Perguntas do paciente (41)

  • Como superar a dor de um término de relacionamento? Isso pode ser considerado um luto?

    Como superar a dor de um término de relacionamento? Isso pode ser considerado um luto?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Odete Aparecida Bazilio

    Sim. O fim de um relacionamento pode ser vivido como um processo de luto. Afinal, não perdemos apenas uma pessoa. Perdemos planos, expectativas, sonhos e uma versão de nós mesmos que existia dentro daquela relação.
    Muitas vezes, o sofrimento não está apenas no término, mas na dificuldade de aceitar que aquela história chegou ao fim. É comum sentir saudade, raiva, culpa, esperança de que tudo volte a ser como antes ou até a sensação de que nunca mais será feliz.
    Superar não significa esquecer ou deixar de amar. Significa conseguir olhar para essa história sem que ela impeça você de viver novas experiências. Cada pessoa tem seu tempo para elaborar esse processo, e a psicoterapia pode ajudar quando a dor permanece intensa ou impede que a vida siga seu curso.


  • Tenho pavor de interagir com as pessoas. Na infância, eu era bastante tímida, mas, mesmo assim, cons

    Tenho pavor de interagir com as pessoas. Na infância, eu era bastante tímida, mas, mesmo assim, conseguia conversar, interagir e brincar com as outras crianças. No entanto, na adolescência, essa timidez evoluiu para um medo enorme de interações sociais, e a situação só piorou. Sempre que alguém fala comigo, fico super nervosa, meu coração acelera e sinto vontade de chorar. Acabo gaguejando e não consigo manter contato visual com ninguém porque, ao olhar nos olhos das pessoas, fico nervosa. Quando interajo com os outros por muito tempo, meu medo só aumenta e, após essas interações, me sinto tão mal que choro descontroladamente, me sentindo um lixo. Só de imaginar que preciso me expor ao público, já começo a ter um ataque de ansiedade. Não consigo nem mesmo dar um bom dia a alguém. Para falar qualquer coisa, preciso fazer um esforço enorme. Isso atrapalha muito a minha vida, principalmente na vida profissional. No meu último emprego, infelizmente precisei lidar com o público e foi horrível. Eu tinha que me esforçar muito para não surtar na frente de todo mundo e, quando o expediente acabava, chorava muito, tremia... saía de lá exausta emocionalmente. Queria procurar ajuda, mas tenho medo de que não levem a sério o que sinto e que eu acabe só perdendo tempo e a minha pouca dignidade. Eu sei que não sou a pessoa mais legal e carismática do mundo, mas só queria ser minimamente normal e não ter um ataque toda vez que preciso falar com alguém. Não aguento mais isso. Queria nunca mais ter que falar com ninguém na vida. Queria saber como faço pra me livrar disso, a o especialista de qual área eu preciso recorrer...

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Odete Aparecida Bazilio

    Olá. O que mais me chamou a atenção no seu relato foi o quanto você tem sofrido. Você não descreve apenas timidez, mas um medo intenso de ser vista, julgada ou de não corresponder às expectativas dos outros.
    Quando esse medo faz com que você evite pessoas, interfira no trabalho e a deixe emocionalmente exausta, ele merece ser acolhido e compreendido. Não significa que você seja fraca ou incapaz de se relacionar.
    A psicoterapia pode ajudá-la a entender como esse medo foi se construindo ao longo da vida e, pouco a pouco, fortalecer sua segurança nas relações.
    Você não precisa se tornar alguém extrovertida para viver bem. Mas merece poder conversar, trabalhar e estar com as pessoas sem tanto sofrimento.


