Perguntas do paciente (203)

  • Que profissional devo procurar para diagnosticar (afirmar ou descartar) Transtorno do Espectro Autis

    Que profissional devo procurar para diagnosticar (afirmar ou descartar) Transtorno do Espectro Autista (Síndrome de Asperger) e/ou Transtorno de Estresse Pós-Traumático Complexo em adulto já diagnosticado com depressão, Transtorno de personalidade Borderline e negligência emocional infantil? Psicólogo, psicanalista, e/ou psiquiatra? ou um conjunto de profissionais? Obrigado

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marcella Fleuri

    A busca por um diagnóstico e compreensão das condições que você mencionou — Transtorno do Espectro Autista (TEA), Síndrome de Asperger, Transtorno de Estresse Pós-Traumático Complexo (TEPT-C), depressão, Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e negligência emocional infantil — pode realmente envolver um conjunto de profissionais de diferentes áreas. Isso é importante para que você receba um diagnóstico completo e um tratamento adequado. Vamos ver quais profissionais você deve procurar para cada uma dessas condições.

    1. Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou Síndrome de Asperger
    Para diagnosticar o Transtorno do Espectro Autista ou a Síndrome de Asperger (que é uma forma de TEA de alto funcionamento), o mais indicado é procurar um psiquiatra ou um psicólogo especializado em neuropsicologia, especialmente aqueles com experiência em transtornos do espectro autista em adultos. O diagnóstico de TEA envolve uma avaliação detalhada, que pode incluir:

    Entrevistas clínicas (com você e, se possível, com familiares ou pessoas próximas),
    Observações comportamentais,
    Questionários específicos que avaliam aspectos como interações sociais, comunicação, comportamentos repetitivos e interesses restritos.
    O psiquiatra pode ser o primeiro profissional a consultar, especialmente se você já tem um diagnóstico de outras condições (como depressão ou TPB), pois ele pode avaliar a possibilidade de comorbidades, além de encaminhá-lo para uma avaliação mais aprofundada se necessário.

    2. Transtorno de Estresse Pós-Traumático Complexo (TEPT-C)
    O TEPT Complexo é um diagnóstico que envolve múltiplos traumas e abusos prolongados, muitas vezes durante a infância ou adolescência. O diagnóstico dessa condição pode ser feito por um psiquiatra ou um psicólogo clínico, que pode avaliar os sintomas e o histórico de traumas de uma maneira cuidadosa. Psicólogos com especialização em trauma e abordagens de terapia cognitivo-comportamental (TCC) ou EMDR (dessensibilização e reprocessamento por movimento ocular) podem ser muito eficazes para lidar com TEPT.

    Para esse diagnóstico, o psiquiatra pode usar uma abordagem mais abrangente, considerando o histórico de sintomas de trauma e a interação com outras condições de saúde mental que você mencionou, como o Transtorno de Personalidade Borderline.

    3. Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)
    O diagnóstico de Transtorno de Personalidade Borderline é geralmente realizado por um psiquiatra ou psicólogo especializado em avaliação de transtornos de personalidade. Esse diagnóstico envolve uma avaliação detalhada dos padrões de comportamento e das relações interpessoais, além dos sentimentos de instabilidade emocional, que são centrais no TPB.

    Um psiquiatra pode ser fundamental para avaliar os aspectos bioquímicos e medicamentosos do transtorno (se necessário), enquanto um psicólogo pode ajudar a entender e lidar com os comportamentos e emoções complexas associadas ao TPB.

    4. Depressão
    A depressão já foi diagnosticada em você, mas é importante monitorar seus sintomas, especialmente considerando a presença de outras condições mentais. Para isso, o psiquiatra pode ser fundamental, já que pode prescrever medicamentos antidepressivos (se necessário) e monitorar sua evolução.

    5. Negligência emocional infantil
    A negligência emocional infantil pode ter um impacto profundo nas suas relações e na sua saúde mental na vida adulta. Embora o diagnóstico de negligência emocional não seja formalizado de maneira específica como uma condição clínica, ela é muitas vezes avaliada durante o processo de terapia, especialmente se você tem experiências de trauma ou histórico de abuso. Psicólogos especializados em trauma infantil ou em terapia psicodinâmica podem ajudar a explorar essas questões mais profundas.

