Perguntas do paciente (3)

  • É possível mudar qualquer crença central e qualquer crença intermediária disfuncional? E mesmo após

    É possível mudar qualquer crença central e qualquer crença intermediária disfuncional? E mesmo após conseguir mudar essas crenças, depois de um tempo elas voltam fazendo com que o paciente tenha recaídas? Se o paciente tem recaídas por conta de que a crença disfuncional antiga voltou, então não é possível mudar crenças disfuncionais para sempre ou por algum tempo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Ligiane Oliveira

    Essa é uma dúvida excelente, e vou te responder com clareza. Sim, crenças podem mudar, e é justamente para isso que trabalhamos na terapia. Elas não são um traço fixo seu; são formas de interpretar o mundo que foram aprendidas ao longo da vida, e o que foi aprendido pode ser transformado.
    Mas preciso fazer uma distinção importante: mudar não é apagar. Nós não vamos 'apagar' essa crença do seu cérebro como quem apaga um arquivo. Vamos construir, aos poucos e com prática, uma forma nova de pensar, mais realista e mais útil para você. Com o tempo, essa forma nova passa a ser a primeira a vir à mente — a antiga continua existindo, mas cada vez mais enfraquecida e menos usada.
    Sobre as recaídas: se em algum momento, diante de estresse ou de uma situação difícil, você perceber que pensamentos antigos voltaram, isso não significa que a mudança falhou. Significa que seu cérebro recorreu ao caminho mais conhecido num momento de vulnerabilidade, o que é humano e esperado. A diferença, depois da terapia, é que você nota isso mais rápido e tem ferramentas para não ficar presa nesse caminho. Recaída não é um sinal de que você voltou ao início; é um sinal para retomar as estratégias que já aprendeu, e cada vez isso fica mais rápido e mais fácil.


  • Tenho um relacionamento aberto com meu esposo e vem funcionando bem para ambos por alguns anos, poré

    Tenho um relacionamento aberto com meu esposo e vem funcionando bem para ambos por alguns anos, porém por vezes surgem dúvidas e dilemas que nos motivaram a querer fazer terapia de casal.
    Estou com receio de marcar com um profissional e não nos sentirmos acolhidos ou compreendidos em nossa dinâmica por sermos abertos.
    A pergunta é: em geral, os terapeutas de casal estão preparados pra acolher essa demanda, ou preciso procurar indicações de quem trabalhe especificamente com esse nicho?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Ligiane Oliveira

    Essa é uma preocupação muito válida, e é ótimo que vocês estejam buscando ajuda antes que os dilemas virem crises. Vou te responder com clareza: sim, existem terapeutas de casal preparados para acolher relacionamentos abertos, e a formação ética da psicologia exige que nenhum profissional julgue ou tente 'corrigir' o modelo de relação de vocês. Mas é verdade que nem todos têm experiência prática com essa dinâmica, e vocês têm todo o direito de escolher um profissional com quem se sintam seguros.
    Minha sugestão é tratar isso como parte da triagem: ao entrar em contato com um terapeuta, vocês podem perguntar diretamente algo como: 'Temos um relacionamento aberto e buscamos terapia de casal para lidar com dilemas comuns e também específicos da nossa dinâmica. Você tem experiência e se sente confortável atendendo casais não monogâmicos?' A resposta de um bom profissional será honesta, inclusive se ele avaliar que não é a pessoa mais indicada e sugerir uma indicação.
    E lembrem-se: a primeira sessão também serve para vocês avaliarem o terapeuta. Observem se há acolhimento real, se as perguntas são clínicas e relevantes (e não curiosidade sobre a intimidade de vocês) e se o profissional fala do relacionamento de vocês com naturalidade. Se algo não soar bem, buscar outra pessoa não é 'desistir', é cuidar de vocês.
    Não sei em qual cidade vocês residem, mas me coloco a disposição para ajudá-los. Também atendo remoto, caso tenham interesse.


  • Como a terapia cognitivo comportamental (TCC) trabalha a baixa autoestima, ansiedade social e depres

    Como a terapia cognitivo comportamental (TCC) trabalha a baixa autoestima, ansiedade social e depressão juntos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Ligiane Oliveira

    Na TCC, entendemos que pensamentos, emoções e comportamentos estão interligados. Baixa autoestima, ansiedade social e depressão costumam compartilhar a mesma base: uma visão negativa de si mesmo, como 'não sou bom o suficiente'. A ansiedade faz você evitar situações sociais, o isolamento piora a tristeza, e a tristeza reforça a sensação de incapacidade — formando um ciclo. O trabalho da terapia é justamente quebrar esse ciclo: vamos questionar esses pensamentos, retomar atividades que te dão prazer, enfrentar aos poucos as situações que você evita e construir uma imagem mais realista e gentil de você. A mudança é gradual, mas cada sessão é um passo nesse processo.


Perguntas frequentes

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