  • Tenho dificuldade em entender quando eu cismo de estar certo,me defendendo em opiniões, sempre dando

    Tenho dificuldade em entender quando eu cismo de estar certo,me defendendo em opiniões, sempre dando razão pra mim,acho que já perdi até empregos por não mudar minha opinião em tudo,sinto que isso está me atrapalhando, como posso melhorar isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Odete Aparecida Bazilio

    Olá! O fato de você perceber esse padrão já é um passo importante. Muitas vezes, quando sentimos uma necessidade intensa de provar que estamos certos, não estamos defendendo apenas uma opinião, mas algo mais profundo: a necessidade de segurança, reconhecimento ou medo de errar.
    Isso não significa que você esteja sempre errado. O problema é quando a necessidade de ter razão passa a ser mais importante do que compreender o outro ou preservar os relacionamentos. Quando isso acontece repetidamente, pode gerar conflitos no trabalho, na vida afetiva e até dificultar o próprio crescimento.
    A psicoterapia pode ajudar você a entender de onde vem essa postura, quais emoções ela protege e como desenvolver mais flexibilidade, sem abrir mão das suas convicções. Ser flexível não é concordar com tudo, mas conseguir ouvir outras perspectivas sem sentir que sua identidade está sendo ameaçada.


  • Sinto me um pouco frustrado por conseguir minhas conquistas mais tardiamente do que os outros e muit

    Sinto me um pouco frustrado por conseguir minhas conquistas mais tardiamente do que os outros e muito provavelmente minha vida só melhore mesmo entre 35 e 40 anos. Às vezes fico com raiva de mim mesmo por isso mesmo que eu vá atrás das minhas metas porém só de pensar nessa idade que minha vida melhore me deixa desmotivado pois sinto que minha vida começaria quando metade dela já passou. Como lidar com essa sensação e manter motivado mesmo com esse cenário em mente?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Odete Aparecida Bazilio

    Comparar o próprio tempo com o dos outros costuma ser uma das maiores fontes de sofrimento. Cada pessoa tem uma história, oportunidades e desafios diferentes. Por isso, seguir o relógio de outra pessoa quase sempre nos faz sentir atrasados.
    O que me chamou a atenção foi quando você disse que sente como se sua vida fosse começar quando metade dela já passou. Essa ideia pode fazer com que você deixe de reconhecer tudo o que já construiu até aqui e torne a caminhada muito mais pesada.
    A vida não começa aos 20, aos 30 ou aos 40 anos. Ela acontece todos os dias. A psicoterapia pode ajudá-lo a compreender de onde vem essa sensação de estar sempre atrasado e a construir metas que façam sentido para a sua história, e não para a comparação com a dos outros.


  • Quando um casal perde completamente o respeito um pelo outro após anos de conflitos e ofensas, ainda

    Quando um casal perde completamente o respeito um pelo outro após anos de conflitos e ofensas, ainda é possível reconstruir esse respeito do ponto de vista da psicologia?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Odete Aparecida Bazilio

    O respeito pode ser reconstruído, mas isso depende do desejo genuíno dos dois de rever a forma como se relacionam. Quando um casal permanece preso em ofensas, humilhações e ressentimentos, a confiança costuma ficar bastante abalada.
    Reconstruir o respeito não significa esquecer o que aconteceu, mas criar uma nova forma de conversar, estabelecer limites e assumir responsabilidade pelas próprias atitudes.
    Em alguns casos, a terapia de casal pode ajudar nesse processo. Em outros, o mais saudável é compreender que nem toda relação consegue ser reconstruída. Permanecer juntos só faz sentido quando existe disposição de ambos para mudar.


  • Gostaria de tentar entender o que eu estou sentindo. Tem momentos que sinto uma tristeza a ponto de

    Gostaria de tentar entender o que eu estou sentindo. Tem momentos que sinto uma tristeza a ponto de querer me isolar e choro muito. Não consigo entender de onde vem esse sentimento de tristeza. Estou em um relacionamento que sinto que na hora de expressar meu ponto de vista não sou compreendida ou a sensação que tenho que tenho que pisar em ovos na hora de falar. Já ouve outro episodio de me sentir muita tristeza por meus sentimentos não serem validados. Isso é normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Odete Aparecida Bazilio

