Perguntas do paciente (5)

  • Olá, tenho 19 anos e estou com depressão profunda que me dificulta com tarefas básicas e em sair do

    Olá, tenho 19 anos e estou com depressão profunda que me dificulta com tarefas básicas e em sair do quarto, moro com a minha mãe, mas me sinto estagnada aqui e
    eu queria muito trabalhar, mas deixei oportunidades passar por conta do meu estado, eu passo no caps as vezes e tomo antidepressivo, mas preciso de mais acompanhamento e algo mais efetivo pra sair disso, por isso pensei em internação, mas queria a ajuda de vocês sobre o que posso fazer nessa situação.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Joyce Paschotto

    Olá. Sinto muito que você esteja passando por um momento tão difícil. Pelo que você descreve, a depressão tem afetado bastante sua rotina, sua autonomia e até atividades básicas do dia a dia. Quando chegamos a esse nível de sofrimento, é importante não precisar enfrentar tudo isso sozinha.

    O fato de você estar buscando ajuda e percebendo que precisa de um acompanhamento mais próximo é muito importante. Além do uso da medicação, o tratamento da depressão costuma se beneficiar do acompanhamento psicológico associado ao acompanhamento médico/psiquiátrico, principalmente quando os sintomas estão interferindo de forma tão significativa na vida cotidiana.

    Sobre a internação, ela pode ser necessária em algumas situações, especialmente quando existe risco à própria vida, dificuldade importante de autocuidado ou quando o tratamento não consegue ser realizado com segurança fora do ambiente hospitalar. Mas essa decisão precisa ser feita a partir de uma avaliação profissional cuidadosa. Existem também possibilidades de intensificar o tratamento sem necessariamente recorrer à internação.

    Como você já é acompanhada pelo CAPS, eu recomendaria contar à equipe exatamente o que relatou aqui: que está com dificuldade até para realizar tarefas básicas e sair do quarto, que sente que o acompanhamento atual não está sendo suficiente e que chegou a considerar uma internação. Peça uma reavaliação do seu plano de tratamento e da frequência do acompanhamento. Se possível, converse também com o profissional responsável pela sua medicação.

    E tente não transformar, neste momento, conseguir trabalhar ou recuperar toda a sua rotina em uma medida do seu progresso. Em quadros depressivos mais intensos, objetivos menores — como retomar gradualmente o autocuidado, sair do quarto, organizar o sono e voltar a realizar algumas atividades — também fazem parte do tratamento e da recuperação.

    Caso esteja tendo pensamentos de morte, de se machucar, ou perceba que não consegue se manter em segurança, procure imediatamente um serviço de urgência/emergência, o CAPS responsável pelo seu atendimento ou peça ajuda a alguém de confiança para acompanhá-la.

    Você não precisa decidir sobre uma internação sozinha. O mais importante agora é comunicar à sua equipe a intensidade do que está vivendo para que possam avaliar, junto com você, qual nível de cuidado é mais adequado neste momento.


  • Eu tava tomando sertralina parei uma semana, voltei tomar tem 14 dias tô sentindo dor de cabeça faz

    Eu tava tomando sertralina parei uma semana, voltei tomar tem 14 dias tô sentindo dor de cabeça faz 6 dias e não passa é normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Joyce Paschotto

    Olá! A dor de cabeça pode acontecer como efeito colateral da sertralina, principalmente nas primeiras semanas de uso ou após a retomada do medicamento. Em algumas pessoas, esses efeitos diminuem conforme o organismo se adapta.

    No entanto, como você relata uma dor de cabeça persistente há cerca de 6 dias, é importante conversar com o médico que prescreveu a medicação para avaliar o que está acontecendo e verificar se realmente está relacionado à sertralina ou se existe outra causa.

    Evite interromper novamente ou modificar a dose por conta própria, pois pausas e retomadas do antidepressivo também podem provocar sintomas e interferir no tratamento.

    Se a dor for muito intensa ou diferente das dores que você costuma ter, surgir de forma súbita, ou vier acompanhada de sintomas como confusão, desmaio, febre, rigidez no pescoço, alterações na visão, fraqueza ou dificuldade para falar, procure atendimento médico com urgência.

