Perguntas do paciente (22)

  • Faz um mês que conheci um menino, tudo aconteceu muito rápido, porém ele nesse tempo tem se mostrado

    Faz um mês que conheci um menino, tudo aconteceu muito rápido, porém ele nesse tempo tem se mostrado uma pessoa difícil e estamos discutindo constantemente, nossa primeira discussão foi porque ele começou a questionar respostas de comentários das minhas fotos de 2022, época que eu não estava com ele, e nos comentários não tinha nada de mais. Ele sempre questiona coisas bobas e sempre faz muitas perguntas e quer saber muitos detalhes sempre, ele viu uma foto antiga com um amigo meu e começou a questionar, vocês estão muito perto não acha? Como vocês conversavam? porque tirou essa foto? para quem mandou? porque tirou para mandar para outra pessoa?... Isso me incomoda e ao falar sobre com ele, ele fala que só está tentando me entender melhor e que não tem culpa de eu só ter tido relacionamentos rasos e que passado importa para ele, isso está acabando com a minha cabeça e eu não estou conseguindo ficar feliz, pois sei que quando ele está perto e estamos conversando eu posso falar algo ou fazer e ele começar a questionar e acabar com o momento feliz. Ele já falou que não é ciúmes e nem desconfiança. Sinto que nenhuma resposta e o suficiente para ele. O que fazer? Devo procurar um especialista?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Maria Helena P O Souza

    Olá! Que bom que você teve a coragem de compartilhar o que está vivendo. Quero começar respondendo diretamente à sua última pergunta: sim, você deve procurar um especialista, e sim, a psicoterapia é o caminho ideal para você agora. Mas não porque você está errada ou com algum problema, e sim porque você está inserida em uma dinâmica que está esgotando a sua saúde mental.
    É perfeitamente compreensível que você sinta que 'nenhuma resposta é o suficiente para ele', porque, na verdade, não é. Quando uma pessoa monitora fotos de anos atrás, questiona interações antigas e faz interrogatórios detalhados disfarçados de 'tentativa de te entender', o foco não é a busca por respostas é a busca por controle.
    O que mais me preocupa no seu relato é como você já mudou o seu estado interno em apenas um mês: você perdeu a espontaneidade, está pisando em ovos com medo de estragar o momento e não consegue mais ficar feliz. Além disso, quando ele diz que você 'só teve relacionamentos rasos' e que 'o passado importa', ele usa uma estratégia que invalida os seus sentimentos e faz você questionar a sua própria lucidez. Isso tem um peso enorme e é natural que esteja 'acabando com a sua cabeça'.

    Como a terapia pode te ajudar a enfrentar isso:
    No nosso espaço terapêutico, você encontrará um ambiente de absoluto acolhimento, respeito e total ausência de julgamento. O meu papel não será o de te dizer o que fazer com o seu relacionamento, mas sim caminhar ao seu lado para que você recupere a sua autoconfiança.


  • Estou numa relação e aconteceu uma interação com um amigo que me deixou desconfortável. O meu parcei

    Estou numa relação e aconteceu uma interação com um amigo que me deixou desconfortável. O meu parceiro não ficou incomodado quando lhe contei, mas desde então tenho pensamentos repetitivos sobre se fiz algo errado. Passo muito tempo a rever mentalmente o que aconteceu, a analisar cada detalhe e a sentir culpa, apesar de procurar confirmação junto de outras pessoas. Como posso lidar com esta necessidade constante de ter a certeza de que não fiz algo errado? Sinto a necessidade de perguntar a toda a gente se considera traição, se eu agi errado, e minha cabeça fica o tempo todo “isso é traição” “coitado do seu namorado, vc não merece ele” “será que eu dei abertura?” “Será que eu fiz com intenção?”

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Maria Helena P O Souza

    Olá! Sinto muito que você esteja passando por esse turbilhão de pensamentos. Quero começar te dizendo algo muito importante: você não está sozinha nisso, e esse nível de angústia é exaustivo, mas tem caminhos de saída.
    Isso que você descreve, esse movimento de rever a cena repetidamente, analisar cada detalhe, tentar decifrar suas intenções e buscar a validação de outras pessoas para acalmar a mente, é o que chamamos de ciclo da ruminação e da busca por reasseguramento.
    O que acontece é que, quando a ansiedade e a culpa assumem o controle, a nossa mente cria uma armadilha: ela nos faz acreditar que, se perguntarmos para mais uma pessoa ou se pensarmos no assunto mais uma vez, finalmente encontraremos a 'certeza absoluta' e a paz. Mas, na verdade, quanto mais você alimenta esses pensamentos, mais a sua mente entende que o episódio é um perigo real, mantendo você presa nesse ciclo de autojulgamento e frases duras sobre si mesma ('você não merece ele', 'será que dei abertura?').
    O seu namorado acolheu a situação e ficou bem, o que nos mostra que, racionalmente, o ambiente externo está seguro. O desconforto agora está no seu mundo interno, na forma como você está lidando com a sua própria régua moral e com o medo de falhar com quem ama.

