Perguntas do paciente (546)

  • "Qual é a explicação da psiquiatria para o sentimento de não pertencimento social no Transtorno de P

    "Qual é a explicação da psiquiatria para o sentimento de não pertencimento social no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?"

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marciano  Pires

    Sob a perspectiva da psiquiatria, o sentimento de não pertencimento social no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é compreendido como resultado da interação entre dificuldades na construção da identidade, regulação emocional, percepção dos vínculos e sensibilidade aumentada às experiências de rejeição ou abandono. Esse sentimento não representa apenas uma dificuldade social isolada, mas pode estar relacionado a alterações mais profundas na forma como o indivíduo percebe a si mesmo e seu lugar nas relações.

    Um dos conceitos centrais é a difusão de identidade, na qual existe dificuldade em manter uma percepção estável e integrada de quem se é, quais são seus valores, objetivos e características pessoais. Essa instabilidade pode gerar a sensação de ser diferente dos outros, de não se encaixar ou de depender excessivamente da aceitação externa para sentir segurança e valor pessoal.

    Outro aspecto importante é a hipervigilância interpessoal. Pessoas com TPB podem apresentar maior sensibilidade a sinais de rejeição, críticas ou afastamento, interpretando situações neutras como possíveis ameaças ao vínculo. Essa percepção pode aumentar sentimentos de exclusão, insegurança e necessidade intensa de confirmação afetiva.

    Na perspectiva psicodinâmica, esse fenômeno pode estar relacionado ao predomínio de mecanismos de defesa primitivos, especialmente a cisão, que dificulta a integração de aspectos positivos e negativos de si mesmo e dos outros. Como consequência, os relacionamentos podem ser vivenciados de maneira extrema, alternando entre intensa conexão e sentimentos de afastamento ou desconfiança.

    A psiquiatria também considera o papel de experiências de desenvolvimento, como relações familiares instáveis, dificuldades de validação emocional e experiências repetidas de rejeição ou abandono, que podem contribuir para padrões de apego inseguro e dificuldades na formação de vínculos estáveis.

    Na avaliação clínica, o psiquiatra investiga história de vida, funcionamento social, padrões relacionais, exame do estado mental, capacidade de mentalização e estratégias de enfrentamento. O tratamento busca fortalecer a identidade, melhorar a regulação emocional e desenvolver relações mais seguras, principalmente por meio de psicoterapias estruturadas.

    Também é importante avaliar sintomas associados, como ansiedade, depressão, crise de ansiedade, ataques de pânico, insônia, irritabilidade, estresse, tristeza profunda, falta de motivação, transtorno de ansiedade, transtornos de humor, transtorno depressivo e TDAH em adultos, pois podem intensificar a sensação de isolamento e dificuldade de pertencimento social.


  • Como a psiquiatria descreve o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e o pertencimento social?

    Como a psiquiatria descreve o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e o pertencimento social?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marciano  Pires

    A psiquiatria descreve o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) como um transtorno caracterizado por um padrão persistente de instabilidade emocional, dificuldades nos relacionamentos interpessoais, alterações na identidade, impulsividade e sensibilidade aumentada ao abandono ou rejeição. Esses aspectos influenciam diretamente a forma como o indivíduo percebe a si mesmo, interpreta as relações sociais e constrói seu sentimento de pertencimento.

    O pertencimento social envolve a capacidade de estabelecer vínculos estáveis, sentir-se aceito e reconhecer-se como parte de grupos ou relações significativas. No TPB, essa experiência pode ser prejudicada pela combinação entre uma necessidade intensa de conexão emocional e uma grande vulnerabilidade diante de sinais percebidos como afastamento, crítica ou rejeição. Pequenas mudanças no comportamento de outras pessoas podem ser interpretadas como ameaça ao vínculo, desencadeando respostas emocionais intensas.

    Um dos elementos centrais é a instabilidade da identidade, também chamada de difusão de identidade em modelos psicodinâmicos, na qual o indivíduo pode apresentar dificuldade em manter uma percepção contínua e integrada de seus valores, objetivos e características pessoais. Isso pode gerar insegurança sobre seu lugar nas relações e maior dependência da validação externa para sustentar a autoestima.

    Nas relações interpessoais, podem ocorrer ciclos de aproximação intensa, medo de abandono, conflitos e afastamentos. A presença de mecanismos de defesa como cisão, idealização, desvalorização, projeção e identificação projetiva pode contribuir para interpretações mais extremas dos vínculos, dificultando a manutenção de relações equilibradas.

    Na avaliação psiquiátrica, são investigados história de vida, padrões relacionais, exame do estado mental, funcionamento social e ocupacional, regulação emocional e capacidade de mentalização. O tratamento busca fortalecer uma identidade mais integrada, melhorar habilidades sociais e promover relações mais estáveis, principalmente por meio de psicoterapias estruturadas.

    Também é essencial avaliar sintomas associados, como ansiedade, depressão, crise de ansiedade, ataques de pânico, insônia, irritabilidade, estresse, tristeza profunda, falta de motivação, transtorno de ansiedade, transtornos de humor, transtorno depressivo e TDAH em adultos, pois esses sintomas podem influenciar a autoestima, os vínculos e a percepção de pertencimento social.


  • De que forma o sentimento de pertencimento social pode ser reconstruído no Transtorno de Personalida

    De que forma o sentimento de pertencimento social pode ser reconstruído no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) sob a perspectiva da psiquiatria?”

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marciano  Pires

    Sob a perspectiva da psiquiatria, a reconstrução do sentimento de pertencimento social no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ocorre por meio do desenvolvimento progressivo de maior estabilidade emocional, integração da identidade, habilidades interpessoais e capacidade de estabelecer vínculos seguros. O objetivo não é apenas reduzir sintomas, mas promover uma relação mais saudável do indivíduo consigo mesmo e com os outros.

    Um dos principais focos terapêuticos é trabalhar a regulação emocional, pois no TPB as emoções podem ser intensas e mudar rapidamente, influenciando a interpretação das situações sociais. A psicoterapia auxilia o paciente a reconhecer emoções, compreender gatilhos e desenvolver respostas mais adaptativas, reduzindo comportamentos impulsivos que podem prejudicar relações importantes.

    A reconstrução da identidade também tem papel fundamental. Muitos pacientes apresentam difusão de identidade, caracterizada por dificuldade em manter uma percepção estável de si, de seus valores e objetivos. O fortalecimento da identidade permite que a pessoa participe de relações sociais sem depender exclusivamente da aprovação externa para sentir valor pessoal ou segurança.

