Perguntas do paciente (11)

  • Faz uns anos, que sinto uma carência em relação a relacionamento, eu me sinto muito sozinho, e tenho

    Faz uns anos, que sinto uma carência em relação a relacionamento, eu me sinto muito sozinho, e tenho 19 anos, ainda não trabalho, e não tive namoradas, eu tenho vontade mas não sei em qual lugar ir para conhecer pessoas novas, eu quase todo dia fico pensando nisso, eu sempre gostei de escutar músicas românticas, não sei se isso está me fazendo mal.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rafaela Costa

    A sua angústia é legítima, e seu desejo por um relacionamento não é algo errado — ao contrário, ele revela uma vontade bonita de se conectar, de compartilhar, de ser visto com afeto.

    Mas, muitas vezes, o que chamamos de carência amorosa pode estar revelando algo mais profundo: uma saudade de si mesmo, um vazio que parece que só poderá ser preenchido quando alguém chegar — e nos reconhecer como únicos, especiais, finalmente suficientes.

    Essa ideia do “grande amor que virá e nos completará” faz parte do que chamamos, na psicologia analítica, de arquétipo do amor romântico — um modelo psíquico muito forte na nossa cultura, que aparece nos filmes, nas músicas (sim, até nas românticas que você citou), nas novelas e até nas expectativas familiares.

    Mas esse arquétipo, quando vivenciado de forma literal, pode nos fazer acreditar que só seremos felizes quando alguém nos amar — e que, até lá, seremos pela metade.

    A verdade é que o amor começa dentro. E antes de construir um vínculo com o outro, precisamos começar um vínculo conosco: com o nosso desejo, com as nossas faltas, com o nosso próprio caminho. É aí que o afeto amadurece — e deixa de ser carência para se tornar capacidade de amar.

    Isso não significa deixar de querer um relacionamento. Significa aprender a não se abandonar enquanto ele não vem.

    Você tem 19 anos. A vida está só começando. Mas esse sentimento que você sente agora pode ser uma oportunidade de olhar pra dentro e se perguntar: “Quem sou eu quando não estou buscando alguém?” Ou: “Será que estou querendo um amor — ou alguém que me salve da minha própria solidão?”

    Esse tipo de pergunta é difícil, mas transforma. E a psicoterapia pode te ajudar a atravessar esse lugar com mais consciência, menos idealização e mais verdade. Porque quando a gente começa a se escutar de fato, a solidão muda de tom. E o amor que vem, depois disso, não é para preencher — é para compartilhar.


  • Olá o meu marido gasta de faser sexo comigo mas gosta de ver outros homen fazendo sexo comigo e depo

    Olá o meu marido gasta de faser sexo comigo mas gosta de ver outros homen fazendo sexo comigo e depois o homem faz sexo anal com nele isso é normal n me sinto confortável ver o homem fazendo sexo anal nele. Meu marido é gay

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rafaela Costa

    O que você está vivendo envolve uma dinâmica sexual delicada e que precisa ser olhada com cuidado. Não existe um padrão fixo de “normal” quando falamos de desejo, mas é fundamental que haja respeito mútuo e consentimento verdadeiro.

    Se você não se sente confortável, isso precisa ser considerado. Nenhuma prática é saudável quando um dos envolvidos se sente invadido ou constrangido.

    Na psicologia, tanto pela abordagem cognitivo-comportamental quanto pela escuta simbólica, compreendemos que a sexualidade pode expressar desejos, traumas, fantasias e até conflitos internos que merecem ser refletidos — e não apenas vividos no impulso.

    Isso não quer dizer que seu marido “é ou não é” algo. Mas sim que vocês estão vivendo algo que precisa ser conversado com verdade, respeito e, se possível, com apoio terapêutico, para que cada um possa entender o que sente e até onde pode ou quer ir dentro da relação.

    Buscar ajuda não é sobre julgar. É sobre cuidar de si e do outro com mais clareza e consciência.


