Perguntas do paciente (30)

  • Há alguns anos cometi uma infidelidade no meu relacionamento. Meu parceiro soube de tudo na época, n

    Há alguns anos cometi uma infidelidade no meu relacionamento. Meu parceiro soube de tudo na época, nós conversamos sobre o assunto e ele decidiu me perdoar. No entanto, eu não consigo me perdoar. Frequentemente surgem lembranças daquele período, acompanhadas de culpa e remorso intensos. Mesmo já tendo contado o que aconteceu, sinto uma necessidade constante de voltar ao assunto e confirmar se ele realmente me perdoa, como se eu precisasse repetir a história ou acrescentar detalhes para ter certeza disso. Essa necessidade me causa muito sofrimento. Isso pode estar relacionado à ansiedade ou ao TOC? É possível superar essa culpa e essa necessidade de buscar confirmação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Karla Teixeira

    O que você descreve parece estar associado a um ciclo de culpa, ansiedade e busca de confirmação. Em algumas pessoas, essa necessidade repetitiva de revisar o acontecimento, buscar detalhes ou confirmar constantemente o perdão pode funcionar como uma tentativa de aliviar a ansiedade e a culpa, mas acaba mantendo o sofrimento.

    Esse padrão pode estar relacionado à ansiedade e, em alguns casos, apresentar características semelhantes às encontradas no TOC, especialmente quando existe uma necessidade persistente de obter certeza ou tranquilização. No entanto, não é possível afirmar um diagnóstico apenas com esse relato.

    A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) pode ajudar a compreender esse ciclo e desenvolver formas mais saudáveis de lidar com a culpa, o arrependimento e a incerteza, sem precisar recorrer constantemente à confirmação do outro. É possível aprender a diferenciar a responsabilidade pelo que aconteceu no passado da necessidade de permanecer se punindo por isso no presente.

    Se essas lembranças e essa necessidade de confirmação estão causando sofrimento frequente, recomendo buscar uma avaliação com um(a) psicólogo(a). Com acompanhamento adequado, é possível trabalhar esses pensamentos e construir uma relação mais acolhedora consigo mesmo, permitindo que o passado deixe de ocupar tanto espaço na sua vida atual.


  • Boatarde gostaria de tirar uma dúvida sobre o processo terapêutico. Sinto muita dificuldade em lidar

    Boatarde gostaria de tirar uma dúvida sobre o processo terapêutico. Sinto muita dificuldade em lidar com a ansiedade e angústia nos dias em que não tenho sessão. Queria saber se é uma prática comum na psicologia os profissionais entregarem algum tipo de material físico para o paciente levar para casa, como cartões com mensagens de apoio, blocos de exercícios rápidos ou lembretes para momentos difíceis? E isso realmente ajuda na eficácia do tratamento durante a semana?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Karla Teixeira

    Sim, essa pode ser uma prática bastante utilizada, especialmente na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). É comum que o psicólogo proponha atividades entre as sessões, como registros de pensamentos e emoções, exercícios de respiração, técnicas de manejo da ansiedade ou lembretes com estratégias que foram construídas em terapia.

    O objetivo desses recursos é ajudar o paciente a aplicar, no dia a dia, as habilidades desenvolvidas durante as sessões, favorecendo maior autonomia no enfrentamento da ansiedade e da angústia. No entanto, o tipo de material e a forma de utilizá-lo são sempre individualizados, de acordo com as necessidades de cada pessoa.

    Se você percebe que os dias sem sessão são especialmente difíceis, vale a pena conversar abertamente com seu psicólogo sobre isso. Juntos, vocês podem construir estratégias para que você se sinta mais amparado(a) ao longo da semana e o tratamento seja ainda mais efetivo.


  • Estou saindo de casa para morar com minha namorada, tenho uma mãe de 75 que vai ficar só . Estou com

    Estou saindo de casa para morar com minha namorada, tenho uma mãe de 75 que vai ficar só . Estou com muita dor no coração e ansiedade por deixa lá só. O que devo fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Karla Teixeira

    Olá. O que você está sentindo é compreensível. Mudanças importantes, como sair da casa dos pais e iniciar uma nova fase da vida, costumam despertar sentimentos ambivalentes: alegria pela conquista e, ao mesmo tempo, culpa, preocupação e ansiedade por quem fica.

    É importante lembrar que construir a sua própria vida não significa abandonar sua mãe. Vale a pena conversar com ela sobre essa transição, pensar em formas de manter contato frequente e, se necessário, organizar uma rede de apoio para que ela não se sinta sozinha.