    As psicoterapias estruturadas, como a Terapia Dialética Comportamental (TDC), a Terapia Baseada em Mentalização (MBT) e a Terapia Focada em Esquemas, trabalham habilidades como tolerância ao sofrimento, comunicação, empatia, compreensão dos próprios estados mentais e dos outros. Esses recursos favorecem vínculos mais estáveis e reduzem padrões marcados por medo de abandono, idealização e desvalorização.

    Na perspectiva psicodinâmica, o tratamento busca integrar aspectos fragmentados da experiência emocional, reduzindo o predomínio de mecanismos de defesa primitivos, como cisão, projeção e identificação projetiva, que podem dificultar a percepção equilibrada de si e das relações.

    A psiquiatria também considera a importância do ambiente social: relações familiares mais estáveis, grupos de apoio, atividades ocupacionais e espaços onde o indivíduo possa exercer papéis significativos favorecem a sensação de pertencimento. O tratamento medicamentoso, quando indicado, pode auxiliar no controle de sintomas associados, como ansiedade, depressão, crise de ansiedade, ataques de pânico, insônia, irritabilidade, estresse, tristeza profunda, falta de motivação, transtorno de ansiedade, transtornos de humor, transtorno depressivo e TDAH em adultos, mas não substitui a psicoterapia no trabalho da personalidade e dos vínculos.

    Assim, o pertencimento social no TPB é reconstruído gradualmente por meio de uma combinação de autoconhecimento, relações terapêuticas estáveis, desenvolvimento de habilidades emocionais e experiências sociais positivas que reforçam uma identidade mais integrada e segura.


  • Como o tratamento psicológico atua no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) sob a perspectiva

    Como o tratamento psicológico atua no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) sob a perspectiva da psiquiatria?”

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marciano  Pires

    Sob a perspectiva da psiquiatria, o tratamento psicológico é a principal intervenção terapêutica para o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), pois atua diretamente nos padrões persistentes de funcionamento emocional, cognitivo e interpessoal que caracterizam o transtorno. Diferentemente de quadros em que a medicação pode ser o tratamento central, no TPB as psicoterapias estruturadas possuem papel fundamental na modificação dos padrões relacionais e na melhora da regulação emocional.

    A psicoterapia busca desenvolver maior capacidade de identificar, compreender e regular emoções intensas, reduzindo respostas impulsivas diante de situações percebidas como ameaçadoras. Também trabalha a compreensão dos próprios pensamentos, sentimentos e comportamentos, favorecendo a mentalização, ou seja, a capacidade de refletir sobre os estados mentais próprios e dos outros antes de agir.

    Abordagens como a Terapia Dialética Comportamental (TDC), a Terapia Baseada em Mentalização (MBT), a Terapia Focada em Esquemas e abordagens psicodinâmicas adaptadas ao TPB apresentam evidências no manejo dos sintomas. Essas intervenções auxiliam na redução de comportamentos impulsivos, automutilação, instabilidade nos relacionamentos, medo de abandono e dificuldades relacionadas à identidade.

    Na perspectiva psicodinâmica, a psicoterapia também trabalha aspectos como difusão de identidade, mecanismos de defesa primitivos (como cisão, projeção e identificação projetiva), idealização e desvalorização, buscando promover maior integração da percepção de si mesmo e dos outros.

    O tratamento psiquiátrico frequentemente envolve uma abordagem integrada, combinando psicoterapia com acompanhamento médico quando necessário. Os medicamentos não tratam diretamente a estrutura da personalidade, mas podem auxiliar no controle de sintomas associados, como ansiedade, depressão, insônia, irritabilidade, crise de ansiedade, ataques de pânico, estresse, tristeza profunda, falta de motivação, transtorno de ansiedade, transtornos de humor, transtorno depressivo e TDAH em adultos.

    A evolução do TPB tende a ser melhor quando existe continuidade terapêutica, vínculo estável com a equipe de saúde e desenvolvimento progressivo de estratégias mais adaptativas de enfrentamento emocional e social.


  • De que forma o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) impacta os relacionamentos interpessoais

    De que forma o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) impacta os relacionamentos interpessoais sob a perspectiva da psiquiatria ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marciano  Pires

    Sob a perspectiva da psiquiatria, o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) impacta os relacionamentos interpessoais principalmente por meio de dificuldades na regulação emocional, percepção dos vínculos, estabilidade da identidade e manejo do medo de abandono. Os relacionamentos podem ser vivenciados de forma muito intensa, com grande necessidade de proximidade emocional, mas também com elevada sensibilidade a sinais de rejeição, afastamento ou críticas.

    Um dos aspectos centrais é a presença de padrões relacionais instáveis, nos quais podem ocorrer oscilações entre idealização e desvalorização. Em determinados momentos, uma pessoa pode ser percebida como extremamente importante e acolhedora; em outros, após uma frustração ou conflito, pode ser vista como indiferente ou ameaçadora. Esse padrão está relacionado, em modelos psicodinâmicos, ao uso de mecanismos de defesa primitivos, especialmente a cisão, que dificulta a integração dos aspectos positivos e negativos de si mesmo e dos outros.

    O medo intenso de abandono também exerce papel importante. Situações comuns, como demora em responder uma mensagem, mudança de rotina ou necessidade de espaço do outro, podem ser interpretadas como sinais de rejeição, desencadeando emoções intensas, ansiedade e comportamentos impulsivos na tentativa de preservar o vínculo.

    Além disso, a difusão de identidade, característica descrita em modelos estruturais da personalidade, pode influenciar os relacionamentos, pois o indivíduo pode apresentar insegurança sobre seus próprios valores, necessidades e desejos, tornando-se mais dependente da validação externa para organizar sua autoestima e seu senso de pertencimento.

    Na avaliação psiquiátrica, são analisados os padrões de relacionamento ao longo da vida, histórico de vínculos afetivos, funcionamento social, exame do estado mental, capacidade de mentalização e estratégias de enfrentamento emocional. O tratamento busca melhorar a regulação emocional, desenvolver relações mais estáveis e aumentar a capacidade de compreender os próprios estados internos e os dos outros, principalmente por meio de psicoterapias estruturadas.

    Também é importante avaliar sintomas associados, como ansiedade, depressão, crise de ansiedade, ataques de pânico, insônia, irritabilidade, estresse, tristeza profunda, falta de motivação, transtorno de ansiedade, transtornos de humor, transtorno depressivo e TDAH em adultos, pois podem intensificar conflitos interpessoais e afetar a qualidade dos vínculos.