  • O que exatamente caracteriza o funcionamento intelectual limítrofe (QI limítrofe)? Essa condição é c

    O que exatamente caracteriza o funcionamento intelectual limítrofe (QI limítrofe)? Essa condição é comum em quais transtornos do neurodesenvolvimento ou mentais? É possível que o QI limítrofe ocorra em pessoas com TDAH, autismo ou transtorno bipolar? Também pode estar presente em casos onde há comorbidade entre TDAH e TEA? Além disso, pessoas com inteligência limítrofe podem apresentar dificuldades comportamentais semelhantes às da deficiência intelectual, como infantilidade, imaturidade emocional, problemas sociais, dificuldades com autonomia e memória? Em que medida essas dificuldades interferem no desenvolvimento, aprendizagem e na adaptação social da pessoa?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rafaela Costa

    O funcionamento intelectual limítrofe se refere a um nível cognitivo abaixo da média (QI entre 70 e 84), sem configurar deficiência intelectual. Pode trazer desafios na aprendizagem, autonomia e adaptação social — especialmente quando associado a fatores emocionais ou contextuais.

    É possível que ocorra em pessoas com TDAH, autismo ou mesmo transtorno bipolar, e também em casos de comorbidade entre TDAH e TEA. No entanto, essas associações não são deterministas: cada caso deve ser avaliado em sua singularidade.

    Dificuldades como imaturidade emocional, infantilidade, problemas sociais e de memória podem surgir, mas não devem ser vistas como traços fixos. Do ponto de vista psicanalítico, esses sinais ganham sentido à luz da história, dos afetos e do modo como o sujeito simboliza sua vivência.

    Tanto na perspectiva freudiana quanto na junguiana, o sujeito não se reduz ao seu desempenho intelectual. O que importa é como ele elabora o que vive, e que espaço lhe é oferecido para se transformar.

    Mais do que medir, a escuta clínica busca compreender: onde está o sofrimento, o desejo e o possível — porque nem toda limitação é ausência, e nem todo silêncio é vazio.


  • Faz 13 anos que perdi meu avô. Na época, eu tinha apenas 12 anos. Desde então, minha vida mudou prof

    Faz 13 anos que perdi meu avô. Na época, eu tinha apenas 12 anos. Desde então, minha vida mudou profundamente. A dor da perda desencadeou em mim uma série de questões emocionais com as quais luto até hoje. Desenvolvi fobia social, depressão e transtornos de ansiedade. E mesmo antes da morte dele, eu já lidava com outras questões como: compulsão alimentar, automutilação e bulimia.
    Hoje, aos 24 anos, continuo tentando lidar com essas feridas. Uma das coisas mais dolorosas é pensar na possibilidade de perder meus pais. Só de imaginar essa ideia, meu coração dispara. Às vezes entro em pânico, choro, fico completamente abalada.
    Essa é uma questão tão profunda que parece ter causado um tipo de apagão na minha mente. Desde que meu avô faleceu, é como se certas memórias tivessem se apagado — eu não consigo lembrar a data de aniversário dos meus pais, da minha irmã... Eu evito até saber a idade deles. Não porque eu não me importe, mas porque isso me machuca, me traz à tona a realidade do tempo passando.
    Atualmente faço uso de Sertralina de 100mg, e para tentar me ajudar a lidar com esse assunto, recorro para alguns livros que tratem sobre isso. Atualmente estou lendo " Tudo bem não estar tudo bem", mas já li dois livrinhos infantis, como " Pode chorar coração, mas fique inteiro" e " O que eu faço com esse buraco ?". Para de alguma forma tentar acalentar meu coração e minha mente.
    Mas tem vezes que não sei mais o que fazer.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rafaela Costa

    Sua dor tem história, e sua coragem também. Você descreve com muita sensibilidade o que, para muitos, ainda é difícil de nomear: o impacto de uma perda que não apenas marcou um tempo, mas parece ter repartido sua vida em antes e depois.

    O luto que você viveu — e talvez ainda esteja vivendo — não diz respeito apenas à ausência do seu avô, mas ao que ele representava emocionalmente para você. Muitas vezes, quando perdemos alguém com quem havia uma vínculo profundo de segurança ou amor simbólico, essa perda pode ativar medos primários, sensação de abandono, e uma desorganização psíquica que se prolonga no tempo.

    O apagamento das memórias, o medo da passagem do tempo, o terror diante da possibilidade de novas perdas, a ansiedade que paralisa e sufoca, os sintomas alimentares e emocionais — tudo isso fala de uma alma que tenta sobreviver à dor, buscando formas de se reorganizar como pode.

    Na perspectiva analítica, esse sofrimento não é só um conjunto de diagnósticos — ele é um grito silencioso do inconsciente pedindo escuta, reparo, sentido. Quando você diz que lê livros infantis para tentar acalmar seu coração, há nisso uma sabedoria: é como se uma parte sua — ferida, mas intuitiva — já soubesse que há uma criança simbólica aí dentro, que precisa ser vista, acolhida, amparada com gentileza.

