Perguntas do paciente (124)

  • Porque a depressão está sempre na espreita pra nós pegar de novo, após acontecimentos ruins?

    Porque a depressão está sempre na espreita pra nós pegar de novo, após acontecimentos ruins?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marisa Perini

    A depressão pode ser recorrente para algumas pessoas, ou seja, pode voltar ao longo da vida, especialmente em períodos de maior estresse ou fragilidade emocional. Isso não significa que ela esteja "sempre à espreita", mas que algumas pessoas podem ter uma maior vulnerabilidade a novos episódios.

    Por isso, é tão importante não focar apenas na redução dos sintomas. A psicoterapia ajuda a compreender os fatores que contribuíram para o adoecimento, desenvolver estratégias para lidar com as dificuldades e fortalecer recursos emocionais, reduzindo o risco de recaídas.

    Em alguns casos, a avaliação com um psiquiatra também é importante para verificar a necessidade de medicação. Muitas pessoas se beneficiam da combinação entre psicoterapia e tratamento medicamentoso, quando indicado, mas essa decisão deve ser individualizada e feita junto aos profissionais que acompanham o caso.


  • Tenho muita dificuldade em concentração no trabalho, agitação, pensamento acelerado. O que posso faz

    Tenho muita dificuldade em concentração no trabalho, agitação, pensamento acelerado. O que posso fazer nessa situação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marisa Perini

    Dificuldade de concentração, agitação e pensamentos acelerados podem ter diferentes causas. Esses sintomas podem estar relacionados ao estresse, à ansiedade, à sobrecarga, à privação de sono e até mesmo a algumas condições médicas. Por isso, é importante evitar conclusões precipitadas.

    A psicoterapia pode te ajudar a investigar e compreender a origem desses sintomas. A partir desse entendimento, é possível construir um plano de ação individualizado, com estratégias para lidar com o que está acontecendo, desenvolver recursos para manejar esses sintomas e promover mais qualidade de vida.

    Se esses sintomas forem frequentes, intensos ou estiverem prejudicando seu trabalho e outras áreas da vida, também pode ser importante buscar uma avaliação médica para descartar possíveis causas físicas.


  • Há 4 anos conheci uma garota, não chegamos a namorar, mas nunca esqueci ela, errei com ela, penso ne

    Há 4 anos conheci uma garota, não chegamos a namorar, mas nunca esqueci ela, errei com ela, penso nela todo dia, até cheguei a namorar outra pessoa depois, mas nunca me senti feliz com o meu relacionamento recente

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marisa Perini

    Pelo que você descreve, essa história ainda não foi elaborada emocionalmente. Parece que, para você, ela não ficou no passado.

    Se existe uma possibilidade real de retomar esse contato, talvez valha a pena refletir se faz sentido conversar com ela, sempre respeitando o momento e a vontade dela. Mas, se essa possibilidade não existe, o caminho passa por aceitar essa realidade, mesmo que ela seja dolorosa.

    Também é importante fazer as pazes consigo mesmo. Nós erramos, muitas vezes, não porque queremos machucar alguém, mas porque, naquele momento, tínhamos os recursos e a maturidade que tínhamos. Reconhecer os erros, aprender com eles e assumir a responsabilidade é diferente de permanecer preso à culpa.

    Outro ponto importante é que, quando uma história termina sem o desfecho que gostaríamos, é comum ela ficar com uma sensação de "assunto inacabado". Porém, isso não significa que, se aquele episódio não tivesse acontecido, o relacionamento necessariamente teria dado certo. Às vezes, idealizamos o que poderia ter sido e acabamos preenchendo as lacunas com uma versão que não corresponde à realidade.

    Talvez a pergunta mais importante agora não seja "como teria sido?", mas "o que essa experiência ainda está tentando me ensinar?". É quando conseguimos compreender essa história e integrá-la à nossa trajetória que ela deixa de ocupar tanto espaço na nossa vida.


  • Fico lembrando o tempo todo, de pessoas conhecidas que já morreu, fico com sentimento de pena.

    Fico lembrando o tempo todo, de pessoas conhecidas que já morreu, fico com sentimento de pena.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marisa Perini

    A morte faz parte da vida, embora muitas vezes tenhamos dificuldade de enxergá-la com essa naturalidade.