  • Como o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) impacta os relacionamentos interpessoais na visã

    Como o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) impacta os relacionamentos interpessoais na visão psiquiátrica ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marciano  Pires

    Sob a perspectiva da psiquiatria, o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) impacta os relacionamentos interpessoais principalmente pela interação entre instabilidade emocional, medo de abandono, dificuldade de regulação dos afetos e alterações na percepção de si mesmo e dos outros. Essas características podem tornar os vínculos mais intensos, porém também mais vulneráveis a conflitos e rupturas.

    Um dos aspectos centrais é a hipersensibilidade às relações interpessoais. Pessoas com TPB podem perceber mudanças sutis no comportamento de alguém importante — como demora em responder uma mensagem, alteração de tom de voz ou necessidade de afastamento temporário — como sinais de rejeição ou abandono. Essa interpretação pode desencadear emoções intensas, como ansiedade, raiva, tristeza profunda ou sensação de ameaça ao vínculo.

    Outro elemento importante é o padrão de idealização e desvalorização, no qual uma pessoa pode ser vista inicialmente como extremamente positiva, segura e indispensável, mas, após uma frustração ou conflito, passar a ser percebida de forma muito negativa. Na compreensão psicodinâmica, esse fenômeno está relacionado ao uso de mecanismos de defesa primitivos, especialmente a cisão, que dificulta integrar aspectos positivos e negativos de uma mesma pessoa.

    A difusão de identidade, frequentemente descrita nos modelos estruturais da personalidade, também interfere nos relacionamentos. A dificuldade em manter uma percepção estável de si mesmo pode levar a insegurança sobre necessidades, valores e objetivos, aumentando a dependência da validação externa e tornando os vínculos uma fonte importante de regulação da autoestima.

    Na prática clínica, o psiquiatra avalia padrões relacionais ao longo da vida, histórico de vínculos afetivos, impulsividade, capacidade de mentalização, exame do estado mental e formas de lidar com conflitos. O tratamento busca desenvolver maior estabilidade emocional, melhorar a comunicação, fortalecer a identidade e construir relações mais equilibradas, principalmente por meio de psicoterapias estruturadas.

    Também é fundamental avaliar sintomas associados, como ansiedade, depressão, crise de ansiedade, ataques de pânico, insônia, irritabilidade, estresse, tristeza profunda, falta de motivação, transtorno de ansiedade, transtornos de humor, transtorno depressivo e TDAH em adultos, pois esses sintomas podem intensificar dificuldades relacionais e afetar a qualidade de vida.


  • Escitaloprám 10mg pela manhã e ciclobenzaprina 5mg a noite é seguro

    Escitaloprám 10mg pela manhã e ciclobenzaprina 5mg a noite é seguro

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marciano  Pires

    O uso de escitalopram 10 mg pela manhã junto com ciclobenzaprina 5 mg à noite pode ser prescrito em algumas situações, mas merece atenção e acompanhamento médico, pois existe uma possível interação entre esses medicamentos.

    A ciclobenzaprina possui uma estrutura semelhante a alguns antidepressivos tricíclicos e apresenta efeito serotoninérgico, enquanto o escitalopram também aumenta a disponibilidade de serotonina. Por isso, embora seja uma associação geralmente de baixo risco quando utilizada em doses habituais e por períodos curtos, existe uma possibilidade teórica de aumento do risco de síndrome serotoninérgica.

    Os sinais de alerta incluem agitação intensa, confusão, febre, sudorese excessiva, tremores importantes, rigidez muscular, diarreia intensa, batimentos cardíacos acelerados ou piora súbita do estado geral. Se esses sintomas surgirem, é necessário procurar avaliação médica.

    Além disso, a ciclobenzaprina pode causar sonolência, tontura, boca seca e redução dos reflexos, portanto é importante ter cuidado com álcool, dirigir ou atividades que exijam atenção, especialmente nos primeiros dias de uso.

    Se o escitalopram foi prescrito para ansiedade, depressão, crise de ansiedade, ataques de pânico, insônia ou transtornos de humor, vale informar ao médico todos os medicamentos em uso para avaliar o melhor equilíbrio entre benefícios e riscos.

    Se você puder informar há quanto tempo usa o escitalopram, por quantos dias pretende usar a ciclobenzaprina e se possui outros medicamentos em uso, é possível contextualizar melhor a segurança dessa combinação.


  • Como o pertencimento social no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode ser entendido como

    Como o pertencimento social no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode ser entendido como um problema de regulação intersubjetiva ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marciano  Pires

    No Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), o pertencimento social pode ser compreendido, sob uma perspectiva psiquiátrica contemporânea, como uma dificuldade na regulação intersubjetiva, ou seja, na capacidade de regular emoções, pensamentos e comportamentos por meio das interações com outras pessoas. O ser humano utiliza os vínculos sociais como uma forma de segurança emocional, validação e organização da própria experiência interna; no TPB, esse processo pode ocorrer de maneira mais instável e vulnerável.

    A regulação intersubjetiva envolve a capacidade de perceber o outro como uma presença segura, interpretar adequadamente sinais sociais e utilizar os relacionamentos para modular estados emocionais. Em pacientes com TPB, essa dinâmica pode ser prejudicada por uma maior sensibilidade a sinais de rejeição, abandono ou invalidação, fazendo com que situações interpessoais sejam vivenciadas como ameaças intensas.

    Um dos aspectos centrais é a dificuldade em manter uma representação estável dos vínculos. O indivíduo pode oscilar entre uma necessidade intensa de proximidade e uma tentativa de proteção contra possíveis feridas emocionais. Essa instabilidade pode favorecer ciclos de aproximação, medo, conflito e afastamento, afetando a sensação de pertencimento.

    Do ponto de vista neurobiológico e psicodinâmico, essa dificuldade envolve a interação entre:

    Maior reatividade emocional: respostas mais intensas diante de estímulos sociais, especialmente relacionados à rejeição ou crítica;
    Alterações na mentalização: dificuldade temporária de compreender os próprios estados mentais e os estados emocionais dos outros durante momentos de estresse;
    Sensibilidade aumentada ao reconhecimento social: maior dependência da validação externa para manter uma sensação estável de valor pessoal;
    Dificuldade de integração emocional: tendência a perceber relações de forma polarizada, como segurança extrema ou ameaça, especialmente em situações de conflito.

