Perguntas do paciente (12)

  • É possível termos sentimentos ou sensações que não queremos ter? Ontem eu estava acordando, ainda c

    É possível termos sentimentos ou sensações que não queremos ter?

    Ontem eu estava acordando, ainda com muito sono, em tinha aberto os olhos ainda, quando do nada me veio na cabeça um cara que um dia gostei e sorri. Assim que abri os olhos, pensei: “Ué, mas eu nem gosto mais dele. Essa pessoa me fez passar por coisas ruins, então por que eu tive essa reação?”

    Passei o dia remoendo isso e me sentindo culpada, porque eu sei que não gosto mais dele e não quero voltar a ficar com ele. Mas aquele momento me fez questionar se uma reação espontânea pode significar alguma coisa.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Pedro Henrique Aguiar

    Olá, tudo bem?

    Sim, podemos ter pensamentos, sentimentos e reações que não escolhemos conscientemente. E uma reação espontânea não precisa necessariamente significar que você ainda deseja aquela pessoa ou que, no fundo, gostaria de voltar para ela.

    No seu relato, parece que o que mais causou sofrimento não foi exatamente o sorriso, mas a interpretação que veio depois: “se eu sorri, então isso deve significar alguma coisa”. A partir daí, você passou a observar aquela reação, tentar explicá-la e buscar uma certeza sobre o que realmente sente.

    Mas nossa experiência psíquica não funciona necessariamente dessa maneira. Um pensamento pode aparecer, uma lembrança pode despertar uma sensação ou até uma reação corporal, sem que isso corresponda a uma decisão ou a um desejo atual. Uma lembrança também carrega diferentes aspectos: talvez você tenha se lembrado de algum momento específico, de uma sensação daquele período ou simplesmente de alguém que teve importância na sua história.

    Na psicanálise, inclusive, existe uma atenção especial justamente para aquilo que surge sem que o sujeito tenha planejado. Isso não significa interpretar cada pensamento espontâneo como uma verdade escondida que precisa ser descoberta. Pelo contrário: podemos nos perguntar o que fazemos com aquilo que aparece e por que determinada experiência passa a exigir de nós uma explicação ou uma certeza.

    Talvez seja interessante perceber que você já sabe algumas coisas importantes: não deseja voltar para essa pessoa e reconhece que aquela relação lhe fez mal. O surgimento de um pensamento ou de um sorriso não precisa apagar esse saber.

    Se situações assim acontecem com frequência e fazem você passar muito tempo tentando descobrir “o que realmente significa” cada pensamento ou reação, a psicoterapia pode ajudar a compreender esse funcionamento e a relação que você estabelece com aquilo que surge em você, sem transformar cada pensamento espontâneo em uma prova contra você mesma.

    Espero que esta mensagem te ajude de alguma forma.


  • Tenho dificuldade de me priorizar metas pessoais e fazer o que gosto. Sou de família que me deixou u

    Tenho dificuldade de me priorizar metas pessoais e fazer o que gosto. Sou de família que me deixou um pouco de lado emocionalmente e acredito que isso me bloqueia de me priorizar mais, sinto que tenho que tirar força negativa de dentro de mim pra tentar me priorizar e tenho uma crença de que acho que seria muito egoísta da minha parte ao me colocar em primeiro lugar. Como se trabalha isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Pedro Henrique Aguiar

    Olá, como vai? Espero que esta mensagem a encontre bem.

    Bom, há alguns pontos na sua pergunta que podem ser trabalhados em um processo terapêutico. Pode ser importante começar justamente pela ideia de que se priorizar não é sinônimo de egoísmo. Cuidar das próprias necessidades, reconhecer seus desejos e reservar espaço para aquilo que faz sentido para você não significa deixar de considerar as outras pessoas.

    O que chama atenção no seu relato é a sensação de que, para fazer algo por si, você precisa primeiro “tirar uma força negativa” de dentro de você. Talvez valha a pena investigar de onde vem essa sensação de que cuidar de si precisa ser uma espécie de luta ou autorização que você precisa conquistar.

