Perguntas do paciente (24)
-
Estimados psicólogos e psicólogas, boa noite! Meu médico disse que as minhas tonturas frequentes são
Estimados psicólogos e psicólogas, boa noite! Meu médico disse que as minhas tonturas frequentes são uma doença pouco conhecida chamada Vertigem Fóbica. Nesse caso, devo procurar um psicólogo, psicanalista ou psiquiatra? Como será o tratamento desse doença no caso de recorrer a um psicólogo/a? Agradeço desde já pela atenção.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A Vertigem Fóbica, apesar de se manifestar com sintomas físicos como tontura, costuma estar relacionada a fatores emocionais, especialmente ansiedade. Por isso, o tratamento mais eficaz geralmente envolve uma abordagem conjunta.
O ideal é que você procure tanto um psicólogo quanto um psiquiatra, pois cada profissional atua em uma parte importante do processo:
O psiquiatra irá avaliar a necessidade de medicação para controle dos sintomas físicos e da ansiedade.
O psicólogo irá trabalhar a origem emocional do quadro, ajudando você a entender os gatilhos, reduzir a ansiedade e desenvolver estratégias para lidar com as crises.
Na psicoterapia (especialmente na abordagem cognitivo-comportamental), trabalhamos a relação entre pensamentos, emoções e sintomas físicos, o que costuma trazer bastante melhora nesses casos.
Ou seja, não é sobre escolher um ou outro, mas sim integrar os dois cuidados para um tratamento mais completo e eficaz.
Se precisar, fico à disposição para te orientar nesse processo.
-
Hiperfoco é exclusivo de algum transtorno? .
Hiperfoco é exclusivo de algum transtorno? .
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá! Como vai?
Não,
Hiperfoco não é exclusivo de um transtorno. Ele aparece muito no TDAH, mas também pode acontecer no TEA, na ansiedade ou até em pessoas sem diagnóstico.
O mais importante é observar o impacto:
Se a pessoa perde o controle e isso atrapalha a vida → vale investigar
Se é algo pontual e não prejudica → pode ser só um foco intenso mesmo
Ou seja, sozinho, hiperfoco não define diagnóstico
-
O que acontece quando a mulher autista tenta interagir socialmente, mas não tem sucesso?
O que acontece quando a mulher autista tenta interagir socialmente, mas não tem sucesso?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Quando uma mulher autista tenta interagir socialmente e não tem sucesso, acontecem várias coisas — tanto emocionais quanto neurológicas.
Do ponto de vista emocional, o fracasso nas tentativas de conexão pode gerar sentimentos intensos de rejeição, inadequação e exaustão. Muitas mulheres autistas relatam uma sensação de “não se encaixar” e passam a mascarar seus comportamentos autistas (fenômeno chamado de camuflagem social), tentando imitar expressões, gestos e conversas neurotípicas para serem aceitas. Esse esforço contínuo, porém, costuma levar à fadiga social e até ao esgotamento autista (autistic burnout), caracterizado por exaustão física e mental, aumento da ansiedade e retraimento social.
Do ponto de vista neurocientífico, o cérebro autista processa os estímulos sociais de forma diferente. Regiões como a amígdala (ligada à emoção e ao medo) e o córtex pré-frontal medial (envolvido na leitura das intenções alheias) podem ter padrões de ativação distintos, o que torna mais difícil interpretar expressões faciais, tons de voz e normas implícitas das interações. Assim, o esforço para “entender e se encaixar” é maior e mais desgastante.
Com o tempo, essa combinação — tentativa, falha, e camuflagem — pode gerar baixa autoestima, isolamento e sintomas ansiosos ou depressivos.
Por isso, uma abordagem terapêutica eficaz envolve ensinar habilidades sociais adaptadas ao perfil autista, trabalhar autoaceitação e reduzir a necessidade de mascaramento, reforçando que a dificuldade não é falta de esforço, mas diferença neurológica real e legítima.
-
Como as amizades de mulheres autistas se diferenciam das de homens autistas?
Como as amizades de mulheres autistas se diferenciam das de homens autistas?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Pessoas com TEA do sexo feminino costumam buscar amizades mais próximas e afetivas, enquanto os homens tendem a se conectar por interesses em comum.
Elas geralmente camuflam mais o comportamento para serem aceitas, o que pode causar cansaço e sensação de não pertencimento.