    Como a terapia pode te ajudar de verdade:
    No nosso processo terapêutico, o meu papel não será o de 'juiz' para dizer se o que aconteceu foi certo ou errado. O meu compromisso com você é construir um espaço seguro, acolhedor e absolutamente livre de julgamentos.


  • Como a cognição social implícita pode influenciar o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    Como a cognição social implícita pode influenciar o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Maria Helena P O Souza

    Olá! Que pergunta fantástica e profunda. Trazer a cognição social implícita para o contexto do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) nos permite olhar para o transtorno sob uma ótica muito mais acolhedora e menos estigmatizada.
    Para contextualizar de forma simples, a cognição social implícita se refere àqueles processos mentais automáticos, julgamentos, percepções e atitudes que acontecem abaixo do nosso nível de consciência. É a forma como o nosso cérebro lê o ambiente social, as intenções das outras pessoas e a nós mesmos, sem que a gente precise parar para pensar. São os nossos 'filtros automáticos'.
    No TPB, devido a históricos frequentes de traumas de desenvolvimento e ambientes cronicamente invalidantes, esses filtros automáticos operam em um estado de hipervigilância defensiva.


  • O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) afeta igualmente a empatia cognitiva e afetiva?

    O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) afeta igualmente a empatia cognitiva e afetiva?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Maria Helena P O Souza

    Essa é uma excelente pergunta e toca em um ponto muito importante. A resposta curta é não, elas não são afetadas da mesma forma. Existe um mito muito doloroso de que quem tem TPB não tem empatia, mas a psicologia mostra justamente o contrário: o que acontece é um paradoxo, onde uma engrenagem é superpotente e a outra acaba sobrecarregada.


  • . Qual é a relação entre trauma do desenvolvimento e Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    . Qual é a relação entre trauma do desenvolvimento e Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Maria Helena P O Souza

    Olá! Essa é uma pergunta profundamente importante e que toca no cerne de como compreendemos o sofrimento emocional hoje em dia. A relação entre o trauma do desenvolvimento e o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é íntima, complexa e muito estudada pela psicologia.
    Para entender essa ligação, precisamos olhar para o trauma do desenvolvimento não apenas como um evento trágico isolado, mas como um ambiente de invalidação crônica, negligência emocional, abusos ou quebras repetidas de vínculo com as figuras de cuidado durante a infância e adolescência.
    Quando uma criança cresce em um ambiente onde suas emoções são constantemente punidas, ridicularizadas ou ignoradas (um ambiente invalidante), o cérebro e o sistema nervoso dela aprendem a operar em modo de sobrevivência constante. É exatamente aí que se estabelece a base para o TPB na vida adulta.


  • Como os transtornos de comportamento disruptivo são tratados?

    Como os transtornos de comportamento disruptivo são tratados?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Maria Helena P O Souza

    Olá! Essa é uma dúvida crucial para muitas famílias que estão vivendo dias de exaustão e conflito. O tratamento dos Transtornos de Comportamento Disruptivo (como o Transtorno Desafiador Opositor ou o Transtorno de Conduta) é multifatorial, e a resposta curta é: não se trata a criança ou o adolescente isoladamente, trata-se o ambiente e as relações onde eles estão inseridos.
    Diferente do que o senso comum costuma ditar, esses comportamentos (explosões de raiva, oposição constante, quebra de regras, desobediência) não são 'falta de corretivo' ou pirraça intencional. Na grande maioria das vezes, o comportamento disruptivo é a única linguagem que a criança encontrou para expressar uma profunda desregulação emocional ou uma dificuldade de adaptação.


  • Como os modelos transdiagnósticos se comparam aos modelos tradicionais?

    Como os modelos transdiagnósticos se comparam aos modelos tradicionais?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Maria Helena P O Souza

    Olá! Essa é uma discussão fantástica e que está na vanguarda da psicologia moderna. A mudança dos modelos tradicionais para os modelos transdiagnósticos representa uma verdadeira revolução na forma como compreendemos o sofrimento psíquico.
    Para entender a diferença, imagine que a nossa mente é um território complexo. A comparação entre os dois modelos se dá da seguinte forma:

    Os Modelos Tradicionais (Categoriais): São baseados em manuais como o DSM e a CID. Eles funcionam como 'gavetas fechadas'. Eles olham para um conjunto de sintomas e colocam uma etiqueta fixa: 'Transtorno de Ansiedade Generalizada', 'Depressão Maior' ou 'TOC'. O foco é categorizar a doença. O grande problema é que, na vida real, as pessoas raramente cabem em uma gaveta só (o que gera a chamada comorbidade, quando alguém tem vários diagnósticos ao mesmo tempo).

