Perguntas do paciente (33)

  • Existe uma diferença entre a euforia do TPB e hipomania?

    Existe uma diferença entre a euforia do TPB e hipomania?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Ramiro German Gonzalez Rial

    Sim, existe uma diferença importante entre a euforia vivida no Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) e um episódio de hipomania, como observado no Transtorno Bipolar. Embora, à primeira vista, ambos os estados possam parecer semelhantes por envolverem aumento de energia ou intensidade emocional, suas origens, duração e contextos são diferentes.

    No caso da hipomania, que faz parte dos transtornos do espectro bipolar segundo o DSM-5, trata-se de um episódio com aumento persistente de humor, energia ou irritabilidade, que dura pelo menos quatro dias consecutivos e está presente a maior parte do dia. Durante esse período, a pessoa pode apresentar comportamentos como fala acelerada, menor necessidade de sono, autoestima inflada, impulsividade, e sensação de que está “acelerada”. Importante: esses episódios não são desencadeados apenas por eventos externos — eles tendem a surgir de forma espontânea, com alterações globais no funcionamento da pessoa.

    Já no Transtorno da Personalidade Borderline, o que muitas vezes parece uma “euforia” geralmente está relacionado a reações emocionais muito intensas a eventos específicos, como uma aproximação afetiva, uma idealização de alguém ou a sensação de estar sendo finalmente compreendido. Essas alterações costumam ser mais breves, instáveis e contextuais, e podem ser seguidas rapidamente por sentimentos opostos, como raiva, tristeza ou vazio. Não se trata de um episódio contínuo de humor elevado, mas de uma oscilação emocional reativa.

    Na abordagem terapêutica, essas distinções são importantes para compreender os padrões emocionais, os gatilhos envolvidos e construir estratégias de regulação adequadas para cada caso. Identificar corretamente o quadro é essencial para oferecer um cuidado realmente eficaz.


  • É mesmo verdade que contar números mentalmente induz ondas cerebrais mais lentas?

    É mesmo verdade que contar números mentalmente induz ondas cerebrais mais lentas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Ramiro German Gonzalez Rial

    Contar números mentalmente pode, sim, ter um efeito calmante — mas é importante entender como e por que isso acontece, segundo o que sabemos da psicologia, neurociência e práticas terapêuticas baseadas em atenção plena.

    Do ponto de vista das neurociências, quando focamos a atenção em uma tarefa simples e repetitiva, como contar números, o cérebro tende a se afastar de circuitos associados à ruminação, preocupação e reatividade emocional (como a atividade da amígdala e de redes de pensamento automático). Isso pode favorecer a ativação de ondas cerebrais mais lentas e sincronizadas, como as do tipo alfa, que estão associadas a estados de calma e foco relaxado.

    Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), estratégias como essa são usadas como formas de regulação atencional. Quando a mente está presa em pensamentos ansiosos ou catastróficos, ancorar a atenção em algo previsível — como a contagem — ajuda a interromper o ciclo de ansiedade e criar espaço para respostas mais conscientes.

    Práticas de mindfulness com base cognitiva também se utilizam desse princípio: trazer a atenção para o momento presente, seja por meio da respiração, de sensações do corpo ou da contagem, permite que a mente reduza a reatividade e ative mecanismos de autorregulação emocional.

    Então, sim — contar números mentalmente pode induzir um estado de maior tranquilidade cerebral, não porque seja uma “técnica mágica”, mas porque envolve foco, repetição e previsibilidade, elementos que ajudam o cérebro a sair do modo de alerta e retornar a um estado de equilíbrio.


  • Quais são as complicações possíveis com a ciclotimia? .

    Quais são as complicações possíveis com a ciclotimia? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Ramiro German Gonzalez Rial

    A ciclotimia é um transtorno do humor caracterizado por oscilações emocionais crônicas, que alternam entre períodos de leve euforia (ou aumento de energia) e episódios de leve depressão. Embora esses altos e baixos não sejam tão intensos quanto no transtorno bipolar, eles podem se prolongar por meses ou anos e afetar significativamente a vida da pessoa.

    Quando não é reconhecida ou acompanhada adequadamente, a ciclotimia pode levar a algumas complicações. Uma das principais é a cristalização de padrões emocionais instáveis, o que pode prejudicar a construção de relacionamentos estáveis, o rendimento no trabalho ou nos estudos, e a capacidade de tomar decisões consistentes.

    Além disso, as oscilações frequentes podem contribuir para o desenvolvimento de outros quadros, como ansiedade, abuso de substâncias ou episódios depressivos mais intensos com o tempo. Muitas pessoas com ciclotimia também relatam uma sensação de confusão sobre quem são, por sentirem-se emocionalmente diferentes em períodos curtos de tempo, o que pode afetar a autoestima e a segurança nas escolhas.