    Espero que você fique bem e, principalmente pela duração da dor, procure orientação do profissional que acompanha seu tratamento.


  • É possível mudar qualquer crença central e qualquer crença intermediária disfuncional? E mesmo após

    É possível mudar qualquer crença central e qualquer crença intermediária disfuncional? E mesmo após conseguir mudar essas crenças, depois de um tempo elas voltam fazendo com que o paciente tenha recaídas? Se o paciente tem recaídas por conta de que a crença disfuncional antiga voltou, então não é possível mudar crenças disfuncionais para sempre ou por algum tempo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Joyce Paschotto

    Sim, crenças centrais e intermediárias disfuncionais podem ser modificadas ao longo da psicoterapia, mas é importante entender o que significa “mudar” uma crença.

    Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), não pensamos necessariamente que uma crença antiga seja apagada da mente e nunca mais possa aparecer. O trabalho terapêutico busca diminuir o quanto aquela crença é considerada uma verdade absoluta e construir perspectivas mais realistas, flexíveis e funcionais.

    Por exemplo, alguém que desenvolveu a crença “eu sou incapaz” pode, ao longo do tratamento, reconhecer evidências que contradizem essa ideia e desenvolver uma compreensão como: “Tenho dificuldades e limitações, mas também tenho capacidades e posso aprender a lidar com aquilo que ainda não sei”.

    Mesmo depois de uma mudança significativa, situações de estresse, perdas, rejeições ou experiências semelhantes às que contribuíram para a formação daquela crença podem fazer com que o padrão antigo seja novamente ativado. Isso não significa necessariamente que todo o progresso terapêutico foi perdido ou que a crença “voltou a ser como antes”.

    Uma diferença importante é que, depois do tratamento, a pessoa pode reconhecer mais rapidamente esse padrão, questioná-lo e utilizar estratégias que aprendeu para não voltar a tratá-lo como uma verdade absoluta.

    Por isso, a TCC também trabalha com prevenção de recaídas. O objetivo não é garantir que pensamentos ou crenças disfuncionais nunca mais apareçam, mas ajudar a pessoa a desenvolver recursos para identificá-los e responder a eles de maneira diferente quando forem ativados.

    Então, podemos dizer que crenças disfuncionais podem mudar de maneira duradoura. Entretanto, duradouro não significa necessariamente “apagado para sempre”. A mudança psicológica saudável está muito mais relacionada à redução da rigidez e da influência dessas crenças sobre a vida da pessoa e ao fortalecimento de formas mais adaptativas de compreender a si mesma, os outros e o mundo.


  • Olá, boa noite. Eu tenho 18 anos, e ultimamente venho percebendo algumas coisas em mim mesmo que eu

    Olá, boa noite.
    Eu tenho 18 anos, e ultimamente venho percebendo algumas coisas em mim mesmo que eu não sei se é algo normal.
    Por exemplo, depois de momentos felizes, mesmo tendo sido genuínos, eles parecem como se fossem uma espécie de "atuação" pra mim, como se às vezes não tivesse acontecido comigo.
    Parece que tem um vazio dentro de mim que não passa, e quando parece que passa, só fica ali disfarçado, e quando volta eu fico sozinho com ele. Eu não fico com vontade de nada, o tempo fica passando e parece ser agonizante pra mim, porque eu não consigo ficar parado nele, e me assusta o que pode acontecer daqui algumas horas, dias ou anos, porque eu não tenho nada planejado e aí os pensamentos de só acabar com tudo aparecem, e o que eu tenho vontade de fazer parece muito distante e eu só aceito que talvez eu nunca realize o que eu quero.
    Eu deveria procurar ajuda?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Joyce Paschotto

    Olá! Sim, pelo que você descreve, considero importante procurar ajuda profissional.

    Esse vazio persistente, a perda de vontade, a sensação de distanciamento das próprias experiências, a angústia em relação ao futuro e, principalmente, os pensamentos de “acabar com tudo” mostram que você está vivendo um sofrimento que merece ser levado a sério e não precisa ser enfrentado sozinho.

    Não seria possível dizer, apenas por esse relato, o que está acontecendo ou estabelecer um diagnóstico. Experiências como essas podem aparecer em diferentes condições e momentos da vida, e uma avaliação cuidadosa poderá compreender melhor há quanto tempo isso acontece, com que frequência, o quanto tem afetado sua rotina e quais outros sintomas estão presentes.

