Perguntas do paciente (35)

  • Pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) têm uma tendência a agir impulsivamente?

    Pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) têm uma tendência a agir impulsivamente?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Leonardo Gabriel Klaumann Soares

    Sim, inclusive esse tipo de comportamento faz parte dos critérios diagnóstico como: comportamentos como gastar demais, dirigir perigosamente, abusar de álcool ou se envolver em relações sexuais de risco aparecem porque a pessoa está tentando escapar de uma dor emocional insuportável. É uma reação desesperada de quem não aprendeu ainda a lidar com emoções que vêm com força total.


  • O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode ser confundido com a adolescência normal?

    O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode ser confundido com a adolescência normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Leonardo Gabriel Klaumann Soares

    Bom, é muito comum essa confusão ocorrer, pois os sintomas são idênticos aos comportamentos e formas de pensar de um adolescente (afinal, estão em uma fase de puro hormônio, luto em decorrência da fase infantil, procura constante de uma identidade, pressão constante na escola, invalidação dos adultos, e afins; pensando em cenários piores). Mas, a diferença está na causa, no porque de determinados comportamentos ocorrerem. Por exemplo, um adolescente típico pode beber, se envolver em relações sexuais ou discutir com os pais por curiosidade, pressão dos amigos ou aquela vontade de experimentar coisas novas. No fundo, ele consegue se acalmar com o tempo e volta ao normal (coisas que já ocorreram atendendo pacientes desta fase). Um adolescente com TPB faz coisas perigosas porque está desesperado para fugir de uma dor emocional insuportável. Ele não age por diversão ou impulso passageiro; age porque sente um vazio enorme, medo de ser abandonado ou uma raiva que não consegue controlar, até mesmo cortando o próprio corpo (outro caso que já atendi). O comportamento pode até parecer igual por fora, mas o que está por dentro é muito diferente.


  • Como a análise existencial pode ajudar a enfrentar o bullying?

    Como a análise existencial pode ajudar a enfrentar o bullying?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Leonardo Gabriel Klaumann Soares

    A análise existencial ajuda a enfrentar o bullying ao mostrar que você não se resume ao papel de vítima. Ela incentiva a pessoa a perceber que, mesmo diante da agressão, ainda possui liberdade para escolher como responder e reconstruir seu valor. Em vez de apenas sofrer passivamente, a terapia fortalece a autoestima baseada em valores pessoais e não na opinião dos outros. Para quem pratica bullying, a abordagem cobra responsabilidade: não há justificativa que apague a escolha de agredir. O foco está em resgatar o senso de dignidade e abrir caminhos para agir com autenticidade.


  • Quais os desafios para o agressor sob perspectiva existencial?

    Quais os desafios para o agressor sob perspectiva existencial?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Leonardo Gabriel Klaumann Soares

    Sob a perspectiva existencial, o principal desafio para o agressor é encarar sua própria liberdade e responsabilidade sem se esconder atrás de justificativas como “fui provocado” ou “é meu jeito”. Ele precisa reconhecer que escolheu agredir e que essa escolha o define. Outro desafio é confrontar a coisificação do outro (ou seja, perceber que a vítima não é um objeto, mas um ser humano com sentimentos). Por fim, lidar com a culpa existencial (sentir que traiu seus próprios valores) pode ser doloroso, mas é o único caminho para abandonar a posição de agressor e reconstruir uma vida mais autêntica.


  • A terapia existencial se concentra apenas no indivíduo ou também no contexto social do bullying?

    A terapia existencial se concentra apenas no indivíduo ou também no contexto social do bullying?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Leonardo Gabriel Klaumann Soares

    A terapia existencial não foca apenas no indivíduo, mas também no contexto social, porque ninguém existe isolado. No caso do bullying, ela reconhece o peso do grupo, das regras sociais e da dinâmica de poder que humilha a vítima. Porém, em vez de só analisar o ambiente, ela pergunta: “Diante dessa pressão social, o que você ainda pode escolher fazer?”. Assim, ela une as duas coisas: entende o contexto sem tirar a sua liberdade de reagir de forma digna, mesmo sabendo que o meio é injusto. O social importa, mas a resposta final sempre passa pela sua posição pessoal.