    O suporte terapêutico pode ajudar a pessoa a reconhecer seus próprios ciclos, identificar os gatilhos emocionais e construir formas mais equilibradas de viver e se relacionar. Com acompanhamento, é possível reduzir o impacto dessas oscilações e retomar um senso maior de estabilidade e direção na vida cotidiana.

    O mais importante é saber que há caminhos — e que o cuidado contínuo pode fazer uma diferença significativa.


  • Todas as pessoas com Transtorno Da Personalidade Borderline tem a necessidade de um suporte terapêut

    Todas as pessoas com Transtorno Da Personalidade Borderline tem a necessidade de um suporte terapêutico psicológico ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Ramiro German Gonzalez Rial

    Embora cada pessoa viva o Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) de forma única, é verdade que o suporte terapêutico psicológico pode ser altamente benéfico para a grande maioria dos casos.

    O TPB envolve uma intensa instabilidade emocional, dificuldade com a própria identidade, relacionamentos marcados por rupturas e reconciliações frequentes, além de comportamentos impulsivos e sentimentos profundos de vazio ou medo de abandono. Tudo isso pode gerar muito sofrimento interno — e, muitas vezes, também impactar as pessoas ao redor.

    O acompanhamento psicológico não é uma obrigação, mas costuma ser um recurso fundamental para quem deseja compreender melhor seus padrões emocionais e relacionais, reduzir o sofrimento e desenvolver formas mais saudáveis de se posicionar diante da vida e dos vínculos.

    A psicoterapia oferece um espaço seguro onde é possível identificar gatilhos, entender os ciclos de funcionamento emocional e construir, aos poucos, uma sensação maior de estabilidade, autonomia e autoestima.

    Mesmo que algumas pessoas encontrem formas próprias de lidar com as dificuldades, contar com suporte profissional costuma fazer uma grande diferença na qualidade de vida e no fortalecimento do senso de identidade.

    Buscar ajuda não significa que alguém está “fraco” ou “doente demais” — significa que reconhece o valor de cuidar de si com responsabilidade e coragem.


  • O que são as explosões emocionais na autoproteção no Transtorno Da Personalidade Borderline ?

    O que são as explosões emocionais na autoproteção no Transtorno Da Personalidade Borderline ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Ramiro German Gonzalez Rial

    As chamadas "explosões emocionais" no Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) são reações intensas e muitas vezes desproporcionais a situações que, para outras pessoas, pareceriam menores. Essas explosões podem incluir raiva, choro, desespero ou sentimentos de abandono e rejeição muito fortes — mesmo em situações cotidianas.

    Do ponto de vista psicológico, essas reações não são exageros voluntários ou “dramas”, mas formas que a mente encontrou para se defender de dores emocionais profundas. Pessoas com TPB geralmente viveram experiências marcadas por instabilidade emocional, insegurança nos vínculos ou dificuldade em confiar nas relações. Como resultado, o sistema emocional se torna muito sensível a qualquer sinal (real ou imaginado) de ameaça, crítica ou rejeição.

    Essas explosões muitas vezes surgem como uma tentativa de autoproteção: é como se a emoção precisasse “gritar” para impedir que a pessoa se sinta novamente invisível, ferida ou abandonada. Na Terapia Cognitivo-Comportamental, trabalhamos para ajudar a pessoa a reconhecer os gatilhos desses episódios, compreender os pensamentos que os alimentam e desenvolver estratégias mais saudáveis para lidar com a dor emocional, sem precisar se machucar nem afastar os outros.

    Com o tempo, é possível aprender a se regular emocionalmente e construir relações mais seguras e estáveis, sem que o medo ou a impulsividade precisem tomar conta. O primeiro passo é entender que essas reações têm uma lógica interna — e que há caminhos para lidar com elas com mais equilíbrio e cuidado.


  • O que é uma crise borderline? .

    O que é uma crise borderline? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Ramiro German Gonzalez Rial

    O que muitas pessoas chamam de “crise borderline” costuma se referir a momentos em que a pessoa com Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) experimenta uma intensa desorganização emocional, geralmente desencadeada por uma situação de conflito, frustração, rejeição (real ou percebida) ou insegurança nos vínculos.

    Durante uma crise, é comum que surjam sentimentos muito fortes — como raiva, angústia, medo de abandono, desespero ou vazio — acompanhados de comportamentos impulsivos, como discussões explosivas, afastamentos abruptos, automutilação ou uso de substâncias, entre outros. Muitas vezes, a pessoa sente que não consegue controlar o que está pensando ou sentindo, e isso pode causar muito sofrimento.

    Essas reações não são simples “exageros” ou “dramas”: elas geralmente refletem tentativas desesperadas de lidar com uma dor interna profunda, especialmente quando a pessoa sente que está sendo rejeitada, esquecida ou que está perdendo o controle da situação.

