Perguntas do paciente (5)

  • É normal eu imaginar cenários em que eu esteja conversando/interagindo com um grupo de K-pop famoso?

    É normal eu imaginar cenários em que eu esteja conversando/interagindo com um grupo de K-pop famoso? Pois eu gosto muito do grupo, me sentia "confortável"/bem ao assisti-las e acompanhava bastante conteúdos das integrantes, que não eram apenas sobre música especificamente.

    Era quase como se eu me sentisse um amigo mesmo, estava engajado ao ponto de defender o grupo contra haters, sem xingar e sem ofender, apenas mostrando contrapontos a alguns comentários negativos.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Mikaela Rosa Fick  Pacheco

    Na prática clínica, vejo que isso é bem mais comum do que parece. Quando a gente gosta muito de um grupo, artista ou qualquer outra coisa que faz parte da nossa rotina, é natural criar um carinho e até imaginar situações em que estaria conversando ou convivendo com essas pessoas. Principalmente quando aquele conteúdo traz conforto, diversão ou ajuda a passar por momentos difíceis.

    Pelo que tu conta, parece que esse grupo tem um significado importante pra ti, então faz sentido que tu tenha se sentido próximo das integrantes e até sentisse vontade de defendê-las quando via comentários injustos.

    O que eu acredito ser importante é que esse gosto continue sendo algo que acrescenta à sua vida, e não algo em torno do qual tudo passe a girar. Ter admiração e carinho é uma coisa, deixar de investir em amizades, interesses, objetivos ou experiências da vida real por causa disso já seria algo que valeria a pena observar com mais atenção.
    Mas imaginar conversas, acompanhar conteúdos e sentir essa proximidade emocional não me parece estranho por si só. Tudo é questão de equilíbrio.


  • Qual a importância da responsabilização pessoal no tratamento do Transtorno de Personalidade Borderl

    Qual a importância da responsabilização pessoal no tratamento do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Mikaela Rosa Fick  Pacheco

    No tratamento do TPB, acredito que a responsabilização pessoal pode ser um divisor de águas entre a estagnação no sofrimento e a construção de uma vida que vale a pena ser vivida.
    Enquanto profissionais, compreendemos perfeitamente que a vulnerabilidade emocional e a dor do paciente são reais, intensas e frequentemente enraizadas em vivências de invalidação precoce ou traumas de infância. Validar essa dor é o primeiro passo, mas a melhora real acontece quando o paciente compreende que, embora ele não tenha culpa pelas feridas do passado, ele é o único responsável pelas suas escolhas, reações e comportamentos no presente.

    Sem essa virada de chave, o indivíduo permanece refém de ciclos automáticos de reatividade, impulsividade e autossabotagem, esperando que o mundo mude para que ele possa finalmente ficar bem. Assumir a autorresponsabilidade permite que o paciente migre do papel passivo de vítima de seus próprios processos desadaptativos para o papel de agente ativo de sua melhora.


  • É comum não ter ânimo para nada estando com ansiedade e depressão?

    É comum não ter ânimo para nada estando com ansiedade e depressão?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Mikaela Rosa Fick  Pacheco

    Sim, é bastante comum em quadros depressivos, não ter ânimo para fazer nada, inclusive atividades que a pessoa costuma gostar muito. E em quadros de ansiedade, a pessoa pode estar tão esgotada mentalmente, e tensa, que não possui disposição para realizar suas atividades e rotinas. Isso acontece porque a ansiedade e a depressão afetam diretamente o funcionamento do cérebro e do corpo, reduzindo a energia, a motivação e a capacidade de sentir prazer nas atividades do dia a dia.


  • O objetivo do psicologo(a) e mudar a forma de pensar do paciente ou tem nada ver ?

    O objetivo do psicologo(a) e mudar a forma de pensar do paciente ou tem nada ver ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Mikaela Rosa Fick  Pacheco

    É muito compreensível ter essa dúvida, pois o trabalho da psicologia frequentemente esbarra na ideia de que a terapia serve pra "consertar" alguém, mas o objetivo do psicólogo definitivamente não é mudar a forma de pensar das pessoas de maneira imposta. Nós não temos esse poder, tampouco somos donos da verdade.

    No meu caso, que atuo com a TCC e Terapia do Esquema, em vez de forçar uma mudança ou ditar o que é certo e errado, nosso foco é promover a flexibilidade, a autonomia e o alívio do sofrimento emocional. A gente instiga o paciente a questionar os padrões disfuncionais da vida, e trabalha de forma colaborativa pra auxiliar ele a desenvolver visões mais realistas e adaptativas sobre si mesmo e sobre o mundo.
    A "mudança na forma de pensar" acaba sendo uma consequência natural de um processo de autoconhecimento e melhora emocional, onde o paciente é sempre o protagonista das suas próprias escolhas.


  • Como posso melhorar da depressão, existe cura? sou bipolar há 20 anos.

    Como posso melhorar da depressão, existe cura? sou bipolar há 20 anos.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Mikaela Rosa Fick  Pacheco

    O transtorno bipolar é uma condição caracterizada por oscilações acentuadas e persistentes no humor, que variam entre episódios de euforia ou irritabilidade (mania/hipomania) e períodos de profunda tristeza e falta de energia (depressão). Na medicina e na psicologia atual, não falamos em "cura" definitiva para o transtorno afetivo bipolar, mas sim em remissão de sintomas e estabilização. Para que isso aconteça, o tratamento deve ser um "tripé" composto por psicoterapia, mudanças no estilo de vida (como higiene do sono e rotina) e, obrigatoriamente, a medicação.
    Se a fase depressiva estiver muito intensa e difícil de lidar, é importante buscar acompanhamento psiquiátrico para avaliar possíveis ajustes na medicação, além do apoio da psicoterapia para atravessar esse momento com mais segurança e acolhimento.


Perguntas frequentes

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