    Os Modelos Transdiagnósticos (Processuais): Em vez de focar no nome do transtorno, eles investigam os mecanismos subjacentes comuns que causam e mantêm o sofrimento, independentemente do diagnóstico. Em vez de tratar a depressão e a ansiedade como duas coisas totalmente diferentes, o modelo transdiagnóstico percebe que ambas partilham de processos idênticos, como a perfeccionismo clínico, a intolerância à incerteza, a ruminação e a desregulação emocional.
    Comparando os dois, o modelo transdiagnóstico é muito mais flexível, integrativo e eficaz, porque ataca a raiz do problema (o motor que gera os sintomas) e não apenas a superfície.


  • Como posso cuidar de uma pessoa com doenças crônicas mentais ?

    Como posso cuidar de uma pessoa com doenças crônicas mentais ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Maria Helena P O Souza

    Olá! A sua pergunta toca em um dos papéis mais nobres, mas também um dos mais desafiadores e solitários que existem: o papel de cuidador. Cuidar de alguém com uma doença mental crônica é uma jornada longa, que exige paciência, resiliência e, acima de tudo, uma estrutura emocional muito sólida.
    Para cuidar de alguém nessa condição de forma saudável e eficaz, precisamos olhar para três pilares fundamentais:

    Compreensão e Aceitação da Realidade (Sem Romantismo): O primeiro passo é entender a fundo a condição da pessoa, os gatilhos de crise e as limitações que a doença impõe. Aceitar a cronicidade não significa desistir, mas sim parar de lutar contra a realidade e passar a manejar os sintomas com mais pé no chão, ajustando as expectativas para evitar frustrações constantes.
    Estabelecimento de Limites Saudáveis: Muitas vezes, na ânsia de proteger, o cuidador assume responsabilidades que a pessoa ainda poderia exercer, ou tolera comportamentos que cruzam a barreira do respeito. Estabelecer limites claros, com firmeza e afeto, é terapêutico para ambos. Ajuda o familiar a manter alguma autonomia e protege a relação do desgaste total.
    A Regra de Ouro: Cuidar de Si para Poder Cuidar do Outro: Existe uma metáfora perfeita que usamos na aviação: em caso de despressurização, coloque a máscara de oxigênio primeiro em você, para depois ajudar quem está ao seu lado. Se você estiver sem ar, exausto, deprimido ou ansioso, a sua capacidade de ser um porto seguro para o outro desaparece.
    O adoecimento mental crônico raramente afeta uma pessoa só; ele costuma adoecer a dinâmica familiar inteira se não houver um suporte adequado.


  • Como são as alterações de comportamento e personalidade de uma pessoa ?

    Como são as alterações de comportamento e personalidade de uma pessoa ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Maria Helena P O Souza

    Olá! Essa é uma pergunta muito profunda e que, na maioria das vezes, vem acompanhada de uma sensação de estranheza ou medo. Ver as engrenagens do comportamento e da personalidade mudarem, seja em nós mesmos ou em alguém que amamos pode ser uma experiência muito desconfortável.
    Para entender como essas alterações acontecem, precisamos primeiro desmistificar uma coisa: a nossa personalidade não é uma rocha imutável, e o nosso comportamento é dinâmico. As alterações geralmente acontecem como uma resposta do nosso mundo interno a pressões externas ou dores profundas. Elas costumam se manifestar em algumas frentes principais:

    Mudanças no Padrão Emocional: A pessoa que antes era calma e paciente pode se tornar extremamente irritável, explosiva ou intolerante. Ou, pelo contrário, alguém muito ativo e comunicativo pode se fechar em um isolamento profundo, demonstrando apatia e desinteresse por coisas que antes amava.
    Mecanismos de Defesa Rígidos: Às vezes, o que parece uma 'mudança de personalidade' é, na verdade, o sistema de defesa da pessoa operando no modo máximo. Alguém que passou por um trauma, um estresse crônico (como o Burnout) ou uma grande decepção pode se tornar hipervigilante, excessivamente desconfiado, frio ou obsessivo com o controle. A mente muda o comportamento para tentar se proteger de novas dores.
    Fatores Biológicos e Neuroquímicos: Alterações hormonais, privação crônica de sono, dores físicas constantes e oscilações nos neurotransmissores (como na depressão ou nos transtornos de ansiedade) mudam diretamente a forma como o cérebro processa o mundo, alterando o humor e as reações diárias.
    O ponto mais importante que precisamos compreender é: por trás de toda alteração brusca de comportamento, existe uma história, uma dor ou uma necessidade que não está sendo atendida. O comportamento modificado é apenas a ponta do iceberg; o que realmente importa é o que está embaixo da água, sustentando tudo isso.


  • Quais são as diferenças entre luto normal e transtorno do luto prolongado?