    Refletir sobre a finitude não significa minimizar a dor da perda, mas compreender que a morte é um processo inevitável da existência. Sofremos porque sentimos falta de quem partiu, porque o vínculo permanece em nós. A dor é de quem fica.

    Por isso, talvez seja importante desmistificar a ideia de que quem morreu "está com pena" ou "está sofrendo". Independentemente da crença de cada um, podemos pensar que aquela pessoa apenas completou o seu ciclo na Terra. Viveu como pôde, fez escolhas com os recursos que tinha e seguiu o caminho que acreditava ser o melhor.

    Cada tradição espiritual oferece uma compreensão diferente sobre o que acontece depois da morte, e todas merecem respeito. Mas, em comum, elas nos convidam a olhar para a vida com mais presença e significado.

    Aceitar a morte não é deixar de amar. É reconhecer que a finitude faz parte da experiência humana e que o amor permanece naquilo que vivemos, aprendemos e compartilhamos com quem já partiu.


  • Há alguns anos cometi uma infidelidade no meu relacionamento. Meu parceiro soube de tudo na época, n

    Há alguns anos cometi uma infidelidade no meu relacionamento. Meu parceiro soube de tudo na época, nós conversamos sobre o assunto e ele decidiu me perdoar. No entanto, eu não consigo me perdoar. Frequentemente surgem lembranças daquele período, acompanhadas de culpa e remorso intensos. Mesmo já tendo contado o que aconteceu, sinto uma necessidade constante de voltar ao assunto e confirmar se ele realmente me perdoa, como se eu precisasse repetir a história ou acrescentar detalhes para ter certeza disso. Essa necessidade me causa muito sofrimento. Isso pode estar relacionado à ansiedade ou ao TOC? É possível superar essa culpa e essa necessidade de buscar confirmação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marisa Perini

    Pelo que você descreve, essa experiência ainda não foi elaborada emocionalmente. Embora o seu parceiro tenha decidido perdoá-lo e seguir em frente, parece que, para você, essa história ainda não ficou no passado.

    Ficar revivendo o que aconteceu e buscando repetidamente a confirmação de que ele realmente o perdoou provavelmente não vai trazer o alívio que você procura. Pelo contrário, pode manter esse ciclo de culpa e, inclusive, reabrir um assunto que talvez já esteja resolvido para ele. É possível que a única pessoa que ainda não tenha aceitado o que aconteceu seja você.

    Isso pode, sim, estar relacionado à ansiedade. E, quando existe uma necessidade intensa e repetitiva de buscar certeza ou confirmação para aliviar o sofrimento, também pode haver características que lembram o TOC. Mas isso não significa necessariamente que você tenha esse transtorno. Um diagnóstico só pode ser feito por um profissional após uma avaliação cuidadosa.

    Também é importante fazer as pazes consigo mesmo. Nós erramos, muitas vezes, não porque queríamos machucar alguém, mas porque, naquele momento, tínhamos os recursos, a maturidade e a compreensão que possuíamos. Assumir a responsabilidade pelos próprios atos, aprender com eles e reparar o que foi possível é muito diferente de permanecer preso à culpa para sempre.

    Por fim, lembre-se de que ninguém precisa lidar sozinho com esse tipo de sofrimento. Se essa culpa continua ocupando tanto espaço na sua vida, procure ajuda de um psicólogo para compreender esse processo, elaborar essa experiência e encontrar um caminho para o autoperdão. Afinal, viver eternamente se punindo não repara o passado; apenas prolonga o sofrimento no presente.


  • Boatarde gostaria de tirar uma dúvida sobre o processo terapêutico. Sinto muita dificuldade em lidar

    Boatarde gostaria de tirar uma dúvida sobre o processo terapêutico. Sinto muita dificuldade em lidar com a ansiedade e angústia nos dias em que não tenho sessão. Queria saber se é uma prática comum na psicologia os profissionais entregarem algum tipo de material físico para o paciente levar para casa, como cartões com mensagens de apoio, blocos de exercícios rápidos ou lembretes para momentos difíceis? E isso realmente ajuda na eficácia do tratamento durante a semana?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marisa Perini

    Essa prática é mais comum em algumas abordagens da Psicologia e menos frequente em outras. Alguns psicólogos utilizam cartões de enfrentamento, exercícios, registros de pensamentos, técnicas de respiração ou outros materiais para que o paciente possa recorrer a eles entre as sessões (mais comum na Teoria Cognitiva Comportamental). Em muitos casos, esses recursos ajudam bastante, pois complementam o trabalho realizado durante o atendimento.