    Esse não é um caminho fácil, mas ele é possível. E não precisa ser solitário.

    A psicoterapia, quando feita com presença verdadeira, ética e profundidade, pode ser o lugar onde você começa a organizar essa dor, a reconstruir o que foi partido, e a aprender a existir de forma mais inteira — mesmo com as marcas, mesmo com as perdas.

    Aqui na ClaraMente, é assim que caminhamos com quem chega: com escuta sem pressa, com linguagem que respeita o silêncio, com cuidado que não invade — mas acolhe e sustenta até que se possa nomear, simbolizar e escolher novos caminhos com autonomia e verdade.

    Você não precisa saber o que fazer. Você só precisa se permitir ser escutada.


  • A distimia vem acompanhada de outras patologias? .

    A distimia vem acompanhada de outras patologias? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rafaela Costa

    Sim, a distimia (ou transtorno depressivo persistente) frequentemente aparece associada a outras condições, como ansiedade, transtornos de personalidade, abuso de substâncias ou traços obsessivos. Essas comorbidades podem intensificar o sofrimento e dificultar o diagnóstico, por isso é essencial uma escuta clínica qualificada e um acompanhamento psicológico contínuo.


  • Quais as características psicológicas mais importantes das pessoas com neurose de angústia?

    Quais as características psicológicas mais importantes das pessoas com neurose de angústia?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rafaela Costa

    A chamada neurose de angústia é um termo antigo da psicanálise, mas ainda ajuda a entender como o corpo e a mente se comunicam. Pessoas com esse tipo de sofrimento costumam sentir um aperto no peito, ansiedade sem motivo claro, irritação constante, sensação de sufoco ou de que algo ruim vai acontecer — mesmo sem conseguir explicar o porquê.

    Na maioria das vezes, esses sinais aparecem quando há emoções guardadas, difíceis de nomear ou entender. É como se o corpo falasse por dentro aquilo que a mente ainda não conseguiu traduzir.

    A boa notícia é que, com um processo terapêutico cuidadoso, é possível encontrar sentido para esses sentimentos e aliviar esse mal-estar. A angústia, quando escutada, pode se transformar em um novo caminho de autoconhecimento.


  • Quais são os fatores favorecedores do suicídio? .

    Quais são os fatores favorecedores do suicídio? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rafaela Costa

    O suicídio não é causado por um único fator. Ele geralmente é resultado de uma combinação complexa de dor psíquica, sensação de impotência, isolamento e um sofrimento emocional que, muitas vezes, parece sem saída.

    Entre os fatores que podem favorecer pensamentos ou comportamentos suicidas, estão:

    Transtornos mentais não acompanhados (como depressão profunda, transtorno bipolar, transtornos de personalidade)

    Vivências de abandono, violência, abuso ou perdas significativas

    Sensação crônica de não pertencimento ou inutilidade

    Histórico familiar de suicídio ou tentativas anteriores

    Falta de rede de apoio afetivo ou ausência de escuta verdadeira

    Uso abusivo de álcool ou outras substâncias

    Fatores culturais ou sociais que silenciam o sofrimento

    É importante dizer: pensar em suicídio não é fraqueza nem falta de fé. Muitas vezes, é um sinal de que a dor interna se tornou insuportável — e a pessoa não vê outra forma de escapar. Mas existe ajuda. Existe escuta. E existe caminho.

    Se você está passando por isso, ou conhece alguém que esteja, saiba que você não está só. A presença de alguém que escute com ética, cuidado e profundidade pode fazer toda a diferença. Procurar ajuda psicológica não é um último recurso — é um gesto de vida.

    O suicídio não quer acabar com a vida — ele quer acabar com a dor. E essa dor, quando escutada com responsabilidade, pode ser acolhida, nomeada e, com o tempo, transformada.


  • Quais são as Diferenças entre as depressões típica e atípica ?

    Quais são as Diferenças entre as depressões típica e atípica ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rafaela Costa

    A depressão típica (ou melancólica) e a depressão atípica são duas apresentações clínicas do transtorno depressivo maior, com diferenças importantes tanto nos sintomas quanto na forma como a pessoa lida com o mundo interno e externo.