    A psicoterapia pode ajudar a entender o que ativa essas crises, desenvolver formas mais saudáveis de reagir e fortalecer a autoestima e a regulação emocional. O objetivo não é apagar as emoções, mas aprender a reconhecer os sinais e responder com mais equilíbrio e cuidado consigo mesmo.

    Buscar ajuda é um passo essencial — e sim, é possível aprender a atravessar esses momentos com mais segurança e consciência.


  • Como a mulher borderline pode evitar comportamentos impulsivos?

    Como a mulher borderline pode evitar comportamentos impulsivos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Ramiro German Gonzalez Rial

    Essa é uma pergunta importante e que mostra sensibilidade ao próprio processo. Pessoas diagnosticadas com Transtorno da Personalidade Borderline, independentemente do gênero, costumam vivenciar emoções muito intensas, especialmente em situações que envolvem relações afetivas, medo de rejeição ou sensação de abandono.

    O comportamento impulsivo, nesses casos, muitas vezes surge como uma tentativa de lidar com essa dor emocional no momento em que ela se torna difícil de suportar. Isso não acontece por escolha ou por falta de força de vontade — é uma forma aprendida, embora disfuncional, de buscar alívio imediato para um sofrimento que parece insuportável.

    O caminho para lidar com esses comportamentos não está em se “controlar” o tempo todo, mas em entender o que está por trás das reações: quais pensamentos surgem antes da impulsividade? Que emoções estão sendo sentidas? O que essa ação impulsiva está tentando resolver?

    A psicoterapia oferece um espaço seguro para explorar essas questões, compreender os gatilhos emocionais e construir, com o tempo, respostas mais conscientes e alinhadas com o que se deseja viver. Não se trata de eliminar as emoções — e sim de fortalecer a capacidade de atravessá-las sem se machucar ou se afastar de si mesma.

    O fato de você estar refletindo sobre isso já mostra um desejo genuíno de cuidar de si — e isso, por si só, já é parte do processo de mudança.


  • Qual é a importância da Psicoterapia no tratamento do Transtorno da Personalidade Borderline ?

    Qual é a importância da Psicoterapia no tratamento do Transtorno da Personalidade Borderline ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Ramiro German Gonzalez Rial

    A psicoterapia tem um papel central no tratamento do Transtorno da Personalidade Borderline (TPB). Esse transtorno costuma envolver uma grande instabilidade nas emoções, na autoimagem e nos relacionamentos, além de uma sensibilidade intensa ao medo de rejeição ou abandono. Por isso, o acompanhamento psicológico é fundamental para ajudar a pessoa a entender melhor o que sente, de onde vêm essas reações e como lidar com elas de forma menos dolorosa.

    Ao longo do tempo, muitas pessoas com TPB desenvolveram formas de se proteger emocionalmente que acabam se tornando prejudiciais — como impulsividade, explosões de raiva, idealizações e rupturas bruscas nos vínculos. A psicoterapia oferece um espaço seguro onde esses padrões podem ser explorados com cuidado, e onde é possível desenvolver formas mais equilibradas de se relacionar consigo mesmo e com os outros.

    O processo terapêutico ajuda a identificar os gatilhos emocionais, trabalhar os pensamentos automáticos negativos e fortalecer a capacidade de autorregulação emocional. Também permite construir, aos poucos, uma sensação mais estável de identidade, algo que muitas pessoas com TPB relatam como confuso ou fragmentado.

    É importante lembrar que o tratamento não é sobre “controlar” as emoções, mas sim sobre compreender e cuidar delas de um modo que promova mais autonomia, menos sofrimento e vínculos mais saudáveis.

    Buscar psicoterapia é um passo corajoso — e pode ser o início de uma transformação significativa e possível.


  • O Transtorno Da Personalidade Borderline é uma forma de bipolaridade?

    O Transtorno Da Personalidade Borderline é uma forma de bipolaridade?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Ramiro German Gonzalez Rial

    Essa é uma dúvida muito comum, mas é importante esclarecer: o Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) não é uma forma de bipolaridade. São dois quadros diferentes, embora possam ter alguns sintomas parecidos, como mudanças de humor e impulsividade.

    No Transtorno Bipolar, as alterações de humor costumam ocorrer em ciclos mais definidos e duradouros, alternando episódios de euforia (mania ou hipomania) e depressão. Essas fases geralmente duram dias ou semanas, e não estão tão diretamente ligadas a eventos externos.

    Já no Transtorno da Personalidade Borderline, as mudanças emocionais costumam ser mais rápidas e intensas, muitas vezes desencadeadas por situações relacionais — como uma briga, uma sensação de rejeição ou um mal-entendido. Além disso, o TPB envolve uma instabilidade mais ampla: na forma de se ver, de se relacionar com os outros, nos impulsos e nas emoções.