    O fato de você não conseguir identificar de onde vem essa tristeza não significa que ela não tenha uma origem. Muitas vezes, nossos sentimentos estão relacionados a experiências que fomos acumulando ao longo da vida e que nem sempre percebemos de imediato.
    O que me chamou a atenção foi você dizer que sente que precisa "pisar em ovos" para falar e que seus sentimentos não costumam ser compreendidos. Quando isso acontece repetidamente, é natural que a pessoa comece a silenciar o que sente e carregue essa tristeza sozinha.
    A psicoterapia pode ajudá-lo a compreender melhor essa dor, fortalecer a confiança naquilo que você sente e encontrar formas mais saudáveis de se expressar. Você merece viver relações em que possa ser ouvido sem medo e acolhido sem precisar esconder quem é.


  • Estou passando por um casamento muito desgastado. As discussões são frequentes, há ofensas de ambos

    Estou passando por um casamento muito desgastado. As discussões são frequentes, há ofensas de ambos os lados e isso acontece, infelizmente, na frente dos nossos filhos. Percebo que isso está afetando meu bem-estar emocional.

    O que mais me angustia é que sinto muita dificuldade em conversar com minha esposa sobre os problemas, pois tenho a impressão de que ela nunca reconhece a própria participação nos conflitos. Isso me faz perder a esperança de que a relação possa melhorar.

    Também reconheço que eu erro e que, durante as discussões, acabo respondendo de forma inadequada. Hoje me sinto emocionalmente exausto, com baixa autoestima e muito confuso sobre como lidar com essa situação.

    Minha dúvida é: do ponto de vista psicológico, como saber quando um relacionamento ainda tem possibilidade de ser reconstruído e quando o desgaste já é tão grande que um afastamento temporário pode ser uma alternativa saudável para preservar a saúde emocional e o bem-estar dos filhos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Odete Aparecida Bazilio

    Enquanto eu lia seu relato, uma frase me chamou a atenção: "sinto que estou perdendo a esperança de que a relação possa melhorar."
    Um relacionamento não costuma terminar apenas quando duas pessoas se separam. Às vezes, ele vai se desgastando aos poucos, quando o diálogo deixa de existir, quando um não consegue reconhecer a própria participação nos conflitos e quando o sofrimento passa a fazer parte da rotina.
    O fato de você reconhecer que também erra já mostra uma disposição para refletir sobre a relação. A questão é saber se essa disposição existe dos dois lados. Reconstruir um relacionamento exige que ambos estejam dispostos a rever atitudes e assumir responsabilidades.
    Quando as discussões acontecem com frequência, principalmente na frente dos filhos, é importante olhar também para o impacto que esse ambiente tem sobre toda a família. Em alguns casos, um afastamento temporário pode ser um recurso para interromper um ciclo de conflitos, desde que seja uma decisão pensada e não tomada no auge de uma discussão.
    A terapia individual e, quando possível, a terapia de casal podem ajudar a esclarecer se ainda existe espaço para reconstrução ou se o caminho mais saudável passa por uma nova forma de seguir a vida.


  • Como é possível diferenciar a sensação de ansiedade/mente agitada que não consegue relaxar e sensaçã

    Como é possível diferenciar a sensação de ansiedade/mente agitada que não consegue relaxar e sensação de que a qualquer momento pode acontecer algo consigo de um real problema que pode colocar em perigo? Tem uma maneira de diferenciar a ansiedade de algo fisiológico?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Odete Aparecida Bazilio

    Olá! Essa é uma dúvida muito comum. A ansiedade pode provocar sintomas físicos bastante intensos, como falta de ar, palpitações, tontura, aperto no peito e sensação de que algo ruim vai acontecer. O problema é que esses sintomas podem se parecer com os de algumas condições médicas.
    Por isso, quando os sintomas surgem pela primeira vez ou são muito intensos, é importante passar por uma avaliação médica para descartar causas físicas. Depois dessa investigação, se não houver uma explicação orgânica, vale a pena olhar para a ansiedade com atenção.
    Na psicoterapia, mais do que tentar adivinhar se o sintoma é físico ou emocional, buscamos compreender em quais situações ele aparece, o que ele comunica e como ele se relaciona com a história de vida da pessoa. Quando entendemos a origem do sofrimento, o medo tende a diminuir e os sintomas costumam perder força.