    A melhor abordagem seria o trabalho conjunto de vários profissionais:
    Psicólogo:

    Realiza a avaliação clínica e o diagnóstico de transtornos como TEA, TPB, e aspectos relacionados à negligência emocional infantil.
    Trabalha com você em psicoterapias como TCC, terapia psicodinâmica, ou terapia de trauma.
    Psiquiatra:

    Diagnostica e trata condições como depressão, TPB, TEPT-C, e qualquer outro transtorno mental, incluindo a possível indicação de medicação (se necessário).
    Trabalha em conjunto com o psicólogo para tratar comorbidades.
    Neurologista/Neuropsicólogo (se necessário):

    Se houver suspeita de TEA ou se o diagnóstico for duvidoso, um neuropsicólogo ou neurologista especializado pode fazer uma avaliação cognitiva para ajudar no diagnóstico de TEA em adultos.
    Em resumo, a abordagem mais indicada seria buscar um conjunto de profissionais, incluindo:
    Psiquiatra para avaliação e tratamento de possíveis comorbidades e condições psiquiátricas (como depressão, TPB e TEPT-C).
    Psicólogo especializado em neuropsicologia ou trauma, que pode ajudar a avaliar o TEA, TPB, negligência emocional e oferecer um tratamento psicológico adequado, incluindo abordagens terapêuticas como a TCC ou terapia focada no trauma.
    Possivelmente outros especialistas, como um psicanalista ou terapeuta especializado em trauma, dependendo de como você se sente mais confortável e qual abordagem você acredita que pode ser mais útil para você.
    Cada profissional pode colaborar de maneira coordenada para oferecer uma visão completa e um tratamento adequado para você. A terapia será uma ferramenta crucial para explorar suas experiências emocionais e cognitivas em relação a todas essas condições.


  • Não sei se essa especialidade tem a ver com Multismo seletivo, mas se sim, tenho um irmão de 18 anos

    Não sei se essa especialidade tem a ver com Multismo seletivo, mas se sim, tenho um irmão de 18 anos que sofre de mutismo seletivo e não sabemos a qual especialidade de psicologo devemos leva-lo. Qual terapia é a mais indicada?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marcella Fleuri

    O mutismo seletivo é uma condição de ansiedade, onde a pessoa é incapaz de falar em certas situações ou ambientes (geralmente em contextos sociais), apesar de poder falar normalmente em outros contextos (geralmente em casa ou com pessoas de confiança). Essa condição está frequentemente relacionada a ansiedade social, e pode impactar significativamente a vida social, escolar e profissional da pessoa.

    Quando se trata de tratar o mutismo seletivo, as melhores abordagens terapêuticas são aquelas que se focam na redução da ansiedade social e ajudam o indivíduo a aumentar sua confiança em situações em que normalmente ficaria em silêncio. Com base nas melhores evidências científicas, as terapias mais eficazes para o mutismo seletivo incluem:

    1. Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
    A TCC é uma das terapias mais eficazes para o tratamento do mutismo seletivo, especialmente em adultos e adolescentes. Ela é baseada na ideia de que os pensamentos, sentimentos e comportamentos estão interligados, e ao modificar a maneira de pensar, é possível alterar comportamentos. Para o mutismo seletivo, a TCC se foca em:

    Reduzir a ansiedade relacionada à fala em situações sociais, através de técnicas de exposição gradual.
    Reestruturar pensamentos disfuncionais, que possam estar relacionados ao medo de julgamento ou de cometer erros ao falar.
    Desenvolver habilidades sociais para facilitar interações com os outros e tornar a comunicação mais natural.
    Em adultos e adolescentes, a abordagem pode incluir técnicas de relaxamento, como respiração profunda e visualização positiva, para ajudar a reduzir a ansiedade.

    2. Exposição Gradual
    A exposição gradual é uma técnica central dentro da TCC. Ela envolve a exposição controlada e progressiva do paciente a situações que normalmente gerariam ansiedade e dificultariam a fala. Isso é feito de maneira incremental, começando com situações mais fáceis e indo até contextos mais desafiadores. O objetivo é:

    Desensibilizar a pessoa à situação social em que ela fica em silêncio.
    Aumentar a confiança e a tolerância à ansiedade ao longo do tempo.
    Encorajar a comunicação progressiva, começando com pequenos gestos, como acenos de cabeça ou respostas não-verbais, e gradualmente passando para a fala.
    3. Terapia de Modificação de Comportamento
    A modificação de comportamento também pode ser usada para tratar o mutismo seletivo. A abordagem visa reforçar positivamente os comportamentos de fala e diminuir as reações emocionais ansiosas associadas ao silêncio.