    No entanto, isso não é um requisito para que a psicoterapia seja eficaz. A decisão de utilizar ou não esses materiais depende da abordagem do profissional e, principalmente, das necessidades de cada paciente.

    Pelo que você relata, parece que os dias sem sessão despertam uma sensação de ficar sem recursos para lidar com a ansiedade e a angústia. E esse é, justamente, um dos objetivos da psicoterapia: desenvolver gradualmente recursos internos para que você consiga enfrentar as dificuldades com cada vez mais autonomia.

    Com o tempo, aquilo que inicialmente precisa do apoio do terapeuta vai sendo internalizado. Aos poucos, você aprende novas formas de compreender o que sente, regular as emoções e lidar com os desafios do dia a dia. O objetivo da psicoterapia não é que a pessoa dependa dela para sempre, mas que, em algum momento, ela tenha desenvolvido recursos suficientes para seguir a vida com mais segurança e autonomia.

    Se você sente que materiais de apoio poderiam ajudá-lo nesse processo, vale a pena conversar com o seu psicólogo. Juntos, vocês podem pensar em estratégias que façam sentido para o seu caso e que possam tornar esse intervalo entre as sessões mais leve e manejável.


  • Estou saindo de casa para morar com minha namorada, tenho uma mãe de 75 que vai ficar só . Estou com

    Estou saindo de casa para morar com minha namorada, tenho uma mãe de 75 que vai ficar só . Estou com muita dor no coração e ansiedade por deixa lá só. O que devo fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marisa Perini

    Eu entendo o quanto essa decisão pode despertar ansiedade e um aperto no coração. Mas é importante lembrar que ter uma família não significa que você precise abrir mão da sua própria vida.

    Você tem o direito de construir a sua história e fazer escolhas importantes, como morar com a sua companheira. Isso não quer dizer abandonar a sua mãe, mas sim pensar, junto com ela e com outros familiares, em formas de cuidado e apoio que façam sentido para essa nova fase.

    Muitas vezes, o que gera mais sofrimento é a culpa. E ela pode nos fazer acreditar que precisamos atender às necessidades dos outros antes das nossas. Na psicoterapia, trabalhamos justamente esse olhar mais equilibrado: reconhecer que cuidar de si também é importante, aprender a estabelecer limites sem culpa e entender que é possível amar, estar presente e apoiar alguém sem precisar se anular.

    Você não precisa escolher entre viver a sua vida e amar a sua mãe. Com diálogo, planejamento e uma rede de apoio, essas duas coisas podem coexistir.


  • Perdi minha cachorra em janeiro e ainda não consigo aceitar,me conformar. Fico pensando que poderia

    Perdi minha cachorra em janeiro e ainda não consigo aceitar,me conformar. Fico pensando que poderia ter feito mais,cuidado mais e em como poderia ter evitado que ela partisse. Imaginava ela velhinha ao meu lado e ela se foi aos 9 anos. Até mesmo ver as pessoas com seus cachorrinhos na rua,nas redes sociais,tem me causado dor. Sempre penso que era pra eu ainda estar também com a minha.💔

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marisa Perini

    Sinto muito pela sua perda. E, antes de tudo, quero dizer que perder um animal de estimação também é viver um processo de luto. Afinal, eles fazem parte da nossa rotina, da nossa família e ocupam um lugar de muito afeto.

    Pelo que você descreve, além da saudade, parece existir uma culpa muito presente. É comum, depois de uma perda, nossa mente ficar procurando explicações e criando cenários do tipo: "e se eu tivesse feito diferente?". Mas, na maioria das vezes, esses pensamentos surgem porque estamos tentando encontrar uma forma de mudar algo que, infelizmente, já não pode ser mudado.

    E, sempre que a culpa aparecer, tente se perguntar: estou me lembrando do que realmente aconteceu ou estou julgando o passado com o conhecimento e a dor que tenho hoje? São coisas diferentes. Tenho certeza de que você cuidou dela da melhor forma que conseguiu com os recursos e as informações que tinha naquele momento.

