Perguntas do paciente (22)

  • Bom dia ultimamente quando penso na palavra dormir me causa um misto de sensações ruins , já estou e

    Bom dia ultimamente quando penso na palavra dormir me causa um misto de sensações ruins , já estou em tratamento psiquiátrico e psicológico porém tem 5 meses que isso não passa . O que devo fazer ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Maria Helena P O Souza

    Em primeiro lugar, quero acolher o que você está sentindo. O que você descreve é algo muito mais comum do que parece, e muito válido. Quando o sono, que deveria ser um momento de descanso e alívio, se transforma em um gatilho de sofrimento, isso afeta profundamente a saúde emocional e física. E é importante olhar para isso com respeito, paciência e cuidado.
    Você mencionou que está em tratamento psiquiátrico e psicológico há 5 meses, e mesmo assim ainda sente esse incômodo. Isso mostra o quanto você está comprometida com seu processo e isso já é um grande passo. Mas também nos diz que talvez seja hora de reavaliar algumas estratégias do tratamento.
    Sobre o que você está sentindo:
    Quando a simples ideia de dormir se torna fonte de angústia, muitas vezes estamos diante de uma associação emocional negativa que se formou ao longo do tempo. Pode estar ligada a:

    Experiências repetidas de insônia, medo de não conseguir dormir;
    Ansiedade antecipatória (sofrer só de pensar que vai sofrer mais tarde);
    Vivências traumáticas ou períodos de estresse intenso vividos à noite;
    Sensações de perda de controle, solidão ou pensamentos intrusivos nesse momento do dia.
    O cérebro então começa a associar a palavra “dormir” ao sofrimento, e esse condicionamento pode se perpetuar se não for cuidado com estratégias específicas.
    O que pode ser feito:
    Converse abertamente com sua psicóloga e psiquiatra sobre esse sintoma específico. Pode ser necessário ajustar a abordagem terapêutica ou até a medicação, se ela estiver relacionada à ansiedade noturna.
    Trabalhar com técnicas de dessensibilização e reestruturação cognitiva: dentro da psicoterapia, é possível ressignificar a palavra "dormir" e quebrar essa associação negativa. Isso pode envolver:
    Técnicas de relaxamento associadas a novas palavras;
    Exercícios de visualização guiada;
    Escrita terapêutica sobre o que o sono representa;
    Técnicas de EMDR (se for o caso), para reprocessamento de traumas ou medos ligados ao dormir.

    Trabalhar com o corpo e com o ambiente: às vezes, precisamos reconstruir o sono de forma mais ampla, trazendo novos rituais noturnos que não comecem pela tentativa de dormir, mas sim pelo cuidado com o corpo, respiração, sensação de segurança. O sono virá como consequência.
    Se a angústia estiver muito intensa à noite, pense no sono como um processo, não como uma meta. Tentar forçar o sono gera mais tensão e muitas vezes o caminho é o oposto: soltar, permitir-se apenas estar tranquila, sem cobrança, até que o sono venha.
    E acima de tudo:
    Não desista do processo.
    Cinco meses pode parecer muito, mas o cérebro precisa de tempo para desaprender um padrão emocional negativo e construir um novo. O importante é que você não está sozinha, está buscando ajuda e já está caminhando.
    Se quiser, posso te ajudar com sugestões de práticas específicas para o momento de deitar ou até com exercícios de reprogramação emocional para a palavra "dormir".

    Você está fazendo o que pode. E isso é mais do que suficiente por agora.


  • Sou professora e trabalho com o 4°ano, gostaria de saber como avaliar o meu aluno com dislexia em um

    Sou professora e trabalho com o 4°ano, gostaria de saber como avaliar o meu aluno com dislexia em um ditado de palavras. Sei que não devo descontar erros ortográficos em avaliações, mas e em ditados como devo avaliar já que o objetivo da atividade é a escrita correta das palavras?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Maria Helena P O Souza

    Essa é uma pergunta muito importante, e sua preocupação mostra o quanto você está atenta às necessidades específicas dos seus alunos, o que é essencial para uma educação verdadeiramente inclusiva.

    Como psicloga com foco em neurodesenvolvimento e educação, posso te afirmar que o ditado, para um aluno com dislexia, precisa ser pensado mais como uma ferramenta pedagógica do que como um instrumento avaliativo tradicional.

    A questão central é: qual é o objetivo do ditado?
    Se o objetivo for avaliar a escrita ortográfica convencional, então precisamos considerar que, para um aluno com dislexia, esse tipo de tarefa não mede apenas conhecimento, ela também reflete uma dificuldade neurológica real e persistente, que afeta o processamento da linguagem escrita. Portanto, corrigi-lo com os mesmos critérios que os demais alunos seria inadequado e injusto.

    Como avaliar, então?
    Use o ditado como parte do processo, não como resultado final.
    Você pode fazer o ditado e, em seguida, propor uma autocorreção com apoio visual (palavras no quadro, em cartaz ou com lista de palavras-chave).
    Isso ajuda o aluno a identificar padrões, reforçar o aprendizado e ampliar a consciência fonológica e ortográfica, sem o peso da "punição pelo erro".
    Crie critérios personalizados para esse aluno.

    Ao invés de focar na ortografia correta de cada palavra, avalie:
    Se ele conseguiu representar os sons da palavra (mesmo com erros);
    Se o texto está legível e compreensível;
    Se ele apresenta avanços em relação a ditados anteriores;
    Se está tentando aplicar regras ortográficas já ensinadas.
    Ofereça suporte durante a atividade.
    Em alguns casos, é possível adaptar a proposta: permitir que ele digite, use recurso de áudio, ou tenha a palavra escrita como apoio visual (por exemplo, ditado com imagens e palavras embaralhadas para escolher a correta).
    Documente o processo.
    Registre os avanços do aluno em relatórios qualitativos, mostrando que ele está progredindo dentro das suas possibilidades.
    Isso é muito importante tanto para você quanto para os responsáveis, e mostra que a avaliação está sendo feita de forma justa e cuidadosa.

    Em resumo, como psicóloga:
    Para um aluno com dislexia, o ditado deve ser visto mais como uma atividade de estímulo à percepção sonora e à construção da escrita do que como uma prova com certo ou errado. O erro ortográfico, nesse caso, não é falha de atenção ou desleixo, é uma manifestação da própria condição neurológica.
    Avaliar com empatia significa adaptar os critérios ao potencial e ao processo do aluno, e não forçá-lo a se encaixar em um modelo único.
    Se quiser, posso te ajudar a montar uma rubrica de avaliação adaptada para esse tipo de atividade. Seu cuidado já faz uma grande diferença na vida desse aluno.


Perguntas frequentes

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