Perguntas do paciente (31)

  • Quais são as etapas da avaliação psicológica? .

    Quais são as etapas da avaliação psicológica? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Julio Laurnagaray

    As etapas variam um pouco conforme o objetivo da avaliação, mas, de forma geral, seguem uma estrutura:

    1 - Entrevista inicial – para entender o motivo da avaliação e o contexto da pessoa.
    2 - Aplicação de instrumentos – uso de testes psicológicos, questionários, tarefas e observações, sempre com base técnica e ética.
    3 - Análise dos dados – o psicólogo integra todas as informações coletadas.
    Devolutiva – uma conversa sobre os resultados, com clareza e respeito.
    4 - Emissão de documentos (quando necessário) – laudos, pareceres ou relatórios.

    Importante ressaltar que o processo é feito com sigilo e com foco em compreender, não em rotular. Menciono aqui a ênfase na compreensão por causa de que a questão de rotulações é uma discussão sempre presente no assunto da avaliação psicológica.


  • Quais são os tipos de avaliações psicológicas? .

    Quais são os tipos de avaliações psicológicas? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Julio Laurnagaray

    Existem vários tipos, dependendo do objetivo:

    - Clínica: para entender questões emocionais e comportamentais.
    - Neuropsicológica: avalia funções como memória, atenção, linguagem.
    - Psicodiagnóstico: foca em identificar ou compreender transtornos.
    - Vocacional ou orientação profissional: ajuda na escolha de carreira.
    - Avaliações judiciais: ligadas a processos jurídicos (guarda, adoção, etc.).
    - Avaliação para concursos, porte de arma, trânsito, etc.

    Cada tipo tem seu foco, mas o cuidado ético e a escuta devem estar presentes em todos.

    São diversos os tipos de avaliação psicológica, e cada uma pode utilizar métodos e instrumentos diferentes, conforme o objetivo. Por exemplo:

    - Testes cognitivos, como os de inteligência, focam em habilidades como raciocínio, memória e atenção.
    - Testes projetivos, como o Rorschach ou o desenho da figura humana, são mais usados para acessar conteúdos emocionais ou aspectos da personalidade.
    - Testes psicométricos estruturados, como escalas de ansiedade ou depressão, ajudam a quantificar determinados sintomas ou comportamentos.

    Se sua pergunta é sobre os diferentes métodos usados nos testes, o importante é saber que cada teste tem um propósito bem definido, com base científica e critérios técnicos para aplicação e interpretação. O psicólogo escolhe os instrumentos mais adequados de acordo com o que está sendo avaliado — não existe um "teste universal".

    Em resumo: o tipo de teste e o método usado vão depender da intenção da avaliação, seja ela clínica, neuropsicológica, vocacional, judicial, entre outras.


  • Qual a diferença entre psicodiagnóstico e avaliação psicológica?

    Qual a diferença entre psicodiagnóstico e avaliação psicológica?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Julio Laurnagaray

    O psicodiagnóstico é um tipo específico de avaliação psicológica, voltado a compreender se há algum transtorno mental ou alteração do funcionamento psicológico, normalmente dentro de um contexto clínico.

    Já a avaliação psicológica é um termo mais amplo — ela pode servir para muitos propósitos, como seleção de pessoal, avaliação neuropsicológica, processos judiciais, etc.

    Ou seja, todo psicodiagnóstico é uma avaliação psicológica, mas nem toda avaliação psicológica é um psicodiagnóstico.


  • Meu nome é Lucas, tenho 19 anos e sou diagnosticado com TOC e tenho sintomas desde os 14 anos. Mas o

    Meu nome é Lucas, tenho 19 anos e sou diagnosticado com TOC e tenho sintomas desde os 14 anos. Mas ontem aconteceu algo que, mesmo tomando medicação não consegui evitar a ruminação, pois envolve algo extremamente repulsivo e nojento.
    Estava assistindo ao filme IT de 1990 e em certa parte do filme vi uma personagem menina que faz parte do filme e achei a roupa dela, o estilo e ela em si bonita, mas não no sentido sexual, apenas achei fofa como você acha uma criança. Mas aí começou pensamentos de que eu tinha sentido atração e excitação e quanto mais eu pensava nisso mais eu tinha uma falsa sensação de excitação (não sei como descrever, mas era um calor genital que não me deixava excitado mas sim ansioso e paranóico). Tive que parar de assistir o filme e verificar constantemente se eu tinha alguma excitação e mesmo vendo que não tinha eu fiquei me sentindo culpado pois na minha cabeça aquela sensação era de fato uma excitação.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Julio Laurnagaray