  • Vc acha q o controlo digital parental é bom ou mau?

    Vc acha q o controlo digital parental é bom ou mau?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Odete Aparecida Bazilio

    Na minha opinião, o controle parental pode ser uma ferramenta útil, desde que não substitua o diálogo. O maior objetivo não deve ser vigiar os filhos, mas protegê-los enquanto eles ainda não têm maturidade para lidar sozinhos com todos os riscos do ambiente digital.
    O problema acontece quando o controle é usado sem conversa, sem explicações ou como forma de invadir completamente a privacidade do adolescente. Isso pode prejudicar a confiança entre pais e filhos.
    O ideal é que o uso dessas ferramentas seja acompanhado de combinados claros, educação digital e um ambiente em que a criança ou o adolescente se sintam seguros para conversar sobre o que encontram na internet. O vínculo continua sendo a melhor forma de proteção.


  • Como a ansiedade interfere na atenção de pacientes com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)?

    Como a ansiedade interfere na atenção de pacientes com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Odete Aparecida Bazilio

    A ansiedade costuma estar muito presente no TOC, porque os pensamentos obsessivos geram um estado constante de alerta. A pessoa sente necessidade de controlar a incerteza e aliviar a angústia, recorrendo às compulsões ou aos rituais.
    Na minha prática clínica, procuro olhar além dos sintomas. Embora a ansiedade faça parte do transtorno, ela também pode expressar conflitos emocionais mais profundos, medos, experiências marcantes e formas que a psique encontrou para lidar com o sofrimento.
    A psicoterapia ajuda a compreender não apenas "o que" a pessoa faz para aliviar a ansiedade, mas "por que" ela precisa fazer isso. Quando esse sentido começa a ser compreendido, a relação com os sintomas pode mudar, favorecendo um tratamento mais profundo e duradouro.


  • É possível "reeducar" o cérebro para se acostumar a transar com camisinha após ter experimentado sem

    É possível "reeducar" o cérebro para se acostumar a transar com camisinha após ter experimentado sem?

    Eu estou em um relacionamento sério há algum tempo. Um dia, a minha namorada sugeriu de experimentarmos sem camisinha, pois segundo ela eu passaria a não mais querer fazer com camisinha. Assim que começou a menstruação dela nós experimentamos. Pois bem, fizemos isso duas vezes (em dois meses diferentes).

    Acontece que ela disse que agora só faremos após o casamento. Perguntei a ela o porquê disso, e ela me explicou os motivos dela. Me senti um pouco enganado, mas entendi e respeitei. Após isso, eu não tenho mais sentido "tesão" durante o sexo com camisinha da mesma forma que eu sentia antes de saber como era a sensação sem proteção. Soma-se o fato dela ter me contato que só transava sem camisinha com o ex, faz me sentir ainda pior.

    Agora, me parece que essa minha dificuldade de sentir o "tesão", não digo prazer, é mais da parte psicológica. E eu tenho buscado maneiras de "reeducar" meu cérebro para voltar a sentir essa vontade no sexo que eu sentia antes, mas tem sido muito difícil.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Odete Aparecida Bazilio

    O que você descreve parece envolver mais do que uma diferença de sensação física. Depois dessa experiência, entraram também sentimentos de frustração, decepção, comparação com o ex e a sensação de ter sido enganado. Tudo isso pode interferir diretamente no desejo.
    Não se trata apenas de “reeducar o cérebro”, mas de compreender o que essa situação passou a representar para você. Talvez a camisinha tenha se associado à ideia de perda, proibição ou desigualdade dentro da relação, e não apenas à proteção.
    É importante conversar com sua namorada de forma aberta, sem pressioná-la a ultrapassar os próprios limites. O desejo não costuma responder bem à cobrança ou à tentativa de forçá-lo. Ele pode ser reconstruído quando o casal recupera confiança, intimidade e segurança.
    A camisinha continua sendo uma forma importante de prevenção. Se essa dificuldade persistir, a psicoterapia pode ajudar você a compreender os sentimentos envolvidos e a separar a experiência física dos significados emocionais que ficaram ligados a ela.


