Perguntas do paciente (4)

  • Sinto que depois que minha esposa engravidou eu comecei a ficar mais tempo preso ao celular rolando

    Sinto que depois que minha esposa engravidou eu comecei a ficar mais tempo preso ao celular rolando feed, depois de um tempo comecei a buscar tbm uma necessidade em pornografia que acabou se tornando uma compulsão, olhava no trabalho ou sempre que ela não estava por perto, qual a melhor ajuda profissional a se buscar e geralmente como é o tratamento?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Tavares

    A gravidez da esposa pode ter sido um gatilho importante para essa mudança de comportamento. Esse período costuma envolver muitas mudanças na rotina, aumento de responsabilidades, preocupações com o futuro e também alterações na dinâmica do casal. Em alguns casos, pode acontecer uma diminuição da atividade sexual durante a gestação, seja por questões físicas, emocionais ou pela própria adaptação do casal a essa nova fase. Para algumas pessoas, essa redução pode aumentar a busca por formas rápidas de prazer e alívio, como o uso excessivo do celular e da pornografia.

    Outro ponto envolvido é o funcionamento do sistema de recompensa do cérebro. O consumo frequente de conteúdos altamente estimulantes, como redes sociais e pornografia, oferece uma grande quantidade de estímulos rápidos e intensos, o que pode fortalecer o hábito e tornar atividades comuns menos atrativas. Não significa que a pessoa "perdeu o controle por causa da dopamina", mas que o cérebro aprende a repetir comportamentos que geram alívio ou prazer imediato.

    A intervenção com maior suporte científico para esse tipo de dificuldade costuma ser a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), especialmente suas estratégias comportamentais. O foco não é apenas tentar resistir à vontade, mas entender como o comportamento foi construído e modificar as condições que mantêm esse ciclo.

    Algumas estratégias importantes são a arquitetura comportamental e o controle de estímulos. A ideia é tornar o comportamento indesejado menos automático, reduzindo as oportunidades de acesso e criando barreiras entre o impulso e a ação. Isso pode envolver mudanças no uso do celular, evitar determinados horários e situações de maior vulnerabilidade, retirar estímulos facilitadores e organizar a rotina para incluir atividades mais saudáveis e recompensadoras.

    Além disso, a terapia trabalha a identificação dos gatilhos emocionais, como ansiedade, estresse, tédio ou sensação de vazio, ajudando a desenvolver novas formas de lidar com esses estados sem depender exclusivamente do celular ou da pornografia como fonte de alívio. O objetivo final não é apenas parar um comportamento, mas recuperar a capacidade de escolher como agir de acordo com os próprios valores e objetivos.


  • Há alguns anos cometi uma infidelidade no meu relacionamento. Meu parceiro soube de tudo na época, n

    Há alguns anos cometi uma infidelidade no meu relacionamento. Meu parceiro soube de tudo na época, nós conversamos sobre o assunto e ele decidiu me perdoar. No entanto, eu não consigo me perdoar. Frequentemente surgem lembranças daquele período, acompanhadas de culpa e remorso intensos. Mesmo já tendo contado o que aconteceu, sinto uma necessidade constante de voltar ao assunto e confirmar se ele realmente me perdoa, como se eu precisasse repetir a história ou acrescentar detalhes para ter certeza disso. Essa necessidade me causa muito sofrimento. Isso pode estar relacionado à ansiedade ou ao TOC? É possível superar essa culpa e essa necessidade de buscar confirmação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Tavares

    Sim, esse padrão pode estar relacionado à ansiedade e, em alguns casos, apresentar características semelhantes ao Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), principalmente quando existe um ciclo de lembranças intrusivas, culpa intensa e uma necessidade constante de buscar confirmação, no entanto, é importante fazer uma avaliação profissional adequada para termos certeza do diagnóstico.

    No TOC e em alguns quadros de ansiedade, é comum existir uma busca por uma certeza absoluta sobre algo que, na prática, nunca será completamente eliminada. A pessoa tenta encontrar a garantia de que está tudo bem, de que foi perdoada ou de que não é uma pessoa ruim, mas quanto mais tenta eliminar essa sensação desconfortável, mais importância ela ganha.

    Também é importante diferenciar culpa saudável de culpa persistente. A culpa saudável ajuda a reconhecer um erro, assumir responsabilidade, reparar o que for possível e mudar comportamentos. Porém, quando a pessoa continua se punindo mesmo depois de ter reconhecido o ocorrido e feito mudanças, essa culpa deixa de cumprir uma função de aprendizado e passa a funcionar como uma forma de sofrimento contínuo. (E aí é importante entender se existem padrões emocionais ligados a isso, por exemplo, é comum que pessoas que viveram uma infância com pais muito "punitivos" internalizem essa punição de forma interna, o que pode refletir em um tipo de "autopunição" na vida adulta.)

    A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma das abordagens com maior evidência para trabalhar esse tipo de dificuldade. O tratamento costuma envolver compreender o ciclo entre pensamentos, emoções e comportamentos, identificando como a busca por confirmação e a necessidade de revisitar o passado acabam mantendo o sofrimento. Em casos com características de TOC, uma parte importante do trabalho é aprender a tolerar a presença da dúvida, da culpa e do desconforto sem precisar realizar novamente o comportamento de buscar garantias.

    Também é possível trabalhar o processo de autoperdão. Não no sentido de minimizar o que aconteceu ou agir como se nada tivesse ocorrido, mas reconhecendo que uma pessoa pode ter cometido um erro, assumir responsabilidade, aprender com aquilo e ainda assim ser capaz de construir relações melhores no presente.