    Na prática clínica, isso pode ser observado quando o paciente interpreta mudanças pequenas no comportamento de pessoas importantes como sinais de abandono ou perda de vínculo. A emoção gerada por essa interpretação pode desencadear respostas impulsivas, como cobranças intensas, afastamento, raiva ou comportamentos de busca urgente por reconexão.

    A relação terapêutica também funciona como um espaço de observação e reconstrução dessa regulação intersubjetiva. Um vínculo terapêutico estável, com empatia e limites consistentes, pode ajudar o paciente a desenvolver maior confiança, tolerância à frustração e capacidade de compreender que uma relação pode permanecer segura mesmo diante de diferenças ou momentos de distância.

    Assim, no TPB, o problema do pertencimento social não é simplesmente uma dificuldade de “se relacionar”, mas uma alteração na forma como o indivíduo regula suas emoções através dos vínculos. O tratamento busca ampliar a capacidade de construir relações baseadas em segurança, reciprocidade e compreensão mútua, reduzindo interpretações ameaçadoras e fortalecendo uma identidade mais estável.


  • Como o pertencimento social se relaciona com identidade no Transtorno de Personalidade Borderline (T

    Como o pertencimento social se relaciona com identidade no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marciano  Pires

    No Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), a relação entre pertencimento social e identidade é compreendida pela psiquiatria como uma interação dinâmica: a forma como o indivíduo se percebe depende, em parte, da maneira como vivencia seus vínculos, mas ao mesmo tempo dificuldades na construção da identidade podem tornar as relações sociais mais instáveis.

    Um dos conceitos centrais no TPB é a perturbação da identidade ou difusão de identidade, caracterizada por uma dificuldade em manter uma percepção contínua e integrada de si mesmo ao longo do tempo. O indivíduo pode apresentar mudanças significativas na autoimagem, valores, objetivos, preferências e sensação de quem é, especialmente diante de mudanças relacionais ou situações de estresse.

    O pertencimento social exerce um papel importante porque os vínculos funcionam como uma fonte de reconhecimento, validação e confirmação da identidade. Em pessoas com TPB, pode haver uma dependência aumentada da resposta dos outros para manter uma sensação de estabilidade interna. Assim, elogios, aprovação ou proximidade podem gerar uma sensação de segurança e valor pessoal, enquanto críticas, afastamentos ou conflitos podem ser vivenciados como ameaças à própria identidade.

    Do ponto de vista psicodinâmico, essa dificuldade está relacionada à menor integração das representações de si e dos outros. O paciente pode ter dificuldade em conciliar aspectos positivos e negativos de uma mesma pessoa ou de si próprio, favorecendo oscilações entre sentimentos de valorização e desvalorização.

    Alguns fenômenos relacionados incluem:

    Busca intensa por conexão: necessidade de sentir-se aceito e pertencente a grupos ou relações significativas;
    Medo de abandono: receio de perder vínculos importantes, associado à sensação de perder uma parte da própria estabilidade emocional;
    Adaptação excessiva ao outro: mudança de opiniões, comportamentos ou objetivos para preservar uma relação;
    Sensação de vazio: dificuldade em sentir continuidade interna quando não há validação externa;
    Conflitos interpessoais intensos: quando ameaças percebidas ao vínculo desencadeiam respostas emocionais desproporcionais.

    Na perspectiva da neurobiologia e da psicologia social, o TPB também envolve maior sensibilidade aos sinais de aceitação e rejeição. O cérebro pode interpretar determinadas situações sociais como ameaças à segurança emocional, ativando respostas intensas de ansiedade, raiva ou tristeza.

    O tratamento busca fortalecer uma identidade mais integrada e independente das oscilações relacionais. Psicoterapias como Terapia Dialética Comportamental (TDC), Terapia Baseada em Mentalização (MBT) e Terapia Focada em Esquemas trabalham a capacidade de reconhecer pensamentos, emoções e valores próprios, além de construir relações mais estáveis.

    Portanto, no TPB, o pertencimento social e a identidade estão profundamente conectados: a dificuldade não está em não desejar vínculos, mas em manter uma sensação consistente de quem se é mesmo quando as relações mudam, apresentam conflitos ou não oferecem validação constante.


  • Como a falha de mentalização impacta diretamente o pertencimento social no Transtorno de Personalida

    Como a falha de mentalização impacta diretamente o pertencimento social no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marciano  Pires

    No Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), a falha de mentalização pode impactar diretamente o pertencimento social porque interfere na capacidade de compreender os próprios estados mentais e os estados emocionais das outras pessoas, especialmente em situações de estresse ou ameaça ao vínculo. A mentalização é a habilidade de interpretar comportamentos considerando pensamentos, sentimentos, intenções e perspectivas, sendo fundamental para construir relações estáveis e seguras.

    Na psiquiatria contemporânea, especialmente na abordagem da Terapia Baseada em Mentalização (MBT), entende-se que indivíduos com TPB geralmente possuem capacidade de mentalizar preservada em situações de segurança, mas essa habilidade pode sofrer uma redução temporária durante momentos de intensa ativação emocional. Quando ocorre essa “falha de mentalização”, o paciente pode interpretar situações sociais de forma mais rígida, imediata ou ameaçadora.

    Alguns impactos importantes incluem:

    Interpretação equivocada dos sinais sociais: uma demora em responder uma mensagem, uma mudança de expressão facial ou uma crítica podem ser interpretadas como rejeição, desprezo ou abandono, mesmo quando existem explicações alternativas.
    Dificuldade em reconhecer a subjetividade do outro: em momentos de crise emocional, pode haver maior tendência a interpretar as atitudes alheias como diretamente relacionadas a si próprio, com menor consideração sobre outras possíveis intenções.
    Maior instabilidade nos vínculos: a dificuldade de compreender que sentimentos podem mudar sem significar perda do relacionamento pode favorecer oscilações entre aproximação intensa e afastamento defensivo.
    Problemas na regulação emocional interpessoal: quando o vínculo é percebido como ameaçado, emoções como medo, raiva, vergonha ou tristeza podem assumir o controle, levando a respostas impulsivas que prejudicam a conexão social.

    Do ponto de vista psicodinâmico, essa dificuldade está relacionada à fragilidade na integração das representações de si e dos outros. O indivíduo pode ter dificuldade em manter simultaneamente a percepção de que uma pessoa pode ser importante e, ao mesmo tempo, cometer erros ou causar frustrações sem que isso represente abandono ou rejeição.