  • Morder o próprio lábio é classificado como automutilação? Eu faço isso como uma forma de distração p

    Morder o próprio lábio é classificado como automutilação? Eu faço isso como uma forma de distração para minha ansiedade e falta de motivação/ânimo dessa vida. Normalmente automutilação é tratado pelas pessoas apenas como cortes, as vezes queimaduras voluntárias, mas eu queria saber sobre uma perspectiva profissional como esse ato em específico é classificado.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Odete Aparecida Bazilio

    Morder o próprio lábio pode ser considerado um comportamento autolesivo quando é feito de forma repetitiva, intencional e como uma maneira de aliviar um sofrimento emocional. No entanto, esse comportamento precisa ser compreendido dentro do contexto de cada pessoa e não apenas pela ação em si.
    Na psicoterapia, mais importante do que classificar o comportamento é compreender a função que ele exerce. Muitas vezes, ele surge como uma tentativa de regular emoções difíceis, aliviar a ansiedade ou expressar uma dor que ainda não encontrou palavras.
    Por isso, em vez de olhar apenas para o sintoma, procuro compreender o que ele está tentando comunicar. Quando o sofrimento emocional encontra espaço para ser elaborado, o comportamento tende a perder sua função.


  • Tenho vontade de fazer caminhada e correr, mas devido e TAG desenvolvi certos gatilhos que quando es

    Tenho vontade de fazer caminhada e correr, mas devido e TAG desenvolvi certos gatilhos que quando estou caminhando me fazem pensar um monte coisas e drenam a minha capacidade física. Interessante que ontem mesmo senti isso ao sair de casa até um restaurante. Não conseguia me desligar dos sintomas e já estava ficando cansado. Na volta, que era a mesma distância, vinha conversando com uma pessoa e nem percebi quando terminei o percurso. Não senti qualquer cansaço. Isso aponta para ansiedade? Ainda não fiz exames médicos.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Odete Aparecida Bazilio

    Olá! O que você descreve pode, sim, estar relacionado à ansiedade. Quando estamos muito atentos aos sintomas do próprio corpo, é comum que a mente entre em um estado de alerta constante. Isso faz com que qualquer sensação física pareça mais intensa e cansativa.
    O fato de você ter feito o mesmo percurso conversando com outra pessoa e não ter sentido esse cansaço sugere que a sua atenção estava direcionada para a conversa, e não para os sintomas. Isso é um dado importante, mas não substitui uma avaliação médica. Como você ainda não fez exames, vale a pena investigar também possíveis causas físicas.
    Na psicoterapia, costumo olhar para a ansiedade não apenas como um conjunto de sintomas, mas como um sinal de que algo em nosso mundo interno está pedindo atenção. Muitas vezes, quanto mais tentamos controlar o medo ou monitorar o corpo, mais alimentamos esse ciclo de ansiedade.
    Compreender o que está por trás desse estado de alerta e desenvolver uma relação diferente com ele costuma trazer alívio, permitindo que a pessoa volte a viver experiências simples, como caminhar, com mais liberdade.


  • Há algumas semanas, minha esposa descobriu que eu estava trocando mensagens com outras mulheres. Ape

    Há algumas semanas, minha esposa descobriu que eu estava trocando mensagens com outras mulheres. Apesar de não ter havido contato físico, ela reagiu de forma muito intensa, chegando a ameaçar tirar a própria vida e tentar se ferir. Desde então, passamos por momentos muito difíceis, incluindo discussões e uma viagem bastante desgastante. Recentemente, porém, ela mudou sua postura, reconheceu falhas no relacionamento e demonstrou interesse em reconstruirmos o casamento.