    Na depressão típica, predominam sintomas como:

    Humor persistentemente deprimido

    Incapacidade de sentir prazer (anedonia)

    Perda de apetite e insônia

    Lentificação física e mental

    Sentimentos de culpa intensa, desesperança e ideação suicida mais frequente

    Já na depressão atípica, os sintomas seguem outra direção:

    Reatividade do humor (a pessoa ainda reage emocionalmente a estímulos positivos)

    Aumento do apetite e ganho de peso

    Sono excessivo (hipersonia)

    Sensação de peso no corpo, como se estivesse “ancorada”

    Sensibilidade à rejeição, com sofrimento interpessoal significativo

    Apesar do nome, a depressão atípica não é rara, mas muitas vezes é mal compreendida ou confundida com traços de personalidade. Em geral, ela aparece em contextos de vínculos mais simbióticos e com maior instabilidade afetiva.

    A escuta clínica precisa ir além do rótulo diagnóstico. O mais importante é perceber como a depressão aparece em cada sujeito: o que ela interrompe, o que ela protege, o que ela esconde — e, às vezes, até o que ela grita silenciosamente.

    Em muitos casos, sintomas como lentidão, fome exagerada, tristeza ou exaustão emocional são a forma que o inconsciente encontra para sinalizar que algo dentro parou, recuou ou está pedindo para ser escutado de verdade.

    Por isso, antes de se prender à “caixa” diagnóstica, vale buscar um espaço de escuta onde seja possível entender o seu modo de sofrer, de repetir, de desejar e de resistir — com tempo, cuidado e escuta profunda.

    O diagnóstico pode ser um ponto de partida. Mas o que transforma é a travessia clínica que se faz depois


  • É normal sentir um medo de não amar/estar apaixonado pela pessoa? Sinto coisas incríveis por ela e

    É normal sentir um medo de não amar/estar apaixonado pela pessoa?
    Sinto coisas incríveis por ela e uma tranquilidade extrema quando estamos juntos, até mesmo quando conversamos de forma profunda minha mente e todas as vozes se silenciam.

    Porém nos últimos dias essas "vozes" tem ficado mais fortes, dizendo que eu não amo ela, que estou errado em estar com ela, que deveria me afastar, entre tantas outras coisas.

    Cerca de 1 ano atrás passei por um término bem difícil, a garota atual está sendo a 1x que me conectei profundamente com alguém, temos muito em comum e nos conectamos de formas que eu não consigo nem mesmo descrever o quanto eu gosto e amo tudo com ela, porém sempre após um desentendimento (seguido de reconciliação) sobre essas vozes, elas não saem mais da minha cabeça (Antes do desentendimento eu nem havia me tocado da existência delas, só notei isso após)

    Eu quero muito ficar com essa garota, me relacionar com ela e construir (ou ao menos tentar) um futuro com ela, porém essas vozes estão me perturbando muito me dizendo que eu não deveria pensar de tal forma.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rafaela Costa

    O que você está vivendo é mais comum do que parece — especialmente em pessoas que têm sensibilidade emocional mais profunda e que já passaram por relações anteriores com marcas dolorosas. Quando você diz que “as vozes se calam” na presença dela, isso é muito simbólico: mostra que existe sim vínculo real, acolhimento e presença afetiva verdadeira.

    Mas quando essas "vozes" voltam e dizem que você não ama ou que deveria se afastar, pode ser que estejam relacionadas ao medo da entrega, à memória emocional do término difícil que viveu antes, ou até à tentativa inconsciente de se proteger de um novo sofrimento. Elas podem funcionar como um tipo de alerta disfarçado, tentando te manter em controle — mesmo que às custas da sua tranquilidade.

    Na psicologia, isso é algo que a gente observa com muito respeito: a mente, quando ferida, cria formas de defesa que às vezes questionam até os momentos bons, justamente para não correr o risco de se decepcionar de novo. Só que o amor, esse que você descreve com tanta ternura e desejo de construir algo, não nasce do controle — mas da confiança, da entrega gradual, do espaço seguro que se constrói junto.

    É importante observar essas vozes, sim. Não para obedecê-las, mas para escutá-las com maturidade: de onde vêm? O que querem proteger? Que medo está escondido atrás da dúvida? Muitas vezes, esse tipo de conflito interno é o reflexo de um pacto inconsciente com a dor antiga, que ainda está buscando um lugar para cicatrizar.

    O que você sente por ela pode, sim, ser amor. Mas às vezes, a dúvida vem não porque o sentimento é falso — e sim porque ele é tão verdadeiro que assusta. E quando isso acontece, vale muito a pena conversar com um(a) terapeuta para poder caminhar junto com essas vozes — sem que elas te paralisem.

