assim, o processo terapêutico busca identificar, observar e analisar os comportamentos e os contextos em que ocorrem, para compreender suas funções e, gradualmente, construir novos repertórios mais coerentes, saudáveis e significativos para você.
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Para quem está sofrendo disfunções sexuais, além do médico, qual tipo de profissional devo consultar
Para quem está sofrendo disfunções sexuais, além do médico, qual tipo de profissional devo consultar? (psicólog, sexólogo, etc?).
Motivo da pergunta: Tenho feito psicoterapia, mas acabei falando sobre um momento ruim que estou vivendo no meu relaciomaneto e tem me trazido muita frustração. Estou tendo dificuldades de me relacionar sexualmente e quando falei sobre isso na terapia minha psicóloga ficou um pouco sem graça e vi que desviou um pouco o assunto. Não sei se ela se sentiu constrangida, com vergonha ou com receio de tratar sobre o assunto por eu ser homem, mas acabei sentindo que havia um tabu sobre conversar sobre isso na consulta e não voltei mais no assunto. Mas apesar de não ter falado mais sobre isso, é um assunto que tenho precisado conversar com alguém mas não sei com quem ou com qual tipo de profissional. Vale destacar que minha psicóloga é excelente, mas não senti abertura para falar sobre isso e também não sei se devo perguntá-la se ela se sentiu incomodada sobre tratar o assuntoRESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá! Espero que você esteja bem.
Bom, a vivência de disfunções sexuais pode envolver múltiplos fatores como os fisiológicos, emocionais, relacionais e contextuais. Por isso, o acompanhamento médico é importante para descartar causas como as orgânicas, mas a psicoterapia também pode ser um espaço fundamental para compreender e manejar os aspectos comportamentais e emocionais envolvidos nessas questões. Na Análise Comportamental Clínica, uma das abordagens da psicologia, entendemos a sexualidade não só como um aspecto filogenético mas também como parte do repertório de comportamentos aprendidos ao longo da vida. Assim, dificuldades nessa área podem estar relacionadas a variáveis do ambiente, história de aprendizagem, regras culturais, ansiedade de desempenho, entre outras contingências que influenciam a resposta sexual.
Um psicólogo com abertura e preparo para discutir sexualidade pode ajudar a identificar essas variáveis, reduzir comportamentos de esquiva, ampliar repertórios de intimidade e favorecer a autocompreensão. Caso você perceba que o tema gera desconforto na sua psicóloga, é possível conversar abertamente sobre isso, além disso, até então, pode ser apenas uma percepção sua. O vínculo terapêutico é bem importante, principalmente nesses casos, e ele também se fortalece quando a relação é pautada pela transparência e confiança tanto pelo psicólogo quanto pelo cliente. Então, acredito que em alguns casos, o trabalho conjunto entre psicólogo e médico (urologista, ginecologista, endocrinologista etc…) pode ser muito produtivo. Mas considero que o espaço terapêutico, quando bem conduzido, é sim o lugar adequado para falar sobre isso com profundidade e segurança.
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Tenho 33 anos e passo meu tempo livre inteiro jogando vídeo game como forma de escapismo. Possuo um
Tenho 33 anos e passo meu tempo livre inteiro jogando vídeo game como forma de escapismo. Possuo um bom emprego financeiramente falando, mas detesto o que faço. Não possuo amigos ou qualquer vida social ou amorosa (sou diagnosticado com fobia social e TEA suporte 1). Procuro usar o vídeo game para escapar da realidade e ir para mundos de fantasia. Chego a ficar mais apegado com personagens virtuais desses jogos do que com pessoas da vida real.
É possível que isso seja sinal de depressão? Sinto que se jogos de vídeo game deixassem de existir, a vida seria um total marasmo.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sinto muito que você esteja vivendo e passando por esse momento. Imagino o quanto tudo isso deva ser difícil de lidar.