    Diante dessa situação, sinto-me dividido entre tentar recomeçar a relação ou seguir em frente com uma separação. Tenho medo de permanecer no casamento sem estar verdadeiramente decidido e acabar magoando minha esposa novamente, mas também me sinto culpado ao pensar em encerrar uma história de três anos de casamento. Como lidar com essa indecisão, compreender melhor meus sentimentos e tomar uma decisão emocionalmente saudável para mim e para minha esposa?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Odete Aparecida Bazilio

    Quando vivemos uma crise, é comum querer uma resposta rápida. Mas decisões importantes costumam amadurecer quando conseguimos compreender o que realmente estamos sentindo, e não apenas reagir à culpa ou ao sofrimento do outro.
    A psicoterapia pode ajudar justamente nesse processo: diferenciar o que é responsabilidade, o que é culpa e o que, de fato, faz sentido para a sua vida. Permanecer em um relacionamento apenas por medo de causar dor costuma prolongar o sofrimento de ambos, assim como romper impulsivamente também pode gerar arrependimentos.
    Antes de decidir o futuro do casamento, talvez seja importante olhar para o que essa crise está tentando revelar sobre você, sobre a relação e sobre o que cada um espera de um vínculo afetivo.


  • Tenho problemas com ansiedade desde a infância. Uma das coisas que mais me incomoda é a dificuldade

    Tenho problemas com ansiedade desde a infância. Uma das coisas que mais me incomoda é a dificuldade para comer fora de casa, estar em lugares fora da minha rotina ou até mesmo fazer refeições na presença de outras pessoas. Também tenho um medo muito grande de passar mal ou vomitar, e isso acaba aumentando ainda mais minha ansiedade nessas situações.
    Já fiz acompanhamento psicológico em outros momentos da minha vida, mas sinto que não tive a melhora que esperava. Com o passar dos anos, percebo que esse problema continua me limitando e fazendo com que eu evite situações que gostaria de viver normalmente.
    Eu tento lidar com isso da melhor forma possível. Já procurei técnicas para me acalmar, tentei me expor aos poucos às situações que me causam desconforto e busquei mudar alguns comportamentos, mas ainda sinto que a ansiedade continua muito presente.
    Gostaria de saber se existem abordagens terapêuticas mais indicadas para casos como o meu e como posso saber se vale a pena tentar a terapia novamente, mesmo não tendo tido bons resultados nas experiências anteriores.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Odete Aparecida Bazilio

    Olá! O que você relata mostra o quanto a ansiedade foi, aos poucos, restringindo a sua vida. Muitas vezes, o problema deixa de ser apenas o medo de passar mal e passa a ser o esforço constante para evitar qualquer situação em que isso possa acontecer.
    Quando começamos a evitar lugares, refeições ou experiências por medo da ansiedade, ela tende a se fortalecer. Isso não significa falta de força de vontade. É um ciclo que acaba se alimentando sozinho.
    O fato de experiências anteriores de terapia não terem trazido o resultado esperado não significa que a psicoterapia não possa ajudá-lo. Às vezes é preciso encontrar uma abordagem com a qual você se identifique e um espaço onde seja possível compreender não apenas os sintomas, mas também o significado que essa ansiedade foi assumindo ao longo da sua história.
    Com acompanhamento adequado, é possível reduzir esse ciclo de medo e recuperar, gradualmente, a liberdade de viver situações que hoje parecem limitadas pela ansiedade.