    Quando alguém cresce em um contexto em que suas necessidades emocionais tiveram pouco espaço, pode ser interessante compreender como isso repercute na maneira como essa pessoa se relaciona com seus próprios desejos hoje. Às vezes, colocar o outro em primeiro lugar se torna tão familiar que reconhecer aquilo que se quer pode provocar culpa.

    Na psicanálise, mais do que ensinar alguém a simplesmente “se colocar em primeiro lugar”, podemos investigar essa relação com o próprio desejo: o que você deseja? O que acontece quando tenta fazer algo por você? De quem é essa ideia de que priorizar-se seria egoísmo?

    Esse processo não precisa significar tornar-se indiferente às necessidades dos outros. Pode significar construir, pouco a pouco, um espaço em que seus próprios desejos também possam existir sem que sejam imediatamente acompanhados de culpa.

    Se essa dificuldade tem se repetido na sua vida, a psicoterapia pode ser um espaço para compreender de onde esse funcionamento se construiu e o que faz com que ainda seja tão difícil autorizar-se a desejar e cuidar de si.

    Espero que essa resposta te ajude de alguma maneira.


  • Tenho receio de mostrar certas qualidades minhas por medo da rejeição e por elas serem facilmente b

    Tenho receio de mostrar certas qualidades minhas por medo da rejeição e por elas serem facilmente bem invejadas no contexto brasileiro como dedicação ao que me proponho a fazer, inteligência, detalhista, pragmático, direto e me preocupar em vestir bem e cuidar de aparência que é um tabu entre os homens. Como diminuir esse medo de rejeição e zombaria social que pode me acometer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Pedro Henrique Aguiar

    Olá, como vai?

    É compreensível ter receio de ser julgado quando mostramos aspectos nossos que sentimos que podem nos diferenciar. Mas talvez seja interessante observar que existem duas questões diferentes: aquilo que você é e aquilo que imagina que os outros pensarão que você é.

    Quando o medo da rejeição ou da zombaria se torna muito presente, podemos acabar administrando nossa própria maneira de existir a partir do olhar dos outros. Aos poucos, podemos começar a esconder justamente características das quais gostamos.

    Isso não significa que seja necessário se expor indiscriminadamente ou ignorar o contexto em que estamos. Mas talvez seja possível construir, gradualmente, uma relação em que você não precise esconder aquilo que é para garantir a aprovação de todos.

    Na psicanálise, uma questão importante seria justamente investigar o que está em jogo nesse medo de ser visto: o que a rejeição significaria para você? De quem você teme esse olhar? E por que determinadas características suas precisam ser escondidas para que você possa se sentir pertencente?

    Diminuir esse medo talvez não seja chegar ao ponto de não se importar com o que ninguém pensa, mas conseguir reconhecer e sustentar um pouco mais aquilo que é seu, mesmo sabendo que nem todo mundo irá gostar ou compreender. Esse pode ser um trabalho bastante interessante de ser realizado em psicoterapia.


  • Como ser uma pessoa interessante e atraente pra mim mesmo e por consequência pros outros?

    Como ser uma pessoa interessante e atraente pra mim mesmo e por consequência pros outros?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Pedro Henrique Aguiar

    Olá, tudo bem?

    Interessante a sua pergunta.

    Muitas vezes, quando estamos muito preocupados em parecer interessantes para os outros, acabamos tentando descobrir qual versão de nós mesmos será mais desejada, admirada ou aceita. E, nessa tentativa, podemos nos afastar justamente daquilo que nos torna singulares.

    Ser interessante para si mesmo não significa se tornar alguém extraordinário o tempo todo. Pode significar começar a reconhecer seus próprios interesses, desejos, curiosidades e formas de experimentar a vida, mesmo quando eles não correspondem ao que você imagina que os outros esperam.

    E existe um paradoxo aí: quanto menos a pessoa precisa construir uma imagem para garantir a aprovação do outro, mais espaço pode existir para um encontro verdadeiro com ele. A atração, nesse sentido, não precisa ser um objetivo a ser conquistado, mas pode surgir como consequência de alguém que está implicado na própria vida.

