Perguntas do paciente (6)

  • Tenho problemas com ansiedade, mas minha ansiedade parece estar ligada ao meu perfeccionismo (traço

    Tenho problemas com ansiedade, mas minha ansiedade parece estar ligada ao meu perfeccionismo (traço de personalidade que tenho desde muito tempo). Geralmente quando não consigo ter certeza absoluta de tudo, sinto desconforto e ansiedade. Mas... como já tenho comportamentos obsessivos por causa do perfeccionismo e percebi que também sou impulsivo em meio a incerteza, gostaria de saber: quando devo começar a suspeitar de TOC?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luciana Mota Torquato

    Como seria bom se conseguíssemos ter certeza absoluta das coisas, não é? Isso diminuiria a ansiedade, evitaria erros e talvez nos desse a sensação de que conseguiremos corresponder às expectativas. Mas a vida não oferece todas essas garantias, e parte do nosso amadurecimento emocional está em aprender a lidar com essa incerteza sem ficarmos paralisados por ela.

    A necessidade de certeza, o perfeccionismo e o desconforto diante da dúvida podem aparecer no TOC, mas também em outros padrões de funcionamento. Essas características, isoladamente, não confirmam um diagnóstico. Uma avaliação psicológica pode ajudar a compreender de onde vem essa necessidade de controle, o quanto ela interfere na sua vida e como construir uma relação mais flexível com aquilo que não é possível prever.


  • É possível mudar qualquer crença central e qualquer crença intermediária disfuncional? E mesmo após

    É possível mudar qualquer crença central e qualquer crença intermediária disfuncional? E mesmo após conseguir mudar essas crenças, depois de um tempo elas voltam fazendo com que o paciente tenha recaídas? Se o paciente tem recaídas por conta de que a crença disfuncional antiga voltou, então não é possível mudar crenças disfuncionais para sempre ou por algum tempo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luciana Mota Torquato

    Esperar que uma mudança seja “para sempre” também é tentar antecipar um resultado que não podemos prever nem garantir. Crenças construídas ao longo da vida podem perder força, mas, em momentos de maior vulnerabilidade, algumas delas podem reaparecer.

    O processo terapêutico não está em assegurar que isso nunca mais aconteça, e sim em ampliar nossa capacidade de reconhecer esses padrões e escolher, a cada dia, como responder a eles. Assim como a terapia, a mudança também se constrói no cotidiano. Uma crença antiga voltar não significa retornar ao ponto de partida: você já pode olhar para ela com outros recursos, questioná-la e decidir se ainda deseja conduzir sua vida a partir dela.


  • Olá, boa noite. Eu tenho 18 anos, e ultimamente venho percebendo algumas coisas em mim mesmo que eu

    Olá, boa noite.
    Eu tenho 18 anos, e ultimamente venho percebendo algumas coisas em mim mesmo que eu não sei se é algo normal.
    Por exemplo, depois de momentos felizes, mesmo tendo sido genuínos, eles parecem como se fossem uma espécie de "atuação" pra mim, como se às vezes não tivesse acontecido comigo.
    Parece que tem um vazio dentro de mim que não passa, e quando parece que passa, só fica ali disfarçado, e quando volta eu fico sozinho com ele. Eu não fico com vontade de nada, o tempo fica passando e parece ser agonizante pra mim, porque eu não consigo ficar parado nele, e me assusta o que pode acontecer daqui algumas horas, dias ou anos, porque eu não tenho nada planejado e aí os pensamentos de só acabar com tudo aparecem, e o que eu tenho vontade de fazer parece muito distante e eu só aceito que talvez eu nunca realize o que eu quero.
    Eu deveria procurar ajuda?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luciana Mota Torquato

    Pode ser muito angustiante perceber a vida acontecendo e, em alguns momentos, sentir-se distante dela ou até de si mesmo. Algumas pessoas descrevem experiências semelhantes em períodos de ansiedade intensa, estresse ou sobrecarga emocional, mas somente esse relato não permite identificar exatamente o que está acontecendo.

    Como isso tem se repetido e já está causando preocupação, seria importante conversar com um psicólogo. A terapia pode ajudá-lo a compreender em quais momentos essa sensação aparece, o que costuma acontecer antes dela e que significado ela pode ter na sua experiência. Você não precisa esperar que isso se torne mais intenso para procurar ajuda.


  • Estou como responsável da pastoral da Liturgia, mas não consigo ficar normal, estou sempre nervosa e

    Estou como responsável da pastoral da Liturgia, mas não consigo ficar normal, estou sempre nervosa e com as mãos geladas,será que tenho que fazer algum desbloqueio emocional, pois minha vida desde a infância não foi normal igual de outras pessoas, tenho muitos traumas e já tive ansiedade e depressão.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luciana Mota Torquato

    Assumir uma nova responsabilidade pode mesmo despertar nervosismo, especialmente quando carregamos experiências difíceis da nossa história. Isso não significa necessariamente que exista um “bloqueio emocional”. A psicoterapia pode ajudá-la a compreender o que essas situações despertam e a encontrar formas mais tranquilas de lidar com elas. Se os sintomas físicos forem frequentes ou intensos, também é importante buscar avaliação médica.


  • Quais são os efeitos do comportamento desadaptativo? Como eles afetam vida diária de uma pessoa ?

    Quais são os efeitos do comportamento desadaptativo? Como eles afetam vida diária de uma pessoa ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luciana Mota Torquato

    Olá! Vamos trabalhar com um exemplo para deixar essa ideia mais clara. Alguém pode começar a se afastar do convívio social para evitar rejeições, críticas ou conflitos. No início, isso traz alívio e uma sensação de proteção. Com o tempo, porém, o afastamento pode aumentar a solidão, reduzir a rede de apoio e dificultar situações que a pessoa precisa ou gostaria de vivenciar. O comportamento se torna desadaptativo justamente quando deixa de ajudar e passa a causar sofrimento ou prejuízos práticos no dia a dia. Na psicoterapia, buscamos compreender essa função e construir formas mais funcionais de lidar com essas situações.


  • É normal ter uma dificuldade grande de manter interações sociais? Ja trabalhei com atendimento ao pú

    É normal ter uma dificuldade grande de manter interações sociais? Ja trabalhei com atendimento ao público e sempre fui muito elogiada pela minha comunicação e simpatia, mas quando se trata de manter um relacionamento amigável com colegas de trabalho ou familia, é dificil interagir por não ser previsível e controlável. Nunca sei sobre o que devo conversar, o quanto devo falar sobre mim para não parecer arrogante ou o quanto devo ouvir sem parecer desinteressada. Que tipo de terapia devo buscar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luciana Mota Torquato

    Olá! Pelo que você descreve, a dificuldade não parece estar em se comunicar, já que você consegue fazer isso muito bem em situações profissionais. Ela surge nas relações pessoais e continuadas, nas quais não existe um roteiro e não é possível prever ou controlar a resposta do outro. Nesses momentos, preocupações como “quanto devo falar?” ou “como estou sendo percebida?” podem fazer você monitorar excessivamente o próprio comportamento e tornar a interação cansativa. A TCC pode ajudar a compreender o que você teme que aconteça nessas situações e a construir formas mais espontâneas e flexíveis de se relacionar. Mais importante do que definir se isso é “normal” é observar o quanto essa dificuldade causa sofrimento ou limita suas relações.


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Perguntas frequentes

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