    Na prática clínica, é possível que os dois quadros coexistam na mesma pessoa, mas são transtornos distintos e exigem abordagens terapêuticas diferentes.

    A boa notícia é que ambos têm tratamento, e a psicoterapia pode ajudar muito a trazer clareza, alívio e ferramentas para lidar com o sofrimento emocional. Entender com precisão o que está acontecendo é o primeiro passo para cuidar de forma adequada.


  • Podemos Mudar Nossa Personalidade? .

    Podemos Mudar Nossa Personalidade? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Ramiro German Gonzalez Rial

    Essa é uma pergunta profunda — e também muito comum. A ideia de "personalidade" muitas vezes é entendida como algo fixo, imutável, como se cada pessoa nascesse com um “jeito de ser” determinado. Mas os estudos em psicologia mostram que nossa personalidade pode, sim, mudar ao longo da vida — especialmente quando passamos por experiências significativas ou nos engajamos em processos de autoconhecimento e mudança intencional.

    Alguns aspectos da personalidade, como certos traços de temperamento (por exemplo, ser mais introvertido ou extrovertido), tendem a ser mais estáveis com o tempo. No entanto, a forma como pensamos, reagimos, nos relacionamos e damos sentido à vida pode ser transformada — e isso já representa uma mudança real na forma de ser no mundo.

    Modelos mais recentes da psicologia da personalidade reconhecem que somos influenciados por fatores biológicos, mas também por nossas histórias, pelos vínculos que construímos e pelas escolhas que fazemos. Isso significa que, embora existam padrões que nos acompanhem por muito tempo, eles não são uma sentença definitiva.

    Com ajuda profissional, reflexão contínua e práticas intencionais, é possível flexibilizar modos de pensar, desenvolver novas formas de agir, fortalecer a autoestima, melhorar a regulação emocional e enriquecer nossos vínculos. Muitas vezes, essas mudanças são graduais, mas duradouras.

    Em resumo: sim, é possível mudar — não para se tornar alguém completamente diferente, mas para viver de forma mais consciente, autêntica e alinhada com quem se quer ser.


  • A ansiedade e a depressão podem causar tonturas e vontade de chorar constantemente?

    A ansiedade e a depressão podem causar tonturas e vontade de chorar constantemente?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Ramiro German Gonzalez Rial

    Sim, tanto a ansiedade quanto a depressão podem causar sintomas físicos e emocionais como tonturas e vontade constante de chorar.

    Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), compreendemos que mente e corpo estão profundamente conectados. Quando estamos ansiosos, o corpo entra em um estado de alerta, liberando hormônios que podem acelerar os batimentos cardíacos, alterar a respiração e gerar tensão muscular. Esses efeitos podem levar à sensação de tontura ou de desequilíbrio físico.

    Já na depressão, é comum que a pessoa se sinta emocionalmente sobrecarregada, o que pode provocar uma vontade frequente de chorar, sensação de cansaço extremo e dificuldade para lidar com tarefas do dia a dia. Além disso, a depressão também pode afetar o corpo, causando sintomas como dores, mal-estar e, em alguns casos, tonturas relacionadas à falta de energia ou alterações no sono e na alimentação.

    É importante lembrar que esses sintomas não são "imaginação" — eles são reais e merecem atenção. A boa notícia é que, com o tratamento adequado, é possível aprender a lidar melhor com os pensamentos, as emoções e as reações físicas, diminuindo o impacto que a ansiedade e a depressão causam na sua vida.

    Buscar ajuda especializada é um passo importante para entender o que está acontecendo com você e encontrar estratégias para recuperar seu equilíbrio emocional e físico.


  • É normal sentir como se tivesse em luto ao por um fim em um relacionamento, mesmo que seja sua própr

    É normal sentir como se tivesse em luto ao por um fim em um relacionamento, mesmo que seja sua própria escolha... Por não achar que seja a pessoa certa para você?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Ramiro German Gonzalez Rial

    Sim, é absolutamente normal sentir como se estivesse vivendo um luto ao terminar um relacionamento, mesmo quando foi uma escolha sua, feita de forma consciente.

    Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), compreendemos que o término de um relacionamento envolve muito mais do que a separação entre duas pessoas. Envolve também a despedida de planos, expectativas, rotinas compartilhadas e da imagem que foi construída daquela história. Mesmo sabendo que a decisão é a melhor para você, é natural que surjam sentimentos de tristeza, vazio, dúvida e até culpa.

    O luto, nesse contexto, não é apenas pela pessoa, mas também pela vida que você imaginou que viveria junto dela. É uma reorganização emocional que exige tempo e autocompaixão.

    É importante lembrar que sentir essa dor não significa que você tenha errado ou que a escolha não foi adequada — significa apenas que você se permitiu viver algo importante e agora está enfrentando o processo de fechar esse ciclo de forma honesta com seus sentimentos.