    A falha de mentalização também influencia a sensação de pertencimento porque as relações sociais dependem da capacidade de imaginar que o outro possui uma mente independente, com sentimentos, intenções e limitações próprias. Quando essa capacidade fica comprometida pelo estresse emocional, o mundo interpessoal pode ser vivenciado como mais imprevisível e ameaçador.

    O tratamento busca justamente fortalecer essa função, ajudando o paciente a desenvolver maior curiosidade sobre seus próprios estados internos e sobre os estados dos outros, substituindo interpretações automáticas por reflexões mais flexíveis. Abordagens como Terapia Baseada em Mentalização (MBT), Terapia Dialética Comportamental (TDC) e outras psicoterapias estruturadas trabalham essa integração.

    Assim, no TPB, a dificuldade de pertencimento social está frequentemente relacionada não à falta de desejo de conexão, mas à dificuldade de interpretar, regular e sustentar os vínculos de maneira estável quando emoções intensas comprometem a capacidade de compreender a própria mente e a mente do outro.


  • Qual é o marcador de melhora do pertencimento social no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)

    Qual é o marcador de melhora do pertencimento social no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marciano  Pires

    No Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), a melhora do pertencimento social não é avaliada apenas pelo número de relações sociais ou pela ausência de conflitos, mas principalmente pela capacidade do indivíduo de construir e manter vínculos mais estáveis, seguros e satisfatórios. Na psiquiatria contemporânea, esse processo é entendido como um indicador de melhora da regulação emocional, identidade e funcionamento interpessoal.

    Alguns dos principais marcadores clínicos de melhora incluem:

    Maior estabilidade nos relacionamentos: redução dos ciclos intensos de aproximação e afastamento, com menor oscilação entre idealização e desvalorização das pessoas importantes.
    Menor sensibilidade à rejeição percebida: o paciente passa a interpretar melhor situações ambíguas, compreendendo que uma demora, discordância ou distância momentânea não significa necessariamente abandono ou perda do vínculo.
    Maior capacidade de mentalização: melhora na habilidade de refletir sobre os próprios pensamentos e sentimentos e considerar que outras pessoas possuem perspectivas, emoções e intenções diferentes.
    Identidade mais integrada: desenvolvimento de uma percepção mais consistente de si mesmo, com valores, objetivos e características próprias menos dependentes da validação externa.
    Melhor regulação emocional nas relações: redução de respostas impulsivas diante de conflitos, permitindo maior capacidade de conversar, negociar e tolerar frustrações sem rupturas abruptas.
    Ampliação da rede social e da reciprocidade: maior capacidade de participar de grupos, manter amizades, estabelecer relações profissionais e oferecer suporte emocional aos outros.
    Maior tolerância à autonomia e separação: conseguir permanecer emocionalmente conectado mesmo quando o outro está ausente ou quando existe alguma distância física ou emocional.

    Do ponto de vista da Terapia Baseada em Mentalização (MBT), um importante marcador de evolução é quando o paciente deixa de interpretar automaticamente o comportamento do outro como uma ameaça e passa a demonstrar curiosidade: “O que pode estar acontecendo com essa pessoa?” em vez de concluir imediatamente “ela não se importa comigo”.

    Na perspectiva psicodinâmica, a melhora também envolve a passagem de relações mais baseadas em medo, necessidade de confirmação ou controle para relações com maior ambivalência saudável, nas quais o indivíduo consegue reconhecer que uma pessoa pode ter aspectos positivos e negativos sem perder a sensação de segurança do vínculo.

    Portanto, o principal marcador de melhora do pertencimento social no TPB é a capacidade de permanecer conectado aos outros sem perder a própria identidade, sem interpretar toda frustração como rejeição e sem precisar recorrer a respostas emocionais extremas para preservar o vínculo. Essa evolução geralmente ocorre de forma gradual com psicoterapia estruturada, desenvolvimento de habilidades emocionais e, quando indicado, tratamento medicamentoso dos sintomas associados.


  • Como a desregulação emocional afeta o pertencimento social em tempo real no Transtorno de Personalid

    Como a desregulação emocional afeta o pertencimento social em tempo real no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marciano  Pires

    No Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), a desregulação emocional pode afetar o pertencimento social em tempo real porque modifica a forma como o indivíduo percebe, interpreta e responde aos acontecimentos interpessoais enquanto eles estão acontecendo. A dificuldade não está apenas na intensidade das emoções, mas na velocidade com que elas surgem e na menor capacidade de regulá-las antes que influenciem pensamentos e comportamentos.

    Em situações sociais, especialmente quando existe possibilidade de rejeição, crítica, afastamento ou conflito, pode ocorrer uma rápida ativação do sistema de ameaça. Um evento relativamente pequeno, como uma mensagem não respondida ou uma mudança no comportamento de alguém importante, pode desencadear uma sequência:

    sinal social → interpretação de ameaça → ativação emocional intensa → resposta impulsiva → impacto no vínculo.

    Nesse momento, emoções como medo, vergonha, raiva ou tristeza podem dominar temporariamente a capacidade de reflexão. O indivíduo pode interpretar a situação de forma mais absoluta, por exemplo, pensando “essa pessoa não se importa comigo” ou “vou ser abandonado”, mesmo quando existem outras explicações possíveis.

    Do ponto de vista neurobiológico, esse processo envolve uma maior reatividade de sistemas relacionados à detecção de ameaça, como a amígdala cerebral, associada a uma menor capacidade momentânea de modulação por áreas pré-frontais responsáveis por planejamento, controle de impulsos e avaliação de consequências. Assim, durante uma crise emocional, a resposta pode ser mais orientada pela urgência de aliviar o sofrimento do que pela preservação do relacionamento a longo prazo.

    Na prática, isso pode gerar:

    Busca intensa por confirmação ou proximidade: tentativa de recuperar rapidamente a sensação de segurança no vínculo;
    Reações de afastamento ou raiva: como forma de proteção contra uma possível rejeição;
    Mudanças rápidas na percepção do outro: alternância entre sentir a pessoa como extremamente importante ou como alguém que causa sofrimento;
    Dificuldade de comunicação durante conflitos: porque a emoção intensa reduz temporariamente a capacidade de mentalização e negociação.

    A consequência é que a própria tentativa de proteger o vínculo pode, paradoxalmente, gerar comportamentos que dificultam a manutenção da relação, criando um ciclo de medo de abandono, reação intensa e posterior culpa ou arrependimento.