    Quais são as diferenças entre luto normal e transtorno do luto prolongado?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Maria Helena P O Souza

    O luto normal e o transtorno do luto prolongado diferem principalmente em intensidade, duração e no impacto na funcionalidade da pessoa enlutada.
    Luto Normal:
    É uma resposta natural à perda de alguém significativo.
    Pode envolver tristeza, saudade, dor emocional, alterações no sono e apetite, entre outros sintomas.
    Os sentimentos tendem a diminuir com o tempo, ainda que a saudade permaneça.
    A pessoa consegue, gradualmente, retomar suas atividades, manter vínculos sociais e reconstruir a vida.
    Transtorno do Luto Prolongado:
    É considerado um transtorno mental reconhecido pelo DSM-5-TR e CID-11.
    A dor da perda permanece intensa por mais de 12 meses (ou 6 meses em crianças/adolescentes).
    A pessoa apresenta:
    Desejo persistente ou preocupação excessiva com o falecido;
    Dificuldade em aceitar a morte;
    Sentimentos intensos de vazio, inutilidade ou amargura;
    Comprometimento significativo no funcionamento social, profissional ou pessoal;
    Os sintomas não melhoram com o tempo e não são proporcionais ao contexto cultural ou religioso da pessoa.
    Resumindo, o luto normal é parte da vida. O transtorno do luto prolongado exige atenção profissional, pois indica um sofrimento que não cicatriza naturalmente e impacta negativamente a vida do indivíduo.


  • Comecei minha puberdade aos 7 anos. Tive meu primeiro ciclo menstrual ainda criança, com um corpo qu

    Comecei minha puberdade aos 7 anos. Tive meu primeiro ciclo menstrual ainda criança, com um corpo que se desenvolvia como o de uma mulher adulta, mas com uma mente que ainda era só de uma menina. Foi confuso, solitário e muitas vezes assustador. Enquanto outras crianças brincavam, eu estava tentando entender o que estava acontecendo comigo — sem preparo, sem instruções e com uma carga emocional muito grande para suportar sozinha. Hoje tenho 13 anos e tô começando a me acostumar com meu corpo. Compartilhando aqui para não guardar isso pra sempre comigo.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Maria Helena P O Souza

    Você fez algo muito importante e corajoso ao compartilhar sua experiência e quero reconhecer isso.
    Passar pela puberdade de forma precoce, como você descreveu, pode realmente ser uma vivência muito difícil. Seu corpo começou a mudar antes do esperado, e isso cria um desencontro entre o físico e o emocional. Enquanto você ainda era uma criança por dentro, seu corpo já recebia sinais que muitas vezes nem os adultos ao seu redor sabiam como lidar. Isso pode gerar confusão, medo e até sentimentos de solidão, como você expressou tão bem.
    Sentir que teve que enfrentar tudo isso sozinha mostra o quanto foi forte, mas também revela uma necessidade muito legítima de apoio, acolhimento e orientação algo que todas as crianças merecem ter, especialmente em momentos tão delicados.
    Agora, aos 13 anos, perceber que está começando a se acostumar com seu corpo é um sinal de amadurecimento, mas isso não significa que precisa lidar com tudo sozinha daqui pra frente. Falar, compartilhar, buscar ajuda e ter com quem contar faz toda a diferença. Você não precisa guardar tudo dentro de você.
    Se possível, converse com um(a) psicólogo(a). Você merece esse espaço seguro para entender seus sentimentos, expressar suas dúvidas e continuar construindo sua identidade com mais leveza e acolhimento.
    Você não está sozinha. E seu relato pode ajudar outras meninas que também passaram ou estão passando por algo parecido.


  • Como é o desenvolvimento de uma criança que nasceu prematura?

    Como é o desenvolvimento de uma criança que nasceu prematura?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Maria Helena P O Souza

    O desenvolvimento de uma criança que nasceu prematura pode apresentar algumas particularidades, pois o nascimento antes do tempo ideal interrompe etapas importantes do desenvolvimento que aconteceriam no útero, principalmente se o nascimento ocorreu antes das 37 semanas de gestação.
    É importante considerar que cada criança é única, mas, de forma geral, o bebê prematuro pode:

    Apresentar um ritmo diferente de desenvolvimento tanto motor quanto cognitivo e emocional. Isso não significa, necessariamente, que terá dificuldades permanentes, mas pode precisar de um tempo maior para alcançar marcos esperados para a idade.

    Ter maior sensibilidade neurológica e sensorial como dificuldades de regulação emocional, sensibilidade ao toque, ruídos ou estímulos, o que exige um ambiente mais acolhedor e adaptado.

    Necessitar de acompanhamento multiprofissional, pediatria, neurologia, fisioterapia, fonoaudiologia e psicologia, por exemplo, podem atuar juntos para favorecer o desenvolvimento saudável, principalmente nos primeiros anos.

