Perguntas do paciente (5)

  • Tenho um relacionamento aberto com meu esposo e vem funcionando bem para ambos por alguns anos, poré

    Tenho um relacionamento aberto com meu esposo e vem funcionando bem para ambos por alguns anos, porém por vezes surgem dúvidas e dilemas que nos motivaram a querer fazer terapia de casal.
    Estou com receio de marcar com um profissional e não nos sentirmos acolhidos ou compreendidos em nossa dinâmica por sermos abertos.
    A pergunta é: em geral, os terapeutas de casal estão preparados pra acolher essa demanda, ou preciso procurar indicações de quem trabalhe especificamente com esse nicho?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Paula Orlandi

    Sim, é importante que o profissional esteja preparado para trabalhar com diferentes configurações de relacionamento e, principalmente, que tenha uma postura acolhedora e sem julgamentos. Um relacionamento aberto, por si só, não é um problema a ser “corrigido”.

    A terapia de casal pode ajudar justamente a compreender os acordos, limites, expectativas, inseguranças e dilemas que surgem na dinâmica do casal. Por isso, mais do que procurar alguém que trabalhe exclusivamente com relacionamentos abertos, vale buscar um profissional que tenha conhecimento sobre não monogamias consensuais e esteja aberto a compreender a dinâmica específica de vocês.

    O mais importante é que vocês possam se sentir seguros para falar sobre a relação como ela realmente é, sem precisar se encaixar em um modelo considerado “ideal”.


  • Como a TCC trata a depressão, anedonia, falta de motivação, falta de energia, e crenças centrais e c

    Como a TCC trata a depressão, anedonia, falta de motivação, falta de energia, e crenças centrais e crenças intermediárias disfuncionais?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Paula Orlandi

    A TCC busca compreender o que está acontecendo na vida da pessoa e como pensamentos, emoções e comportamentos acabam se relacionando e mantendo o sofrimento.

    Na depressão, por exemplo, pode surgir um ciclo em que a falta de energia e de prazer leva ao afastamento das atividades e das pessoas, o que pode aumentar ainda mais a sensação de vazio, incapacidade ou desesperança.

    A terapia trabalha esse ciclo de forma gradual, respeitando o ritmo de cada pessoa. Podemos começar pela retomada de pequenas ações que tenham sentido, enquanto também exploramos pensamentos e crenças mais profundas, como “não sou capaz”, “não sou importante” ou “nada vai mudar”.

    O objetivo não é simplesmente substituir pensamentos negativos por pensamentos positivos. É ajudar a pessoa a olhar para sua própria história com mais compreensão, desenvolver novas possibilidades de resposta e, aos poucos, recuperar autonomia, sentido e qualidade de vida.

    Cada processo é único, e o tratamento é construído junto com a pessoa, considerando suas necessidades e o momento que está vivendo.


  • Tenho 23 anos, trabalho a 3 anos, sou introvertido e não tenho habilidade social, não vivi muita coi

    Tenho 23 anos, trabalho a 3 anos, sou introvertido e não tenho habilidade social, não vivi muita coisa e não costumo sair de casa. Estou grávida de 4 meses, e por ver que tava horrível pra mim psicologicamente resolvi me mudar pro bem do bebe, ainda em processo de mudança sem dizer a minha mãe. Fiquei desesperada com a gravidez e agora mesmo tentando gostar e ver algo novo na minha vida, minha cabeça está me fazendo pensar que ele é amado e eu não, e que a viva que eu finalmente poderia começar não é minha, mas sim será pro bebe. O que fazer? Como é possível não ter planos e objetivos na vida, e ao mesmo tempo acreditar que um filho a caminho roubará a minha vida?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Paula Orlandi

    Você não precisa ter todas as respostas agora. Pelo que você descreve, parece que existe muito mais do que uma dúvida sobre “ter ou não ter planos”: existe uma pessoa tentando se reorganizar diante de uma mudança de vida que aconteceu de uma forma que talvez você não tivesse escolhido.

    É possível querer o seu bebê e, ao mesmo tempo, sentir medo de perder a própria vida, seus projetos, sua liberdade ou a pessoa que você era. Esses sentimentos podem coexistir e não fazem de você uma mãe ruim.
    Talvez o primeiro passo não seja descobrir imediatamente “qual será a minha vida daqui para frente”, mas permitir-se perguntar: o que ainda é meu? O que eu gostaria de preservar? O que quero construir? E que tipo de mãe e de mulher eu desejo ser?

    Você não precisa escolher entre cuidar do seu bebê e continuar existindo como indivíduo. A maternidade pode transformar seus planos, mas não precisa apagar sua identidade.

    E, principalmente, você não precisa atravessar essa mudança sozinha. Um espaço de psicoterapia pode ajudá-la a elaborar esses medos, essa ambivalência e as mudanças que estão acontecendo, sem julgamentos e sem exigir que você esteja feliz o tempo todo. Durante a gestação, cuidar da sua saúde emocional também é uma forma de cuidar de vocês dois.