    Você merece viver algo bom. E isso que você está tentando construir pode ser justamente o início de um novo capítulo — mais verdadeiro, mais seguro e mais seu.


  • Tenho TAG e depressão. Já faço uso de medicamento, atividade física, vou a igreja e tento levar uma

    Tenho TAG e depressão. Já faço uso de medicamento, atividade física, vou a igreja e tento levar uma vida normal. No entanto, continuo tendo crises. Mas o que tem me incomodado é o fato de não conseguir assistir séries, pois sempre que eu começo uma eu fico com crises de ansiedade quando chega na metade ou se aproxima do final. Isso tem me impedido de tem momentos de lazer... o mesmo serve para livros, filmes, webcomics
    Nada que eu começo eu termino. E só de pensar em assistir o que deixei pra tras, já me da crises. O que pode ser? Como tratar? Já falei com psicologa e nada ta adiantando. Vou viver com isso para o resto da vida?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rafaela Costa

    A experiência que você descreve — de não conseguir finalizar livros, séries ou outras atividades de lazer — pode indicar que o seu psiquismo está tentando "interromper" algo antes que algo termine por si só. Isso pode se relacionar a experiências anteriores ligadas à perda, ao controle, ou até à antecipação do sofrimento. Não significa necessariamente que seja “só TAG”, como você mesmo apontou, e esse é um ponto muito importante.

    Muitas vezes, crises persistentes, mesmo com medicação, espiritualidade e rotina organizada, indicam que algo mais profundo ainda precisa ser ouvido. O sintoma está dizendo algo — e nem sempre o objetivo é apenas fazer ele desaparecer, mas compreender o que ele comunica.

    Você não está sozinho, e não, isso não significa que viverá para sempre assim. Cada pessoa tem um caminho único de elaboração, e talvez seja o caso de repensar o foco da psicoterapia: não como conserto rápido, mas como um espaço de investigação profunda, respeitando sua história e sua subjetividade.

    Buscar uma abordagem que considere o seu modo singular de funcionar pode ajudar muito nesse momento. Não desista da busca — você merece ter acesso a experiências de prazer e leveza, inclusive no simples ato de terminar uma história.


  • Bem, eu sou uma mulher trans e tenho 20 anos, estou em meu primeiro relacionamento com um homem cis

    Bem, eu sou uma mulher trans e tenho 20 anos, estou em meu primeiro relacionamento com um homem cis hétero, e já faz exatamente um mês que estou com ele, durante esse período eu percebi que sempre que recebo contato ou dou contato pra ele (tipo abraço, beijo, mão com mão, QUALQUER TIPO DE INTERPRETAÇÃO) eu fico com minha genitália lubrificando! E aponto de escorrer pelas minhas pernas! Sempre que toco nele fico assim! E nem sou operada, ainda possuo pênis, isso é normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rafaela Costa

    O que você descreve é mais comum do que se imagina — embora pouco falado, justamente por conta da invisibilização dos corpos trans e das experiências afetivo-sexuais que não seguem o padrão hegemônico.

    Seu corpo está respondendo com intensidade à excitação, ao vínculo afetivo e à presença do outro, e isso não tem nada de “errado” ou “fora do normal”. Na verdade, é uma reação fisiológica que mostra que há envolvimento, desejo e conexão. A lubrificação espontânea (mesmo em corpos com pênis) é uma resposta do sistema nervoso autônomo, disparada por excitação ou sensação de segurança emocional. Ela pode acontecer com toques sutis, beijos ou até com a simples antecipação de um momento íntimo.

    É importante também considerar que esse tipo de reação pode estar intensificada por ser um primeiro relacionamento com essa profundidade. O corpo responde não só ao estímulo físico, mas também ao vínculo emocional, ao afeto recebido, à afirmação da sua identidade enquanto mulher trans desejada e reconhecida. Isso é simbólica e emocionalmente muito potente.

    Se, por outro lado, esse excesso causar algum desconforto ou dificuldade prática, vale conversar com um(a) terapeuta que acolha sua experiência e ajude a compreender como o corpo expressa a psique. Às vezes, as reações intensas também nos contam sobre o quanto há de espera, de desejo antigo e de desejo de ser tocada em segurança. E tudo isso tem espaço para ser escutado — com respeito e com verdade.

    Você não está sozinha. E sim, é normal o que está vivendo — sobretudo num corpo que agora pode, finalmente, viver relações mais próximas da sua verdade.


Perguntas frequentes

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