    Se essa culpa ou ansiedade estiverem muito intensas, a ponto de gerar grande sofrimento ou dificultar sua decisão, a psicoterapia pode ajudá-lo(a) a compreender esses sentimentos e encontrar um equilíbrio entre cuidar de quem você ama e cuidar também da sua própria vida.

    Desejo que essa nova etapa seja vivida com carinho, diálogo e respeito pelas necessidades de ambos.


  • Como superar a dor de um término de relacionamento? Isso pode ser considerado um luto?

    Como superar a dor de um término de relacionamento? Isso pode ser considerado um luto?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Karla Teixeira

    Sim, o término de um relacionamento pode ser vivido como um processo de luto. Afinal, envolve a perda de uma pessoa importante, de planos, expectativas e da rotina construída a dois. Por isso, é natural sentir tristeza, saudade, raiva, insegurança ou até alívio, dependendo da história e das circunstâncias.

    Superar essa dor não significa esquecer rapidamente, mas permitir-se viver e elaborar esse processo. Buscar apoio em pessoas de confiança, manter uma rotina de autocuidado, respeitar o próprio tempo e evitar decisões impulsivas podem ajudar nesse período.

    Se o sofrimento for muito intenso, persistente ou começar a comprometer sua rotina e seu bem-estar, a psicoterapia pode ser um espaço seguro para compreender essas emoções, fortalecer seus recursos de enfrentamento e ressignificar essa experiência.

    Lembre-se de que cada pessoa vive o luto de forma única, e não existe um tempo "certo" para se recuperar.

    Espero ter ajudado. Se precisar de orientação profissional, estou à disposição. Cuide-se.


  • Tenho pavor de interagir com as pessoas. Na infância, eu era bastante tímida, mas, mesmo assim, cons

    Tenho pavor de interagir com as pessoas. Na infância, eu era bastante tímida, mas, mesmo assim, conseguia conversar, interagir e brincar com as outras crianças. No entanto, na adolescência, essa timidez evoluiu para um medo enorme de interações sociais, e a situação só piorou. Sempre que alguém fala comigo, fico super nervosa, meu coração acelera e sinto vontade de chorar. Acabo gaguejando e não consigo manter contato visual com ninguém porque, ao olhar nos olhos das pessoas, fico nervosa. Quando interajo com os outros por muito tempo, meu medo só aumenta e, após essas interações, me sinto tão mal que choro descontroladamente, me sentindo um lixo. Só de imaginar que preciso me expor ao público, já começo a ter um ataque de ansiedade. Não consigo nem mesmo dar um bom dia a alguém. Para falar qualquer coisa, preciso fazer um esforço enorme. Isso atrapalha muito a minha vida, principalmente na vida profissional. No meu último emprego, infelizmente precisei lidar com o público e foi horrível. Eu tinha que me esforçar muito para não surtar na frente de todo mundo e, quando o expediente acabava, chorava muito, tremia... saía de lá exausta emocionalmente. Queria procurar ajuda, mas tenho medo de que não levem a sério o que sinto e que eu acabe só perdendo tempo e a minha pouca dignidade. Eu sei que não sou a pessoa mais legal e carismática do mundo, mas só queria ser minimamente normal e não ter um ataque toda vez que preciso falar com alguém. Não aguento mais isso. Queria nunca mais ter que falar com ninguém na vida. Queria saber como faço pra me livrar disso, a o especialista de qual área eu preciso recorrer...

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Karla Teixeira

    Sinto muito que você esteja passando por tudo isso. O que descreve parece estar causando um sofrimento muito intenso e impactando significativamente sua vida pessoal e profissional. Seus sentimentos são reais e merecem ser levados a sério.

    Os sintomas que você relata podem estar relacionados a um quadro de ansiedade social, mas somente uma avaliação profissional poderá compreender o que está acontecendo e indicar o diagnóstico adequado. Recomendo procurar um(a) psicólogo(a) para uma avaliação e acompanhamento. Em alguns casos, também pode ser importante uma avaliação psiquiátrica.

    O tratamento pode ajudar você a compreender os fatores envolvidos nesse medo e, gradualmente, desenvolver recursos para enfrentar as situações sociais com mais segurança. Você não precisa se tornar uma pessoa extremamente extrovertida ou carismática para viver bem; o objetivo é conseguir se relacionar sem que o medo e a ansiedade controlem sua vida.