    Se esses sentimentos de luto se tornarem muito intensos ou duradouros, a psicoterapia pode ajudar a atravessar esse momento com mais clareza, ajudando a compreender suas emoções, fortalecer sua autoestima e construir novos sentidos para essa nova etapa da vida.


  • Meus sentimentos parecem que não funcionam mais em certas situações. Ao longo do tempo eu percebi qu

    Meus sentimentos parecem que não funcionam mais em certas situações. Ao longo do tempo eu percebi que meus sentimentos em relação à minha família foram sumindo e eu me preocupo demais com isso. Eu não me lembro qual foi a última vez que eu realmente ri com minha mãe sem ter que fingir, e o que mais me preocupa é que isso não me afeta apenas na família, mas também pessoal. Eu realmente não me lembro qual foi a última vez que senti um sentimento triste. Em relação a minha família eu não consigo ter um sentimento de “amor” eu na verdade não sinto mais nada por eles e eu quero entender isso. Eu quero voltar a sentir.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Ramiro German Gonzalez Rial

    O que você compartilha é muito importante e merece ser acolhido com seriedade e respeito. Sentir que as emoções parecem "desligadas" ou distantes em relação à família ou a outras áreas da vida não significa que você esteja "frio" ou "sem sentimentos". Na verdade, isso pode ser um sinal de que algo emocionalmente mais profundo está acontecendo.

    Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), entendemos que, em certas situações, a mente pode adotar mecanismos de proteção para lidar com emoções difíceis ou sobrecarregadas. Quando passamos por experiências de dor, decepção, conflitos internos ou mesmo estresse prolongado, é possível que, sem perceber, o nosso sistema emocional comece a "desligar" certas respostas para evitar sofrimento. Com o tempo, isso pode gerar uma sensação de distanciamento afetivo, como se as emoções tivessem ficado embotadas ou anestesiadas.

    Isso não significa que os sentimentos desapareceram de verdade — muitas vezes eles estão apenas adormecidos, guardados em camadas mais profundas, esperando um espaço seguro para serem reconectados.

    O fato de você se preocupar com isso e desejar voltar a sentir já mostra uma parte sua que está viva, buscando sentido e reconexão. Esse é um passo muito importante.

    A psicoterapia pode ser um espaço seguro para explorar essas questões, entender melhor o que levou a esse afastamento emocional e, com o tempo, construir formas mais saudáveis de se relacionar consigo mesmo e com os outros.

    Você não está sozinho nessa experiência — e há caminhos possíveis para resgatar essa conexão com seus próprios sentimentos.


  • Tenho crise de ansiedade, e faz um tempo que antes de mestruar, tenho fome noturna repentina. O que

    Tenho crise de ansiedade, e faz um tempo que antes de mestruar, tenho fome noturna repentina. O que pode ser?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Ramiro German Gonzalez Rial

    O que você descreve — crises de ansiedade acompanhadas de fome repentina à noite antes da menstruação — é algo que muitas pessoas relatam, e pode estar relacionado a uma combinação de fatores fisiológicos e emocionais.

    No período pré-menstrual, o corpo passa por mudanças hormonais significativas, especialmente nos níveis de estrogênio e progesterona. Essas alterações podem afetar o humor, o sono, o apetite e até aumentar a sensibilidade à ansiedade. Isso significa que seu corpo pode ficar mais reativo, e comportamentos como comer à noite surgem como uma tentativa de autorregulação emocional — ou seja, uma forma de lidar com a tensão interna e o desconforto.

    Do ponto de vista da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), compreendemos que a ansiedade influencia nossos pensamentos, sensações físicas e comportamentos. Quando a ansiedade está elevada, é comum buscar alívio em comportamentos imediatos, como comer, mesmo sem fome real. À noite, quando o ambiente fica mais silencioso e o corpo começa a desacelerar, os pensamentos ansiosos podem ganhar mais espaço, e a comida acaba se tornando um tipo de “resposta” para aliviar esse mal-estar.

    Esse padrão não é sinal de fraqueza ou descontrole, mas um sinal de que algo dentro de você está pedindo atenção e cuidado. A psicoterapia pode ajudar a identificar esses gatilhos, desenvolver estratégias para lidar com a ansiedade e com o ciclo hormonal, e encontrar formas mais saudáveis de se autorregular.

    O fato de você ter notado esse padrão e estar buscando entender já é um passo muito importante. Você não precisa passar por isso sozinha — há caminhos possíveis para se sentir melhor.