    Você também está vivendo o luto daquilo que imaginava para o futuro. Não foi apenas a perda da sua cachorrinha, mas também da expectativa de vê-la envelhecer ao seu lado. E essa quebra de expectativa costuma doer muito.

    Ver outras pessoas com seus cães e sentir tristeza também faz parte desse processo. A saudade é acionada por lembranças. O objetivo não é esquecer dela, porque quem foi importante para nós não será apagado. A psicoterapia pode auxiliar neste processo de elaboração para que ao poucos a lembrança deixe de vir acompanhada de tanta dor.


  • Parece que tudo depende de mim. Como eu faço para parar de sentir isso?

    Parece que tudo depende de mim. Como eu faço para parar de sentir isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marisa Perini

    A primeira coisa importante é lembrar que nem tudo o que pensamos corresponde à realidade. Às vezes, a sensação de que "tudo depende de mim" é muito intensa, mas isso não significa que seja verdade. Na psicoterapia, desenvolvemos justamente essa capacidade de questionar os próprios pensamentos, o que costuma trazer mais leveza e flexibilidade.

    Por outro lado, vale a pena refletir sobre quanto dessa sensação tem relação com a forma como você se posiciona diante da vida. Pergunte-se:

    * Você tem dificuldade em impor limites?
    * Costuma assumir responsabilidades que poderiam ser compartilhadas?
    * Tem dificuldade em pedir ajuda ou delegar tarefas?
    * Sente que precisa controlar tudo para que as coisas deem certo?
    * Fica desconfortável quando as pessoas fazem as coisas de um jeito diferente do seu?

    Muitas vezes, não é que tudo realmente dependa de você, mas você acaba ocupando esse lugar por acreditar que precisa dar conta de tudo. E isso pode gerar um peso enorme.

    A boa notícia é que esse padrão pode ser compreendido e transformado. Na psicoterapia, você aprende a diferenciar aquilo que está sob sua responsabilidade daquilo que pertence ao outro, desenvolve a capacidade de estabelecer limites saudáveis e percebe que dividir responsabilidades não é sinal de fraqueza, mas de equilíbrio.

    Nem tudo depende de você. E aceitar isso não significa ser negligente, mas reconhecer que cada pessoa é responsável pela própria parte da vida. É justamente quando abrimos mão do controle sobre tudo que conseguimos viver com mais tranquilidade.


  • Como superar a dor de um término de relacionamento? Isso pode ser considerado um luto?

    Como superar a dor de um término de relacionamento? Isso pode ser considerado um luto?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marisa Perini

    Sim, o término de um relacionamento também é um tipo de luto.

    O processo emocional vivido após o fim de uma relação é muito semelhante ao luto pela perda de alguém querido. Existe uma ruptura, a perda de planos, expectativas, da rotina e do vínculo construído.

    Por isso, talvez o objetivo não seja "superar", mas elaborar.

    Não apagamos vivências que foram significativas, e nem precisamos fazer isso. O caminho é compreender e aceitar que aquele ciclo terminou, permitir-se sentir a dor e viver esse processo sem pressa.

    Com o tempo, torna-se possível olhar para essa experiência de outra forma, reconhecendo os aprendizados que ela trouxe. É nesse movimento de acolher, elaborar e ressignificar que a dor vai perdendo intensidade.

    Elaborar um luto não significa esquecer. Significa integrar essa experiência à sua história e seguir em frente sem que ela continue definindo a sua vida.


  • Como posso lidar com a tristeza de ter perdido meus objetos de infância sem autorização?

    Como posso lidar com a tristeza de ter perdido meus objetos de infância sem autorização?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marisa Perini

    O que aconteceu com você não deixa de ser um tipo de luto. Muitas pessoas pensam que o luto acontece apenas quando perdemos alguém, mas ele também pode surgir diante da perda de algo que tinha um grande valor afetivo.

    Esses objetos provavelmente representavam lembranças, fases da sua vida, pessoas importantes e parte da sua história. Por isso, a dor não está apenas na perda do objeto em si, mas de tudo o que ele simbolizava. E o fato de eles terem sido descartados sem a sua autorização pode intensificar esse sofrimento, trazendo também sentimentos de impotência, raiva e até de violação.