  • Meu namorado diz que não é viciado em pornografia,mas recentemente descobri que ele assisti até no t

    Meu namorado diz que não é viciado em pornografia,mas recentemente descobri que ele assisti até no trabalho ou simplesmente se eu ficar fora de casa 2,3 h, isso me deixou um pouco triste e confusa, seria uma compulsão ou é coisa da minha cabeça?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Tavares

    É compreensível que essa situação tenha despertado tristeza, insegurança e confusão em você, é comum surgirem questionamentos sobre o significado desse comportamento e sobre o impacto disso na relação.

    O que costuma diferenciar um uso comum de um comportamento compulsivo é o quanto a pessoa sente dificuldade em escolher parar, o quanto o comportamento ocupa espaço na rotina e quais consequências ele traz. Quando alguém sente uma necessidade forte de acessar pornografia mesmo em momentos inadequados, é um sinal de que vale investigar melhor.

    Ao mesmo tempo, quando falamos em possível compulsão por pornografia, é importante entender que não se trata simplesmente de uma escolha consciente ou de uma falta de consideração com o parceiro. Em alguns casos, o comportamento pode se tornar um padrão de dependência, em que a pessoa passa a buscar aquele estímulo de forma automática, mesmo percebendo que existem consequências negativas. Assim como acontece em outros comportamentos compulsivos e dependências, como o uso problemático de substâncias (álcool, cigarro, maconha, etc.), existe uma alteração na relação entre vontade, impulso e controle, fazendo com que a pessoa tenha dificuldade de interromper o comportamento sozinha.

    Isso não significa retirar a responsabilidade da pessoa pelo que acontece, mas compreender que existe uma diferença entre alguém que escolhe manter um hábito sem preocupação e alguém que percebe que perdeu o controle sobre ele. Quando existe sofrimento, prejuízo no relacionamento, dificuldade de parar ou necessidade de esconder o comportamento, é importante olhar para isso como uma dificuldade que merece cuidado e tratamento.

    Além disso, a comunicação dentro do relacionamento é fundamental. É importante que esse assunto possa ser conversado de forma clara e honesta, sem que vire apenas um ciclo de acusações e defesa. O objetivo é compreender o que está acontecendo, reconhecer o impacto que isso tem na relação e buscar soluções juntos, incluindo a possibilidade de procurar ajuda profissional quando necessário.

    A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma das abordagens utilizadas nesses casos, ajudando a compreender os gatilhos que levam ao comportamento, os pensamentos envolvidos e os padrões que mantêm esse ciclo. O tratamento também trabalha estratégias comportamentais, como controle de estímulos, mudança de rotina e desenvolvimento de formas mais saudáveis de lidar com emoções e impulsos.


  • Gostaria de tentar entender o que eu estou sentindo. Tem momentos que sinto uma tristeza a ponto de

    Gostaria de tentar entender o que eu estou sentindo. Tem momentos que sinto uma tristeza a ponto de querer me isolar e choro muito. Não consigo entender de onde vem esse sentimento de tristeza. Estou em um relacionamento que sinto que na hora de expressar meu ponto de vista não sou compreendida ou a sensação que tenho que tenho que pisar em ovos na hora de falar. Já ouve outro episodio de me sentir muita tristeza por meus sentimentos não serem validados. Isso é normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lucas Tavares

    Sentir a emoção "tristeza" é normal, assim como sentir quaisquer outras emoções, no entanto, te convido para uma reflexão: O que essa emoção te comunica?
    Acho essa uma pergunta sempre válida quando experimentamos emoções desconfortáveis, principalmente se ela aparece com frequência.

    Pelo que você descreve, parece ser uma emoção que aparece frequentemente quando você não se sente compreendida ou validada, e acredito que esse seja o principal ponto para refletir, e considerarmos algumas questões:

    -> Seu parceiro(a) realmente tem dificuldade em validar e compreender suas emoções e sentimentos?
    -> Isso acontece por uma dificuldade de leitura emocional dele, empatia ou flexibilidade?
    -> É possível que a forma que você comunique sobre esses sentimentos não esteja sendo adequada?
    -> Existe alguma intolerância ou rigidez de alguma das partes? (Por exemplo, alguma das pessoas podem se sentir invalidadas quando o outro não concorda com seu ponto de vista, o que não necessariamente signifique invalidação, mas uma dificuldade em aceitar pontos de vistas diferentes).
    -> Quando vocês se comunicam, fazem isso de forma clara e objetiva, sem elevar a voz, atacar ao outro e tentam ouvir um ao outro de maneira ativa?

    Talvez essas perguntas tragam clareza para você perceber se o que tem impactado essa relação sejam questões suas, da outra pessoa, ou do casal em si. E com isso você pode buscar por soluções como: Um processo psicoterapêutico individual (Se concluir que isso se trata de demandas maior de uma das partes) ou até em casal (No objetivo de melhorar os aspectos da relação, treinar comunicação e outras habilidades relacionais), o ponto é:

    Será que essa tristeza está te comunicando que algo está errado e precisa mudar?


Perguntas frequentes

Todos os conteúdos publicados no doctoralia.com.br, principalmente perguntas e respostas na área da medicina, têm caráter meramente informativo e não devem ser, em nenhuma circunstância, considerados como substitutos de aconselhamento médico.