    Demandar atenção especial à construção do vínculo afetivo, o tempo na UTI neonatal, procedimentos médicos e separação da mãe/pai nas primeiras semanas podem afetar esse vínculo. Por isso, é essencial promover um ambiente de afeto, contato físico e segurança emocional desde cedo.

    Apresentar maiores riscos para atrasos no desenvolvimento, mas muitos desses atrasos podem ser minimizados ou prevenidos com intervenções precoces, estimulação adequada e apoio familiar.
    Como psicóloga, reforço a importância de olhar para essa criança respeitando seu tempo, suas necessidades e oferecendo suporte emocional não só para ela, mas também para a família que muitas vezes passa por angústias, medos e culpas associadas ao nascimento prematuro.
    A boa notícia é que com acompanhamento, carinho e estímulo adequado, muitas crianças prematuras se desenvolvem muito bem e alcançam um desenvolvimento saudável ao longo da infância. O afeto, o cuidado contínuo e o apoio profissional fazem toda a diferença.


  • Qual é a característica do déficit de comunicação em pessoas com deficiência intelectual?

    Qual é a característica do déficit de comunicação em pessoas com deficiência intelectual?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Maria Helena P O Souza

    O déficit de comunicação em pessoas com deficiência intelectual está diretamente relacionado às limitações no funcionamento cognitivo e adaptativo. Isso significa que, além de um raciocínio mais lento ou dificuldades na resolução de problemas, a comunicação, tanto a compreensão quanto a expressão, também pode ser afetada.

    As principais características desse déficit podem incluir:

    Vocabulário reduzido – A pessoa pode ter um repertório limitado de palavras e dificuldade para formar frases complexas.

    Compreensão mais lenta – Pode demorar mais para entender o que está sendo dito, especialmente se a linguagem for abstrata, rápida ou carregada de figuras de linguagem.

    Dificuldade em expressar pensamentos e sentimentos – Muitas vezes, têm dificuldade para organizar ideias, contar histórias ou descrever situações de forma clara.

    Uso de formas alternativas de comunicação – Em casos mais severos, a pessoa pode usar gestos, expressões faciais, apontar ou outros recursos não verbais para se comunicar.

    Comprometimento nas habilidades sociais – A interação com outras pessoas pode ser prejudicada pela dificuldade de manter conversas, compreender regras sociais ou responder adequadamente em contextos sociais.

    Necessidade de comunicação concreta e simples – Elas se beneficiam muito de instruções claras, diretas e do uso de recursos visuais, como figuras ou objetos, para facilitar a compreensão.

    Como psicóloga, é importante destacar que a comunicação é uma via de mão dupla, por isso, também cabe a nós (profissionais, educadores, familiares) adaptar a forma como nos comunicamos para favorecer a compreensão e a expressão dessas pessoas. O uso de estratégias como a comunicação alternativa e aumentativa (CAA), o reforço positivo e o estímulo contínuo são fundamentais para o desenvolvimento dessas habilidades.
    Com acolhimento, paciência e os estímulos adequados, pessoas com deficiência intelectual podem desenvolver formas eficazes de se comunicar e se expressar dentro das suas possibilidades. O mais importante é garantir que elas sejam ouvidas, compreendidas e respeitadas em sua individualidade.


  • Como diferenciar deficiência intelectual de atraso cognitivo?

    Como diferenciar deficiência intelectual de atraso cognitivo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Maria Helena P O Souza

    A diferença entre deficiência intelectual e atraso cognitivo está principalmente na intensidade, permanência e nas causas das dificuldades cognitivas.
    Deficiência Intelectual é uma condição do neurodesenvolvimento, caracterizada por:

    Funcionamento intelectual significativamente abaixo da média;
    Dificuldades adaptativas em pelo menos duas áreas da vida diária (como comunicação, socialização, autonomia, escolaridade);
    Início antes dos 18 anos;
    É geralmente permanente, ainda que o indivíduo possa evoluir com estimulação e apoio adequado;
    Costuma ter causas orgânicas ou genéticas, como síndromes, lesões cerebrais precoces, infecções na gestação, entre outras.
    Atraso Cognitivo, por outro lado, é uma dificuldade no desenvolvimento que pode ser transitória e reversível, quando identificada e tratada a tempo. Pode ser causado por:

    Fatores ambientais (como falta de estímulo, negligência, baixa escolaridade familiar);
    Condições médicas passageiras (como traumas, infecções, problemas de audição ou visão);
    Problemas emocionais (como ansiedade intensa ou vivência de situações de risco).