    Na perspectiva da Terapia Baseada em Mentalização (MBT), entende-se que a capacidade de compreender a mente própria e a do outro pode ficar prejudicada durante estados de alta ativação emocional. Já na Terapia Dialética Comportamental (TDC), o foco está em desenvolver habilidades para identificar emoções precocemente, tolerar desconforto e escolher respostas mais adaptativas.

    Assim, no TPB, a desregulação emocional afeta o pertencimento social porque interfere no momento mais crítico dos relacionamentos: a capacidade de permanecer conectado ao outro mesmo quando emoções intensas surgem. A melhora envolve aprender a criar um espaço entre sentir a emoção e agir sobre ela, permitindo relações mais estáveis e seguras.


  • O que acontece com a percepção de pertencimento social durante crises no Transtorno de Personalidade

    O que acontece com a percepção de pertencimento social durante crises no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marciano  Pires

    No Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), durante crises emocionais intensas, a percepção de pertencimento social pode sofrer alterações importantes, pois o estado emocional influencia diretamente a forma como o indivíduo interpreta os vínculos, a disponibilidade dos outros e o próprio valor dentro das relações. A psiquiatria compreende esse fenômeno como uma interação entre desregulação emocional, alterações na mentalização, sensibilidade à rejeição e instabilidade da identidade.

    Durante uma crise, o sistema de ameaça pode ser ativado de forma intensa, especialmente diante de situações percebidas como abandono, crítica, afastamento ou perda de conexão. Nesse estado, o cérebro tende a priorizar a proteção contra uma possível ameaça emocional, reduzindo temporariamente a capacidade de avaliar a situação de maneira mais flexível.

    Algumas alterações comuns incluem:

    Sensação intensa de não pertencimento: o indivíduo pode sentir-se isolado, excluído ou desconectado, mesmo quando existem pessoas disponíveis e vínculos reais.
    Aumento da percepção de rejeição: sinais neutros ou ambíguos podem ser interpretados como provas de afastamento, desinteresse ou abandono.
    Mudança temporária na imagem de si mesmo: durante crises, pode ocorrer uma intensificação de sentimentos de inutilidade, vazio ou inadequação, afetando a sensação de ter um lugar nos grupos e relacionamentos.
    Dificuldade de mentalização: em momentos de alta ativação emocional, pode haver redução da capacidade de considerar outras perspectivas, levando a interpretações mais rígidas do comportamento dos outros.
    Comportamentos de busca ou afastamento do vínculo: algumas pessoas podem tentar recuperar rapidamente a conexão por meio de mensagens repetidas, cobranças ou pedidos de garantia; outras podem se afastar como forma de proteção contra uma possível rejeição.

    Do ponto de vista psicodinâmico, as crises podem reativar padrões relacionais associados ao medo de abandono e à dificuldade de integrar aspectos positivos e negativos dos vínculos. A pessoa pode temporariamente perder a percepção de que uma relação pode continuar segura mesmo diante de conflitos ou momentos de distância.

    Neurobiologicamente, esse processo envolve maior ativação de circuitos relacionados ao estresse e à ameaça, incluindo estruturas como amígdala e ínsula, enquanto mecanismos de regulação emocional mediados pelo córtex pré-frontal podem funcionar de forma menos eficiente durante o pico da crise.

    Um marcador importante de evolução clínica é quando o paciente passa a conseguir reconhecer: “estou sentindo que fui rejeitado” em vez de concluir automaticamente “fui rejeitado”. Essa diferença representa uma melhora na capacidade de separar experiência emocional interna de realidade externa.

    Portanto, durante crises no TPB, a percepção de pertencimento social pode ficar temporariamente distorcida, com aumento da sensação de isolamento e ameaça ao vínculo. O tratamento busca desenvolver maior estabilidade emocional, fortalecer a identidade e ampliar a capacidade de manter a sensação de conexão mesmo diante de frustrações, conflitos ou incertezas relacionais.


  • Qual é o mecanismo psicopatológico central que impede o pertencimento no Transtorno de Personalidade

    Qual é o mecanismo psicopatológico central que impede o pertencimento no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marciano  Pires

    No Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), o mecanismo psicopatológico central que interfere no sentimento de pertencimento social é a dificuldade de integrar de forma estável a percepção de si mesmo e dos outros, associada à desregulação emocional e à fragilidade dos processos de mentalização. Não se trata de uma incapacidade de criar vínculos; pelo contrário, muitas pessoas com TPB apresentam forte desejo de conexão, mas vivenciam os relacionamentos com intensa vulnerabilidade emocional.

    Um dos conceitos fundamentais na psiquiatria psicodinâmica é a difusão de identidade, descrita como uma dificuldade em manter uma representação integrada e contínua de si próprio. Quando a identidade é mais instável, o senso de pertencimento pode depender excessivamente da resposta dos outros. A aceitação gera sensação de segurança e valor pessoal, enquanto sinais percebidos de rejeição podem ser vivenciados como ameaças à própria identidade.

    Outro mecanismo central é a falha de mentalização em estados de alta ativação emocional. A capacidade de compreender que o outro possui pensamentos, sentimentos e intenções próprias pode ficar temporariamente reduzida durante crises. Assim, comportamentos ambíguos podem ser interpretados como abandono, crítica ou desvalorização, aumentando a sensação de exclusão social.

    Também têm papel importante os mecanismos defensivos mais primitivos, especialmente a cisão, que dificulta integrar aspectos positivos e negativos de uma mesma pessoa ou relação. Isso pode levar a oscilações entre sentir alguém como extremamente acolhedor e indispensável e, posteriormente, como indiferente ou ameaçador após uma frustração.

    Do ponto de vista neurobiológico, esse funcionamento envolve uma interação entre:

    Maior reatividade dos circuitos de ameaça, incluindo a amígdala, diante de sinais sociais negativos;
    Alterações no processamento interoceptivo, com maior percepção de sensações corporais associadas ao sofrimento emocional;
    Menor modulação cognitiva durante crises, dificultando pausar e reinterpretar situações antes de reagir.

    Na prática clínica, o ciclo frequentemente observado é:

    ameaça percebida ao vínculo → aumento da ativação emocional → interpretação rígida da situação → resposta impulsiva ou defensiva → conflito ou afastamento → reforço da sensação de não pertencimento.

    Portanto, o principal obstáculo ao pertencimento no TPB não é a falta de desejo de conexão, mas a dificuldade de manter uma sensação interna de segurança e continuidade nos vínculos quando emoções intensas ativam medo de rejeição ou abandono.

    O tratamento busca justamente romper esse ciclo, fortalecendo a identidade, a mentalização, a regulação emocional e a capacidade de construir relações baseadas em confiança e reciprocidade.