    Na psicoterapia, essa questão pode ser bastante interessante de investigar: o que você entende por ser “interessante”? Para quem você sente que precisa ser interessante? E o que acontece quando você acredita que não é? O que há por trás de querer ser interessante para os outros? por que se busca isso? O que há na avaliação do outro que mobiliza o seu jeito de ser?


    Essas perguntas podem dizer muito mais sobre você do que qualquer técnica para se tornar mais atraente.

    Espero que isso te ajude de alguma forma.


  • Tenho problemas com ansiedade, mas minha ansiedade parece estar ligada ao meu perfeccionismo (traço

    Tenho problemas com ansiedade, mas minha ansiedade parece estar ligada ao meu perfeccionismo (traço de personalidade que tenho desde muito tempo). Geralmente quando não consigo ter certeza absoluta de tudo, sinto desconforto e ansiedade. Mas... como já tenho comportamentos obsessivos por causa do perfeccionismo e percebi que também sou impulsivo em meio a incerteza, gostaria de saber: quando devo começar a suspeitar de TOC?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Pedro Henrique Aguiar

    Olá, tudo bem?

    O perfeccionismo e a necessidade de ter certeza podem, de fato, estar relacionados à ansiedade, mas isso não significa, por si só, que você tenha TOC.

    Não tenho a pretensão aqui de esgotar a questão, mas um ponto importante para diferenciar é observar o que acontece quando surge a dúvida ou a sensação de que algo não está suficientemente “certo”. No TOC, geralmente aparecem pensamentos ou dúvidas recorrentes e difíceis de controlar, acompanhados de comportamentos ou atos mentais realizados para diminuir a ansiedade (ou seja, o TOC é caracterizado por pensamentos obsessivos que geram comprotamentos compulsivos), como verificar repetidamente, buscar garantias, refazer algo, organizar de determinada maneira ou ficar mentalmente tentando chegar a uma certeza absoluta. Esse alívio costuma ser apenas momentâneo, fazendo o ciclo voltar a acontecer.

    Também é importante observar o quanto isso ocupa da sua vida. Quando pensamentos e comportamentos desse tipo se tornam muito frequentes, difíceis de controlar, causam sofrimento ou começam a interferir nos estudos, trabalho, relacionamentos ou rotina, vale procurar uma avaliação profissional. Não é possível concluir um diagnóstico apenas a partir desses sinais.

    Entretanto, na perspectiva psicanalítica, para além de perguntar “isso é TOC?”, também podemos investigar o que essa necessidade de certeza e controle representa para cada sujeito e que lugar ela ocupa em sua história. A psicoterapia pode ser um espaço interessante para compreender essas questões com mais profundidade, sem reduzir sua experiência a um rótulo diagnóstico.

    Espero que isso tenha te ajudado :)


  • Bom dia, estou tomando venlafaxina a 6 meses , me sentia ótima, tive vontade de viver novamente,

    Bom dia, estou tomando venlafaxina a 6 meses , me sentia ótima, tive vontade de viver novamente, mais faz três dias que minhas crises voltaram, a angústia, coração acelerado , a cabeça dói, o entalo , oque fazer ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Pedro Henrique Aguiar

    Olá, tudo bem?

    Imagino como deve ser angustiante perceber o retorno desses sintomas depois de um período em que você estava se sentindo bem. O fato de estar acontecendo há alguns dias não significa necessariamente que a medicação tenha “parado de funcionar”, mas é importante investigar o que está acontecendo.

    Como você está usando venlafaxina há seis meses e percebeu uma mudança recente, recomendo entrar em contato com o médico que acompanha seu tratamento para relatar esses sintomas. Importante nesse momento não fazer nenhum manejo da medicação sem consultar seu psiquiatra. Não aumente, reduza ou interrompa a medicação por conta própria, pois mudanças na dose podem provocar efeitos importantes.