    O que você descreveu é mais comum do que parece no contexto do TOC, especialmente quando envolve pensamentos intrusivos com conteúdos que causam repulsa ou culpa. Muitas pessoas com TOC passam por isso em silêncio, com enorme sofrimento, justamente por não conseguirem separar o pensamento da intenção. Mas é importante reforçar: ter um pensamento involuntário não significa ter vontade ou desejo real. No TOC, o cérebro reage com alarme a qualquer ideia que pareça ameaçadora, mesmo que ela não tenha ligação com sua identidade ou seus valores.

    Quando você percebeu a personagem como "fofa", seu cérebro associou isso automaticamente a um tema sensível e proibido, e isso disparou o ciclo obsessivo: questionamentos, verificações, culpa, desconforto físico. Isso inclui a tal "sensação corporal" que você relatou — que, na verdade, não é um indicativo de desejo, mas uma resposta de ansiedade. Muita gente com TOC se sente confusa com essas sensações físicas, mas elas não são confiáveis como critério para definir o que você sente ou quer.

    Esse tipo de experiência pode ser compreendido e tratado de diferentes maneiras, dependendo da abordagem do psicólogo. Na terapia cognitivo-comportamental, o foco costuma estar em interromper o ciclo de obsessões e compulsões, através de técnicas como exposição e prevenção de resposta. Já numa abordagem simbólica — como a psicologia analítica — o sofrimento é acolhido como uma expressão do inconsciente, e o foco está em compreender o que esse conteúdo está querendo comunicar sobre você, seus limites, seus conflitos internos e a tensão entre o que é aceitável e o que é reprimido.

    Em ambos os casos, o objetivo é o mesmo: tirar você da culpa, da autovigilância e do medo de si mesmo, e ajudá-lo a construir uma relação mais honesta e mais tranquila com sua própria mente. O fato de você estar angustiado e buscando ajuda já diz muito sobre quem você é. Você não está sozinho nisso — e não está fazendo nada de errado ao sentir medo de um pensamento que simplesmente apareceu.


  • Eu as vezes sinto como se fosse uma crise onde sinto muita vontade de chorar, não consigo respirar d

    Eu as vezes sinto como se fosse uma crise onde sinto muita vontade de chorar, não consigo respirar direito, me sinto vazia, solitária com uma dor no fundo do coração horrível. Sou diagnosticada com depressão e TAG. Tive duas crises até agora. A primeira faz dois anos e acho que o gatilho foi uma cena que vi onde tinha um garoto chorando. Nessa segunda crise não teve gatilho nenhum, eu estava assistindo o show da lady gaga. Primeiro senti dor de cabeça e depois veio a crise. No outro dia ainda estava sentindo vontade de chorar e solidão. Gostaria de saber que tipo de crise é essa. Ela dura alguns minutos mas é horrível.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Julio Laurnagaray

    O que você descreve se parece com um episódio agudo de sofrimento emocional que pode, sim, ser entendido como uma crise ansiosa com forte componente depressivo. Em outras palavras, é como se a ansiedade e a tristeza profunda se misturassem, e por alguns minutos a dor interna ganhasse um volume quase insuportável. Muitas pessoas com depressão e TAG passam por isso, especialmente em momentos em que o sistema emocional está mais sensível — e nem sempre é preciso haver um gatilho claro. Às vezes, o corpo e a mente simplesmente chegam ao limite e pedem socorro.

    O fato de essas crises virem acompanhadas de sensações físicas (como falta de ar, dor de cabeça, aperto no peito) mostra que o que está acontecendo com você é real, não é "frescura", nem falta de força. Seu corpo está reagindo a algo que ainda não foi completamente elaborado emocionalmente — e isso pode envolver memórias antigas, padrões de pensamento, ou até dores que você já teve que silenciar por muito tempo.

    Se você estiver em acompanhamento, vale levar isso para sua terapeuta ou psiquiatra. Se ainda não estiver, pode ser o momento de buscar esse espaço. Com o tempo, essas crises podem se tornar menos intensas, mais compreensíveis, e até trazer pistas importantes sobre como você sente o mundo.