    E quero reforçar: buscar ajuda não é perder tempo nem dignidade. O sofrimento que você sente merece acolhimento e cuidado. É possível melhorar, e você não precisa enfrentar isso sozinha.

    Estou à disposição para acolher você e, se desejar, podemos conversar sobre como iniciar esse processo de cuidado.


  • Tenho dificuldade em entender quando eu cismo de estar certo,me defendendo em opiniões, sempre dando

    Tenho dificuldade em entender quando eu cismo de estar certo,me defendendo em opiniões, sempre dando razão pra mim,acho que já perdi até empregos por não mudar minha opinião em tudo,sinto que isso está me atrapalhando, como posso melhorar isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Karla Teixeira

    É muito positivo que você consiga perceber esse comportamento e reconhecer que ele está trazendo dificuldades para sua vida. Essa consciência já é um passo importante para a mudança.

    Às vezes, a necessidade de estar sempre certo pode estar relacionada a uma forma de se proteger, manter o controle ou evitar sentir-se contrariado. Na terapia, podemos aprender a observar esses pensamentos e reações, entendendo melhor o que acontece nesses momentos e buscando formas mais equilibradas de lidar com as situações.

    Algumas perguntas podem ajudar nesse processo: “Eu preciso realmente provar que estou certo ou posso apenas compartilhar minha opinião?”, “Consigo ouvir o outro e considerar uma visão diferente da minha?”. Aprender a ser mais flexível não significa abrir mão das suas ideias, mas encontrar maneiras mais saudáveis de se comunicar e se relacionar.

    A psicoterapia pode ajudar você a compreender esse padrão e desenvolver novas estratégias para lidar com essas situações, evitando que isso continue prejudicando sua vida pessoal e profissional. Estou à disposição.


  • Gostaria de tentar entender o que eu estou sentindo. Tem momentos que sinto uma tristeza a ponto de

    Gostaria de tentar entender o que eu estou sentindo. Tem momentos que sinto uma tristeza a ponto de querer me isolar e choro muito. Não consigo entender de onde vem esse sentimento de tristeza. Estou em um relacionamento que sinto que na hora de expressar meu ponto de vista não sou compreendida ou a sensação que tenho que tenho que pisar em ovos na hora de falar. Já ouve outro episodio de me sentir muita tristeza por meus sentimentos não serem validados. Isso é normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Karla Teixeira

    É compreensível que você se sinta confusa diante de uma tristeza que parece surgir sem uma causa clara. Às vezes, o sofrimento emocional não está relacionado a um único acontecimento, mas vai se construindo a partir de experiências que, quando não são elaboradas, podem gerar sentimentos de solidão, frustração e desamparo.

    Talvez seja importante refletir: o que acontece dentro de você quando sente que não pode expressar livremente o que pensa ou sente? Você se sente acolhida e segura para ser você mesma nessa relação? Seus sentimentos encontram espaço para serem ouvidos, mesmo quando há discordâncias?

    Sentir tristeza e chorar não significa que há algo errado com você. Mas, quando esses sentimentos se repetem e começam a interferir na sua vida, é importante olhar para eles com cuidado. A psicoterapia pode ser um espaço seguro para compreender melhor o que você está sentindo e também para refletir sobre suas necessidades e seus relacionamentos.

    Estou à disposição caso queira iniciar esse processo de autoconhecimento e cuidado.


  • Estou passando por um casamento muito desgastado. As discussões são frequentes, há ofensas de ambos

    Estou passando por um casamento muito desgastado. As discussões são frequentes, há ofensas de ambos os lados e isso acontece, infelizmente, na frente dos nossos filhos. Percebo que isso está afetando meu bem-estar emocional.

    O que mais me angustia é que sinto muita dificuldade em conversar com minha esposa sobre os problemas, pois tenho a impressão de que ela nunca reconhece a própria participação nos conflitos. Isso me faz perder a esperança de que a relação possa melhorar.

    Também reconheço que eu erro e que, durante as discussões, acabo respondendo de forma inadequada. Hoje me sinto emocionalmente exausto, com baixa autoestima e muito confuso sobre como lidar com essa situação.

    Minha dúvida é: do ponto de vista psicológico, como saber quando um relacionamento ainda tem possibilidade de ser reconstruído e quando o desgaste já é tão grande que um afastamento temporário pode ser uma alternativa saudável para preservar a saúde emocional e o bem-estar dos filhos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Karla Teixeira

    O que você relata demonstra um nível importante de desgaste emocional, e o fato de reconhecer tanto os erros da sua esposa quanto os seus já é um ponto importante para a reflexão.

