Perguntas do paciente (43)

  • Qual é o prognóstico (perspectiva de recuperação) para o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) com p

    Qual é o prognóstico (perspectiva de recuperação) para o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) com pensamentos intrusivos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Rosemeire Garófolo

    Boa tarde! O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) com pensamentos intrusivos pode ser intenso, porque coloca a pessoa em uma luta constante contra a própria mente — tentando controlar, neutralizar ou apagar ideias que surgem de forma involuntária e angustiante.

    Mas é importante saber: pensamentos intrusivos não definem quem você é, e sim o quanto sua mente está tentando lidar com a ansiedade.

    O prognóstico do TOC varia conforme alguns fatores — intensidade dos sintomas, tempo de duração e presença de apoio terapêutico e medicamentoso.
    De forma geral, quando tratado com psicoterapia, associada à compreensão profunda das origens emocionais e inconscientes do controle e da culpa, os resultados podem ser muito positivos.

    Com o tempo, a pessoa aprende a reconhecer os pensamentos como eventos mentais, e não como ameaças reais. O que antes era medo passa a ser compreendido como expressão de um funcionamento psíquico que pode ser reeducado. Não é um processo rápido, mas é um processo possível — e profundamente transformador. A recuperação não é “parar de pensar”, e sim viver em paz mesmo quando os pensamentos vêm. Recuperar-se do TOC não é silenciar a mente — é aprender a escutá-la com mais compaixão, até que ela mesma encontre sossego. Espero ter ajudado. Abraço!


  • Quais são os exemplos de comorbidades psiquiátricas que afetam o prognóstico psiquiátrico do Transto

    Quais são os exemplos de comorbidades psiquiátricas que afetam o prognóstico psiquiátrico do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Rosemeire Garófolo

    O Transtorno de Personalidade Borderline raramente caminha sozinho.
    Muitas vezes, ele se manifesta junto de outras condições que podem intensificar o sofrimento emocional e influenciar o processo terapêutico. As comorbidades mais comuns incluem:

    Transtornos de humor, como depressão maior e transtorno bipolar.

    Transtornos de ansiedade, especialmente o transtorno de pânico e o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).

    Abuso de substâncias (álcool, medicações, drogas), geralmente como tentativa de aliviar a dor psíquica.

    Transtornos alimentares, como bulimia e compulsão alimentar.

    Transtornos dissociativos, que surgem como defesa diante de traumas emocionais intensos.

    Essas combinações tornam o quadro mais complexo, mas não sem esperança.
    Quando a abordagem é integrativa — unindo psicoterapia profunda, psicoeducação e, quando necessário, acompanhamento psiquiátrico —, o prognóstico pode melhorar significativamente.

    No fundo, o que transforma o percurso é o mesmo princípio que sustenta todo processo terapêutico: a construção de vínculo, consciência e regulação emocional.
    Com tempo, presença e acolhimento, o que parecia caos pode, pouco a pouco, se tornar caminho. Mesmo quando o sofrimento parece intenso demais, existe um ponto de encontro possível entre dor e reconstrução — e é nesse espaço que o processo terapêutico floresce. Espero ter ajudado! Forte abraço!


  • Por que os relacionamentos com pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) são tão inte

    Por que os relacionamentos com pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) são tão intensos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Rosemeire Garófolo

    Olá, boa tarde! Obrigada por sua pergunta! Vamos lá: Porque quem vive o TPB sente tudo de forma amplificada. As emoções mudam rapidamente e o medo de abandono é profundo. Isso faz com que as relações sejam vividas com muita paixão, mas também com dor. Não é “drama” — é uma forma de sentir o mundo sem filtro. Por isso, compreender e estabelecer limites com empatia é essencial, tanto para quem tem o transtorno quanto para quem se relaciona com essa pessoa. Espero ter ajudado. Abraço!


  • O que desencadeia as crises em relacionamentos no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    O que desencadeia as crises em relacionamentos no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Rosemeire Garófolo

    Boa noite! Obrigada por sua pergunta! Geralmente, as crises acontecem quando a pessoa com TPB sente, ou imagina, que será rejeitada, ignorada ou abandonada. Pequenos gestos, silêncios ou mudanças de rotina podem ser interpretados como sinais de perda. Isso ativa emoções muito intensas, que vêm acompanhadas de medo, raiva ou desespero.
    Por trás da crise, existe uma dor real: o medo de não ser amado. E o acolhimento, sem perder os limites, é o caminho mais saudável para lidar com essas situações.