    Se quiser uma visão simbólica da psicologia junguiana, posso dizer que às vezes essas dores vêm de um lugar muito profundo da psique, onde partes de nós — especialmente aquelas que se sentiram abandonadas ou solitárias — pedem para ser vistas. Quando essas partes são acolhidas e integradas, o sofrimento deixa de ser uma ameaça e passa a ser um caminho de autoconhecimento e reconexão.

    Você já está no caminho ao fazer essa pergunta. Isso mostra cuidado com você mesma.


  • Olá! Sou uma Jovem tímida, acredito que isso seja que por causa do bullying que passei que eram lig

    Olá!
    Sou uma Jovem tímida, acredito que isso seja que por causa do bullying que passei que eram ligados mais com a minha aparência, fui muitas vezes zoada por ser considerada feia e isso afetou a minha autoestima isso desde da infância. Hoje melhorei um pouco a minha aparência, mas ainda me sinto muito tímida e não sou muito de falar e acho que me julgo demais. Antigamente era pior, pois, não tinha coragem de perguntar as coisas e agora até consigo, mas não tenho uma boa comunicação. Parece que fico mais travada com desconhecidos e quando falam que sou tímida eu fico um pouco decepcionada por não ter conseguido mudar ainda e eu tenho 21 anos e tenho receo de não ser aceita no mercado de trabalho por ser mas quieta, já tive uma experiência não muito positiva e me faz
    acreditar que foi por ser mais introvertida.
    O bullying do passado ainda me deixa insegura e me faz não me sentir aceita e quando tento se um pouco diferente e falar minhas ideias os comentários negativos não me ajudam.
    Não quero mudar apenas pelos outros, mas por mim, quero ser mas confiante e falar mais o que penso.
    O que posso fazer para melhorar isso e me sentir melhor mesmo sendo tímida ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Julio Laurnagaray

    O que você descreve é um exemplo claro de como as experiências que vivemos na infância e adolescência deixam marcas que continuam influenciando a forma como nos vemos, nos expressamos e nos colocamos no mundo. O bullying, especialmente quando atinge a autoestima e a imagem corporal, pode se tornar uma ferida emocional profunda — e, como toda ferida, precisa ser cuidada com atenção e paciência.

    É importante reconhecer que ser tímida não é um defeito. Há pessoas mais expansivas e outras mais introspectivas, e ambas podem se comunicar bem, liderar projetos, e conquistar espaço no trabalho — desde que encontrem um jeito de fazer isso que combine com seu próprio jeito de ser. A timidez só se torna um obstáculo real quando você começa a se julgar demais por causa dela, acreditando que deveria ser "outra pessoa".

    Você mencionou algo muito importante: quer mudar não apenas pelos outros, mas por você. Isso faz toda a diferença. Desenvolver confiança é um processo que acontece aos poucos, e cada pequena conquista (como fazer uma pergunta, expor uma ideia, se posicionar) é uma vitória que merece ser reconhecida.

    Do ponto de vista psicológico, essa jornada de transformar o que antes era motivo de dor (as críticas, a sensação de inadequação) em força pessoal é parte do que chamamos de amadurecer e conhecer a si mesmo. Buscamos na psicologia ajudar a que o indivíduo se torne quem realmente é, com suas próprias cores e potenciais, sem tentar caber em moldes impostos pelos outros.

    Se quiser sugestões práticas:

    - Terapia pode ajudar muito, especialmente um espaço que respeite seu ritmo e te ajude a olhar para essas experiências do passado sem julgamento.
    - Participar de atividades em grupo onde você se sinta segura pode ser um jeito de exercitar sua expressão sem pressão.
    - E principalmente: cultivar o olhar gentil para si mesma. Você não está atrasada, nem errada — você está no tempo certo de se tornar quem quer ser.