    Ou seja:
    O atraso cognitivo indica que a criança está se desenvolvendo mais lentamente que o esperado, mas pode alcançar o nível esperado com estímulo adequado.
    Já a deficiência intelectual representa uma limitação mais duradoura e global no desenvolvimento intelectual e adaptativo.
    Como psicóloga, sempre recomendo uma avaliação multidisciplinar (com psicólogo, neurologista, fonoaudiólogo e pedagogo, por exemplo) para realizar um diagnóstico diferencial preciso. Isso é fundamental para garantir o suporte correto à criança e à família seja com intervenções educativas, terapias ou adaptações escolares.
    O mais importante é lembrar que nenhuma dessas condições define o valor de uma pessoa. Com acolhimento, estímulo e respeito, todas as crianças podem se desenvolver dentro das suas possibilidades e viver com qualidade de vida.


  • Meu filho tem 3 anos e está no infantil 3 no CMEI, esse é o primeiro ano lá, esta em período integra

    Meu filho tem 3 anos e está no infantil 3 no CMEI, esse é o primeiro ano lá, esta em período integral, nunca havia ido, eu que sou mae que sempre cuidei dele. Desde que começou nesse cmei ele é outra criança, triste, ansioso, ele chora o caminho todo indo pro cmei pede por favor pra nao deixá-lo lá. Ele esta roendo as unhas coisa q nunca fez, ele perdeu todo o brilho q tinha, nao quer mais sair pra lugar nenhum final de semana pois acha q vou levar ele pra escola. Está tão difícil, ele ja esta a 5 meses e nao se adapta. Estou quase saindo do trabalho pois nao aguento mais vê-lo sofrer dessa meneira. Ja conversei com as professoras elas dizem q ele chora na parte da manha e na parte da tarde fica bem. Pedi apoio e mais acolhimento. Mais sinto que isso nao esta acontecendo. Ele nao tem afeto por nenhuma professora e sao 4 que tem la.. nao sei oque fazer.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Maria Helena P O Souza

    Como psicóloga, primeiro quero acolher o seu sofrimento e a sua angústia. É visível o quanto você é uma mãe presente, atenta e conectada emocionalmente ao seu filho. Ver uma criança de apenas 3 anos passar por um sofrimento tão intenso e persistente certamente parte o coração de qualquer mãe e isso não pode ser ignorado.
    Aos 3 anos, a criança ainda está em um momento muito sensível de desenvolvimento emocional, afetivo e social. A entrada em uma instituição de educação infantil em período integral, pela primeira vez, pode representar uma ruptura profunda para algumas crianças especialmente quando passaram os primeiros anos de vida sob cuidado exclusivo da mãe.
    O que você descreve, tristeza persistente, ansiedade intensa, recusa escolar, mudanças de comportamento como roer unhas, perda do brilho, recusa em sair de casa aos fins de semana são sinais de sofrimento emocional real e contínuo. Isso precisa ser levado muito a sério.
    Algumas considerações importantes:
    Cinco meses é muito tempo para uma adaptação geralmente, mesmo crianças mais sensíveis apresentam alguma melhora após as primeiras semanas ou meses, com o apoio certo. O fato de ele continuar com sintomas intensos e sem vínculos afetivos dentro do CMEI indica que a adaptação pode não estar sendo efetiva, nem acolhedora o suficiente para ele.
    Falta de vínculo com os adultos da escola para uma criança pequena, os vínculos afetivos com os cuidadores e professores são fundamentais. Sem esse vínculo, ela se sente insegura, desprotegida e abandonada. Se, após cinco meses, ele não criou nenhum vínculo afetivo com nenhuma das quatro professoras, isso merece atenção e questionamento sobre o ambiente que está sendo oferecido.
    Comportamentos regressivos e ansiosos, como roer unhas, recusar-se a sair, chorar intensamente e associar qualquer saída à ida para a escola são respostas típicas de ansiedade de separação em nível elevado e que já ultrapassa o que seria esperado para uma fase de adaptação.
    O que você pode considerar:
    Leve esse relato para uma avaliação com uma psicóloga infantil, de preferência alguém que trabalhe com desenvolvimento e vínculo materno-infantil. Ela poderá observar sinais mais sutis, avaliar a intensidade desse sofrimento e ajudá-la a construir um plano de ação com base no que é melhor para o seu filho neste momento.
    Você não está falhando. Muito pelo contrário. Você está vendo seu filho e tentando compreender o que ele está dizendo com o corpo e com o comportamento. E isso é ser uma mãe extremamente presente.
    Questione com firmeza o acolhimento oferecido no CMEI. Se você sente que não há afeto, que a escuta é limitada, que o sofrimento dele está sendo minimizado, talvez esse não seja o espaço mais saudável para ele agora. Infelizmente, nem todos os espaços estão preparados para receber crianças com o cuidado emocional que elas merecem.
    Se puder, considere alternativas: talvez um meio período, uma outra escola com proposta mais afetiva e com menos rotatividade de profissionais, ou mesmo uma pausa temporária até que ele esteja mais fortalecido emocionalmente.
    Por fim, confie na sua intuição de mãe. Se o seu coração está dizendo que seu filho está sofrendo, você tem todo o direito de buscar outra solução. Educação infantil é importante, mas a saúde emocional e o vínculo afetivo vêm antes de tudo.