  • Como a pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) lida com a imagem de si mesma nos rel

    Como a pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) lida com a imagem de si mesma nos relacionamentos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Rosemeire Garófolo

    A autoimagem no TPB costuma ser instável. A pessoa pode se ver, em um momento, como alguém incrível e, no instante seguinte, sentir-se totalmente inadequada ou indigna de amor. Essa oscilação reflete o medo profundo de rejeição e a dificuldade em manter uma identidade estável.
    Nos relacionamentos, isso pode gerar dependência emocional ou tentativas de se moldar ao outro para não ser abandonada.
    Por isso, vínculos seguros e apoio terapêutico são fundamentais para que ela possa se reconhecer com mais constância e gentileza. Forte abraço!


  • Como posso lidar com a hipocondria e a sensibilidade sensorial ?

    Como posso lidar com a hipocondria e a sensibilidade sensorial ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Rosemeire Garófolo

    1. Nomear é o primeiro passo : Saber que o que você sente tem nome já traz alívio. Não é "frescura", nem "drama". É uma forma diferente que o seu corpo e mente encontraram de reagir ao mundo. 2. Acalmar o sistema nervoso: Tanto no TAD quanto no TPS, o sistema nervoso fica hiperativo. Então o foco é ensinar o corpo a se sentir seguro: Respiração profunda e consciente; Técnicas de relaxamento corporal (como mindfulness ou escaneamento corporal); Ambiente calmo e com poucos estímulos sensoriais. 3. Terapia é o caminho mais seguro. A psicoterapia ajuda a reconhecer os gatilhos da ansiedade e dos estímulos sensoriais, separar sensação de interpretação (ex: perceber uma dor sem pensar que é uma doença grave) e regular as emoções e construir um repertório de enfrentamento. 4. Organização sensorial no dia a dia. Pra quem tem TPS, ajustar o ambiente ajuda muito: Evitar lugares muito barulhentos ou cheios, roupas confortáveis, sem etiquetas incômodas, criar “zonas de alívio” — cantinhos tranquilos pra acalmar o corpo. 5. Fale sobre o que sente, guardar tudo só piora a tensão. Falar com alguém de confiança (um terapeuta, familiar ou amigo que escuta sem julgar) alivia e organiza as emoções. Fazer um diário de sensações e pensamentos pode ajudar muito. Escrever te ajuda a perceber padrões, como: "Sempre que fico em lugar barulhento, tenho mais medo de estar doente" ou "Quando estou muito ansiosa, tudo me incomoda mais". E o mais importante: tenha paciência com você Você não está “quebrando”, não está errado. Está vivendo um processo de autorregulação, e isso leva tempo, mas acontece. Forte abraço!


  • Qual a relação entre Transtorno de Ansiedade por Doença (TAD e Transtorno de Processamento Sensorial

    Qual a relação entre Transtorno de Ansiedade por Doença (TAD e Transtorno de Processamento Sensorial (TPS) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Rosemeire Garófolo

    Boa tarde! Obrigada pela sua pergunta! Vamos lá: O TAD é quando a pessoa se preocupa demais com a saúde, achando que tem ou vai ter alguma doença, mesmo sem motivos reais. Já o TPS é quando o cérebro sente os estímulos do corpo e do ambiente de forma exagerada — sons, toques, cheiros, dores... Onde eles se conectaM? Quem tem TPS sente o corpo de forma intensa (tipo um barulho no coração, um formigamento, uma coceira). E isso pode ativar a ansiedade, fazendo a pessoa pensar que tem algo muito errado acontecendo (TAD). Ou seja: uma sensação pequena pode virar um medo gigante. Essa combinação é comum em adolescentes que vivem dizendo “tô com dor”, “acho que tô doente”, mas os exames não mostram nada. Não é invenção — é o corpo e a mente reagindo de forma diferente. Com cuidado, acolhimento e, se for o caso, acompanhamento profissional, dá pra ajudar esse jovem a viver com mais tranquilidade. Anraço!


