Perguntas do paciente (12)

  • Eu sinto muito a falta de ter um relacionamento, e isso vem me afetando a algum tempo. Tenho 18 anos

    Eu sinto muito a falta de ter um relacionamento, e isso vem me afetando a algum tempo. Tenho 18 anos e nunca tive essa experiência, mas isso é algo que toma muito tempo dos meus pensamentos. Tenho uma boa vida social, não paro minha vida por isso, mas por muitas vezes é angustiante não ter alguém. Gostaria de saber como fazer para não deixar isso me afetar tanto.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Julie  Duarte

    É muito compreensível que você se sinta assim. Aos 18 anos, você está vivendo um momento de florescimento da sua identidade, e o desejo de compartilhar a vida com alguém é um sinal de vitalidade e de prontidão para novas trocas afetivas.

    Muitas vezes, a angústia que você sente não é apenas pela falta de uma companhia, mas pela busca de um olhar do outro que nos faz sentir mais reais, valorizados e integrados. Às vezes, a ausência de um par é sentida como uma falha no suporte emocional, gerando uma pressão interna para preencher esse espaço. Mesmo com uma boa vida social, o silêncio da vida íntima pode parecer ruidoso quando sentimos que "deveríamos" estar vivendo algo que ainda não chegou.

    O caminho para que isso afete menos a sua rotina passa por fortalecer a sua capacidade de estar bem consigo mesmo, transformando a espera passiva em um tempo de construção ativa:
    * Acolha a própria falta. Em vez de lutar contra a angústia, reconheça que é legítimo querer ser amado. Isso ajuda a diminuir a ansiedade.
    * Use esse tempo para descobrir o que te faz sentir vivo e autêntico, independentemente de ter alguém ao lado. Quanto mais sólido você se sente por dentro, menos a falta externa te desestabiliza.
    * Respeite o seu tempo natural, pois o amadurecimento emocional não segue um cronograma social.

    Sua vontade de amar é legítima, não um problema a ser resolvido. Se essa busca tem gerado um sofrimento que você sente dificuldade em manejar, a terapia pode ser um espaço seguro para cuidarmos dessas emoções e fortalecermos a sua segurança interna. Se desejar explorar esses sentimentos e construir um caminho mais leve para os seus encontros, estou à disposição!


  • O que é bullying e como ele se relaciona com traumas emocionais?

    O que é bullying e como ele se relaciona com traumas emocionais?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Julie  Duarte

    O bullying é a violência repetida e intencional baseada em um desequilíbrio de poder. Sob a ótica de Winnicott, ele representa uma falha grave do "ambiente", que deixa de ser protetor para se tornar hostil. Isso gera traumas profundos, pois rompe a segurança necessária para o desenvolvimento do "self", levando ao desamparo, ansiedade e até ao Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT).

    Qualquer questão e orientação sobre o manejo, estou à disposição.


  • Quais são as intervenções para o bullying? .

    Quais são as intervenções para o bullying? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Julie  Duarte

    Lidar com o bullying exige, inicialmente, criar um ambiente no qual todas as crianças ou adolescentes envolvidos sintam-se seguro para se expressar. Sob a ótica do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), a intervenção não deve ser apenas punitiva, mas sim focada em uma garantia do direito ao desenvolvimento sadio e à dignidade humana.

    De forma prática, o que fazer?

    1. Com a Vítima: Realizar uma escuta sem julgamento, criando um ambiente seguro onde a criança possa falar, tendo seus sentimentos e vivências validados; Garantir à criança proteção, trazendo escola/família à responsabilidade compartilhada por esse dever, o retira da criança o peso de "resolver o problema". Isso cumpre o princípio de proteção integral do ECA.

    2. Com o Agressor: Entender o limite como cuidado, de forma a ser necessária a interrupção imediata da agressão sem que isso seja feito na base de agressões e humilhações. Buscar, ainda, entender o que o comportamento agressivo comunica (muitas vezes é uma reação a um ambiente instável). Incentivar ações de reparação ao invés de exclusão (pedir desculpas sinceras, desfazer um boato, realizar uma tarefa colaborativa). Isso promove a responsabilidade.

    3. No Grupo (escola; família...): Promover diálogos sobre empatia e direitos humanos. O objetivo é tirar os "espectadores" da omissão, transformando-os em defensores da convivência. Esteja presente nos espaços "cegos" (recreio, corredores, grupos de WhatsApp). A presença adulta constante oferece o contorno necessário para que a agressividade não transborde.

    4. Protocolo Formal (ECA e Lei 13.185/15)
    *Registro de Ocorrência: Documente o caso internamente na escola.
    *Reunião com Famílias: Convoque os responsáveis para um diálogo cooperativo, nunca de confronto.
    *Rede de Apoio: Se a situação for grave ou persistente, acione o Conselho Tutelar ou encaminhe para apoio psicológico, garantindo o direito à saúde mental previsto no ECA.

    Espero ter ajudado! Estou à disposição!


  • Como posso ajudar uma pessoa que sofre bullying? .