  • As vezes sinto que meu eu não está em primeira pessoa isso já algum tempo. E como se visse o mundo e

    As vezes sinto que meu eu não está em primeira pessoa isso já algum tempo. E como se visse o mundo em terceira pessoa, parece que coisas importantes não tem valor como datas, conquistas etc... sinto visualizar o mundo como apenas um telespectador da minha própria vida.
    Como vence isso? Só quero viver de maneira certa.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Ramiro German Gonzalez Rial

    O que você descreve é algo que muitas pessoas vivenciam em momentos de grande sobrecarga emocional ou de desconexão interna. Essa sensação de observar a vida "de fora", como se fosse um telespectador da própria história, pode surgir como uma forma da mente tentar se proteger de emoções difíceis ou de experiências que não foram totalmente processadas.

    Em momentos assim, é como se uma parte sua se afastasse para tentar entender ou controlar melhor o que está acontecendo. No entanto, esse afastamento também pode trazer a sensação de vazio, de falta de sentido ou de distância em relação às próprias conquistas e relações.

    Superar essa sensação passa, em grande parte, por reconstruir a conexão com o que você sente, pensa e valoriza hoje. Isso envolve não apenas "voltar" para o que você viveu, mas também criar novos significados para as suas experiências atuais. Muitas vezes, aprendemos a olhar para a vida de forma automática ou crítica demais, e isso vai esvaziando a nossa presença no momento presente.

    Trabalhar essa experiência envolve identificar os pensamentos e as interpretações que reforçam esse distanciamento, resgatar pequenas ações que tragam mais sensação de autenticidade e desenvolver uma relação mais ativa e consciente com a própria história.

    O fato de você estar buscando entender e querendo viver de forma mais conectada já é um sinal muito forte de que essa mudança é possível. Existem caminhos para reencontrar essa sensação de presença e pertencimento à própria vida — e você não precisa fazer isso sozinho.


  • eu tenho uma pergunta.. sentir os sintomas da ansiedade e ter paz psicológica e emocional é normal!

    eu tenho uma pergunta..
    sentir os sintomas da ansiedade e ter paz psicológica e emocional é normal!?
    eu pensei que estava ficando de virose, mas quando eu tomei o sertralina os sintomas sumiram e eu fiquei sem entender nada até hj.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Ramiro German Gonzalez Rial

    Sua pergunta faz muito sentido — e é mais comum do que parece. Muitas pessoas com ansiedade experimentam sintomas físicos tão intensos (como mal-estar, tontura, cansaço, aperto no peito, entre outros) que acabam pensando inicialmente em causas como uma virose ou outro problema de saúde física.

    Na verdade, a ansiedade não se manifesta apenas como preocupação ou nervosismo. Ela atua diretamente no corpo, provocando reações físicas reais, mesmo quando a pessoa se sente “em paz” no nível consciente. Isso acontece porque o nosso sistema nervoso pode se manter em estado de alerta mesmo sem um motivo claro, especialmente quando há padrões de pensamento automáticos ou antigos hábitos emocionais que o corpo já aprendeu a repetir.

    Na Terapia Cognitivo-Comportamental, compreendemos que é possível, sim, sentir ansiedade mesmo em momentos aparentemente calmos, porque o corpo e a mente nem sempre estão 100% alinhados. Às vezes, há sinais sutis de tensão emocional que não chegam à nossa consciência, mas que se expressam no corpo.

    Talvez, quando você iniciou a medicação e os sintomas desapareceram, isso indicou que o quadro tinha, de fato, um componente ansioso, ainda que você não o percebesse de forma clara. O uso do medicamento ajudou a regular esse sistema de alerta, permitindo que o corpo “desligasse” esse estado de tensão.

    Se quiser compreender melhor como esses sintomas surgem e o que eles significam na sua vida, a psicoterapia pode ser uma boa aliada nesse processo. Entender o que o corpo expressa e como seus pensamentos influenciam isso pode trazer mais clareza e autonomia emocional.


  • Eu gosto de ser a parte frágil e dominado pela parceira, mas vejo que muitas pessoas acham que eu nã

    Eu gosto de ser a parte frágil e dominado pela parceira, mas vejo que muitas pessoas acham que eu não faço o meu "papel de homem" isso é normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Ramiro German Gonzalez Rial

    Sentir-se confortável em uma posição mais sensível ou menos dominante em uma relação não é, por si só, algo errado ou anormal. Cada pessoa tem formas diferentes de se relacionar e de expressar sua identidade emocional e afetiva. O problema geralmente não está naquilo que você sente, mas nas pressões externas e nos julgamentos que acabam provocando dúvidas e sofrimento.

    Vivemos em uma sociedade que ainda carrega muitas ideias rígidas sobre o que significa "ser homem" ou "ser mulher". Essas expectativas sociais podem gerar conflitos internos quando não se encaixam com a forma como alguém realmente se sente. Isso pode gerar culpa, vergonha ou sensação de inadequação, mesmo quando a vivência pessoal dentro da relação é positiva.