    Reforço positivo: Recompensar verbalmente ou com outras recompensas (como atividades ou privilégios) sempre que o indivíduo falar ou demonstrar esforço para se comunicar.
    Modelagem: O terapeuta pode começar modelando a comunicação (por exemplo, usando uma voz suave e encorajando pequenos passos para falar), o que pode ajudar a pessoa a se sentir mais confortável.
    4. Terapia de Apoio Familiar
    No caso de um adulto jovem, como o seu irmão de 18 anos, é importante envolver a família ou as pessoas próximas no processo terapêutico. O apoio familiar pode ser essencial para fornecer um ambiente seguro e encorajador. Isso pode incluir:

    Orientação para os familiares sobre como apoiar o indivíduo em sua jornada de superar o mutismo seletivo sem pressioná-lo excessivamente.
    Educação sobre o transtorno para que a família compreenda o que está acontecendo e como pode oferecer suporte adequado.
    5. Terapia Focada na Ansiedade Social
    Como o mutismo seletivo está frequentemente relacionado à ansiedade social, é útil que o terapeuta tenha experiência em tratamento de ansiedade social. Terapias como a TCC focada na ansiedade social podem ser adaptadas para ajudar o seu irmão a lidar com a ansiedade em interações sociais e aprender a se expressar de forma mais confortável.

    6. Possível Uso de Medicamentos (em casos graves)
    Em alguns casos, pode ser necessário o uso de medicação ansiolítica ou antidepressivos para ajudar a controlar os sintomas de ansiedade e facilitar o progresso nas terapias. Isso é algo que um psiquiatra pode avaliar. No entanto, a medicação deve ser usada como complemento ao tratamento psicoterapêutico, e não como a única forma de tratamento.

    Profissional indicado:
    O melhor profissional para diagnosticar e tratar o mutismo seletivo seria um psicólogo clínico especializado em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e que tenha experiência no tratamento de transtornos de ansiedade (especialmente a ansiedade social).
    Em alguns casos, se o tratamento com psicoterapia não for suficiente, um psiquiatra especializado em ansiedade ou transtornos relacionados ao trauma pode ser consultado para avaliar a necessidade de medicamentos.
    Conclusão
    A abordagem terapêutica mais indicada para o mutismo seletivo envolve, principalmente, Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), com exposição gradual e modificação de comportamento. A terapia deve ser adaptada ao contexto do seu irmão, com foco na redução da ansiedade social e no desenvolvimento de habilidades de comunicação. A família também pode ser uma parte importante desse processo, proporcionando apoio e reforçando as estratégias aprendidas nas sessões de terapia. Para casos mais graves, a intervenção de um psiquiatra para avaliação de medicação pode ser considerada.

    Se o seu irmão ainda não está recebendo esse tipo de terapia, seria ideal procurar um psicólogo especializado em TCC para ansiedade social ou mutismo seletivo.


  • a partir de reconhecimento dos outros sinto me amado ou nao e isso faz os meus dias infelizes, achou

    a partir de reconhecimento dos outros sinto me amado ou nao e isso faz os meus dias infelizes, achou que tenho dependencia emocional pelo que he verificado. A psicologia poderia me ajudar com traumas da infancia e a superar esta dependencia emocional?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marcella Fleuri

    Sim, a psicologia pode ser uma ferramenta muito útil para ajudar a lidar com dependência emocional e os traumas da infância. Vou explicar como esses aspectos estão interligados e como a psicoterapia pode apoiar o seu processo de cura e autodescoberta.

    Dependência emocional e traumas da infância:
    A dependência emocional é uma condição em que a pessoa sente uma necessidade excessiva de aprovação ou validação dos outros para se sentir amada ou valiosa. Isso pode levar a sentimentos de insegurança, medo de rejeição e até mesmo de infelicidade quando não recebe a atenção ou o reconhecimento que deseja dos outros. Esse padrão muitas vezes está enraizado em experiências emocionais passadas, especialmente traumas ou negligência na infância, que podem ter formado a base da necessidade de aprovação externa.