    Como posso ajudar uma pessoa que sofre bullying? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Julie  Duarte

    Para ajudar alguém que sofre bullying, a sua ação deve ser pautada no acolhimento e na garantia de direitos. O objetivo é restaurar o sentimento de segurança que foi quebrado. Para pessoas do ciclo de contatos da vítima, posso dar as seguintes orientações:

    1. Seja um "Ambiente de Confiança". Não julgue nem minimize: Nunca diga "é só brincadeira" ou "ignore". Para quem sofre, a dor é real e desestruturadora. Diga o essencial: "Eu estou aqui com você", "Você não tem culpa" e "Nós vamos resolver isso juntos". Isso oferece o suporte emocional que a pessoa perdeu.

    2. Não force que a pessoa "revide". Não aconselhe a pessoa a bater de volta ou enfrentar o agressor sozinha. Isso gera mais medo e risco. A proteção deve vir de quem tem autoridade (escola, pais, lei).

    3. Ajude a quebrar o silêncio, seja a ponte: Muitas vítimas têm medo de represálias. Ofereça-se para ir junto falar com um professor, diretor ou responsável. Não guarde segredo sobre a violência: Se a pessoa corre risco físico ou emocional grave, a omissão fere o ECA. Intervir é um ato de cuidado, não de "fofoca".

    4. Valorize o que a pessoa tem de bom. Ajude-a a lembrar de suas qualidades e talentos. O bullying faz a vítima esquecer quem ela é; você ajuda a reconstruir essa identidade ao valorizar a presença dela.

    Espero ter ajudado com essas atitudes práticas! Qualquer coisa, estou à disposição!


  • Quais são os sentimentos de uma pessoa que sofre bullying?

    Quais são os sentimentos de uma pessoa que sofre bullying?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Julie  Duarte

    Os sentimentos são sempre processados de forma individual, entretanto, o bullying, por se configurar em uma violência repetida e intencional, costuma ter impactos importantes na saúde emocional, principalmente de crianças e adolescentes, podendo gerar traumas profundos. Desse modo, nunca subestime uma situação que, por sua ótica, "não é tão agressiva". A forma de sentir muda de pessoa para pessoa. E a pessoa que sofre bullying deve sempre ser ouvida e validada.

    Qualquer dúvida ou orientação sobre esse manejo, estou à disposição.


  • Qual a importância de reconhecer e tratar as alterações na percepção sensorial?

    Qual a importância de reconhecer e tratar as alterações na percepção sensorial?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Julie  Duarte

    Excelente pergunta! Reconhecer e tratar tais alterações é imprescindível para a qualidade de vida do sujeito, o que tem impactos diretos na saúde mental! Nesse caso, o psicólogo pode contribuir nesse processo de cuidado, entretanto, o especialista mais adequado para tanto é o terapeuta ocupacional, principalmente quando este tem formação em Integração Sensorial.

    Sabemos que muitas questões demandam um cuidado multidisciplinar, que se aprimora ainda mais quando esse multi se torna interdisciplinar, quando há trocas e alinhamentos sobre o caso, entre profissionais, escola e família (no caso de crianças, por exemplo).

    Qualquer outra demanda, estou à disposição!


  • Existem tratamentos para melhorar a percepção sensorial em doenças mentais crônicas?

    Existem tratamentos para melhorar a percepção sensorial em doenças mentais crônicas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Julie  Duarte

    Sim, existem! A maioria deles focada em processos de regulação sensorial e adaptação. O profissional mais adequado para esse manejo é o Terapeuta Ocupacional. Outros profissionais, como o psicólogo e o musicoterapeuta (que é o lugar de onde eu falo), podem contribuir muito com esse processo de regulação e, ainda, com os aspectos emocionais envolvidos em casos de disfunções na percepção sensorial.


  • Quais são os exemplos de neuroplasticidade na vida diária de uma pessoa ?

    Quais são os exemplos de neuroplasticidade na vida diária de uma pessoa ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Julie  Duarte

    A neuroplasticidade é a capacidade de reorganização do cérebro e de criação de novas conexões, no momento em que aprende algo diferente, vive algo novo, se recupera de alguma lesão...

    A musicoterapia é um excelente recurso para pacientes que precisem estimular a neuroplasticidade, porque a música é um dos poucos estímulos que ativam quase todas as áreas do cérebro simultaneamente. Diferente de uma conversa comum, que foca em áreas específicas da linguagem, a música exige o processamento de ritmo, melodia, timbre e emoção, forçando o cérebro a criar uma "super-rede" de conexões.
    `
    Estou à disposição para escuta, acolhimento e orientações.


  • O que fazer quando suspeitar que tem uma doença mental crônica?