    Também pode ser importante contar com um espaço de psicoterapia nesse momento. A medicação pode ajudar na redução dos sintomas, mas a psicoterapia oferece outro lugar de cuidado, um espaço em que você pode falar sobre aquilo que está vivendo, compreender melhor o que pode estar relacionado a essas crises e construir outras formas de lidar com a angústia. A angústia aparece onde nao há palavras. Falar sobre isso que te aflige é poder construir novas formas de lidar com isso e de viver. Na psicanálise, não buscamos simplesmente colocar um nome ou diagnóstico naquilo que você sente. Existe um interesse em compreender o que essa angústia representa para você, como ela aparece na sua história e o que está por trás dela.

    A medicação psiquiátrica atua no alívio dos sintomas, mas não na causa. É como quando tomamos remédio para dor de estômago para aliviar a dor, mas a causa, às vezes, permanece e a dor de estômago retorna. É mais ou menos assim que funciona a medicação psiquiátrica em muitos casos. O ideal, portanto, é combinar medicação e terapia. Se a aceleração do coração for intensa ou acompanhada de dor no peito, falta de ar, desmaio ou outros sintomas físicos importantes, procure atendimento médico.

    Espero que isso possa te ajudar de alguma forma :)


  • Olá, boa noite. Eu tenho 18 anos, e ultimamente venho percebendo algumas coisas em mim mesmo que eu

    Olá, boa noite.
    Eu tenho 18 anos, e ultimamente venho percebendo algumas coisas em mim mesmo que eu não sei se é algo normal.
    Por exemplo, depois de momentos felizes, mesmo tendo sido genuínos, eles parecem como se fossem uma espécie de "atuação" pra mim, como se às vezes não tivesse acontecido comigo.
    Parece que tem um vazio dentro de mim que não passa, e quando parece que passa, só fica ali disfarçado, e quando volta eu fico sozinho com ele. Eu não fico com vontade de nada, o tempo fica passando e parece ser agonizante pra mim, porque eu não consigo ficar parado nele, e me assusta o que pode acontecer daqui algumas horas, dias ou anos, porque eu não tenho nada planejado e aí os pensamentos de só acabar com tudo aparecem, e o que eu tenho vontade de fazer parece muito distante e eu só aceito que talvez eu nunca realize o que eu quero.
    Eu deveria procurar ajuda?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Pedro Henrique Aguiar

    Olá, bom dia, tudo bem?

    Sim, considero que procurar ajuda é importante nesse momento.
    Sentir que momentos felizes parecem distantes ou irreais, experimentar um vazio persistente, perder a vontade de fazer as coisas e sentir angústia diante do futuro pode ser muito difícil de sustentar sozinho. Isso não significa, necessariamente, que exista algo “anormal” em você, mas indica que há um sofrimento que merece um espaço de escuta e cuidado.

    Na psicanálise, não buscamos simplesmente colocar um nome ou diagnóstico naquilo que você sente. Existe um interesse em compreender o que esse vazio representa para você, como ele aparece na sua história e o que está por trás desses pensamentos que surgem quando o sofrimento parece insuportável.

    Por isso, considero importante que você procure um profissional para conversar sobre isso e tentar entender o que há pro trás desses pensamentos e sentimos.

    Você não precisa compreender tudo isso sozinho antes de pedir ajuda. O próprio fato de conseguir colocar essas experiências em palavras já pode ser um primeiro passo para enxergar outras possibilidades e construir novos caminhos.

    Espero que isso sirva de alguma forma para você :)


  • Por que investir em relacionamentos com amigos se a maioria das pessoas com quem tento vínculo e apr

    Por que investir em relacionamentos com amigos se a maioria das pessoas com quem tento vínculo e aprofundo vão embora ou por questões profissionais o por namoro? Penso que é melhor ser sozinho, o máximo autossuficiente possível e desapegado do que tentar investir em relacionamento com as pessoas que vem e vão embora das nossas vidas e ter que procurando outros amigos pra preencher lacunas.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Pedro Henrique Aguiar

    Olá, tudo bem?

    É compreensível que, depois de algumas experiências de afastamento ou perda, a ideia de não criar vínculos pareça uma forma de se proteger do sofrimento. Afinal, a ideia que se constrói é a de que se eu não me apego, não corro o risco de sentir a falta.