  • “Por que o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode gerar sensação de pensamento acelerado?

    “Por que o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode gerar sensação de pensamento acelerado?”

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marciano  Pires

    No Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), a sensação de pensamento acelerado pode ocorrer principalmente como consequência da alta ativação emocional, hipervigilância e dificuldade de regulação dos estados internos, e não necessariamente pelo mesmo mecanismo observado em episódios de mania ou hipomania do transtorno bipolar.

    Em muitos pacientes com TPB, o pensamento pode “acelerar” durante momentos de estresse interpessoal, medo de abandono, conflitos ou sensação de rejeição. O cérebro entra em um estado de ameaça emocional, aumentando a vigilância e a busca por informações que possam indicar perigo no relacionamento. Isso pode gerar uma sequência rápida de pensamentos, interpretações e preocupações.

    Alguns mecanismos envolvidos incluem:

    Hiperativação emocional: emoções intensas, como ansiedade, raiva, vergonha ou medo, aumentam a atividade dos sistemas de alerta cerebral. A mente passa a trabalhar rapidamente tentando compreender, prever ou controlar a situação.
    Ruminação e hiperfoco interpessoal: o indivíduo pode ficar preso analisando mensagens, comportamentos, conversas ou possíveis sinais de rejeição, gerando a sensação de que os pensamentos não conseguem “desligar”.
    Dificuldade de regulação emocional: quando uma emoção intensa surge, pode haver menor capacidade de organizar pensamentos e priorizar informações, fazendo com que várias ideias apareçam simultaneamente.
    Ansiedade elevada: sintomas ansiosos associados ao TPB podem produzir aceleração cognitiva, preocupação excessiva e sensação de urgência mental.
    Dissociação e instabilidade da experiência interna: em alguns momentos, alterações na percepção de si e do ambiente podem acompanhar uma sensação de confusão ou excesso de pensamentos.

    É importante diferenciar essa experiência da aceleração do pensamento típica da mania ou hipomania, na qual geralmente há aumento persistente de energia, redução da necessidade de sono sem cansaço, elevação ou irritabilidade anormal do humor, aumento de comportamentos de risco, grandiosidade e mudança global do funcionamento.

    No TPB, a aceleração costuma ser mais reativa e dependente do contexto emocional, aparecendo principalmente após gatilhos relacionais ou situações de estresse e podendo diminuir quando o estado emocional se estabiliza.

    O tratamento busca reduzir essa hiperativação por meio de estratégias de regulação emocional, mentalização e identificação de gatilhos. Psicoterapias como Terapia Dialética Comportamental (TDC) e Terapia Baseada em Mentalização (MBT) ajudam o paciente a observar os pensamentos sem ser dominado por eles, aumentando a capacidade de pausa e reflexão.

    Assim, no TPB, a sensação de pensamento acelerado geralmente representa uma mente em estado de alerta tentando lidar com emoções intensas e ameaças percebidas, mais do que uma aceleração primária do pensamento como ocorre nos transtornos do humor com episódios de mania.


  • Minha mãe vai começar tomar clonazepam um médico passou pra ela toma 20gotas mais pra fazer um desma

    Minha mãe vai começar tomar clonazepam um médico passou pra ela toma 20gotas mais pra fazer um desmame de uma gota por semana mais tô com medo de da aninha mãe pois diz que esse remédio pode deixar a pessoa em coma

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marciano  Pires

    O clonazepam (Rivotril) é uma medicação da classe dos benzodiazepínicos, utilizada principalmente para tratamento de ansiedade intensa, crises de ansiedade, ataques de pânico, insônia associada à ansiedade e alguns transtornos específicos. Quando utilizado na dose prescrita e com acompanhamento médico, ele não costuma causar coma em pessoas que fazem uso correto.

    O risco de sedação excessiva, confusão ou depressão respiratória está mais relacionado a situações como uso de doses muito elevadas, combinação com álcool, opioides ou outros medicamentos sedativos, além de algumas condições clínicas específicas. Por isso, é importante seguir exatamente a orientação do médico e evitar ajustes por conta própria.

    A estratégia de iniciar com uma dose e realizar redução gradual (“desmame”) é uma conduta frequentemente utilizada para evitar dependência e sintomas de retirada. O ideal é observar como sua mãe reage nos primeiros dias, principalmente sonolência excessiva, tontura, quedas, confusão ou alteração importante do comportamento, comunicando ao médico se ocorrerem.

    O acompanhamento com psiquiatra é fundamental para avaliar a necessidade do medicamento, ajustar a dose e tratar a causa de base, como ansiedade, depressão, insônia, crise de ansiedade, estresse, irritabilidade e transtornos de humor, buscando melhora da qualidade de vida com segurança.


  • Sofro de ansiedade. Tomo sertralina 150mg (tirou as crises) mas ainda ficaram sintomas residuais com

    Sofro de ansiedade. Tomo sertralina 150mg (tirou as crises) mas ainda ficaram sintomas residuais como pensamentos acelerados. Já tomei vários antidepressivos e combinações como quetiapina e risperidona. Agora tomo pregabalina 75 de manhã e 75 a noite a 3 dias. Eu vejo perigo em quase tudo então é só ansiedade. A pregabalina é eficaz pra esse caso persistente?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marciano  Pires

    A pregabalina pode ser uma opção útil em alguns casos de ansiedade persistente, principalmente quando permanecem sintomas como preocupação excessiva, tensão interna, sintomas físicos de ansiedade e sensação constante de ameaça, mesmo após melhora parcial com antidepressivos como a sertralina. Ela é aprovada para alguns transtornos de ansiedade, incluindo o transtorno de ansiedade generalizada (TAG), e pode atuar reduzindo a hiperexcitabilidade do sistema nervoso.

    Como você iniciou há apenas 3 dias, ainda é cedo para avaliar a resposta. Algumas pessoas percebem melhora da ansiedade nas primeiras semanas, mas o efeito terapêutico mais consistente costuma aparecer após um período maior de uso contínuo. A dose de 150 mg/dia (75 mg pela manhã e 75 mg à noite) é uma dose frequentemente utilizada, mas o ajuste depende da resposta e tolerância individual.

    O fato de a sertralina ter retirado as crises de ansiedade é um sinal de boa resposta, mas pensamentos acelerados, hipervigilância e sensação de perigo constante podem ser sintomas residuais do transtorno de ansiedade. A psicoterapia, especialmente abordagens como a terapia cognitivo-comportamental, pode ajudar a trabalhar interpretações de ameaça e padrões de preocupação.