Por isso, suas amizades são, em geral, mais intensas emocionalmente, mas também mais desgastantes.
-
. O que significa "honestidade" para uma pessoa autista?
. O que significa "honestidade" para uma pessoa autista?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Para uma pessoa com TEA, “honestidade” costuma significar falar a verdade de forma direta, sem rodeios ou filtros sociais.
Muitas vezes, elas valorizam a coerência entre o que se diz e o que se faz e podem ter dificuldade em entender mentiras sociais, como elogios forçados ou disfarces para evitar conflitos.
Por isso, a honestidade para elas não é só uma virtude — é uma forma de respeito e clareza nas relações.
-
. Existe alguma diferença no tratamento do autismo para crianças e adultos?
. Existe alguma diferença no tratamento do autismo para crianças e adultos?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim. O objetivo é o mesmo — promover autonomia, comunicação e bem-estar —, mas a forma de intervenção muda conforme a fase da vida.
Em crianças, o foco é o desenvolvimento global: linguagem, interação social, regulação emocional e aprendizado. São usadas abordagens como ABA, integração sensorial e treino de habilidades sociais.
Em adultos, o foco é a qualidade de vida: autoconhecimento, manejo da ansiedade, relações, rotina e trabalho. São mais usados terapia cognitivo-comportamental adaptada ao TEA e apoio psicoeducativo.
Em resumo: na infância trabalha-se o desenvolvimento, e na vida adulta, a adaptação e autonomia.
-
. Como a inflexibilidade afeta a vida social de quem tem Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
. Como a inflexibilidade afeta a vida social de quem tem Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A inflexibilidade pode tornar a vida social da pessoa com TEA mais difícil porque as interações humanas são imprevisíveis.
Mudanças de planos, novas pessoas ou regras sociais não explícitas podem gerar ansiedade e desconforto, levando a isolamento ou conflitos.
Além disso, a necessidade de rotina e controle pode fazer com que ela evite situações sociais para se sentir segura.
Ou seja, a inflexibilidade funciona como um mecanismo de proteção, mas acaba limitando as conexões com os outros.
-
O que causa o hiperfoco no autismo? .
O que causa o hiperfoco no autismo? .
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O hiperfoco no TEA acontece por uma combinação de fatores neurológicos e emocionais.
No cérebro, há diferenças na regulação da dopamina, neurotransmissor ligado à motivação e ao prazer. Isso faz com que certos temas ou atividades gerem grande interesse e recompensa, enquanto outras não despertam atenção.
Além disso, o hiperfoco pode funcionar como uma forma de autorregulação emocional — ajuda a pessoa com TEA a se sentir segura, organizada e menos sobrecarregada pelos estímulos do ambiente.
Em resumo: o hiperfoco surge porque o cérebro encontra prazer, controle e previsibilidade em algo específico — e isso traz calma e satisfação.
-
O que é autoimagem no Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
O que é autoimagem no Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
No Transtorno do Espectro Autista (TEA), a autoimagem é a forma como a pessoa percebe e compreende a si mesma — suas capacidades, características e valor pessoal.
Em pessoas com TEA, essa percepção pode ser mais desafiadora de desenvolver, porque muitas vezes há dificuldade em interpretar as próprias emoções, compreender o ponto de vista dos outros e lidar com experiências sociais que influenciam a construção da identidade.
Assim, a autoimagem pode se tornar confusa, negativa ou pouco definida, especialmente se a pessoa passa por rejeições, críticas ou se sente “diferente” dos demais. Por outro lado, quando há aceitação, apoio emocional e autoconhecimento, é possível desenvolver uma autoimagem mais realista e positiva, fortalecendo a autoestima e a confiança.
-
Quais são os níveis mentais de uma pessoa ? .
Quais são os níveis mentais de uma pessoa ? .
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Quando falamos em níveis mentais, estamos nos referindo às camadas de funcionamento da mente — ou seja, às formas diferentes como pensamos, sentimos e reagimos. De maneira simples, podemos dividi-las assim:
Consciente – é o que você percebe agora: seus pensamentos, emoções e decisões do momento.
Pré-consciente (ou subconsciente) – são lembranças, ideias e hábitos que não estão na sua atenção imediata, mas que podem vir à tona facilmente quando você reflete.
Inconsciente – é a parte mais profunda, onde ficam guardadas experiências e emoções que influenciam suas escolhas, mesmo sem você perceber.