    Na infância, quando há carência emocional (seja por negligência, rejeição ou falta de apoio emocional adequado), a criança pode crescer com uma sensação de que precisa "merecer" o amor ou aprovação dos outros, o que pode levar à dependência emocional na vida adulta. Isso pode se manifestar em relacionamentos amorosos, amizades ou até mesmo na relação com a família e colegas.

    Como a psicologia pode ajudar:
    Entendimento do comportamento: Um psicólogo pode ajudá-lo a entender por que você sente a necessidade constante de validação dos outros. Isso envolve explorar sua história de vida, especialmente as experiências da infância, para compreender como essas necessidades foram formadas. Conhecer as origens de suas emoções pode ser o primeiro passo para começar a superar esses padrões.

    Psicoterapia cognitivo-comportamental (TCC): A TCC é uma abordagem eficaz para tratar dependência emocional. Ela trabalha com a identificação e modificação de pensamentos e crenças distorcidas, como a ideia de que a sua autoestima depende exclusivamente da aprovação dos outros. Por exemplo, você pode aprender a reconhecer seu próprio valor e desenvolver formas mais saudáveis de se relacionar com os outros, sem a necessidade constante de validação externa.

    Terapia focada em traumas (Terapia de Processamento Cognitivo ou EMDR): Se você passou por traumas na infância (como negligência emocional ou abandono), esses eventos podem ter deixado marcas profundas no seu inconsciente, influenciando suas relações no presente. Terapias como EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares) ou Terapia de Processamento Cognitivo são técnicas que ajudam a reprocessar traumas passados e a aliviar os efeitos desses eventos na sua vida atual. Isso pode ser especialmente útil para ajudar a liberar as emoções ligadas ao trauma e diminuir a dependência emocional.

    Terapia psicodinâmica: A psicoterapia psicodinâmica foca em explorar o inconsciente e os padrões de comportamento estabelecidos na infância. Ela pode ajudar a identificar como os traumas de infância e as relações anteriores com figuras parentais influenciam seu comportamento atual em relacionamentos. A terapia psicodinâmica pode ser útil para quem busca uma compreensão mais profunda de suas emoções e padrões de dependência.

    Fortalecimento da autoestima: A psicoterapia vai ajudar a fortalecer sua autoestima e a desenvolver a capacidade de se valorizar sem depender exclusivamente da aprovação dos outros. Isso envolve práticas como autoaceitação e o desenvolvimento de autocompaixão, que são essenciais para superar a dependência emocional.

    Melhora nas habilidades de relacionamento: Muitas vezes, quem tem dependência emocional também tem dificuldades em estabelecer limites saudáveis e em cultivar relações equilibradas. O psicólogo pode trabalhar com você para melhorar essas habilidades, ajudando a encontrar um equilíbrio saudável entre ser independente e conectado aos outros.

    O que você pode esperar do processo terapêutico:
    Autoconhecimento: Você terá a oportunidade de se conhecer melhor, entender por que age de determinada forma e como mudar esses comportamentos.
    Cura emocional: Trabalhar em eventos do passado, especialmente traumas da infância, pode ajudar a reduzir o peso emocional dessas experiências e permitir que você se liberte de padrões antigos.
    Melhor comunicação: A terapia também ajudará a desenvolver uma comunicação mais clara e honesta nos seus relacionamentos, permitindo que você se sinta mais seguro em si mesmo sem depender da aprovação constante de outros.
    Qual profissional procurar?
    Psicólogo clínico com experiência em traumas da infância, dependência emocional e ansiedade social é o ideal para esse tipo de tratamento. Psicólogos especializados em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) ou terapia focada no trauma (EMDR, por exemplo) podem ser mais eficazes para trabalhar diretamente com a dependência emocional e os traumas.
    Se você sentir que também precisa de apoio medicinal para sintomas de ansiedade ou depressão que estão afetando sua vida diária, um psiquiatra pode ser necessário para avaliar a necessidade de medicação.
    Conclusão:
    A psicologia, especialmente através de Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), terapia psicodinâmica ou terapias focadas em trauma, pode ser extremamente eficaz no tratamento da dependência emocional e na superação de traumas da infância. Ao trabalhar com um psicólogo, você poderá entender a origem desses padrões e aprender novas formas de se relacionar de maneira mais saudável e autossuficiente.

    Esses tratamentos ajudam a fortalecer a autoestima, a desenvolver a independência emocional e a superar a necessidade constante de validação externa, permitindo que você viva de forma mais feliz e equilibrada.


Perguntas frequentes

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