    Mantenha o acompanhamento com o psiquiatra para avaliar a combinação das medicações e a evolução dos sintomas. O objetivo é alcançar melhor controle da ansiedade, pensamentos acelerados, estresse, irritabilidade, insônia, crises de ansiedade e qualidade de vida, com o menor número possível de efeitos adversos.


  • Olá boa tarde gostaria de saber se o clopixol depol engorda é da sonolência

    Olá boa tarde gostaria de saber se o clopixol depol engorda é da sonolência

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marciano  Pires

    O Clopixol Depot (zuclopentixol de depósito) é um medicamento antipsicótico utilizado em alguns quadros psiquiátricos, como transtornos psicóticos, agitação e alterações importantes do humor. Assim como outros medicamentos dessa classe, pode apresentar alguns efeitos colaterais, incluindo sonolência, redução de energia e alterações metabólicas.

    Em relação ao peso, o Clopixol pode causar ganho de peso em algumas pessoas, porém esse efeito tende a ser variável e geralmente é menor do que em alguns outros antipsicóticos. O risco depende de fatores individuais, como alimentação, metabolismo, nível de atividade física e predisposição.

    A sonolência também pode ocorrer, principalmente no início do tratamento ou após ajustes de dose, pois o medicamento possui efeito sedativo em parte dos pacientes. Caso a sonolência seja intensa ou o ganho de peso esteja acontecendo rapidamente, é importante conversar com o psiquiatra para avaliar dose, horário de aplicação e alternativas.

    O acompanhamento psiquiátrico permite monitorar sintomas e efeitos do tratamento, buscando equilíbrio no controle de ansiedade, depressão, irritabilidade, transtornos de humor, insônia, alterações comportamentais e qualidade de vida.


  • Eu estava tomando a sertralina 50mg por dia, ganhei uma bebê ela tem dois anos, aí tava me sentindo

    Eu estava tomando a sertralina 50mg por dia, ganhei uma bebê ela tem dois anos, aí tava me sentindo melhor aí quiz para, fui para aos poucos aí fiquei uns dois ou três meses sem toma fiquei de boa mais aí me senti ansiosa de novo aí comecei a toma de novo, aí estou sentindo medos irritação mal estar e pensamentos estranhos será que é o remédio que está causando esses sintomas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marciano  Pires

    Sim, é possível que esses sintomas estejam relacionados ao retorno da sertralina, principalmente porque você ficou alguns meses sem usar e depois reiniciou. Quando um antidepressivo é iniciado novamente, o organismo pode passar por uma fase de adaptação, e nas primeiras semanas algumas pessoas apresentam aumento transitório da ansiedade, irritabilidade, sensação de mal-estar, medo, inquietação e pensamentos incomuns ou mais intensos.

    Esses efeitos costumam melhorar conforme o corpo se adapta, geralmente ao longo de 2 a 6 semanas, enquanto o efeito mais consistente da sertralina para ansiedade e depressão costuma aparecer após algumas semanas de uso contínuo. Também é possível que parte desses sintomas seja da própria retomada do transtorno ansioso, já que você percebeu a volta da ansiedade antes de reiniciar a medicação.

    É importante observar como são esses “pensamentos estranhos”. Se forem pensamentos indesejados e assustadores, comuns em quadros de ansiedade (como medo de perder o controle, preocupações excessivas ou pensamentos intrusivos), eles podem ocorrer. Porém, se houver pensamentos de se machucar, machucar alguém, confusão intensa, agitação incomum ou sensação de estar fora da realidade, procure avaliação médica rapidamente.

    Não interrompa a sertralina novamente de forma abrupta, pois isso pode piorar os sintomas. O ideal é informar seu psiquiatra sobre essa reação ao reinício, pois ele pode avaliar dose inicial, velocidade de aumento e necessidade de ajustes.

    O acompanhamento psiquiátrico é fundamental no tratamento de ansiedade, depressão, insônia, crise de ansiedade, ataques de pânico, estresse, irritabilidade, tristeza profunda, falta de motivação, burnout, transtorno de ansiedade, transtornos de humor, transtorno depressivo, transtorno do pânico e TDAH em adultos, buscando uma adaptação mais confortável e segura ao tratamento.


  • Tô na 1ª semana de sertralina, senti cefaleia cabeça zonza com distanciamento de pensamento. Ansieda

    Tô na 1ª semana de sertralina, senti cefaleia cabeça zonza com distanciamento de pensamento. Ansiedade, nada de melhor.
    Devo continuar o uso?
    Retorno da consulta só para 30 dias.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Marciano  Pires

    Na primeira semana de uso da sertralina, esses sintomas que você descreveu podem acontecer como parte da fase de adaptação do organismo. Cefaleia, sensação de cabeça “zonza”, alteração da percepção dos pensamentos, desconforto, aumento da ansiedade e sensação de não estar melhorando são efeitos relatados por algumas pessoas no início do tratamento.

    É importante lembrar que a sertralina geralmente não apresenta efeito terapêutico completo na primeira semana. A melhora da ansiedade e dos sintomas depressivos costuma aparecer de forma mais evidente após 4 a 8 semanas de uso contínuo. Em algumas pessoas, inclusive, pode haver uma piora transitória da ansiedade no começo antes da melhora.

    Em geral, quando os efeitos são leves ou toleráveis, costuma-se manter o uso conforme a prescrição e aguardar a adaptação. Porém, como seu retorno é apenas em 30 dias, é válido entrar em contato com o consultório antes se os sintomas estiverem muito intensos ou prejudicando sua rotina, para que o médico avalie se é necessário algum ajuste.

    Procure atendimento mais rapidamente se surgir:

    pensamentos de se machucar ou de tirar a própria vida;
    agitação intensa ou sensação de estar “fora de controle”;
    confusão importante;
    sintomas físicos muito fortes ou diferentes do habitual.

    Não interrompa a sertralina por conta própria, pois a suspensão precoce pode dificultar a avaliação da resposta e causar piora dos sintomas.

    O acompanhamento psiquiátrico é essencial no tratamento de ansiedade, depressão, insônia, crise de ansiedade, ataques de pânico, estresse, irritabilidade, tristeza profunda, falta de motivação, burnout, transtorno de ansiedade, transtornos de humor, transtorno depressivo, transtorno do pânico e TDAH em adultos, ajustando o tratamento conforme a resposta individual.


Perguntas frequentes

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