  • Como a neuroplasticidade representa a oportunidade para desenvolver nosso cérebro por meio da aprend

    Como a neuroplasticidade representa a oportunidade para desenvolver nosso cérebro por meio da aprendizagem?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Rosemeire Garófolo

    Olá, boa noite! Muito obrigada pela sua pergunta. Vou criar uma metáfora para ficar mais simples entender: A neuroplasticidade é como um jardim vivo dentro de nós, é a capacidade do nosso cérebro de criar novos caminhos, aprender, transformar hábitos e cultivar habilidades ao longo da vida. Quando somos mais jovens, esse jardim floresce com mais rapidez, como se a terra fosse mais fértil. Com o passar dos anos, o solo pode se tornar um pouco mais duro, e as sementes demoram mais a brotar. Mas o jardim nunca deixa de existir. Mesmo com o tempo, podemos plantar novas ideias, desenvolver talentos e aprender coisas novas — apenas precisamos de mais cuidado, dedicação e intenção para que essas sementes cresçam. A neuroplasticidade nos lembra que o cérebro não é uma estrutura fixa, mas um espaço vivo, sempre aberto a transformações, desde que estejamos dispostos a nutrir esse processo. Forte abraço!


  • Sou completamente apaixonado pela minha psi bem antes de iniciar a terapia com ela. Já trocamos olha

    Sou completamente apaixonado pela minha psi bem antes de iniciar a terapia com ela. Já trocamos olhares e até ficamos desconcertados perto um do outro algumas vezes antes da terapia. Chamei ela pra ser minha psicóloga pra eu não deixar de ver ela e já estava a procura de uma mesmo e chamei ela. Já chorei várias vezes por não saber o que fazer. Já tem 2 anos e o sentimento não mudou e sofro por não saber o que fazer. Seria necessário eu falar com ela sobre isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Rosemeire Garófolo

    É mais comum do que você imagina se apaixonar pelo(a) psicólogo(a). Isso acontece porque a terapia é um espaço seguro, de acolhimento e escuta profunda. É natural que sentimentos intensos surjam, já que você se sente compreendido e aceito — algo raro em muitos relacionamentos fora do consultório. Mas olha, é importante diferenciar o que é sentimento real e o que é transferência (um fenômeno psicológico comum na terapia, em que projetamos sentimentos de afeto, admiração ou amor na figura do terapeuta). Não tem nada de errado sentir isso, mas o jeito como você lida com esses sentimentos pode mudar tudo. Falar sobre isso na terapia pode ser muito valioso. Abrir o jogo com sua psicóloga pode ajudar vocês dois a entender o que está acontecendo e transformar essa experiência em algo que te fortaleça, em vez de te fazer sofrer. Profissionais são preparados para lidar com esse tipo de situação com ética e sensibilidade. Segurar esse peso sozinho só aumenta a angústia. Levar o assunto para a terapia não significa "declarar amor", mas sim cuidar de você, para entender de onde vem essa paixão e como ela pode ser trabalhada de um jeito saudável. Vai sem medo! Abraço!


  • Perdi um ente querido faz 4 meses, tem dias que as emoções estão muito afloradas, muito choro, senti

    Perdi um ente querido faz 4 meses, tem dias que as emoções estão muito afloradas, muito choro, sentimentos diversos como angústia, tristeza, melancolia, vazio profundo, culpa, raiva, muitos sentimentos misturados e no momento que escrevo me sinto entorpecido, anestesiado, sinto que uma barreira não deixa as emoções aflorarem. Coisas muito diversas ao mesmo tempo acontecendo.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Rosemeire Garófolo

    Perder alguém que amamos mexe com todas as partes da nossa vida. Quatro meses ainda é pouco tempo, e é natural que o luto venha em ondas — às vezes com uma intensidade enorme, e em outras com uma sensação de anestesia, como se as emoções ficassem presas. O luto não é uma linha reta. Ele pode trazer tristeza, raiva, culpa, vazio e até momentos em que parece que não sentimos nada. Tudo isso faz parte do processo de adaptação à ausência e é uma forma do nosso corpo e mente tentarem lidar com algo tão grande.
    O que pode ajudar:
    Permitir sentir – Não tente se forçar a "estar bem" o tempo todo. Deixe as lágrimas virem quando precisarem, e aceite os momentos de anestesia como pausas naturais do corpo.
    Falar sobre isso – Compartilhar com alguém de confiança ou um profissional ajuda a aliviar o peso. Colocar em palavras o que sente pode dar mais clareza ao que está acontecendo dentro de você.
    Criar rituais de conexão – Às vezes, escrever uma carta para a pessoa que se foi, acender uma vela ou criar um momento simbólico de lembrança ajuda a elaborar a perda.
    Cuidar do básico – Sono, alimentação e rotina fazem diferença. Quando estamos de luto, é fácil descuidar dessas áreas, mas elas sustentam o emocional.
    Buscar ajuda profissional – Um psicólogo pode ajudar a dar sentido a esses sentimentos misturados e te guiar nesse processo sem que você se sinta sobrecarregado sozinho. Forte abrao!