    Mas talvez valha a pena se perguntar se o desejo de ser autossuficiente é realmente uma escolha que produz liberdade ou também pode ser uma maneira de evitar a experiência de perder alguém?

    As pessoas, de fato, entram e saem das nossas vidas. Amizades mudam, relacionamentos terminam, pessoas se mudam, e nem todo vínculo que construímos permanece. Permanecer para sempre em nossa vida não é, necessariamente, sinônimo de qualidade de vínculo.
    Isso, porém, não significa necessariamente que aquilo que foi vivido tenha sido em vão. Um vínculo não precisa durar para sempre para ter importância.

    Na psicanálise, podemos justamente investigar o que está em jogo nessa necessidade de não depender de ninguém: o que se teme perder? O que significa, para você, quando alguém vai embora? E o que torna tão difícil suportar a falta que um vínculo deixa? Essas e tantas outras questões podem ser levantadas em um processo de análise.

    Talvez a questão não seja escolher entre ser completamente autossuficiente ou depender dos outros, mas compreender que lugar os vínculos ocupam na sua vida e por que, em determinado momento, estar sozinho parece ser uma alternativa mais segura.

    Espero que isso tenha te ajudado de alguma forma.


  • Tenho um relacionamento aberto com meu esposo e vem funcionando bem para ambos por alguns anos, poré

    Tenho um relacionamento aberto com meu esposo e vem funcionando bem para ambos por alguns anos, porém por vezes surgem dúvidas e dilemas que nos motivaram a querer fazer terapia de casal.
    Estou com receio de marcar com um profissional e não nos sentirmos acolhidos ou compreendidos em nossa dinâmica por sermos abertos.
    A pergunta é: em geral, os terapeutas de casal estão preparados pra acolher essa demanda, ou preciso procurar indicações de quem trabalhe especificamente com esse nicho?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Pedro Henrique Aguiar

    Olá, tudo bem?

    Seu receio é bastante compreensível. Mais importante do que encontrar um profissional que tenha uma “opinião” específica sobre relacionamentos abertos é encontrar alguém que consiga escutar a dinâmica do casal sem partir de um modelo prévio do que seria um relacionamento “normal” ou “ideal”.

    Um relacionamento aberto, por si só, não indica que exista um problema a ser corrigido. O que pode ser trabalhado em terapia são justamente as questões que surgem para cada um dentro dessa dinâmica: ciúmes, inseguranças, acordos, limites, desejos, diferenças e os sentidos que essas experiências assumem para cada parceiro.

    Por isso, pode ser interessante perguntar ao profissional, antes de iniciar, se ele possui experiência com relacionamentos não monogâmicos e, principalmente, se sua abordagem permite trabalhar essas questões sem julgamentos ou pressupostos sobre como o casal deveria se relacionar. Mas posso dizer que, de forma geral, os terapeutas de casais estão sim preparados para receber esta demanda.

    Na psicanálise, por exemplo, não se parte de um modelo ideal de relacionamento, mas da singularidade de cada sujeito e daquilo que produz sofrimento ou conflito em sua experiência. O mais importante é que vocês encontrem um espaço em que ambos possam falar e ser escutados com liberdade.

    Espero ter ajudado!


  • Tenho um relacionamento há 5 anos e, às vezes, quando vejo alguém que já foi um paquera antigo, fico

    Tenho um relacionamento há 5 anos e, às vezes, quando vejo alguém que já foi um paquera antigo, fico preocupada com a forma como essa pessoa vai me enxergar. Penso que preciso parecer bonita, legal e mostrar que estou bem, e por isso acabo agindo de forma estranha. Não tenho intenção de chamar atenção ou de ficar com essas pessoas, mas sinto culpa por esses pensamentos e atitudes, como se fossem uma forma de traição.

    Gostaria de saber se isso pode ser considerado traição ou se pode estar relacionado à ansiedade, ao TOC ou simplesmente à baixa autoestima e à preocupação excessiva com a opinião dos outros.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Pedro Henrique Aguiar

    Olá, como vai? Espero que esta mensagem a encontre bem.

    Seu relato é muito interessante e nos permite falar sobre alguns pontos importantes que podem ser tratados em psicoterapia.