    Eu recomendaria buscar um psicólogo para iniciar esse acompanhamento e, considerando a intensidade do que você relata, também pode ser importante uma avaliação médica/psiquiátrica. Você não precisa esperar piorar para procurar ajuda.

    E há um ponto especialmente importante: se esses pensamentos de acabar com tudo estiverem ficando mais frequentes ou intensos, se você sentir que pode agir sobre eles ou não se sentir seguro consigo mesmo, não fique sozinho nesse momento. Conte a alguém de confiança e procure atendimento de urgência, como um pronto-socorro, UPA ou serviço de saúde mental da sua região. Você também pode entrar em contato com o CVV pelo telefone 188, disponível 24 horas.

    Talvez agora seja difícil imaginar que aquilo que você deseja possa voltar a parecer possível. O primeiro objetivo não precisa ser resolver toda a sua vida ou saber exatamente como será o futuro. Pode ser simplesmente começar a cuidar do sofrimento que está tornando tão difícil enxergar essas possibilidades.

    Buscar ajuda, neste momento, é um passo importante!


  • Como a TCC trata a depressão, anedonia, falta de motivação, falta de energia, e crenças centrais e c

    Como a TCC trata a depressão, anedonia, falta de motivação, falta de energia, e crenças centrais e crenças intermediárias disfuncionais?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Joyce Paschotto

    A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) possui diferentes estratégias para o tratamento da depressão e procura compreender como pensamentos, emoções, comportamentos e o contexto de vida da pessoa estão interagindo e mantendo o sofrimento.

    Quando há anedonia, falta de motivação e pouca energia, por exemplo, não se espera simplesmente que a pessoa “tenha vontade” para então começar a agir. Na depressão, é comum ocorrer um ciclo em que a pessoa tem menos energia e interesse, reduz suas atividades, afasta-se de experiências que poderiam proporcionar prazer, realização ou conexão e, consequentemente, sente ainda menos disposição para agir.

    Uma das estratégias utilizadas para romper gradualmente esse ciclo é a ativação comportamental. Terapeuta e paciente identificam atividades possíveis e significativas e estabelecem objetivos pequenos e graduais, considerando o nível de funcionamento naquele momento. A ideia não é exigir produtividade, mas favorecer progressivamente experiências de prazer, realização, autonomia e contato com aquilo que é importante para a pessoa.

    A TCC também trabalha os pensamentos automáticos associados à depressão, como “não vou conseguir”, “não adianta tentar”, “sou um fracasso” ou “nada vai melhorar”. Em vez de simplesmente substituir esses pensamentos por ideias positivas, aprende-se a examiná-los, considerar as evidências, identificar possíveis distorções e construir interpretações mais equilibradas e condizentes com a realidade.

    Em um nível mais profundo, podem existir crenças intermediárias, na forma de regras e pressupostos, como “se eu falhar, significa que sou incapaz” ou “preciso agradar a todos para ser aceita”, e crenças centrais, como “sou inadequada”, “não tenho valor” ou “sou incapaz”.

    Essas crenças também podem ser trabalhadas. Ao longo da terapia, procura-se compreender como foram construídas, em quais situações são ativadas e de que maneira influenciam pensamentos, emoções e comportamentos atuais. São utilizadas diferentes estratégias cognitivas, comportamentais e experienciais para testar essas crenças e favorecer formas mais flexíveis e funcionais de compreender a si mesmo, os outros e o mundo.

    É importante destacar que nem toda depressão será explicada somente por “crenças disfuncionais”. Fatores biológicos, sociais, relacionais, ambientais e acontecimentos de vida também precisam ser considerados. Dependendo da intensidade e das características do quadro, a psicoterapia pode ser associada ao acompanhamento psiquiátrico e ao tratamento medicamentoso.

    O tratamento, portanto, não busca apenas fazer a pessoa “pensar diferente”. Busca ajudá-la, gradualmente, a voltar a agir e se envolver com a vida, compreender seus padrões, desenvolver novas formas de responder às dificuldades e reduzir a vulnerabilidade a futuras recaídas.


Perguntas frequentes

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