  • Qual é a visão da logoterapia sobre o ser humano e a liberdade?

    Qual é a visão da logoterapia sobre o ser humano e a liberdade?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Leonardo Gabriel Klaumann Soares

    A Logoterapia enxerga o ser humano como essencialmente livre, mas não de forma absoluta. Não temos liberdade para escapar de todas as limitações (doenças, destino, morte), mas temos a liberdade de atitude: podemos escolher como responder a qualquer situação.
    Mesmo num campo de concentração, Viktor Frankl viu que alguns conseguiam dar sentido ao sofrimento. Por isso, a Logoterapia diz que a liberdade anda de mãos dadas com a responsabilidade. Somos livres para agir, mas também responsáveis por dar um sentido à nossa própria vida. Em poucas palavras: a última liberdade humana é a de escolher a própria postura.


  • Como a liberdade e a responsabilidade se relacionam com a ansiedade existencial?

    Como a liberdade e a responsabilidade se relacionam com a ansiedade existencial?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Leonardo Gabriel Klaumann Soares

    A ansiedade existencial surge justamente porque você é livre e responsável pela própria vida. Quanto mais liberdade para escolher, maior o peso de decidir e arcar com as consequências. Essa angústia aparece quando você percebe que não há desculpas prontas. Você é o autor da sua história. A Logoterapia ensina que, em vez de fugir dessa ansiedade com muletas ou culpas externas, o saudável é usá-la como um sinal de que você está encarando sua liberdade de frente. Resumindo: a ansiedade é o preço de saber que você pode escolher, e a responsabilidade é o único caminho para viver com autenticidade.


  • Qual é o objetivo da logoterapia ao tratar a ansiedade existencial?

    Qual é o objetivo da logoterapia ao tratar a ansiedade existencial?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Leonardo Gabriel Klaumann Soares

    O objetivo da Logoterapia ao tratar a ansiedade existencial não é eliminar a ansiedade, pois ela faz parte da condição humana livre. Em vez disso, busca transformá-la em um sinal positivo que aponta para algo importante que falta na vida da pessoa: um sentido a ser realizado. O terapeuta ajuda o paciente a identificar quais valores ou tarefas estão sendo negligenciados, para que a ansiedade deixe de ser um sofrimento paralisante e vire um motor para agir com responsabilidade. Em resumo: não se trata de fugir da angústia, mas de aprender a usá-la como bússola rumo a uma vida mais significativa.


  • Como a Análise Existencial Lida com o Medo Existencial ?

    Como a Análise Existencial Lida com o Medo Existencial ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Leonardo Gabriel Klaumann Soares

    A Análise Existencial (Daseinsanalyse) não trata o medo existencial como um sintoma a ser eliminado, mas como um sinal de que você está vivo e consciente da sua liberdade. Ela ajuda a pessoa a parar de fugir desse medo e, em vez disso, a escutar o que ele tem a dizer sobre seus valores e escolhas.
    O terapeuta não oferece respostas prontas, mas investiga junto com você: “Do que você realmente tem medo? O que isso revela sobre o modo como está vivendo?”. Ao acolher o medo sem julgamento, a análise existencial permite que ele se transforme de paralisante em guiar para uma vida mais autêntica. O objetivo não é se livrar da angústia, mas aprender a habitá-la com coragem.


  • O que pode desencadear o medo existencial? .