    Permita-se sentir essa tristeza, sem minimizar o que aconteceu ou pensar que "era só um objeto". Ao mesmo tempo, procure lembrar que as suas memórias, a sua infância e tudo o que você viveu não foram embora junto com esses objetos. Eles eram uma forma de representar essa história, mas a sua história continua existindo em você.

    Se essa perda ainda causa muito sofrimento, conversar sobre ela em psicoterapia pode ajudar a elaborar esse luto e ressignificar essa experiência. O objetivo não é esquecer o que foi perdido, mas integrar essa vivência à sua história para que ela deixe de causar tanto sofrimento com o passar do tempo.


  • Tenho pavor de interagir com as pessoas. Na infância, eu era bastante tímida, mas, mesmo assim, cons

    Tenho pavor de interagir com as pessoas. Na infância, eu era bastante tímida, mas, mesmo assim, conseguia conversar, interagir e brincar com as outras crianças. No entanto, na adolescência, essa timidez evoluiu para um medo enorme de interações sociais, e a situação só piorou. Sempre que alguém fala comigo, fico super nervosa, meu coração acelera e sinto vontade de chorar. Acabo gaguejando e não consigo manter contato visual com ninguém porque, ao olhar nos olhos das pessoas, fico nervosa. Quando interajo com os outros por muito tempo, meu medo só aumenta e, após essas interações, me sinto tão mal que choro descontroladamente, me sentindo um lixo. Só de imaginar que preciso me expor ao público, já começo a ter um ataque de ansiedade. Não consigo nem mesmo dar um bom dia a alguém. Para falar qualquer coisa, preciso fazer um esforço enorme. Isso atrapalha muito a minha vida, principalmente na vida profissional. No meu último emprego, infelizmente precisei lidar com o público e foi horrível. Eu tinha que me esforçar muito para não surtar na frente de todo mundo e, quando o expediente acabava, chorava muito, tremia... saía de lá exausta emocionalmente. Queria procurar ajuda, mas tenho medo de que não levem a sério o que sinto e que eu acabe só perdendo tempo e a minha pouca dignidade. Eu sei que não sou a pessoa mais legal e carismática do mundo, mas só queria ser minimamente normal e não ter um ataque toda vez que preciso falar com alguém. Não aguento mais isso. Queria nunca mais ter que falar com ninguém na vida. Queria saber como faço pra me livrar disso, a o especialista de qual área eu preciso recorrer...

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marisa Perini

    Antes de tudo, quero dizer que o que você está vivendo não é besteira e nem deveria ser tratado dessa forma — nem por você, nem por qualquer profissional da saúde. O sofrimento que você descreve é intenso, persistente e já está causando prejuízos importantes na sua vida pessoal e profissional. Isso merece cuidado.

    Pelos sintomas que você relata, o primeiro passo seria procurar um psiquiatra para uma avaliação. Quando a ansiedade chega a esse nível, um tratamento medicamentoso pode ser indicado para ajudar a reduzir a intensidade dos sintomas e permitir que você consiga enfrentar as situações do dia a dia com menos sofrimento.

    Ao mesmo tempo, a psicoterapia será uma parte fundamental do tratamento. Ela não serve apenas para conversar sobre o problema, mas para ajudá-la a compreender como esse medo foi se desenvolvendo, identificar e flexibilizar pensamentos que alimentam a ansiedade social e, gradualmente, construir novas formas de se relacionar com as pessoas. Também costuma envolver uma exposição gradual às situações temidas, sempre respeitando o seu ritmo.

    É importante que você saiba que não nasceu "assim" e não precisa acreditar que esse será o seu jeito para sempre. A ansiedade social é tratável, e muitas pessoas conseguem reduzir significativamente esse sofrimento quando recebem o tratamento adequado.

    E, por fim, não deixe que o medo de "não levarem a sério" impeça você de buscar ajuda. Um profissional qualificado está acostumado a atender pessoas com esse tipo de sofrimento e sabe que não se trata de falta de esforço, frescura ou timidez. Você não precisa enfrentar isso sozinha. Buscar ajuda é, justamente, o primeiro passo para recuperar a qualidade de vida que essa ansiedade tem tirado de você.


