Perguntas do paciente (3)

  • Como trabalhar com uma criança de 3 anos a morte do pai que nunca conheceu, sendo que a partir dos 2

    Como trabalhar com uma criança de 3 anos a morte do pai que nunca conheceu, sendo que a partir dos 2 anos tem como figura paterna o padastro.

    Há uma idade adequada para para iniciar o assunto?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Mayra Camila Souza

    Olá! Essa é uma situação que merece bastante sensibilidade, especialmente porque a criança tem apenas 3 anos e não chegou a conhecer o pai biológico.

    Não existe uma idade específica para “contar” sobre a morte. Aos 3 anos, a criança já pode começar a compreender, de forma bastante simples e concreta, alguns aspectos sobre a morte, mas ainda não possui uma compreensão completa de que ela é definitiva. Por isso, o mais importante é que a informação seja apresentada de maneira gradual, verdadeira e adequada ao seu nível de desenvolvimento.

    Como ela não teve uma convivência com o pai biológico, é importante diferenciar o processo de luto pela perda de uma pessoa com quem existia vínculo daquele relacionado à construção da própria história e identidade. Ela pode sentir curiosidade, fazer perguntas ou até não demonstrar interesse inicialmente.

    Eu recomendaria que, antes de conversar diretamente com a criança, os adultos procurem orientação psicológica para construir uma narrativa familiar coerente. É importante que ela possa saber, progressivamente, que esse pai existiu, que faz parte de sua história e que morreu antes que ela pudesse conhecê-lo, sem que isso diminua ou coloque em conflito o vínculo que ela possui com o padrasto, que exerce uma função paterna importante em sua vida.

    Com crianças pequenas, esse assunto pode ser trabalhado principalmente por meio do brincar, histórias, desenhos, bonecos, livros infantis e construção da história familiar. Não é necessário fazer uma grande “revelação” de uma única vez. A criança pode perguntar novamente ao longo dos anos, e os adultos vão ampliando a explicação conforme sua capacidade de compreensão.

    Também é importante utilizar palavras claras, como “morreu” e “morte”, evitando expressões como “foi dormir” ou “foi embora”, que podem gerar confusão ou medo.

    Um livro que pode ser utilizado como recurso é "A Árvore das Lembranças", de Britta Teckentrup, que aborda de maneira delicada a ausência, a memória e a continuidade dos vínculos.

    Se houver aspectos mais complexos relacionados à morte do pai, conflitos familiares ou dúvidas sobre como apresentar essa história à criança, recomendo que a família busque acompanhamento de um psicólogo infantil. O profissional poderá orientar os adultos e avaliar a melhor forma e o melhor momento para abordar o tema, respeitando o desenvolvimento emocional da criança.


  • Como eu sei que estou rejeitando o bebê na barriga? Ou somente não aceitei a ideia de ter um bebê ?

    Como eu sei que estou rejeitando o bebê na barriga? Ou somente não aceitei a ideia de ter um bebê ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Mayra Camila Souza

    É muito importante diferenciar “não ter conseguido aceitar ainda a ideia de estar grávida” de “rejeitar o bebê”. A gravidez pode despertar sentimentos muito diferentes e, às vezes, até contraditórios: alegria, medo, tristeza, irritação, insegurança, culpa, preocupação com as mudanças na vida e até vontade de que tudo fosse diferente. Ter pensamentos ou sentimentos ambivalentes não significa, por si só, que você esteja rejeitando o bebê.

    Uma pergunta que pode ajudar é: “O que exatamente está sendo difícil para mim: a existência do bebê ou tudo o que essa gravidez representa e está mudando na minha vida?” Muitas vezes, o sofrimento está relacionado ao medo da maternidade, às mudanças no relacionamento, à perda de liberdade, às questões financeiras, ao corpo, à expectativa de dar conta ou à dificuldade de se reconhecer nesse novo papel.

    Também é importante não exigir de si mesma um sentimento de amor imediato. O vínculo pode ser construído gradualmente, durante a gestação e também depois do nascimento. Não existe uma forma única ou “correta” de sentir a maternidade.

    Na psicoterapia, especialmente a partir de uma perspectiva centrada na pessoa, é fundamental existir um espaço de empatia, acolhimento e congruência, noqual você possa falar inclusive sobre sentimentos que considera “feios” ou inadequados, sem medo de ser julgada. Quando conseguimos reconhecer e expressar genuinamente aquilo que está vivendo, torna-se possível compreender melhor suas necessidades e construir, aos poucos, uma relação mais integrada com essa nova realidade.

    Por isso, em vez de se perguntar apenas “será que estou rejeitando meu bebê?”, talvez seja mais importante se perguntar: “O que estou sentindo diante dessa gravidez e do que ela representa para mim?”

    Se esses sentimentos estiverem causando sofrimento intenso, culpa, afastamento persistente ou dificuldade significativa para vivenciar a gestação, procurar um psicólogo pode ajudar bastante. Você não precisa esperar “aceitar tudo” para buscar ajuda. Às vezes, o primeiro passo é justamente ter um espaço seguro para poder dizer: “Eu não sei ainda como me sinto com tudo isso.” Abraços!


  • Estou saindo de casa para morar com minha namorada, tenho uma mãe de 75 que vai ficar só . Estou com

    Estou saindo de casa para morar com minha namorada, tenho uma mãe de 75 que vai ficar só . Estou com muita dor no coração e ansiedade por deixa lá só. O que devo fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Mayra Camila Souza

    É compreensível que essa mudança desperte alguns sentimentos. Você está vivendo, ao mesmo tempo, duas coisas importantes: o desejo de construir uma vida ao lado da sua namorada e a preocupação com alguém que é importante para você.

    Talvez, antes de perguntar “o que devo fazer?”, possa ser importante se perguntar: “O que exatamente estou sentindo quando penso em deixar minha mãe?” É medo de que algo aconteça com ela? Culpa por sentir que está abandonando-a? Preocupação com a solidão dela? Ou a sensação de que você é responsável por garantir que ela nunca fique sozinha?

    Na terapia, podemos primeiro compreender essa experiência com empatia e sem julgamento. Cuidar de alguém não precisa significar abrir mão da própria autonomia, assim como sair de casa não significa abandonar sua mãe.

    Pode ser importante construir, junto com ela, uma rede de apoio e formas concretas de manter a proximidade: combinar contatos, visitas, verificar quem pode ajudá-la e conversar sobre como ela também se sente diante dessa mudança.

    Você não precisa deixar de amar e cuidar da sua mãe para construir a sua própria vida. E também não precisa tomar essa decisão ignorando o que sente. Talvez o caminho esteja justamente em conseguir escutar essas duas necessidades e encontrar uma forma possível de cuidar de ambas.


Perguntas frequentes

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