Perguntas do paciente (5)

  • É possível termos sentimentos ou sensações que não queremos ter? Ontem eu estava acordando, ainda c

    É possível termos sentimentos ou sensações que não queremos ter?

    Ontem eu estava acordando, ainda com muito sono, em tinha aberto os olhos ainda, quando do nada me veio na cabeça um cara que um dia gostei e sorri. Assim que abri os olhos, pensei: “Ué, mas eu nem gosto mais dele. Essa pessoa me fez passar por coisas ruins, então por que eu tive essa reação?”

    Passei o dia remoendo isso e me sentindo culpada, porque eu sei que não gosto mais dele e não quero voltar a ficar com ele. Mas aquele momento me fez questionar se uma reação espontânea pode significar alguma coisa.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Obélia  Rodrigues Freitas

    Sim, é possível termos reações espontâneas que não representam necessariamente o que queremos ou sentimos hoje. Um sorriso ou uma lembrança não significa, por si só, que você ainda gosta dessa pessoa ou deseja voltar.

    O mais importante é observar o pensamento que surgiu depois: “Se eu sorri, isso significa que ainda gosto dele?”. Talvez possamos trabalhar justamente essa interpretação e a necessidade de encontrar um significado para uma reação automática.

    Você não precisa se culpar por algo que não escolheu sentir. O que importa é aquilo que você reconhece e escolhe no presente.


  • Tenho dificuldade de me priorizar metas pessoais e fazer o que gosto. Sou de família que me deixou u

    Tenho dificuldade de me priorizar metas pessoais e fazer o que gosto. Sou de família que me deixou um pouco de lado emocionalmente e acredito que isso me bloqueia de me priorizar mais, sinto que tenho que tirar força negativa de dentro de mim pra tentar me priorizar e tenho uma crença de que acho que seria muito egoísta da minha parte ao me colocar em primeiro lugar. Como se trabalha isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Obélia  Rodrigues Freitas

    Sim, podemos trabalhar isso na terapia. Quando aprendemos, ao longo da vida, a colocar nossas necessidades em segundo plano, é comum surgir culpa quando começamos a nos priorizar.

    Mas se colocar em primeiro lugar em alguns momentos não significa deixar de considerar os outros. Significa reconhecer que suas necessidades, desejos e limites também são importantes.

    Na TCC, podemos identificar essa crença de que “me priorizar é ser egoísta”, avaliar de onde ela veio e construir uma forma mais equilibrada de pensar: “Eu posso cuidar de mim e, ao mesmo tempo, continuar me importando com as pessoas que amo.”

    A ideia não é tirar uma “força negativa” de dentro de você, mas compreender o que está dificultando esse movimento e, aos poucos, praticar pequenas escolhas em favor de si mesma, sem precisar sentir culpa por isso.


  • Tenho receio de mostrar certas qualidades minhas por medo da rejeição e por elas serem facilmente b

    Tenho receio de mostrar certas qualidades minhas por medo da rejeição e por elas serem facilmente bem invejadas no contexto brasileiro como dedicação ao que me proponho a fazer, inteligência, detalhista, pragmático, direto e me preocupar em vestir bem e cuidar de aparência que é um tabu entre os homens. Como diminuir esse medo de rejeição e zombaria social que pode me acometer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Obélia  Rodrigues Freitas

    É compreensível que você tenha desenvolvido esse receio se, em algum momento, aprendeu que se destacar poderia trazer críticas, inveja ou rejeição. Mas ter qualidades, cuidar da sua aparência e expressar quem você é não significa estar se colocando acima dos outros.

    Na terapia, podemos trabalhar essa crença e diferenciar “mostrar quem eu sou” de “precisar da aprovação de todos”. O objetivo não é eliminar completamente o medo de ser julgado, mas desenvolver segurança para continuar sendo você mesmo, mesmo diante da possibilidade de alguém não aprovar.

    Também podemos trabalhar a exposição gradual a situações em que você se permita demonstrar suas características e observar: “O que eu temo que aconteça? O que realmente acontece? E, se alguém zombar ou rejeitar, como posso lidar com isso?”

    Você não precisa diminuir suas qualidades para se sentir aceito. Podemos trabalhar para que sua autoestima seja menos dependente da reação das outras pessoas.


  • Como ser uma pessoa interessante e atraente pra mim mesmo e por consequência pros outros?

    Como ser uma pessoa interessante e atraente pra mim mesmo e por consequência pros outros?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Obélia  Rodrigues Freitas

    Ser uma pessoa interessante para si mesma começa menos pela preocupação em agradar os outros e mais pela construção de uma vida que tenha significado para você.

    Na terapia, podemos trabalhar o autoconhecimento, seus interesses, valores, habilidades e aquilo que desperta sua curiosidade e satisfação. Quanto mais você se permite desenvolver quem é, experimentar coisas novas e reconhecer suas próprias qualidades, menos sua autoestima fica dependente da validação externa.

    E ser atraente para os outros pode ser uma consequência de você se sentir mais seguro e autêntico, mas não precisa ser o objetivo principal. A pergunta pode mudar de “Como faço para os outros gostarem de mim?” para “Que tipo de pessoa eu quero ser e que vida quero construir?”


  • É possível mudar qualquer crença central e qualquer crença intermediária disfuncional? E mesmo após

    É possível mudar qualquer crença central e qualquer crença intermediária disfuncional? E mesmo após conseguir mudar essas crenças, depois de um tempo elas voltam fazendo com que o paciente tenha recaídas? Se o paciente tem recaídas por conta de que a crença disfuncional antiga voltou, então não é possível mudar crenças disfuncionais para sempre ou por algum tempo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Obélia  Rodrigues Freitas

    É possível modificar crenças centrais e intermediárias disfuncionais, mas isso não significa que elas nunca mais aparecerão. Crenças antigas foram construídas ao longo da história de vida e podem ser ativadas novamente diante de situações de estresse, perdas ou outros gatilhos.

    Isso não significa que o tratamento “falhou” ou que a crença voltou a ser verdadeira. A diferença está em como você passa a responder quando ela aparece. Com a terapia, o objetivo é desenvolver novas formas de interpretar e lidar com essas situações, tornando a crença antiga menos dominante e fortalecendo crenças mais funcionais.

    Por isso, uma recaída pode ser entendida como uma oportunidade de aplicar as habilidades aprendidas, e não como uma volta ao ponto inicial. A mudança não precisa significar nunca mais ter aquele pensamento, mas não ser mais governado por ele.


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