Pela perspectiva da Análise do Comportamento, o uso excessivo de jogos não é visto apenas como “falta de força de vontade” ou algo totalmente negativo e por ai vai, mas como um comportamento que cumpre funções muito claras na sua vida hoje. Os games podem acabar oferecendo alívio de emoções difíceis, facilidade de alcançar reforçadores, esquiva de eventos aversivos, sensação de competência, previsibilidade, pertencimento e objetivos claros, essas e outras coisas que talvez estejam em falta ou estejam associadas a muito desconforto no trabalho, nas relações sociais e nas tentativas de se expor ao mundo fora das telas. Quando algo reduz sofrimento ou gera prazer imediato, a tendência é que esse padrão se fortaleça.
Sobre depressão: é possível, sim, que alguns dos sentimentos que você descreve estejam relacionados a um quadro depressivo, especialmente essa sensação de que “sem os jogos a vida seria um marasmo”. Mas isso não dá para afirmar se não por sessões contínuas e análises mais aprofundadas. O que dá para dizer é que hoje os jogos parecem estar sendo a principal, talvez única, fonte de reforço da sua rotina, enquanto outras áreas da vida estão empobrecidas ou associadas a ansiedade (como na fobia social) e desgaste emocional.
Em terapia, a ideia não seria simplesmente tirar os jogos, e sim entender qual função eles estão cumprindo e como ampliar sua vida para além deles, de forma gradual e respeitosa com seus limites, inclusive considerando o TEA e a fobia social. Trabalhamos para construir novas fontes de interesse, conexão e senso de realização no mundo real, ao mesmo tempo em que desenvolvemos repertórios para lidar com a ansiedade social, frustrações e insatisfações com o trabalho. Aos poucos, o jogo deixa de ser o único reforçador, ou seja, a única forma de se sentir bem, e vira uma escolha, não uma fuga obrigatória.
Buscar psicoterapia pode ser um passo muito importante nesse momento. O fato de você estar se questionando já mostra que uma parte sua está querendo viver algo diferente, mesmo que ainda pareça difícil enxergar como.
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É normal ter uma dificuldade grande de manter interações sociais? Ja trabalhei com atendimento ao pú
É normal ter uma dificuldade grande de manter interações sociais? Ja trabalhei com atendimento ao público e sempre fui muito elogiada pela minha comunicação e simpatia, mas quando se trata de manter um relacionamento amigável com colegas de trabalho ou familia, é dificil interagir por não ser previsível e controlável. Nunca sei sobre o que devo conversar, o quanto devo falar sobre mim para não parecer arrogante ou o quanto devo ouvir sem parecer desinteressada. Que tipo de terapia devo buscar?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá! Espero que esteja bem.
Bem, os dois contextos que você trás são de certa forma bem diferentes um do outro. Variados fatores podem ter sido determinantes para essa diferenças que você percebe como: Treino, momento da vida, o fato de um contexto ser mais formal/possuir um itinerário e etc... Nas relações pessoais cotidianas, o ambiente passa a ser muito mais imprevisível, menos controlado e as “respostas certas” nem sempre são tão evidentes. O que pode gerar insegurança mesmo em pessoas que em outros contextos se comunicam muito bem, por exemplo.
Na perspectiva da Análise do Comportamento, uma das abordagens da psicologia, entendemos que habilidades sociais são comportamentos aprendidos ao longo da vida e influenciados pelo contexto. Ou seja, a dificuldade não está diretamente em “quem você é”, mas nas contingências que fazem essas interações se tornarem mais desafiadoras. A terapia pode ajudar bastante na análise dessas situações, na identificação de demandas sociais específicas e na construção de respostas mais confortáveis, significativas e flexíveis para você.
Sobre qual abordagem buscar, a psicologia oferece uma vasta gama de possibilidades. Dessas, temos a Análise Comportamental Clínica, que é uma das que trabalha, também, com habilidades sociais, expressão emocional e construção de novos repertórios e possibilidades, tudo com base na sua história de vida de cada um e no contexto atual.