    Se sentir que a dor está insuportável ou que os sintomas estão muito intensos por muito tempo, procurar ajuda profissional não é sinal de fraqueza — é uma forma de cuidado consigo mesmo.


  • Olá, tenho um relacionamento há 4 anos e minha parceira não toca na minha região íntima, toca em out

    Olá, tenho um relacionamento há 4 anos e minha parceira não toca na minha região íntima, toca em outras regiões, mas não toca na minha região íntima, parece não ter interesse por essa parte do meu corpo, isso é comum?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Rosemeire Garófolo

    Oi! Obrigada por compartilhar algo tão íntimo e importante.

    Não, não é tão comum que, em um relacionamento afetivo e sexual, uma das partes nunca toque na região íntima da outra — especialmente se isso te faz falta ou causa estranhamento. Mas sabe o que é mais importante aqui? É entender o que isso significa pra vocês dois.

    Você já conseguiu conversar com sua parceira sobre isso? Já compartilhou como se sente com esse comportamento? Às vezes, o que parece desinteresse pode estar relacionado a inseguranças, crenças pessoais, experiências passadas ou até à forma como cada um expressa o afeto e o desejo.

    Ficar só tentando adivinhar pode gerar mais desconexão. O caminho mais saudável é o diálogo — com cuidado, escuta e sinceridade.

    Relacionamento sem conversa sobre o que é importante pra gente vira um campo de suposição. E isso cansa, né?

    Se sentir que a conversa não está sendo suficiente, buscar a ajuda de um profissional pode ser uma ótima ideia pra vocês entenderem juntos o que está acontecendo.

    Seu incômodo é legítimo. E sim, ele merece atenção.


  • eu queria saber pq eu tenho baixa vontade e libido para questões sexuais com outro pessoa ou até mes

    eu queria saber pq eu tenho baixa vontade e libido para questões sexuais com outro pessoa ou até mesmo não sinto vontade ou necessidade sexual, mas sinto tesão e vontade apenas me masturbando?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Rosemeire Garófolo

    Essa é uma pergunta muito importante e que merece ser olhada com cuidado. Para compreendê-la de forma mais profunda, o ideal seria passar por um processo terapêutico, que permita investigar o que pode estar na base desse comportamento.

    Uma hipótese possível é que exista alguma dificuldade em estabelecer vínculo, contato ou conexão emocional com outra pessoa. Diferente da masturbação, a vivência sexual com alguém envolve exposição, troca e entrega — aspectos que podem despertar medos como o de ser avaliado, a pressão por desempenho ou até o receio de rejeição. Tudo isso pode gerar tensão e interferir diretamente no desejo sexual a dois.

    A masturbação, por outro lado, acontece em um ambiente de segurança, controle e ausência de julgamento — o que pode explicar o maior conforto e prazer nessa forma de expressão sexual.

    Buscar apoio profissional pode ser um caminho importante para se conhecer melhor, acolher suas vivências e compreender com mais profundidade o que está acontecendo com você. Espero ter ajudado! Forte abraço!


  • Como o juízo crítico se relaciona com a saúde mental?

    Como o juízo crítico se relaciona com a saúde mental?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Rosemeire Garófolo

    Olá, boa tarde! O juízo crítico é como uma bússola interna — ele nos ajuda a refletir, avaliar situações, perceber riscos e tomar decisões com mais consciência. Quando está bem desenvolvido e equilibrado, nos protege de agir por impulso, de sermos levados cegamente por emoções ou por influências externas.

    Na saúde mental, o juízo crítico tem um papel importante: ele permite que a pessoa observe seus próprios pensamentos e comportamentos com uma certa distância, quase como se pudesse se ver “de fora”. Isso é essencial para reconhecer padrões que nos fazem mal e para abrir espaço para mudanças mais saudáveis.

    Por outro lado, quando o juízo crítico está comprometido — seja por questões emocionais, traumas, transtornos mentais ou momentos de grande sofrimento psíquico — a pessoa pode perder essa referência interna. Ela pode se tornar muito rígida consigo mesma, se maltratando ou, ao contrário, ter dificuldades para perceber consequências de suas ações.

    Cuidar da saúde mental é também fortalecer esse olhar interno, mais consciente, gentil e realista. É encontrar o ponto de equilíbrio entre a crítica que ajuda a crescer e o acolhimento que nos permite seguir em frente, difedrenciando quando essa força está rígida e disfuncional. Educar nosso juizo crítico também faz parte de um bom processo terapêutico! Forte abraço!