    É importante lembrar que os papéis em um relacionamento são construídos a partir da história de cada um, das experiências anteriores e dos acordos afetivos entre as pessoas envolvidas — e não de regras externas ou pré-estabelecidas. Quando esses papéis são vividos com consentimento, respeito mútuo e bem-estar, não há certo ou errado.

    Muitas vezes, trabalhar esses sentimentos com alguém especializado pode ajudar a compreender melhor as próprias escolhas, fortalecer a autoestima e diferenciar o que vem de dentro do que foi aprendido ou imposto de fora. Entender isso pode ser um passo importante para viver seus relacionamentos com mais autenticidade e menos culpa.


  • Ja faz 10 anos q eu terminei um relacionamento, de forma abrupta sem pensar, hoje já tenho marido e

    Ja faz 10 anos q eu terminei um relacionamento, de forma abrupta sem pensar, hoje já tenho marido e tenho uma filha, porem ainda continuo sonhando com o meu ex namorado e quando acordo sinto uma saudade tão grande e uma tristeza sem igual, não o vejo também a mas de 10 anos, gostaria de saber o porquê isso acontece, pois as vezes parece q lá no fundo ainda amo ele. Sinto saudades,.mas sei q já passou, q nada daquilo existe mas.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Ramiro German Gonzalez Rial

    O que você está sentindo é algo mais comum do que parece, e é importante saber que não significa necessariamente que você está vivendo no passado ou que não valoriza o que construiu até aqui. Os sonhos, na maioria das vezes, não falam diretamente do presente ou do desejo literal por alguém, mas sim de emoções, memórias e significados que ainda fazem parte da sua história.

    Do ponto de vista psicológico, especialmente na abordagem que trabalha com pensamentos, emoções e comportamentos, os vínculos afetivos que criamos — especialmente os intensos ou mal resolvidos — podem deixar marcas emocionais profundas. Quando um relacionamento termina de forma abrupta, como você mencionou, o cérebro pode não ter tido tempo de processar adequadamente aquele encerramento. E, mesmo depois de anos, ele ainda pode “revisitar” essa memória em momentos de maior sensibilidade ou reflexão.

    O sonho pode funcionar como uma espécie de “atalho emocional” para acessar questões que ficaram sem resposta: sentimentos de perda, culpa, saudade ou até fantasias do que poderia ter sido diferente. Isso não significa que você ainda ama essa pessoa no sentido prático, mas que há partes de sua história que talvez ainda estejam buscando compreensão ou fechamento.

    Na terapia, é possível explorar o que esses sentimentos representam hoje e como eles dialogam com quem você é agora — sem negar seu passado, mas também sem permitir que ele interfira de forma dolorosa no seu presente. Às vezes, entender o que o sonho desperta diz mais sobre você do que sobre a pessoa com quem você sonhou.

    Você já fez algo importante ao colocar isso em palavras. O próximo passo pode ser cuidar com mais carinho dessas emoções que ainda pedem escuta.


  • Oi... escrevo aqui pra pedir ajuda numa situação que tá acabando comigo por dentro. Eu me envolvo

    Oi... escrevo aqui pra pedir ajuda numa situação que tá acabando comigo por dentro.

    Eu me envolvo com uma garota que tem namorado. A gente estudava junto ano passado, quando tudo começou, e ela já namorava com ele. Nos víamos todo dia, então a gente ficava diariamente. Porém, no fim do ano, o curso acabou. Mesmo assim, a gente continua se falando, com até mais intimidade no sentido de companheirismo do que naquela época, e ela me trata com carinho, preocupação, e diz que me ama. Ela diz que sente amor, mas depois volta atrás e diz que me vê só como amigo. Me parece muito mais por falta de coragem de bancar o que sente por mim. E isso me confunde muito. A gente às vezes se encontra e sempre acontece alguma coisa.

    Recentemente, ela me chamou pra sair no dia da festa de aniversário do namorado dela. Fomos juntos comprar presente pra ele, e a gente ficou, se beijou várias vezes. Depois, ela foi pra casa dele. E isso me destruiu. Nesse dia, deixei de sair com outra pessoa (que tava sendo legal comigo) pra estar com ela. Tudo isso me faz me sentir descartável ou em segundo plano na vida dela.

    Mesmo com toda essa confusão, a nossa relação já virou uma rotina. Tanto pra mim quanto pra ela, e a gente não consegue largar isso. Eu já me acostumei, mas, ao mesmo tempo, sei que isso não pode continuar desse jeito, e isso me machuca mais a cada dia.

    Ela quer largar porque não quer enganar o namorado. E eu quero largar porque não quero ser eternamente uma segunda opção. Mas a verdade é que a gente não consegue fazer isso. Porque, no fundo, a gente realmente se gosta. E, de um jeito ou de outro, a gente sempre acaba se vendo de novo.