    Se esse desespero estiver muito intenso ou vier acompanhado de pensamentos de não querer mais estar aqui ou de machucar a si mesma, procure ajuda profissional imediatamente.


  • Tenho um relacionamento há 5 anos e, às vezes, quando vejo alguém que já foi um paquera antigo, fico

    Tenho um relacionamento há 5 anos e, às vezes, quando vejo alguém que já foi um paquera antigo, fico preocupada com a forma como essa pessoa vai me enxergar. Penso que preciso parecer bonita, legal e mostrar que estou bem, e por isso acabo agindo de forma estranha. Não tenho intenção de chamar atenção ou de ficar com essas pessoas, mas sinto culpa por esses pensamentos e atitudes, como se fossem uma forma de traição.

    Gostaria de saber se isso pode ser considerado traição ou se pode estar relacionado à ansiedade, ao TOC ou simplesmente à baixa autoestima e à preocupação excessiva com a opinião dos outros.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Paula Orlandi

    O que você descreve é mais comum do que parece — e o fato de isso estar te incomodando tanto já mostra que existe algo aí que merece ser olhado com carinho, e não com culpa.

    Às vezes, não estamos tentando chamar a atenção de alguém do passado. Estamos tentando, sem perceber, provar alguma coisa: “quero que ele veja que estou bem”, “quero que perceba que eu mudei”, “preciso que pense bem de mim”. E, quando percebemos esse movimento, podemos começar a nos julgar ainda mais.

    Mas ter esse pensamento não significa que você esteja traindo seu parceiro.

    Talvez a questão mais importante seja entender por que a forma como essa pessoa te enxerga ainda tem tanto poder sobre você. O que você teme que ela pense? O que significaria, para você, ser vista de determinada maneira? E o que você sente que precisa provar?

    Isso pode ter relação com ansiedade, autoestima, necessidade de aprovação ou experiências anteriores de rejeição — mas não é possível definir a causa ou um diagnóstico apenas por esse relato.

    Na terapia, podemos olhar para essas situações com mais profundidade e sem julgamento, compreendendo os pensamentos, sentimentos e comportamentos que aparecem nesses momentos. Muitas vezes, o objetivo não é deixar de se importar com o que os outros pensam, mas deixar de precisar da aprovação deles para se sentir bem consigo mesma.

    E talvez esse seja um caminho importante: sair do lugar de “como essa pessoa está me enxergando?” e, aos poucos, voltar para “como eu quero me enxergar e quem eu quero ser?”


  • Perdi,meu primogênito de 8 anos para o cancer, glioma .hoje faz 20 dias da sua partida, lutamos des

    Perdi,meu primogênito de 8 anos para o cancer, glioma .hoje faz 20 dias da sua partida, lutamos des de seus 21 dias de vida diagnóstico de leucemia congênita, recaida da doença há 6 anos,quando acreditávamos que tínhamos vencido ,o diagnóstico de glioma em,doença causada pelo tratamento da leucemia, como lidar com essa perda tão dolorosa?,depois de tanta luta, des de bebe,e agora super ativo,estudioso criança amada por todos. como aceitar essa partida?como seguir adiante?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Paula Orlandi

    Sinto muito pela perda do seu filho. Pela forma como você conta essa história, dá para perceber o quanto ele foi amado e o quanto essa caminhada foi intensa: foram anos de luta, esperança, medo, cuidados e amor. E agora, tão pouco tempo depois da partida dele, você está tentando compreender como continuar sem essa presença tão importante.

    Talvez, neste momento, você não precise encontrar uma forma de “aceitar” essa partida. 20 dias é muito pouco diante de uma perda tão imensa. O luto não é algo que precisamos resolver; é um processo que vamos aprendendo a atravessar, um dia de cada vez.

    E seguir em frente não significa deixar seu filho para trás, esquecer sua história ou deixar de sentir falta. Significa, aos poucos, aprender a carregar esse amor e essa saudade de uma maneira que permita que você também continue existindo.

    Haverá dias em que talvez você consiga respirar um pouco melhor e outros em que a dor parecerá insuportável. Isso não significa que você esteja “voltando para trás”. O luto não acontece em linha reta.

    Neste momento, permita-se receber cuidado. Não tenha medo de pedir ajuda, de falar sobre ele, de chorar, de lembrar ou até de não conseguir falar. Um espaço de psicoterapia, especialmente com alguém que tenha experiência com luto e perdas, pode oferecer um lugar seguro para você não precisar ser forte o tempo todo e para poder elaborar, no seu próprio ritmo, tudo o que viveu e está vivendo.

    Você não precisa saber agora como será o resto da sua vida. Por enquanto, talvez seja suficiente cuidar de si hoje. Depois, cuidar de amanhã. Um dia de cada vez.

    E se em algum momento a dor se tornar insuportável ou surgirem pensamentos de não querer mais viver, procure ajuda profissional imediatamente. Você também merece ser cuidada neste momento.


Perguntas frequentes

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