  • Como cortar laços com família ruim e disfuncional? Meus pais me "aceitam" gay desde que eu não tenha

    Como cortar laços com família ruim e disfuncional? Meus pais me "aceitam" gay desde que eu não tenha determinados comportamentos. Como lidar com o corte de laços familiares pois sinto que não pertenço aqui sendo que até mesmo minha mãe disse que meu sobrinho nasceu na família errada?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Odete Aparecida Bazilio

    Olá! O que você descreve é muito doloroso. Quando sentimos que precisamos esconder partes de quem somos para sermos aceitos, a família deixa de ser um lugar de acolhimento e passa a ser um lugar de constante vigilância.
    Cortar laços pode ser uma possibilidade em algumas situações, principalmente quando há violência, humilhação ou desrespeito contínuo. Mas essa decisão merece ser construída com calma, porque ela costuma envolver um processo de luto, culpa e reorganização da própria identidade.
    Antes de decidir se deve se afastar, talvez seja importante perguntar: essa relação permite algum espaço para que você seja quem é ou exige que você negue partes importantes de si para ser aceito?
    A psicoterapia pode ajudar justamente nesse processo de diferenciação. Às vezes não é apenas uma questão de romper com a família, mas de deixar de viver preso às expectativas dela. Construir uma vida em que você possa existir com autenticidade, cercado de pessoas que o respeitem, costuma ser um passo importante para recuperar o sentimento de pertencimento.


  • Faz um mês que conheci um menino, tudo aconteceu muito rápido, porém ele nesse tempo tem se mostrado

    Faz um mês que conheci um menino, tudo aconteceu muito rápido, porém ele nesse tempo tem se mostrado uma pessoa difícil e estamos discutindo constantemente, nossa primeira discussão foi porque ele começou a questionar respostas de comentários das minhas fotos de 2022, época que eu não estava com ele, e nos comentários não tinha nada de mais. Ele sempre questiona coisas bobas e sempre faz muitas perguntas e quer saber muitos detalhes sempre, ele viu uma foto antiga com um amigo meu e começou a questionar, vocês estão muito perto não acha? Como vocês conversavam? porque tirou essa foto? para quem mandou? porque tirou para mandar para outra pessoa?... Isso me incomoda e ao falar sobre com ele, ele fala que só está tentando me entender melhor e que não tem culpa de eu só ter tido relacionamentos rasos e que passado importa para ele, isso está acabando com a minha cabeça e eu não estou conseguindo ficar feliz, pois sei que quando ele está perto e estamos conversando eu posso falar algo ou fazer e ele começar a questionar e acabar com o momento feliz. Ele já falou que não é ciúmes e nem desconfiança. Sinto que nenhuma resposta e o suficiente para ele. O que fazer? Devo procurar um especialista?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Odete Aparecida Bazilio

    Olá! Quando as perguntas sobre o seu passado se tornam repetitivas e nenhuma resposta parece suficiente, a relação pode começar a ser vivida com tensão e desgaste.
    Pelo que você relata, você já está antecipando novos questionamentos e deixando de aproveitar alguns momentos por receio da reação dele. Mais importante do que definir se isso é ou não ciúme é observar o impacto que essa dinâmica está tendo em você.
    A psicoterapia pode oferecer um espaço para compreender melhor o que essa situação desperta, como você tem se colocado nessa relação e quais sentimentos estão envolvidos.


  • Estou a passar por uma situação que me está a causar muita angústia. Há cerca de dois anos tive uma

    Estou a passar por uma situação que me está a causar muita angústia. Há cerca de dois anos tive uma conversa por mensagens com uma pessoa que conhecia do passado, com quem tinha tido uma experiência típica da pré-adolescência, sem qualquer relação amorosa ou sentimento romântico envolvido mas que ja rolou uns beijos
    Na altura não vi nada de problemático nessa conversa. Falámos sobre assuntos normais, como estudos, amizades em comum e outros temas do dia a dia. No entanto, recentemente comecei a questionar-me sobre essa interação e a sentir muita culpa.
    O problema é que não me lembro da conversa em detalhe, apenas dos temas gerais. Por isso surgem pensamentos constantes como: 'E se eu tiver dado abertura?', 'E se houve algum flerte e eu não me lembro?', 'E se tive alguma intenção inadequada sem perceber?', 'E se fiz algo que vai contra os meus valores?'
    Já falei sobre isto com o meu parceiro e ele não ficou incomodado nem desconfiou de mim. Mesmo assim, continuo a duvidar de mim própria e a sentir necessidade de procurar a opinião de outras pessoas para ter a certeza de que não fiz nada de errado.
    Gostaria de perceber porque é que fico tão presa a estas dúvidas sobre acontecimentos passados, especialmente quando não me lembro de todos os detalhes, e porque a tranquilização dos outros parece não ser suficiente para me deixar em paz