  • Tenho dificuldade em entender quando eu cismo de estar certo,me defendendo em opiniões, sempre dando

    Tenho dificuldade em entender quando eu cismo de estar certo,me defendendo em opiniões, sempre dando razão pra mim,acho que já perdi até empregos por não mudar minha opinião em tudo,sinto que isso está me atrapalhando, como posso melhorar isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marisa Perini

    O fato de você perceber esse padrão já é um passo muito importante. Muitas pessoas permanecem repetindo esse comportamento sem sequer questioná-lo.

    Vale a pena refletir sobre o que acontece quando alguém discorda de você. Será que defender a sua opinião é apenas uma questão de estar certo ou existe algo mais por trás disso? Para algumas pessoas, mudar de ideia é sentido como um sinal de fraqueza, de perda de controle ou até como se estivessem sendo desvalorizadas.

    Também é importante lembrar que estar certo e estar aberto para ouvir são coisas diferentes. Ninguém acerta o tempo todo, e mudar de opinião diante de novos argumentos não é perder uma discussão, é demonstrar flexibilidade.

    Na psicoterapia, buscamos compreender a função desse comportamento. O que faz com que seja tão difícil considerar a perspectiva do outro? Existe uma necessidade muito grande de ter razão? Você sente que precisa convencer as pessoas? Ou percebe dificuldade em tolerar a ideia de que alguém pense diferente de você?

    Entender essas questões ajuda a desenvolver uma postura mais flexível. Isso não significa concordar com tudo, mas conseguir ouvir, refletir e, quando fizer sentido, rever a própria opinião sem sentir que isso ameaça quem você é.

    Se esse padrão já trouxe prejuízos nos seus relacionamentos e até na vida profissional, vale a pena procurar psicoterapia. É um espaço para compreender a origem desse funcionamento e aprender formas mais saudáveis de lidar com as diferenças, sem que toda discordância precise se transformar em uma disputa para provar quem está certo.


  • Sinto me um pouco frustrado por conseguir minhas conquistas mais tardiamente do que os outros e muit

    Sinto me um pouco frustrado por conseguir minhas conquistas mais tardiamente do que os outros e muito provavelmente minha vida só melhore mesmo entre 35 e 40 anos. Às vezes fico com raiva de mim mesmo por isso mesmo que eu vá atrás das minhas metas porém só de pensar nessa idade que minha vida melhore me deixa desmotivado pois sinto que minha vida começaria quando metade dela já passou. Como lidar com essa sensação e manter motivado mesmo com esse cenário em mente?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marisa Perini

    Entendo esse sentimento, mas acho importante olhar para alguns pontos que podem estar alimentando esse sofrimento.

    O primeiro deles é a comparação. Comparar a sua trajetória com a dos outros dificilmente será justo ou saudável. Cada pessoa tem uma história, oportunidades, dificuldades e um tempo diferente de desenvolvimento. Além disso, normalmente nos comparamos apenas com o resultado que o outro escolhe mostrar, e não com todo o caminho que ele percorreu.

    Outro fator importante é a autocobrança. Muitas vezes, ela parece uma forma de nos impulsionar, mas acaba funcionando como um fator de sabotagem. Em vez de motivar, ela faz com que você se sinta insuficiente, desvalorize o que já conquistou e enxergue apenas aquilo que ainda falta. Isso tende a aumentar a desmotivação.

    Também vale refletir sobre uma ideia presente na sua fala: a de que sua vida "só vai começar" aos 35 ou 40 anos. Será que isso é um fato ou uma previsão que a sua mente está fazendo? Quando colocamos toda a expectativa de felicidade em um momento futuro, corremos o risco de deixar de viver o presente e de não reconhecer as conquistas que acontecem ao longo do caminho.

    A vida não começa quando atingimos determinada meta. Ela está acontecendo agora. As conquistas certamente trazem satisfação, mas elas não definem o valor da sua trajetória.

    Na psicoterapia, trabalhamos justamente esse olhar mais flexível: reduzir as comparações, compreender a origem da autocobrança e aprender a reconhecer que crescer em um ritmo diferente não significa estar atrasado. Significa apenas que a sua história está sendo construída no seu tempo. Isso não torna as suas conquistas menos valiosas. Pelo contrário, muitas vezes elas são fruto de uma caminhada que exigiu muito mais perseverança.