    Eu tô perdido. Já não sei mais o que fazer, nem como sair disso. Me vejo preso num ciclo que machuca, por ela sempre me contar o que os dois fazem juntos como se eu fosse o diário dela, mas ao mesmo tempo me dá esperanças, por ainda dizer me amar e ainda sair comigo, mesmo que poucas vezes. Eu não sei mais o que fazer, não aguento mais ver a mulher que eu amo com outra pessoa, porém qualquer decisão que eu tomar me parece prejudicial... ficar e continuar vendo ela com outra pessoa, ou me afastar e sofrer com a ausência da mulher que eu amo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Ramiro German Gonzalez Rial

    Obrigado por compartilhar sua experiência com tanta honestidade — é visível o quanto essa situação está te afetando emocionalmente. Sentir-se preso entre o que se deseja e o que machuca é algo profundamente desgastante, e você descreve isso com muita clareza.

    Quando estamos envolvidos afetivamente, é comum que nossas decisões fiquem confusas. Por vezes, mesmo reconhecendo que uma situação nos faz mal, continuamos nela por medo da perda, da solidão, ou por acreditar que o vínculo ainda pode se transformar. O problema é que esse tipo de relação ambígua, com sinais mistos (afeto e afastamento, aproximação e recuo), costuma gerar um ciclo de reforço emocional: quanto mais se espera por clareza, mais se sofre com a instabilidade.

    Do ponto de vista emocional, nosso corpo e mente tendem a buscar coerência e segurança. Quando recebemos mensagens contraditórias — como demonstrações de amor seguidas de afastamento ou silêncio — nosso sistema emocional entra em alerta, gerando ansiedade, dúvidas sobre o próprio valor, e sensação de estar sempre tentando “merecer” algo que nunca se concretiza por completo.

    Além disso, é importante considerar que nenhuma relação acontece isoladamente. Todos trazemos histórias anteriores, expectativas inconscientes e aprendizados familiares que influenciam a forma como nos colocamos nos relacionamentos. Às vezes, repetimos dinâmicas onde nos colocamos sempre em segundo plano, como se isso fosse uma condição necessária para sermos amados.

    Você menciona que essa relação já virou uma rotina, e isso também é importante. Às vezes, mais do que o amor, o que nos prende é o hábito, o medo de romper o conhecido ou o apego ao que poderia ser, e não ao que de fato é.

    Tomar uma decisão nesse cenário não é fácil. Mas é possível, sim, reconstruir caminhos mais saudáveis — que passem por reconhecer seu próprio valor, reorganizar suas emoções e entender quais padrões se repetem. A ajuda de um profissional pode contribuir muito nesse processo de clareza e fortalecimento pessoal.

    Você já deu um primeiro passo muito importante ao reconhecer o quanto isso está te machucando. E isso, por si só, já indica que algo dentro de você está pronto para mudar.


  • O Transtorno Da Personalidade Paranóide (TPP) é hereditário?

    O Transtorno Da Personalidade Paranóide (TPP) é hereditário?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Ramiro German Gonzalez Rial

    O Transtorno da Personalidade Paranóide (TPP) é uma condição psicológica marcada por uma desconfiança persistente e generalizada em relação às intenções dos outros, mesmo quando não há motivos claros para isso. Pessoas com esse transtorno tendem a interpretar situações neutras como ameaçadoras, o que pode impactar profundamente seus relacionamentos e sua qualidade de vida.

    Quanto à causa, ainda não existe uma explicação única. Estudos mostram que pode haver uma predisposição genética, ou seja, uma tendência familiar — mas isso não significa que o transtorno seja “herdado” de forma direta, como a cor dos olhos ou do cabelo. O que os estudos apontam é que pessoas com histórico familiar de transtornos de personalidade ou de certos quadros psiquiátricos podem ter um risco aumentado, especialmente se cresceram em ambientes com relações marcadas por controle, frieza emocional ou desconfiança crônica.

    Além dos fatores biológicos, as experiências de vida e o ambiente familiar desempenham um papel muito importante na formação da personalidade. Vivências precoces de rejeição, negligência ou traições afetivas podem contribuir para o desenvolvimento de padrões de pensamento defensivos e desconfiados, que mais tarde podem se cristalizar como traços duradouros.

    O diagnóstico e a compreensão do TPP exigem cuidado, pois ele não se resume a “ser desconfiado” — trata-se de uma forma particular de se relacionar com o mundo, muitas vezes construída como proteção emocional.

    Buscar ajuda especializada pode ser um passo essencial para compreender essas dinâmicas e encontrar formas mais seguras e saudáveis de viver os vínculos e a própria identidade. Entender não é julgar — é abrir espaço para transformação.


Perguntas frequentes

Todos os conteúdos publicados no doctoralia.com.br, principalmente perguntas e respostas na área da medicina, têm caráter meramente informativo e não devem ser, em nenhuma circunstância, considerados como substitutos de aconselhamento médico.