    Primeiro de tudo, antes de cogitarmos a possibilidade de um transtorno (como TAG, TOC), é importante pensarmos o que há por trás dessa necessidade de parecer bonita, legal e que está bem para os seus ex-parceiros.

    Pelo que você descreve, ter esses pensamentos ou se preocupar com a forma como uma pessoa do passado vai enxergá-la não significa, por si só, que você esteja traindo seu parceiro. Cada relacionamento tem seu "contrato" e tem suas nuances. O que é traição para um casal pode não ser para outro e vice-versa. Não há um padrão do que é ou não traição e nem do que é ou não errado, cada casal tem seus próprios termos e, nesse sentido, seria delicado de minha parte afirmar alguma coisa. Pensamentos, fantasias e preocupações podem surgir mesmo quando não existe desejo ou intenção de estabelecer qualquer relação com aquela pessoa.

    Talvez seja interessante observar justamente o que acontece depois que esse pensamento aparece. Você parece entrar em uma preocupação com a imagem que está transmitindo: preciso parecer bonita, preciso mostrar que estou bem, o que essa pessoa vai pensar de mim?. E, quando percebe que agiu de uma maneira que considera estranha, surge ainda a culpa.

    Isso pode estar relacionado a diferentes questões, como ansiedade, necessidade de aprovação, insegurança ou até determinados padrões obsessivos, mas não seria possível afirmar a causa apenas por esse relato. Cabe apenas, nesse momento, esclarecer para que haja diagnóstico, é necessário que se cumpra determinados critérios. Em relação ao TOC, por exemplo, é importante saber que este transtorno é caracterizado pela presença de pensamentos obsessivos que levam a comportamento obsessivos e, por isso, há prejuízos em muitos aspectos da vida e acaba gerando bastante sofrimento. Se for do seu interesse, talvez seja interessante realizar o processo de Avaliação Psicológica para saber se há ou não a presença de um transtorno.

    Mas mais importante do que encontrar imediatamente um rótulo talvez seja compreender o sentido que essa preocupação tem para você.
    Na psicanálise, podemos investigar algo como: por que é tão importante a maneira como essa pessoa específica a enxerga? O que significa, para você, ser vista como bonita, bem-sucedida ou “bem” por alguém do passado? E o que você imagina que estaria em jogo caso essa pessoa tivesse uma impressão diferente?

    Às vezes, o sofrimento não está propriamente naquilo que fazemos, mas na necessidade de controlar incessantemente o olhar do outro e na culpa que aparece quando sentimos que não conseguimos fazê-lo.

    Se isso tem se repetido e causado sofrimento, a psicoterapia pode ser um espaço para compreender melhor esse funcionamento, sem precisar transformar cada pensamento em uma prova de que existe algo errado com você ou de que você está sendo infiel.

    Espero que isso tenha te ajudado :)


  • como se livrar do vicio em pornografia teleguiada?

    como se livrar do vicio em pornografia teleguiada?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Pedro Henrique Aguiar

    Olá, como vai? Espero que esta mensagem o encontre bem.

    Bom, se você sente que o consumo de pornografia deixou de ser uma escolha e passou a acontecer de maneira repetitiva, mesmo quando você gostaria de parar ou reduzir, pode ser importante olhar para isso com mais cuidado. Mas não é apenas a frequência que determina se existe um problema: é importante observar o lugar que esse comportamento ocupa na sua vida e se ele vem causando sofrimento ou prejuízos.

    Também pode ser interessante perceber em quais momentos você costuma recorrer à pornografia. É quando está ansioso, entediado, sozinho, frustrado ou tentando escapar de algum desconforto? Muitas vezes, o comportamento não existe isoladamente, mas cumpre alguma função na maneira como a pessoa lida com aquilo que sente.

    Na psicanálise, além de simplesmente tentar eliminar o comportamento, podemos investigar o que está em jogo nessa repetição: o que você busca quando recorre à pornografia e o que acontece com você antes e depois dela. Compreender esse funcionamento pode ser um passo importante para construir uma relação diferente com esse comportamento.