  • Quando um casal perde completamente o respeito um pelo outro após anos de conflitos e ofensas, ainda

    Quando um casal perde completamente o respeito um pelo outro após anos de conflitos e ofensas, ainda é possível reconstruir esse respeito do ponto de vista da psicologia?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marisa Perini

    Do ponto de vista da Psicologia, eu costumo dizer que, se existe uma vontade genuína de fazer a relação dar certo **das duas partes**, sempre há possibilidade de reconstrução.

    O respeito dificilmente volta sozinho. Ele é reconstruído por meio de mudanças consistentes no comportamento, da disposição para reconhecer erros, assumir responsabilidades, melhorar a comunicação e interromper padrões que alimentam os conflitos.

    O mais importante é que o casal deixe de enxergar um ao outro como adversários e passe a olhar para o problema como algo que precisa ser enfrentado em conjunto. Quando os dois trabalham na mesma direção, em vez de tentar vencer discussões ou provar quem está certo, a relação ganha espaço para se fortalecer novamente.

    É claro que existem situações em que a reconstrução não é possível, principalmente quando apenas uma das pessoas deseja mudar ou quando há violência e abuso.

    No fim, o que determina as chances de reconstrução não é apenas o tamanho dos conflitos vividos, mas o comprometimento de ambos em construir uma forma diferente de se relacionar dali para frente.


  • Gostaria de tentar entender o que eu estou sentindo. Tem momentos que sinto uma tristeza a ponto de

    Gostaria de tentar entender o que eu estou sentindo. Tem momentos que sinto uma tristeza a ponto de querer me isolar e choro muito. Não consigo entender de onde vem esse sentimento de tristeza. Estou em um relacionamento que sinto que na hora de expressar meu ponto de vista não sou compreendida ou a sensação que tenho que tenho que pisar em ovos na hora de falar. Já ouve outro episodio de me sentir muita tristeza por meus sentimentos não serem validados. Isso é normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marisa Perini

    É muito importante acolher esse sentimento e entender que ele está tentando te mostrar algo. Os medicamentos, quando indicados por um médico, podem ajudar a reduzir sintomas como a tristeza intensa, mas eles não resolvem a origem do sofrimento.

    A psicoterapia pode te ajudar justamente nisso: desenvolver autoconhecimento, aprender a identificar gatilhos, observar seus pensamentos para encontrar a raiz do que está acontecendo.

    Sobre ser "normal" ou não, isso precisaria ser avaliado com mais profundidade. Sentir tristeza diante de situações em que você não se sente compreendida, validada ou acolhida no relacionamento é uma reação esperada. Porém, se essa tristeza é muito intensa, frequente, leva ao isolamento, ao choro recorrente e vem acompanhada de outros sintomas, como perda de interesse pelas atividades, alterações no sono, no apetite ou na disposição, merece uma investigação mais cuidadosa.

    Mais do que rotular como normal ou não, o mais importante é entender o que essa tristeza está comunicando e oferecer o cuidado que ela precisa. Você não precisa enfrentar isso sozinha.


  • Estou passando por um casamento muito desgastado. As discussões são frequentes, há ofensas de ambos

    Estou passando por um casamento muito desgastado. As discussões são frequentes, há ofensas de ambos os lados e isso acontece, infelizmente, na frente dos nossos filhos. Percebo que isso está afetando meu bem-estar emocional.

    O que mais me angustia é que sinto muita dificuldade em conversar com minha esposa sobre os problemas, pois tenho a impressão de que ela nunca reconhece a própria participação nos conflitos. Isso me faz perder a esperança de que a relação possa melhorar.

    Também reconheço que eu erro e que, durante as discussões, acabo respondendo de forma inadequada. Hoje me sinto emocionalmente exausto, com baixa autoestima e muito confuso sobre como lidar com essa situação.

    Minha dúvida é: do ponto de vista psicológico, como saber quando um relacionamento ainda tem possibilidade de ser reconstruído e quando o desgaste já é tão grande que um afastamento temporário pode ser uma alternativa saudável para preservar a saúde emocional e o bem-estar dos filhos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marisa Perini

    Do ponto de vista da Psicologia, eu costumo dizer que, se existe uma vontade genuína de fazer a relação dar certo das duas partes, sempre há possibilidade de reconstrução.