    O que pode desencadear o medo existencial? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Leonardo Gabriel Klaumann Soares

    O medo existencial pode ser desencadeado por situações que nos escancaram a fragilidade da vida ou nossa responsabilidade por ela. Exemplos comuns: a morte de alguém próximo, um diagnóstico grave, uma demissão inesperada, o fim de um namoro, ou até momentos de silêncio e solidão. Também surge quando você percebe que está vivendo no “piloto automático”, fazendo coisas sem sentido para você. Outro gatilho é a liberdade repentina, como ter que escolher um caminho importante sem ter certeza do certo. Essas situações tiram o chão das certezas e nos forçam a perguntar: “O que realmente importa na minha vida?”.


  • Como a psicoterapia existencial lida com o medo existencial ?

    Como a psicoterapia existencial lida com o medo existencial ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Leonardo Gabriel Klaumann Soares

    A psicoterapia existencial encara o medo existencial (como o da morte, da liberdade ou da falta de sentido) não como uma doença, mas como uma parte normal da vida. Em vez de tentar eliminá-lo, a terapia ajuda a pessoa a acolher esse medo e a usá-lo como um “sinal” que aponta para o que realmente importa para ela.
    O objetivo não é fugir da angústia, mas transformá-la num motor para viver de forma mais autêntica e significativa. Assim, o medo deixa de paralisar e passa a guiar as escolhas e os valores do paciente.


  • O que significa "proatividade existencial"? .

    O que significa "proatividade existencial"? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Leonardo Gabriel Klaumann Soares

    A proatividade existencial é a atitude de assumir a responsabilidade pela própria vida, agindo conforme seus valores, em vez de apenas reagir às circunstâncias. Ela reconhece que, mesmo diante de limitações, sempre há espaço para escolher como responder. Significa parar de se ver como vítima do destino e entender que você é o protagonista das suas decisões. Na prática, é perguntar “o que posso fazer agora, por menor que seja, para dar sentido a este momento?”. É a coragem de dar o primeiro passo.


  • O que é o Vazio Existencial e Emocional? .

    O que é o Vazio Existencial e Emocional? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Leonardo Gabriel Klaumann Soares

    O vazio existencial é aquela sensação de que a vida perdeu o sentido, como se nada fizesse diferença. Já o vazio emocional é a dificuldade de sentir afeto, prazer ou tristeza, a pessoa sente como se houvesse uma anestesia interna.
    Ambos andam juntos: quando não encontramos propósitos claros, as emoções podem se esvair. A psicoterapia existencial não vê isso como doença, mas como um chamado para a pessoa se reconectar com o que realmente valoriza e dar novo rumo à própria existência.


  • O que são os valores pessoais na Logoterapia? .

    O que são os valores pessoais na Logoterapia? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Leonardo Gabriel Klaumann Soares

    Na Logoterapia, os valores pessoais são como bússolas internas que guiam suas decisões e dão direção à vida: o que você considera importante, quer preservar e como deseja viver. Viktor os dividiu em três caminhos para encontrar sentido: os valores criativos (o que você produz ou realiza), os valores vivenciais (o que você experimenta, como amor ou contato com a natureza) e os valores de atitude (a postura que você escolhe diante do sofrimento que não pode evitar). Em outras palavras, eles respondem à pergunta: "Por que isso realmente importa para mim?"


  • Como a Logoterapia ajuda a focar no futuro? .

    Como a Logoterapia ajuda a focar no futuro? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Leonardo Gabriel Klaumann Soares

    A Logoterapia ajuda a focar no futuro porque acredita que o ser humano é movido pela vontade de sentido, não pelo passado. Em vez de remoer traumas ou culpas, o terapeuta incentiva a pessoa a se perguntar: “O que a vida espera de mim daqui para frente?”. Através de técnicas como a intenção paradoxal, ela quebra ciclos de medo do futuro, e com a derreflexão, tira o foco excessivo do problema atual. O essencial é despertar a esperança ativa, ajudando o paciente a identificar tarefas, projetos e valores que ainda podem ser realizados amanhã.


Perguntas frequentes

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