Na terapia, o objetivo é aproximar você dessas partes da mente, para compreender como elas atuam na sua vida e encontrar mais equilíbrio entre sentir, pensar e agir.
-
Quando devemos procurar ajuda para transtornos de comportamento disruptivo?
Quando devemos procurar ajuda para transtornos de comportamento disruptivo?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
É importante procurar ajuda psicológica quando os comportamentos disruptivos (como explosões de raiva, dificuldade em seguir regras, provocação constante ou atitudes impulsivas) começam a atrapalhar o convívio familiar, escolar, profissional ou social.
Sinais de alerta incluem:
Irritabilidade frequente e desproporcional;
Dificuldade em reconhecer limites ou empatia;
Quebras de regras repetidas;
Prejuízo nas relações e na rotina.
Quanto mais cedo o acompanhamento for iniciado, maior a chance de compreender as causas emocionais e desenvolver estratégias de autorregulação. Psicoterapia é o primeiro passo para promover mudanças de forma saudável.
-
O que são fatores transdiagnósticos? .
O que são fatores transdiagnósticos? .
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
São mecanismos da mente que estão presentes em vários problemas emocionais ao mesmo tempo.
Por exemplo: uma pessoa com ansiedade, depressão ou síndrome do pânico pode ter em comum a preocupação excessiva ou dificuldade de lidar com emoções.
Quando tratamos os fatores transdiagnósticos, conseguimos ajudar a pessoa de forma mais profunda, porque trabalhamos aquilo que mantém o sofrimento, independentemente do diagnóstico.
-
Quais são as 4 abordagens da psicologia cognitiva?
Quais são as 4 abordagens da psicologia cognitiva?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Dentro da psicologia cognitiva, existem algumas abordagens que se desenvolveram ao longo do tempo, cada uma com seu foco específico. As quatro mais conhecidas são:
Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): trabalha os pensamentos, emoções e comportamentos, ajudando a identificar e modificar padrões disfuncionais.
Terapia Cognitiva de Beck: baseia-se na ideia de que nossos pensamentos automáticos influenciam diretamente as emoções e atitudes.
Terapia Racional-Emotiva-Comportamental (REBT), de Ellis: busca questionar crenças irracionais e substituí-las por pensamentos mais realistas e saudáveis.
Terapia do Esquema, de Young: integra conceitos da TCC com experiências de infância, ajudando a entender padrões emocionais mais profundos que se repetem na vida adulta.
Todas têm em comum o objetivo de ampliar a consciência e promover mudanças mentais e comportamentais para melhorar a qualidade de vida.
-
O que é neuroarquitetura? Como ela impacta a saúde mental?
O que é neuroarquitetura? Como ela impacta a saúde mental?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Neuroarquitetura é o estudo de como os ambientes influenciam o cérebro, as emoções e o comportamento das pessoas.
Como ela impacta a saúde mental?
Ambientes bem planejados ajudam a reduzir estresse e ansiedade, aumentam sensação de bem-estar, segurança e foco. Já espaços desorganizados, escuros ou barulhentos podem gerar cansaço mental, irritação e piora emocional.
-
Como a psicoterapia pode usar ou trabalhar a identificação introjetiva em pacientes com doenças ment
Como a psicoterapia pode usar ou trabalhar a identificação introjetiva em pacientes com doenças mentais crónicas?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A psicoterapia trabalha a identificação introjetiva ajudando o paciente a perceber que muitos pensamentos e sentimentos não são “dele”, mas foram aprendidos ao longo da vida.
De forma simples, o processo envolve:
Identificar vozes internas negativas (culpa, incapacidade, desvalor).
Separar a pessoa da doença, para que o diagnóstico não vire identidade.
Questionar e modificar essas ideias internalizadas que mantêm o sofrimento.
Fortalecer autonomia, mesmo com uma condição crônica.
Usar o vínculo terapêutico como espaço seguro para ressignificar essas experiências.
Isso reduz sofrimento emocional e ajuda o paciente a viver melhor, mesmo convivendo com a doença.
-
O que são percepções sensoriais perturbadas? .
O que são percepções sensoriais perturbadas? .
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Percepções sensoriais perturbadas são quando o seu cérebro interpreta os estímulos de forma diferente do esperado.
Falando de forma mais clara:
é como se seus sentidos (visão, audição, tato, etc.) estivessem “desregulados”.