  • Um gesto feito 1 única vez por dia já vira Hábito??

    Um gesto feito 1 única vez por dia já vira Hábito??

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Maria Helena P O Souza

    Um gesto feito uma única vez por dia pode sim se tornar um hábito, mas isso não acontece de forma imediata. Para algo se consolidar como um hábito, o mais importante é a repetição consistente ao longo do tempo.
    O cérebro aprende por repetição. Quanto mais você realiza uma ação, mesmo que seja só uma vez ao dia, mais seu cérebro vai entendendo que aquilo faz parte da sua rotina. Com o tempo, essa ação passa a ser realizada de forma mais automática, sem tanto esforço ou necessidade de decisão que é justamente uma das características do hábito.
    Mas vale lembrar que cada pessoa tem um ritmo diferente. Estudos mostram que formar um hábito pode levar de algumas semanas até alguns meses, dependendo da complexidade da ação e do nível de motivação.
    Então, sim: um gesto diário tem grande potencial de virar um hábito. O mais importante é a regularidade e o sentido que esse gesto tem para você. Começar pequeno, mas com constância, é um ótimo caminho para mudanças duradouras.


  • Tenho medo de fazer alguma coisa errada no trânsito, alguém se irritar, anotar a minha placa, descob

    Tenho medo de fazer alguma coisa errada no trânsito, alguém se irritar, anotar a minha placa, descobrir onde eu moro e me matar. Isso é possível ou é coisa da minha cabeça? Porque tenho esses pensamentos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Maria Helena P O Souza

    Obrigada por compartilhar essa preocupação. O medo que você descreve, de cometer um erro no trânsito e sofrer consequências extremas como ser perseguido(a) ou morto(a) ,pode ser muito angustiante e até paralisante.
    Primeiramente, é importante dizer que esse tipo de pensamento não significa que você está ‘louco(a)’ ou que há algo errado com você. Muitas pessoas, especialmente em situações que envolvem responsabilidade e risco (como dirigir), podem desenvolver pensamentos catastróficos ou exagerados. Isso é mais comum em pessoas que convivem com ansiedade, medo de julgamento ou necessidade de controle.
    Esses pensamentos podem surgir como uma forma do seu cérebro tentar prever perigos para se proteger. No entanto, quando eles se tornam frequentes, intensos e desproporcionais à realidade, podem indicar um estado de alerta exagerado, o que, muitas vezes, está relacionado a quadros como transtorno de ansiedade generalizada, fobia social ou até mesmo traumas anteriores.
    A realidade é que, embora o trânsito envolva riscos e nem todas as pessoas reajam com calma, a possibilidade de alguém anotar sua placa e agir de forma tão extrema como descobrir onde você mora e tirar sua vida é muito, muito remota. O seu medo parece estar mais relacionado a uma sensação de insegurança interna do que a um perigo real e iminente.
    O mais importante é que você não precisa lidar com isso sozinho(a). A psicoterapia pode te ajudar a compreender a origem desses pensamentos, reduzir a ansiedade e desenvolver estratégias mais realistas e saudáveis de lidar com o medo. Procurar ajuda é um passo corajoso e muito importante para recuperar sua tranquilidade e autonomia. Qualquer dúvida estou à disposição!


  • Vim aqui pela terceira vez, sempre contando um pensamento que sempre vem na cabeça, primeiro começou

    Vim aqui pela terceira vez, sempre contando um pensamento que sempre vem na cabeça, primeiro começou que pensei que não amava mais meu namorado pq era tranquilo de mais, depois sonhei que estava apaixonada pelo meu amigo (senti nojo depois que acordei), agora depois que eu fui ver um filme com a minha amiga veio no meu pensamento "e se eu gostasse dela?", eu não sou nem bi e nem lésbica, achei isso estranho, pois ela sempre foi atenciosa, e ninguém pode ser atencioso que eu acho que já é algo pra ficar alerta, tentei deixar pra lá, mas sempre vem pra eu analisar esse pensamento, isso é tão exaustivo, sempre esses pensamentos nunca me deixam em paz e nem consigo me sentir melhor para meu namorado, ele é uma pessoa incrível, legal, leal e maravilhosa, não vejo uma vida sem ele. Esses pensamentos me parecem toc, mas não quero me autodiagnosticar, me ajudem por favor, esses pensamentos não param e nem se dissipam.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Maria Helena P O Souza