  • Recentemente descobri que minha namorada ficou com alguns colegas de trabalho, aconteceu antes da ge

    Recentemente descobri que minha namorada ficou com alguns colegas de trabalho, aconteceu antes da gente oficializar o nosso relacionamento. Não estou conseguindo lidar com isso! Ela ainda trabalha com as pessoas, e sinto que perdi a confiança nela, porém eu gosto muito dela e sei que ela é uma pessoa boa. Como proceder?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Julio Laurnagaray

    Entrar em um relacionamento pressupõe sempre admitir que o outro carrega um passado. É compreensível ter sentimentos difíceis se sua namorada convive diaramente com pessoas com as quais já teve relações, porém tudo é passível de conversa. Sua pergunta é sobre como lidar com a situação. Acredito que a resposta está em duas instâncias: uma interna, onde você pode trabalhar a forma como lida com seus próprios sentimentos (ciúmes, desconfortos, medos, e etc), e externa, onde você pode expressar como você se sente dialogando com sua parceira. Uma relação saudável precisa de diálogo, e mútuos respeito e empatia.


  • É possível ter depressão mas sem sentir tristeza? Sentir todos os sintomas da depressão mas a triste

    É possível ter depressão mas sem sentir tristeza? Sentir todos os sintomas da depressão mas a tristeza ficar um pouco ausente, na adolescência?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Julio Laurnagaray

    Olá! Um relato de depressão, com ausência do sentimento subjetivo de tristeza, não é algo impossível, embora depressão e tristeza sejam experiências subjetivas intimamente relacionadas. O que abre a possibilidade de termos um sem o outro, em partes, é o fato de que tanto depressão como tristeza, continuam sendo experiências subjetivas. Uma possibilidade que pode estar acontecendo no caso, é a de que falte consciência daquilo que se sente. É comum se estar depressivo sem ter percepção sobre, o mesmo acontece com um estado de tristeza. A terapia desenvolve o discurso, pelo qual temos a possibilidade tanto de expressão como de ouvir a si-mesmo, com acompanhamento profissional e dedicado. Com isso, tudo que subjetivamente é posto como depressão, tristeza, ou demais possibilidades, pode ser melhor elaborado e tratado. Acredito que a resposta não é se pode existir um sem o outro, mas o que tudo isso representa para quem está passando pela experiência subjetiva. Abraços!


  • Quando o transtorno de conduta se manifesta na infância, durante a adolescência os sintomas podem fi

    Quando o transtorno de conduta se manifesta na infância, durante a adolescência os sintomas podem ficar fracos ou se agravar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Julio Laurnagaray

    Olá! cada caso é específico. Um diagnóstico que é atribuido a um tipo de comportamento manifestado na infância, pode acabar se atenuando na adolescência, ou se agravando. O importante é compreender o caso, tratar profissionalmente, e dar suporte para melhora. Com isso, ao invés de se agravar, se pode trabalhar numa diminuição daquilo que justificou o diagnóstico.

    Espero ter ajudado!


  • Quando saio com amigos ou em outras ocasiões envolvendo desconhecidos, no final do dia tudo o que eu

    Quando saio com amigos ou em outras ocasiões envolvendo desconhecidos, no final do dia tudo o que eu passei durante o dia me vem a cabeça como numa reprise e se algo me encomodou eu acabo lembrando sem querer e isso me faz se sentir mal, isso dura até o dia seguinte, mas daí eu acordo com muita ansiedade. Então comecei a fazer o seguinte, toda vez que saio com amigos evito alguma situação que me encomode mais tarde para eu não ficar com sentindo de angústia de novo. Mas não adianta, dá no mesmo e sempre no outro dia eu acordo com ansiedade.. Isso é normal? Isso me perturba muito.!!

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Julio Laurnagaray

    Concordo com a fala de alguns profissionais, quando mencionam ansiedade social, excesso de censura. Foram muito acertados na análise!

    Na psicologia compreendemos bem o fato de que a fala, frente à escuta qualificada, pode ter avanços expressivos num caso como o seu, recomendo que procure tratamento! Aquilo que tanto lhe incomoda atualmente, pode se tornar algo tranquilo no seu futuro. Ter ansiedade social, censura, se cobrar em ser uma pessoa socialmente bem adaptada são questões possíveis para qualquer um, uma vez que é desejável ter uma boa apresentação de nossa imagem perante os demais. O sofrimento acontece ao haver um excesso. O excesso aponta a uma unilateralidade, que pode ser trabalhada em análise, permitindo que o excesso de auto-cobrança nos âmbitos sociais encontre mais equilíbrio.

    Espero ter ajudado!