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Olá, nunca gostei de me socializar e fico desconfortável na presença de pessoas, ultimamente quando tenho contato com pessoas nao
Olá, nunca gostei de me socializar e fico desconfortável na presença de pessoas, ultimamente quando tenho contato com pessoas nao consigo me comunicar bem e quando estou fora de casa fico agoniada andando de um lado pro outro e com muita ansiedade, aprece que estou surtando. As vezes corro pro banheiro do meu trabalho sento no chão tampo os ouvidos e só quero chorar, nao gosto de visitas e quando estou em casa faço de tudo pra abafar sons. Nao tenho energia pra nada (sempre fui assim) e quando tenho energia quero fazer tudo de uma vez e acabo nao fazendo nada. Já marquei varias consultas vom psicólogos, quando chega na hora da consulta ...Quem disse que tenho coragem de aparecer, simplesmente invento alguma desculpa e não vou, fico com medo ansiosa, sei lá. Queria muito me resolver...Nao sei o que faço.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, sinto muito por essas situações que você vem passando, imagino o quanto deve ser difícil para você.
Bem, o que você descreveu envolve situações de ansiedade intensa e dificuldades de socialização que vêm afetando várias áreas da sua vida. Na psicologia, mas especificamente, na perspectiva da Análise do Comportamento, entendemos que os comportamentos, inclusive os de evitar contatos sociais ou escapar de situações que geram desconforto, são mantidos pelas consequências que produzem. Por exemplo, quando você evita uma consulta ou se afasta de ambientes sociais, a ansiedade e outros efeitos diminuem naquele momento, o que faz com que essa evitação seja reforçada e continue acontecendo, ou seja, o comportamento evitativo, por te afastar de um evento/estímulo aversivo vai ganhar uma maior probabilidade de voltar a acontecer no seu dia a dia.
Isso não significa que você necessariamente “escolhe” sentir ou agir assim, mas que existe uma história de aprendizagem e condições atuais que mantêm esse padrão comportamental. O papel do processo terapêutico, nesse sentido, é ajudar você a identificar as situações que eliciam a ansiedade, a compreender as funções que esses comportamentos exercem e construir gradualmente novos repertórios que permitam lidar com essas situações de forma mais saudável.
Entendo que para você marcar e comparecer às consultas tem sido um grande desafio, mas talvez uma boa alternativa seja começar com passos menores, como sessões online (que podem diminuir a ansiedade inicial do deslocamento, por exemplo). Buscar ajuda é um passo importante e corajoso. Com o acompanhamento adequado, é possível desenvolver mais autoconhecimento, autonomia, autocontrole e reduzir o sofrimento que você sente hoje.
Por fim, espero que fique bem, desejo tudo de bom para você e no que eu puder ajudar, estarei a disposição.
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O que a Terapia ABA pode fazer pelo tratamento de adultos com autismo?
O que a Terapia ABA pode fazer pelo tratamento de adultos com autismo?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Na prática clínica com a Análise do Comportamento, considero mais importante compreender quais situações estão gerando sofrimento ou limitações na vida da pessoa do que focar apenas no diagnóstico. Dois adultos autistas podem ter necessidades completamente diferentes. Por isso, a intervenção precisa ser individualizada e baseada na compreensão dos contextos em que os comportamentos ocorrem e das variáveis que os influenciam.
O objetivo não é eliminar características do autismo, mas ampliar repertórios e favorecer uma vida mais satisfatória, autônoma e alinhada aos objetivos da própria pessoa. Dependendo da demanda, o trabalho pode envolver habilidades sociais, autonomia, organização da rotina, relacionamentos, questões profissionais, manejo emocional e compreensão dos próprios padrões de comportamento.
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A consciência é uma faculdade mental mais importante que o pensamento?
A consciência é uma faculdade mental mais importante que o pensamento?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Bem, dentro da perspectiva da Análise do Comportamento, uma das abordagens da psicologia, não entendemos consciência e pensamento como “faculdades mentais” separadas que competem em nível de importância. O que chamamos de “consciência” pode ser visto como a capacidade de o indivíduo observar, mensurar e descrever seu próprio comportamento e as condições em que ele ocorre. Já o “pensamento” é tratado como um tipo de comportamento verbal que acontece de forma privada, dentro da pele, um diálogo interno, que também pode ser analisado em termos de antecedentes e consequências tal como qualquer outro comportamento público.
Ou seja, não vejo uma questão de qual seria mais importante, mas sim de entender que ambos fazem parte do repertório comportamental de uma pessoa e cumprem funções diferentes. A consciência amplia nossa possibilidade de escolha, autoconhecimento e autocontrole, enquanto o pensamento pode organizar e guiar nossas ações.
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