    Primeiramente, quero te agradecer por compartilhar algo tão íntimo. Ter coragem de falar sobre pensamentos que causam incômodo ou confusão emocional já é um passo muito importante e você deu esse passo.
    O que você está descrevendo se parece com um tipo de sofrimento psíquico bastante comum, mas muitas vezes silencioso: pensamentos intrusivos e ruminativos, que causam desconforto, dúvidas, culpa ou medo, especialmente quando entram em conflito com aquilo que a pessoa acredita, sente ou deseja.
    Esses pensamentos, que surgem de forma involuntária, são característicos em alguns quadros ansiosos e, em certos casos, podem sim estar ligados ao que chamamos de TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo), mais especificamente ao que é conhecido como TOC puro (ou "Pure O"), em que as obsessões são mentais, como dúvidas sobre amor, orientação sexual, moralidade, identidade, entre outras. Mas é importante reforçar: somente um profissional pode fazer esse diagnóstico com segurança, após uma avaliação clínica cuidadosa.
    Você relatou que esses pensamentos não refletem o que você realmente sente ou acredita, e que eles vêm acompanhados de angústia, exaustão e questionamentos constantes , isso é algo que merece cuidado e atenção. O sofrimento que você descreve é legítimo, e você não está sozinha. Muitas pessoas passam por isso e, com acompanhamento psicológico especializado, conseguem entender melhor o que está acontecendo e encontrar formas mais leves e saudáveis de lidar com esses pensamentos.
    A boa notícia é que existem abordagens terapêuticas muito eficazes para esse tipo de sintoma, que trabalha com estratégias para lidar com pensamentos disfuncionais, reduzir a ansiedade e fortalecer a sua percepção da realidade com mais equilíbrio e compaixão por si mesma.
    Você não precisa enfrentar isso sozinha. Procurar ajuda psicológica é um gesto de autocuidado e coragem e pode te trazer alívio, clareza e paz.


  • É possível a pessoa ter deficiência intelectual leve e Dislexia e Discalculia?? Pois eu vi que isso

    É possível a pessoa ter deficiência intelectual leve e Dislexia e Discalculia?? Pois eu vi que isso não pode ocorrer na mesma pessoa.
    E queria saber se isso ocorre na deficiência Limítrofe.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Maria Helena P O Souza

    Essa é uma dúvida bastante importante e comum, e agradeço por trazê-la com tanto cuidado. Vou te responder com base nos conhecimentos atuais da neuropsicologia e da psicologia do desenvolvimento.
    Sim, é possível que uma mesma pessoa tenha Deficiência Intelectual Leve e, ao mesmo tempo, apresente características de Dislexia e Discalculia, embora seja necessário fazer algumas distinções importantes para entender isso melhor.


  • Treinar o cérebro para adormecer sempre que ouve a mesma música todas as noites dará certo? O sono s

    Treinar o cérebro para adormecer sempre que ouve a mesma música todas as noites dará certo? O sono será forte?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Maria Helena P O Souza

    Essa é uma pergunta muito interessante, e sim, do ponto de vista psicológico e neurocientífico, usar a repetição de uma mesma música todas as noites pode funcionar como um condicionamento para o cérebro entender que é hora de dormir, especialmente se for feita com regularidade, em um ambiente propício e sem outros estímulos que atrapalhem.
    Esse processo é baseado no que chamamos de condicionamento clássico. Ou seja, quando o cérebro associa um estímulo neutro (como a música) a um estado fisiológico e emocional (como o adormecer), com o tempo, esse estímulo passa a “avisar” o corpo que é hora de relaxar e dormir.

    Mas alguns pontos são importantes:
    A música precisa ser calma e repetitiva, com ritmo lento, sem variações bruscas e preferencialmente sem letra, para não ativar áreas do cérebro relacionadas à linguagem e à atenção.
    A regularidade é fundamental. Ouvir a música todos os dias, no mesmo horário, e dentro de uma rotina que favoreça o sono (luz baixa, ambiente tranquilo, sem telas) ajuda o cérebro a estabelecer esse padrão.
    A música, por si só, não induz sono profundo ou de qualidade, mas pode facilitar o início do sono e reduzir a ansiedade da hora de dormir, especialmente em pessoas que têm dificuldade em "desligar" a mente.
    A força do sono dependerá de outros fatores, como:
    Qualidade da higiene do sono (rotina noturna, ambiente, alimentação);
    Estado emocional (estresse, ansiedade, preocupações);
    Saúde física e mental;
    Ausência de distúrbios do sono (como insônia, apneia, etc.).
    Em resumo como psicóloga:
    Sim, é possível treinar o cérebro a associar uma música ao início do sono, e isso pode ser uma ferramenta bastante eficaz dentro de uma rotina bem estruturada. No entanto, a profundidade e a qualidade do sono não dependem só disso, elas são resultado de um conjunto de fatores físicos, emocionais e comportamentais. Se a pessoa estiver ansiosa, sobrecarregada ou com hábitos que dificultam o sono, só a música não será suficiente.


Perguntas frequentes

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