  • O transtorno de conduta pode sumir com o passar do tempo? E se for sim, o transtorno pode voltar pel

    O transtorno de conduta pode sumir com o passar do tempo? E se for sim, o transtorno pode voltar pela adolescência?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Julio Laurnagaray

    Olá! A definição de "transtorno de conduta" é uma categorização oriunda da psiquiatria, que procura reunir estruturas identificáveis que seguem um padrão, para possibilitar o entendimento de um tipo de transtorno que é comum para um grande número de pessoas, e facilitar o tratamento. Porém, continua sendo, antes que um transtorno categorizável, uma vivência pessoal. Cada caso deve ser observado em sua própria individualidade. Cada indivíduo vivencia aquilo que aponta a ser uma categoria de transtorno, de forma pessoal. A análise individual deve ser colocada antes da categorização. Observando o caso com um psicólogo, poderão responder melhor suas indagações sobre prognóstico do perfil ao qual estão chamando de "transtorno de personalidade". Espero ter ajudado!


  • Que profissional devo procurar para diagnosticar (afirmar ou descartar) Transtorno do Espectro Autis

    Que profissional devo procurar para diagnosticar (afirmar ou descartar) Transtorno do Espectro Autista (Síndrome de Asperger) e/ou Transtorno de Estresse Pós-Traumático Complexo em adulto já diagnosticado com depressão, Transtorno de personalidade Borderline e negligência emocional infantil? Psicólogo, psicanalista, e/ou psiquiatra? ou um conjunto de profissionais? Obrigado

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Julio Laurnagaray

    A complexidade dos quadros que você mencionou pede mesmo uma escuta qualificada e um olhar cuidadoso. Em geral, o ideal é uma avaliação conjunta entre psicólogo e psiquiatra. O psicólogo pode fazer uma avaliação psicológica aprofundada, com entrevistas e testes específicos, para investigar traços relacionados ao espectro autista ou ao TEPT-C. Já o psiquiatra ajuda a compreender o quadro clínico e a necessidade (ou não) de medicação.

    Em alguns casos, essa investigação passa também por outros profissionais, como neuropsicólogos. O mais importante é encontrar uma equipe (ou profissional com boa rede de apoio) que esteja disposta a olhar para o seu histórico, não só com foco em diagnósticos, mas na forma como isso afeta a sua vida hoje. Diagnóstico é só um pedaço da história.


  • Ola tenho 23 anos percebi que uns anos pra estou escrevendo e uma email percebo que a palavra que es

    Ola tenho 23 anos percebi que uns anos pra estou escrevendo e uma email percebo que a palavra que escrevi esta faltando uma letra ou esta invertida na hora que estou lendo o email vejo que esta faltando sempre fui uma criança normal nunca tive dificuldade em aprender minhas notas eram até acima da media não sei o que esta ocorrendo..

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Julio Laurnagaray

    É importante saber se isso sempre ocorreu ou se começou a acontecer mais recentemente. Quando um padrão de escrita com trocas de letras, omissões ou inversões está presente desde a infância, pode estar relacionado a alguma característica como a dislexia ou outro aspecto específico do processamento da linguagem. Mas se essas dificuldades começaram a aparecer agora, na vida adulta, é fundamental investigar outras possibilidades, como estresse intenso, sobrecarga mental, alterações no sono, quadros ansiosos ou até mesmo algo neurológico mais pontual. Mudanças recentes no funcionamento cognitivo merecem atenção, principalmente se estiverem atrapalhando sua rotina ou causando incômodo.

    Se for algo que sempre esteve presente, o que você descreveu pode ter relação com algum grau de dislexia ou outra característica neurolinguística leve, que talvez nunca tenha sido percebida porque, como você disse, sempre teve bom desempenho. Isso é bem comum: pessoas inteligentes, criativas e com boas notas às vezes passam a vida compensando pequenas dificuldades sem nem perceber.

    Minha mãe, por exemplo, é uma arquiteta extremamente talentosa, lê muito, escreve bem, mas até hoje tem dúvidas com ortografia ou troca letras sem perceber. Isso nunca impediu o trabalho dela — pelo contrário, ela aprendeu a lidar com isso com naturalidade.

    Vale a pena investigar com um neuropsicólogo ou psicólogo especializado em avaliação. Não com o foco de achar um “problema”, mas para entender seu próprio jeito de funcionar e até encontrar formas mais leves e práticas de lidar com isso no dia a dia.