Isso pode aparecer assim:
sons normais parecem muito altos ou irritantes
luz incomoda mais do que deveria
toque pode ser desconfortável ou estranho
você pode sentir que o ambiente está “esquisito” ou diferente
em casos mais intensos, pode até parecer que está vendo ou ouvindo coisas que outros não percebem
Não é “frescura” nem falta de força —
É o cérebro processando tudo de um jeito alterado.
Geralmente isso está ligado a ansiedade, estresse, depressão ou outros quadros emocionais.
Resumindo:
não é o mundo que mudou, é a forma como seu cérebro está percebendo ele.
-
Como as doenças mentais crônicas afetam a percepção sensorial?
Como as doenças mentais crônicas afetam a percepção sensorial?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
De forma simples: as doenças mentais crônicas podem “bagunçar” a forma como o cérebro interpreta os estímulos do ambiente.
Isso pode aparecer como:
Sensibilidade aumentada → barulho incomoda mais, luz irrita, toque incomoda
Sensibilidade reduzida → a pessoa parece “desligada”, sente menos o ambiente
Distorções → sons, cheiros ou até percepções podem ser interpretados de forma diferente (mais comum em quadros mais graves)
Exemplos:
Ansiedade → tudo fica mais intenso (barulho, tensão no corpo)
Depressão → tudo pode parecer mais “apagado”, sem graça
TEA / TDAH → dificuldade em filtrar estímulos
Transtornos psicóticos → podem ocorrer alterações mais intensas na percepção
O problema não está só no ambiente, mas em como o cérebro está processando aquilo.
-
Como estimular a plasticidade cerebral? .
Como estimular a plasticidade cerebral? .
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Estimular a plasticidade cerebral é ajudar o cérebro a aprender melhor e se adaptar.
De forma simples, você faz isso assim:
Aprendendo coisas novas
Quando você aprende algo difícil (idioma, instrumento, estudo), o cérebro cria novas conexões.
Fazendo exercício físico
Exercício aumenta uma substância chamada BDNF, que ajuda o cérebro a crescer e funcionar melhor.
Dormindo bem
É no sono que o cérebro organiza o que você aprendeu. Sem dormir direito, você aprende pior.
Controlando o estresse
Estresse em excesso aumenta o cortisol, que pode atrapalhar áreas do cérebro ligadas à memória.
Convivendo com pessoas
Interagir com outros estimula várias áreas do cérebro ao mesmo tempo.
Resumo:
Seu cérebro muda quando você usa ele de verdade + repete + cuida do corpo e da mente
-
Quais são os impactos das redes sociais na saúde mental?
Quais são os impactos das redes sociais na saúde mental?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Impactos positivos:
Sensação de pertencimento e conexão.
Acesso à informação e apoio emocional.
Espaço de expressão e troca de experiências.
Impactos negativos:
Comparação constante, gerando baixa autoestima e frustração.
Aumento de ansiedade, estresse e sintomas depressivos.
Dependência, dificuldade de foco e necessidade de validação externa.
Distanciamento das relações reais.
O impacto depende do tempo de uso, do tipo de conteúdo consumido e da forma como a pessoa se relaciona com as redes.
-
Qual é o impacto da neuroplasticidade com a saúde do corpo e da Mente de uma pessoa ?
Qual é o impacto da neuroplasticidade com a saúde do corpo e da Mente de uma pessoa ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A neuroplasticidade é a capacidade do cérebro de se modificar ao longo da vida a partir das experiências. Evidências científicas mostram que ela permite a mudança de padrões emocionais, cognitivos e comportamentais, mesmo após traumas, estresse crônico ou doenças. Na saúde mental, a neuroplasticidade sustenta os efeitos da psicoterapia, ajudando na redução de ansiedade, depressão e na melhora da regulação emocional. Na saúde do corpo, influencia o controle do estresse, do sono, da dor e da resposta imunológica, reduzindo os impactos fisiológicos do sofrimento psicológico. Isso demonstra que pensamentos, hábitos e intervenções terapêuticas podem gerar mudanças reais e duradouras no funcionamento do cérebro, do corpo e da mente.
Autor
Perguntas frequentes
-
Doente com Cardiomiopatia Hipertrófica Apical e Insuficiência Cardíaca, 68 anos, pode viajar avião?
Em muitos casos a viagem aérea é possível quando a insuficiência cardíaca…