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Odete Aparecida Bazilio

    Olá! O que mais me chamou a atenção no seu relato não foi a conversa que aconteceu há dois anos, mas o quanto ela continua ocupando espaço na sua mente hoje.
    Parece que a sua dificuldade não é apenas lembrar do que aconteceu, mas lidar com a possibilidade de nunca ter uma resposta totalmente definitiva. Mesmo depois de conversar com seu parceiro e receber tranquilidade, a dúvida continua. Isso mostra que talvez o conflito já não esteja mais na conversa do passado, mas na relação que você estabeleceu com essa incerteza.
    A psicoterapia pode ajudá-lo a compreender por que essa necessidade de ter absoluta certeza se tornou tão importante e o que ela pode estar tentando proteger emocionalmente. Muitas vezes, quando conseguimos entender o sentido de um sofrimento, ele deixa de precisar se repetir com tanta intensidade.


  • Como a ausência emocional dos pais afeta o homem gay? O que ele deve fazer quando não teve e não tem

    Como a ausência emocional dos pais afeta o homem gay? O que ele deve fazer quando não teve e não tem ninguém pra contar na família e ele se sente solitário?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Odete Aparecida Bazilio

    Olá! A ausência emocional dos pais pode deixar marcas importantes em qualquer pessoa, independentemente da orientação sexual. Quando crescemos sem nos sentirmos vistos, acolhidos ou emocionalmente amparados, é comum que a solidão acompanhe a vida adulta e influencie a forma como nos relacionamos.
    Em alguns casos, esse sofrimento pode ser intensificado quando, além da ausência afetiva, a pessoa também viveu experiências de rejeição ou dificuldade de aceitação da própria identidade dentro da família. Isso pode gerar um profundo sentimento de não pertencimento.
    A psicoterapia pode ajudar a compreender como essas experiências marcaram a sua história e como ainda repercutem nas relações atuais. Também pode ser um espaço para fortalecer a autoestima, construir vínculos mais seguros e perceber que família nem sempre é apenas aquela em que nascemos, mas também aquela que construímos ao longo da vida com pessoas que nos acolhem e respeitam quem somos.


  • Olá, gostaria de saber como funciona, pois sinto luto profundo por alguém que não tive proximidade.

    Olá, gostaria de saber como funciona, pois sinto luto profundo por alguém que não tive proximidade. Agora parece que foi alguém que esteve ao meu lado a vida toda.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Odete Aparecida Bazilio

    Olá! Isso pode acontecer, sim. O luto não depende apenas da quantidade de tempo que convivemos com alguém, mas do significado que essa pessoa ocupou dentro de nós.
    Às vezes, sofremos não apenas pela perda da pessoa, mas também pela perda do que ela representava: uma possibilidade, um sonho, uma identificação ou até uma parte de nós que despertava naquela relação. Por isso, uma convivência breve ou pouco próxima pode mobilizar uma dor muito intensa.
    Quando esse vínculo se rompe, o sofrimento pode parecer desproporcional aos fatos, mas costuma fazer mais sentido quando compreendemos o lugar que aquela pessoa ocupava internamente.
    Se esse luto permanece muito intenso, interfere na sua rotina ou não diminui com o tempo, a psicoterapia pode ajudar a compreender o significado dessa perda e favorecer sua elaboração.


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