    O mais importante é que o casal deixe de enxergar um ao outro como adversários e passe a olhar para o problema como algo que precisa ser enfrentado em conjunto. Quando os dois trabalham na mesma direção, em vez de tentar vencer discussões ou provar quem está certo, a relação ganha espaço para se fortalecer novamente.

    É claro que existem situações em que a reconstrução não é possível, principalmente quando apenas uma das pessoas deseja mudar ou quando há violência e abuso.

    No fim, o que determina as chances de reconstrução não é apenas o tamanho dos conflitos vividos, mas o comprometimento de ambos em construir uma forma diferente de se relacionar dali para frente.

    A terapia de casal pode ser muito efetiva, mas vale ressaltar que são duas pessoas diferentes num relacionamento e que o olhar individual, cada um para suas questões, costuma favorecer positivamente o relacionamento.


  • Como é possível diferenciar a sensação de ansiedade/mente agitada que não consegue relaxar e sensaçã

    Como é possível diferenciar a sensação de ansiedade/mente agitada que não consegue relaxar e sensação de que a qualquer momento pode acontecer algo consigo de um real problema que pode colocar em perigo? Tem uma maneira de diferenciar a ansiedade de algo fisiológico?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marisa Perini

    Essa é uma dúvida muito comum, principalmente entre pessoas que convivem com a ansiedade.

    O primeiro passo é sempre descartar uma causa física. Se você apresenta sintomas persistentes ou intensos, procure um médico para realizar uma avaliação e, se necessário, exames. Isso é importante para investigar se existe alguma condição clínica que justifique o que você está sentindo.

    Quando essa investigação não identifica alterações que expliquem os sintomas, passamos a ter evidências de que eles podem estar relacionados à ansiedade. E isso não significa que eles sejam "inventados". Os sintomas são reais, mas a origem deles é emocional.

    A partir daí, o foco deixa de ser procurar uma doença e passa a ser compreender o que desencadeia essa ansiedade. Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), por exemplo, trabalhamos a identificação dos pensamentos que alimentam o medo e aprendemos a confrontá-los com evidências concretas. Os próprios exames e avaliações médicas podem se tornar uma dessas evidências, ajudando a reduzir a interpretação catastrófica de que "algo grave está acontecendo".

    Com o tempo, esse processo de reestruturação cognitiva ajuda a diferenciar um sinal real de perigo de um alarme que está sendo disparado pela ansiedade. E isso é algo que costuma ser desenvolvido de forma gradual durante a psicoterapia.

    Se, mesmo após uma avaliação médica tranquilizadora, você continua vivendo com a sensação constante de que algo ruim vai acontecer, vale a pena procurar um psicólogo. Esse padrão tem tratamento, e você pode aprender a confiar mais nas evidências do que nos pensamentos gerados pela ansiedade.


  • O que fazer quando o paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) sente que não consegu

    O que fazer quando o paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) sente que não consegue confiar no terapeuta?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marisa Perini

    Olá, tudo bem?
    Isso não é incomum; na verdade, costuma fazer parte do próprio funcionamento do transtorno. Assim, é importante compreender que esse desconforto não necessariamente está relacionado ao profissional, mas pode estar ligado a dificuldades próprias do vínculo.

    Nesse sentido, vale se permitir trabalhar essa questão dentro do processo terapêutico, construindo gradualmente a relação com o terapeuta. No entanto, caso, com o tempo, isso não evolua, é válido considerar a busca por outro profissional.


  • Como é que eu faço pra fazer um tratamento pra fobia social quando a fobia social é tão forte que nã

    Como é que eu faço pra fazer um tratamento pra fobia social quando a fobia social é tão forte que não consigo conversar cara a cara com psicólogo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Marisa Perini

    A modalidade online seria uma boa opção neste caso! Pensando que o tratamento é a prioridade, até mesmo a câmera pode permanecer fechada, até que você se sinta confortável. Estratégias e adaptações existem e podem ser usadas, não desista de buscar ajuda!


Perguntas frequentes

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