Perguntas do paciente (5)
-
O que é instabilidade emocional no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
O que é instabilidade emocional no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Na perspectiva da psicanálise, a instabilidade emocional no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) não é vista apenas como “variação de humor” ou impulsividade superficial, mas como um reflexo profundo das dinâmicas internas do self e das relações objetais.
Podemos entender assim:
Fragilidade do self: O indivíduo com TPB possui um sentido de identidade instável. Isso significa que seu “eu” é pouco consolidado e depende muito do ambiente e das relações interpessoais para se sentir seguro e íntegro. Pequenos eventos ou percepções de rejeição podem desestabilizar esse senso de si.
Relações objetais ambivalentes: Segundo a teoria psicanalítica, especialmente a linha dos teóricos da psicodinâmica do self, pessoas com TPB internalizam objetos (ou figuras significativas) de forma particional, alternando entre idealização e desvalorização. Essa dinâmica gera fortes flutuações emocionais, porque o outro é percebido ora como “bom” e ora como “perigoso”, e essas percepções externas reverberam dentro do self.
Dificuldade em tolerar frustração e angústia: A instabilidade emocional também se manifesta na baixa capacidade de conter sentimentos de abandono, raiva ou vazio. Em termos psicanalíticos, há uma falta de mecanismos maduros de contenção, fazendo com que emoções intensas explodam ou oscilam rapidamente.
Mecanismos de defesa primitivos: Mecanismos como clivagem, idealização/desvalorização, negação ou projecção são comuns, e contribuem diretamente para a instabilidade emocional. O mundo interno é percebido em “tudo ou nada”, e isso se traduz em mudanças bruscas de humor e comportamento.
Em resumo, a instabilidade emocional no TPB, vista pela psicanálise, é a expressão da fragilidade estrutural do self e das relações internas com os objetos, mais do que apenas uma oscilação de sentimentos: é o reflexo de um mundo interno vulnerável e facilmente desorganizado pelas experiências interpessoais.
-
Como tratar o pensamento dicotômico? .
Como tratar o pensamento dicotômico? .
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Na psicanálise, o pensamento dicotômico — aquele “tudo ou nada”, “bom ou ruim”, típico de muitos pacientes com TPB ou outras dificuldades estruturais do self — não é tratado apenas com técnicas cognitivas, mas com intervenções que exploram o mundo interno, a história de vinculação e os mecanismos de defesa.
Em resumo: tratar o pensamento dicotômico na psicanálise é uma jornada de integração interna, onde o paciente aprende a tolerar ambivalência, simbolizar emoções e desenvolver um self mais coeso, ao invés de simplesmente ensinar “técnicas racionais” de modificação de pensamento.
-
A psicoterapia pode ajudar a lidar com gatilhos emocionais relacionados ao preconceito?
A psicoterapia pode ajudar a lidar com gatilhos emocionais relacionados ao preconceito?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim. A psicoterapia psicanalítica ajuda a transformar gatilhos emocionais em oportunidades de autoconhecimento e elaboração emocional, promovendo respostas mais conscientes e menos automáticas diante de situações de preconceito.
-
É possível ter complexo de Édipo na adolescência, por volta dos 15, 16 anos?
É possível ter complexo de Édipo na adolescência, por volta dos 15, 16 anos?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O complexo de Édipo acontece na infância, revivido na adolescência e os resultados dele estão presentes na vida de qualquer adulto.
-
Autoestima baixa pode estar relacionada com depressão?
Autoestima baixa pode estar relacionada com depressão?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá querido (a), a falta de autoestima pode levar à depressão. Autoestima tem uma relação direta sobre a visão integrada que temos de nós mesmos, com nossas luzes e nossas sombras. A compreensão e aceitação dessa visão integrada de conseguir enxergar nossas fraquezas e também nossos potenciais, diz respeito a uma autoestima saudável. Uma pessoa que só enxerga em si, suas sombras, tende a minimizar suas necessidades. Além disso, uma pessoa com baixa autoestima costuma evitar exposições, prejudicando seu desenvolvimento social e pode ter receio de solicitar seus direitos, por acreditar estar sendo egoísta, trazendo prejuízos para sua saúde mental, que pode se manifestar através da depressão…
Perguntas frequentes
-
Doente com Cardiomiopatia Hipertrófica Apical e Insuficiência Cardíaca, 68 anos, pode viajar avião?
Em muitos casos a viagem aérea é possível quando a insuficiência cardíaca…