    É importante lembrar que o funcionamento cerebral de cada pessoa é único. Todos temos nossos pontos fortes, nossas dificuldades e às vezes características que fogem do padrão — e isso não precisa ser visto como defeito. Ter autoconhecimento sobre como você aprende, se organiza ou processa as informações pode fazer uma enorme diferença para seu bem-estar, autoestima e até desempenho profissional.

    Porém, principalmente, é importante investigar se sua omissão de palavras é algo novo, ou algo que sempre esteve lá e você começou a perceber com mais atenção recentemente, para definir uma direção de avaliação ou tratamento.


  • fui casada por 5 vezes e este meu último relacionamento entre idas e vindas está a 6 anos só que sep

    fui casada por 5 vezes e este meu último relacionamento entre idas e vindas está a 6 anos só que separamos e voltamos por varias vezes, quando estou com ele quero estar longe se estou longe quero ele. agora decidimos voltar e recomeçar do zero, tenho medo de dar errado novamente. Não consigo me entender. Que me aconselham?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Julio Laurnagaray

    Assim como muitos já responderam recomendando tratamento psicológico, corroboro a ideia de que a análise pode ajudar você a se conhecer melhor e compreender a dinâmica do relacionamento. Os laços afetivos naturalmente estão envolvidos no mistério daqui que não conseguimos enxergar a priori, ou controlar, e por isso os relacionamentos costumam ser fonte de descobertas e auto-conhecimento, se olharmos de forma apropriada. A análise em psicoterapia pode ajudar muito a responder suas perguntas.


  • Como superar os pensamentos intrusivos? Chegaram desde a gravidez e não sei oque fazer!

    Como superar os pensamentos intrusivos?
    Chegaram desde a gravidez e não sei oque fazer!

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Julio Laurnagaray

    Olá! Seja num período de gravidez ou pós-parto, é interessante pensar sobre o que seria um "pensamento intrusivo". Provavelmente sejam pensamentos espontâneos, originários de uma disposição psíquica sua, em alguma instância. Muitos diriam que eles provém do seu inconsciente, querendo mostrar alguma coisa. Podem ser conflitantes com suas verdades pessoais, mas ainda assim, eles trazem conteúdo. E enquanto conteúdo psíquico, vale a pena investigar num processo de análise. A psicologia olharia esses pensamentos em sua riqueza de conteúdo, e uma análise poderia ajudar a entendê-los e colocá-los no lugar apropriado.


  • Minha filha tentou suicídio foi diagnósticada com bipolaridade tem 15 anos não sei como lidar ela

    Minha filha tentou suicídio foi diagnósticada com bipolaridade tem 15 anos não sei como lidar ela tem dificuldades em ouvir não. Como cobrar obrigações básicas como limpar quarto estudos? Ou não cobro? Como saber se não há uma certa manipulação dela pra conseguir o que Quer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Julio Laurnagaray

    Olá, pela sua descrição, certamente sua filha vivencia formas complexas de sofrimento. Seria a pergunta correta, esta de se ela estaria utilizando de certo discurso para manipula-lo? Logicamente, ela tem que responder às suas próprias obrigações básicas, porém, principalmente na idade que ela tem, estas podem parecer coisas secundárias. Quando o sofrimento psicológico está em primeiro lugar, aquilo que para os outros são obrigações básicas pode ficar em segundo plano. Os psicólogos estamos muito habituados a receber casos com descrições como o da sua filha, e ao começar a investigar, logo aparece uma série de motivos que explica aquilo que para a familia parece difícil de compreender. Depois de formar uma compreensão, naturalmente há muito a ser feito. É comum que a familia não consiga enxergar o que está acontecendo, enquanto a terapia pode desvendar muitas coisas. É recomendável que tanto sua filha como os pais procurem um analista.