    O que fazer quando suspeitar que tem uma doença mental crônica?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Julie  Duarte

    Olá! Se você suspeita ter ou estar desenvolvendo algum transtorno mental, o passo mais importante é buscar cuidado em saúde e uma avaliação especializada:

    O Psiquiatra te ajudará a avaliar a parte biológica e, se necessário, prescrever uma medicação que estabilize os sintomas; O Psicólogo é fundamental para entender como a doença afeta sua subjetividade e te ajudar a criar estratégias de enfrentamento da situação; Realizar um check-up físico pode ser importante, porque algumas condições físicas (como tireoide ou deficiências vitamínicas) reproduzem alguns sintomas de transtornos mentais.

    Não se isole. A suspeita de uma transtorno mental crônico pode gerar medo. Compartilhe o que sente com alguém de extrema confiança. Crie uma rede de apoio, com pessoas que ofereçam suporte emocional, isso ajuda a evitar crises de desamparo.

    Evite o "Autodiagnóstico" na Internet e pela Inteligência Artificial. Pesquisas genéricas podem aumentar a ansiedade, agravar seus sintomas, e não levam em conta sua história de vida única.

    Conheça alguns Direitos: O SUS oferece atendimento gratuito através dos CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) e outros dispositivos da rede de atenção à saúde; Lembre-se que ter uma doença mental não retira seus direitos civis. Você tem direito a um tratamento humanizado e livre de preconceitos.

    Espero muito ter contribuído!


  • . É possível prevenir as doenças mentais crônicas?

    . É possível prevenir as doenças mentais crônicas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Julie  Duarte

    Ao falar sobre prevenção de transtornos mentais, estamos tratando de um manejo para a redução de riscos biopsicossociais. Não devemos esquecer que há um componente genético nesse tipo de transtorno. Mas, ainda assim, é possível prevenir ou reduzir significativamente o risco e a gravidade de doenças mentais crônicas (como depressão e ansiedade) através de hábitos de vida saudáveis, manejo do estresse e intervenção precoce. Embora fatores genéticos influenciem, a atuação preventiva foca em fatores ambientais e comportamentais, como dieta, exercícios e suporte social.

    Esperto ter podido ajudar! Estou à disposição.


  • Qual é o papel da neuroplasticidade na aprendizagem de jovens e adultos?

    Qual é o papel da neuroplasticidade na aprendizagem de jovens e adultos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Julie  Duarte

    A neuroplasticidade, em qualquer etapa do desenvolvimento, permite ao indivíduo se adaptar a novos estímulos e experiências, refinar habilidades e reestruturar o cérebro. Isso é possível mesmo após a juventude, tornando o aprendizado contínuo e a reabilitação possíveis. Então, é importante compreender que estamos sempre em desenvolvimento, até o final da vida. Em diferentes níveis, o cérebro é sempre capaz de mudar a partir de uma experiência!


  • Tive uma crise de ansiedade em novembro e procurei um psiquiatra que desde então me passou Sertralin

    Tive uma crise de ansiedade em novembro e procurei um psiquiatra que desde então me passou Sertralina pela manha e Rivotril à noite. Me dei bem logo de início, sem efeitos colaterais. Mas, em dezembro a minha mãe tentou suicídio e eu consegui evitar. Lidei bem com a situação até duas semanas atrás. De duas semanas para cá, não tenho ânimo para fazer nada, estou muito para baixo e confusa. Voltei ao Psiquiatra e ele me indicou fazer terapia...confesso que não tenho vontade alguma. Não tive experiências boas com terapeutas passados...então, não sei o que fazer, porque a medicação não está me ajudando mais...

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Julie  Duarte

    Primeiro, eu sinto muitíssimo que tenha passado por experiências tão duras e difíceis de elaborar.
    O trauma de evitar o suicídio de um familiar é profundo e pode aparecer apenas semanas depois do ocorrido, devido a um estresse pós-traumático, o que explica sua piora atual.

    A medicação ajuda a estabilizar os sintomas, mas a terapia é crucial para processar o trauma, falando sobre ele, sendo acolhido sem julgamentos.

    Não pare as medicações abruptamente, por acreditar que não estão fazendo efeito. Primeiro, retorne ao psiquiatra e traga esse relato, porque pode ser que haja necessidade de um ajuste nessa medicação.

    Em segundo lugar, busque outro Terapeuta. Se experiências passadas foram ruins, procure profissionais diferentes. A terapia também é um processo de construção de vínculo e este é crucial para o bom andamento de cada quadro.

    Se os pensamentos para baixo ficarem insuportáveis, se você sentir que está em risco, ligue para o CVV (Centro de Valorização da Vida), no número 188, a qualquer momento do dia ou da noite.
    Mas não deixe de buscar terapia, para ajudar nessa elaboração. Não ter vontade pode ser uma sintomática do quadro que você está vivenciando. Mas um bom profissional saberá auxiliar na condução desse processo, trabalhando junto com você e segurando sua mão nesse momento difícil.

    Estimo que seu sofrimento se amenize a cada dia.
    Cordialmente,
    Julie


Perguntas frequentes

Todos os conteúdos publicados no doctoralia.com.br, principalmente perguntas e respostas na área da medicina, têm caráter meramente informativo e não devem ser, em nenhuma circunstância, considerados como substitutos de aconselhamento médico.