    Se você já tentou parar ou reduzir várias vezes e sente que não consegue sozinho, procurar psicoterapia pode ser uma boa possibilidade para compreender melhor essa relação e trabalhar sobre ela sem julgamentos.

    Espero que isso te ajude de alguma forma :)


  • Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estam

    Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estamos juntos há quase 3 anos e, ultimamente, sinto que não tenho mais aquela animação ou aquela sensação gostosa que sentia antes. Isso tem me deixado muito ansiosa, porque eu não quero machucá-lo e também não quero terminar. Ao mesmo tempo, não me sinto desconfortável ou presa ao lado dele. Quando conversamos, muitas vezes é bom e consigo ficar conversando até tarde. Eu reconheço que ele é uma pessoa que me ama, cuida de mim, se preocupa comigo e demonstra isso muito pelas atitudes.

    Tenho me perguntado se ainda o amo ou se estou confundindo amor com carência, rotina ou ansiedade. Quero entender meus sentimentos e, se for possível, quero recuperar o carinho e a conexão que sinto que perdi. Não quero fingir nem obrigar meus sentimentos, só queria entender o que está acontecendo comigo e saber se é possível voltar a sentir amor e entusiasmo pela pessoa que amo.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Pedro Henrique Aguiar

    Olá, como vai? Espero que esta mensagem a encontre bem.

    Sinto muito pelo que vem acontecendo. Diria que não é incomum os relacionamentos, principalmente os mais longos, passarem por "crises" ou instabilidades. Afinal de contas, vamos nos modificando com o passar do tempo e, consequentemente, o próprio relacionamento se modifica, sofrendo os efeitos dessas mudanças.

    O que você traz nos abre a possibildiade de pensarmos diversos pontos que podem ser trabalhados em terapia. O que você está sentindo não significa necessariamente que deixou de amar seu namorado. A intensidade e a euforia presentes no início de um relacionamento naturalmente podem se transformar com o tempo, e isso não significa que o vínculo tenha perdido seu valor. Com o tempo, aquela paixão avassaladora que é bastante presente no início do relacionamento, cede espaço à outros sentimentos, mais maduros, menos intensos.

    Talvez seja importante diferenciar algumas coisas: você diz que ainda gosta de conversar com ele, sente-se bem ao lado dele, reconhece o cuidado que existe na relação e, ao mesmo tempo, percebe que aquela “sensação gostosa” de antes diminuiu. Em vez de tentar imediatamente responder “ainda amo ou não amo?”, pode ser mais interessante compreender o que essa mudança significa para você.

    A ansiedade também pode tornar essa dúvida ainda mais difícil, porque podemos começar a observar constantemente nossos sentimentos: “estou sentindo amor agora?”, “estou animada o suficiente?”, “se eu não senti aquela emoção, será que significa que não amo mais?”. Quanto mais tentamos encontrar uma certeza absoluta sobre o que sentimos, mais a dúvida pode ocupar espaço.

    Na psicanálise, o amor não é entendido simplesmente como uma emoção permanente ou uma sensação que precisamos manter em determinada intensidade. Existe algo do desejo, da falta, da história de cada sujeito e da maneira como nos relacionamos com o outro que pode ser investigado.

    Podemos pensar que a questão não seja descobrir rapidamente se você ainda o ama, mas criar um espaço para poder falar livremente sobre seus sentimentos, inclusive aqueles que geram culpa ou parecem contraditórios, sem precisar chegar imediatamente a uma conclusão.
    Talvez não seja sobre tentar recuperar o carinho e a conexão que perdeu, num movimento de tentar restaurar o relacionamento à um estado anterior, mas tentar compreender se é possível construir uma nova forma de se relacionar e talvez um novo relacionamento a partir do que se tem hoje, do que ficou em você.

    Se essa dúvida tem provocado sofrimento, a psicoterapia pode ajudá-la justamente a compreender o que está acontecendo com você e com esse relacionamento, sem obrigá-la a permanecer ou terminar e sem tentar produzir artificialmente um sentimento que precise existir.

    Espero que esta mensagem tenha te ajudado de alguma forma :)


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