  • Olá, sofro com ansiedade e há 5 meses comecei com uma dose de 50mg de Sertralina e depois 75mg juntamente

    Olá, sofro com ansiedade e há 5 meses comecei com uma dose de 50mg de Sertralina e depois 75mg juntamente com a Clomipramina 10mg e há uma semana 100mg de Sertralina. No entanto, cada vez que mudo a dose da sertralina parece que minha ansiedade aumenta nas primeiras semanas. Isso é normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Julio Laurnagaray

    Olá. O aumento (ou diminuição) da sua ansiedade não deve ser entendida apenas pela relação com os medicamentos. A ansiedade tem, antes de tudo, uma forte relação com seus pensamentos. Aquilo que acontece químicamente com nosso cérebro, acontece também pelas associações que construímos ao longo da vida. Tratar tais questões pela via medicamentosa é apenas parte do trabalho, a ansiedade pode ser medicada, mas ao mesmo tempo deve ser tratada psicologicamente.


  • Psicanálise ou Análise Junguiana - apenas entre estes dois, qual você recomendaria para alguém em

    Psicanálise ou Análise Junguiana - apenas entre estes dois, qual você recomendaria para alguém em crise drepressiva e porque? Qual a diferença entre as duas técnicas? (Não estou procurando psicoterapia)

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Julio Laurnagaray

    Pergunta complexa, dificilmente pode ser respondida em poucas palavras. Em linhas gerais, a psicanálise Freudiana aposta em que podemos encontrar significados ao nos tornarmos conscientes da origem de nossos traumas, os quais estariam intimamente relacionados àquilo que Freud chamou de episódio de édipo, ou seja, à relação com nossos pais desde a primeira infância, havendo nisto um importante papel da constituição de nossa sexualidade. Para Jung, o episódio de Édipo, e a sexualidade vivenciada nele, possuem uma conotação simbólica ao invés de sexual. Uma das mais marcantes diferenças com a psicanálise Freudiana, é que a análise Junguiana centra-se mais no sentido (futuro) do sintoma, do que na sua constituição (passado), apostando em que ao nos tornarmos conscientes deste sentido, podemos reelaborar nossa sintomatologia. Tive formação Freudiana até o momento em que migrei para a prática Junguiana, hoje dou cursos a respeito. Recomendo que me procure assim posso explicar mais!


  • Olá, como que o Urologista ou o Psicologo irá diferenciar se a ejaculação precoce se trata de primaria

    Olá, como que o Urologista ou o Psicologo irá diferenciar se a ejaculação precoce se trata de primaria ou secundaria? Qual é a causa da ejaculação precoce primaria? qual a diferença entre as duas? é verdade que a ejaculação precoce primaria tende a se manter por toda a vida podendo até se agravar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Julio Laurnagaray

    Tanto na ejaculação precoce como na disfunção erétil, assim como em tantas outras questões relacionadas à sexualidade, procuram-se causas orgânicas. Porém, a sexualidade é muito mais que orgânica - ela é psicológica. Durante a vida, criamos todo tipo de relações positivas e negativas com a sexualidade, e somos em maior parte inconscientes a respeito daquilo que nos define enquanto alguém que vive a sexualidade com qualidade ou não. Logicamente, é absolutamente positivo eliminar hipóteses de causas orgânicas com um urologista, porém seu principal foco deveria estar na procura de uma compreensão psicológica para o que está acontecendo com você.


  • Estamos com um parente com depressão porém ele não aceita estar, só dorme e come não sai de casa,

    Estamos com um parente com depressão porém ele não aceita estar, só dorme e come não sai de casa, não ouve ninguém e já brigou com todos e com isso esta afentando a vida de quem convive com ele. Tem como fazer uma intervenção médica? Podemos pedir para internar ele ou algo para tratar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Julio Laurnagaray

    Por mais sofrido que seja conviver com uma pessoa depressiva, cada um é responsável pelo seu sofrimento. Não é fácil fazer com que uma pessoa concorde em se internar, ir ao psiquiatra ou ao psicólogo se ela não está de acordo em admitir seu sofrimento e fazer algo a respeito. O que a psicologia nos ensinou ao longo dos seus mais de 100 anos de existência, é que não podemos mudar aos outros enquanto eles não querem, mas podemos fazer o possível por nós mesmos. As pessoas que estão em seu entorno podem procurar cuidar de si mesmas, e assim trazer mudanças positivas para todo esse sistema familiar.


Autor

Perguntas frequentes

Todos os conteúdos publicados no doctoralia.com.br, principalmente perguntas e respostas na área da medicina, têm caráter meramente informativo e não devem ser, em nenhuma circunstância, considerados como substitutos de aconselhamento médico.