    Mais do que buscar identificar quem está certo ou errado, talvez seja importante perguntar: ainda existe disposição de ambos para ouvir, reconhecer responsabilidades e construir mudanças? Existe respeito, mesmo diante das diferenças? As discussões são seguidas de reparação e diálogo ou o ciclo de conflitos e ofensas se repete continuamente?

    Um relacionamento pode ser reconstruído quando existe, de ambos os lados, abertura para mudanças e disposição para buscar ajuda. Quando os conflitos se tornam constantes e as ofensas passam a fazer parte da dinâmica familiar, é importante considerar o impacto disso sobre todos, especialmente sobre os filhos.

    Talvez a questão central seja refletir: o que precisaria mudar para que essa relação pudesse ser saudável novamente e existe disposição real de ambos para promover essas mudanças?

    A psicoterapia individual pode ajudá-lo a organizar seus sentimentos, fortalecer sua autoestima e compreender melhor seus limites e possibilidades. Se houver abertura de ambos, a terapia de casal também pode ser um caminho para trabalhar a comunicação e os conflitos.

    Estou à disposição caso queira conversar e refletir sobre esse momento com mais cuidado.


  • Como é possível diferenciar a sensação de ansiedade/mente agitada que não consegue relaxar e sensaçã

    Como é possível diferenciar a sensação de ansiedade/mente agitada que não consegue relaxar e sensação de que a qualquer momento pode acontecer algo consigo de um real problema que pode colocar em perigo? Tem uma maneira de diferenciar a ansiedade de algo fisiológico?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Karla Teixeira

    Olá!

    Essa é uma dúvida muito importante, pois a ansiedade pode realmente produzir sensações muito intensas e fazer com que a pessoa sinta que algo ruim está prestes a acontecer.

    A ansiedade é uma resposta natural do nosso organismo diante de situações de ameaça, mas, em alguns momentos, o cérebro pode interpretar situações comuns como se fossem perigosas, ativando sinais de alerta mesmo quando não existe um risco real naquele momento. Isso pode gerar mente acelerada, tensão, medo, sensação de perda de controle e sintomas físicos.

    Uma forma de começar a diferenciar é observar alguns pontos: existe um perigo concreto e identificável acontecendo agora? Os sintomas aparecem principalmente em momentos de preocupação, estresse ou pensamentos de ameaça? Eles diminuem quando você consegue se acalmar ou mudar o foco? Essas observações podem ajudar a compreender o que está acontecendo.

    Ainda assim, é importante lembrar que sintomas físicos também merecem atenção. Caso exista algo diferente do habitual, intenso ou persistente, uma avaliação médica pode ser necessária para descartar causas orgânicas.

    A psicoterapia pode ajudar a entender esses sinais, desenvolver estratégias para lidar com a ansiedade e aprender a diferenciar pensamentos de medo de situações reais de risco. Buscar ajuda é um passo importante para recuperar a sensação de segurança e bem-estar. Estou à disposição.


  • Vc acha q o controlo digital parental é bom ou mau?

    Vc acha q o controlo digital parental é bom ou mau?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Karla Teixeira

    O controle parental digital não é, por si só, bom ou ruim. A forma como é utilizado faz toda a diferença.

    Pesquisas indicam que o uso excessivo e inadequado de telas pode estar associado a dificuldades de sono, atenção e bem-estar emocional em crianças e adolescentes. Por outro lado, o controle parental pode ser uma ferramenta útil para estabelecer limites, acompanhar conteúdos e promover maior segurança no ambiente digital.

    O mais importante é que ele não substitua o diálogo e a construção de autonomia. Para crianças menores, é natural que os pais tenham um acompanhamento mais próximo. Conforme o adolescente cresce, é importante que o monitoramento seja gradualmente acompanhado por conversa, orientação e confiança.

    Uma boa reflexão para os pais é: estou utilizando o controle parental para proteger e ensinar meu filho a fazer escolhas seguras, ou apenas para controlar o que ele faz?

    O objetivo deve ser ajudar crianças e adolescentes a desenvolverem autonomia e responsabilidade no uso da tecnologia, e não apenas impedir o acesso. Cada família e cada faixa etária exigem uma abordagem diferente.


Perguntas frequentes

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