  • Olá, tenho TOC com pensamentos repugnantes. Estudei bastante o TOC pela ótica da TCC, e ela sempre m

    Olá, tenho TOC com pensamentos repugnantes. Estudei bastante o TOC pela ótica da TCC, e ela sempre me ajudou muito com meus conflitos. No entanto, comecei a estudar a teoria do TOC pela psicanálise (neurose obsessiva). A maioria dos psicanalistas que acompanho aborda os pensamentos intrusivos como manifestações de desejos inconscientes reprimidos que emergem à consciência. Em outras palavras, seria um processo de substituição: como o desejo reprimido é considerado imoral, ele é recalcado e depois retorna de forma distorcida como pensamento intrusivo. No entanto, achei essa explicação superficial e até desesperadora — dizer que aquilo que você mais repudia é, na verdade, um desejo inconsciente. Será que esses pensamentos não poderiam surgir de medos, traumas ou mecanismos que não envolvem, necessariamente, o desejo? Alguém poderia, por gentileza, me orientar sobre isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Rosemeire Garófolo

    Oilá, boa tarde! Que bom que você trouxe essa pergunta. Primeiro, gostaria de lhe dizer: pensamentos intrusivos repugnantes são assustadores, sim, mas não dizem nada sobre “quem você é” ou o que você realmente deseja. É importante que tenha isso de forma clara!

    A TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental) entende os pensamentos intrusivos como eventos mentais involuntários, muitas vezes resultado de hiperfoco, interpretações catastróficas ou tentativas de neutralização. Em outras palavras: o sofrimento não vem do pensamento em si, mas da forma como você reage a ele. E sim, ela tem ferramentas muito eficazes para lidar com isso. Além do mais, não precisamos desconsiderar a TCC para considerar a Psicanálise.

    Já na psicanálise clássica, principalmente na teoria freudiana da neurose obsessiva, os pensamentos intrusivos podem ser vistos como expressões simbólicas de desejos inconscientes reprimidos — o famoso “retorno do recalcado”. Mas calma: essa visão não significa que você “quer aquilo que pensa”. O desejo inconsciente não é literal, e essa linguagem simbólica precisa ser compreendida dentro do conjunto da história do sujeito.

    No entanto, sua crítica é válida: muitas vezes essa explicação psicanalítica parece desconectada da experiência vivida, especialmente quando não é transmitida com o cuidado necessário. Reduzir tudo ao desejo pode sim parecer superficial e desesperador, especialmente quando o pensamento intrusivo fere a ética pessoal do sujeito.

    Outras correntes dentro da psicanálise — como a psicanálise relacional ou intersubjetiva — consideram também fatores como medo, trauma, história relacional e organização psíquica, indo além do binarismo “desejo vs. repressão”.

    Ou seja: sim, é possível pensar os pensamentos intrusivos como resultado de medos profundos, vivências traumáticas, inseguranças existenciais, e não só como distorções de desejos inconscientes. Isso não contradiz a psicanálise — só mostra que ela é diversa e complexa, assim como o TOC também é.

    Pois é... quando olhamos pela lente do trauma, essa interpretação ganha outra camada. Na abordagem informada sobre trauma, esses pensamentos podem ser vistos como reações de um sistema nervoso sobrecarregado. Um sistema que, por ter vivido situações de medo, vergonha, humilhação ou negligência, fica em estado de hiperalerta e tenta, de forma caótica, manter a pessoa segura — mesmo que isso gere sofrimento., ou ainda uma tentativa de fazer descarga pelos pensamentos de toda a tenão represada pelo trauma ainda não processado.

    Ou seja: o pensamento intrusivo pode ser uma tentativa (distorcida, sim, mas real) do érebro de se proteger, antecipar ameaças ou descarregar energias da reprimidas pelas experiências traumáticas

    O pensamento não nasce do desejo, mas do medo. E, muitas vezes, do medo de repetir algo vivido — ou de ser ferido de novo. Essa abordagem considera que sintomas como TOC, ansiedade extrema ou culpa obsessiva são, muitas vezes, manifestações de histórias que o corpo ainda guarda. Experiências que não foram simbolizadas, mas que continuam atuando.

    O mais importante: nenhum pensamento intrusivo define você. Buscar autocompreensão em um processo terapeutico numa abordagem que faça sentido para você pode te ajudar a construir um sentido mais cuidadoso, profundo e compassivo sobre o que você sente. Forte abraço!


  • Quais são as fases do Desenvolvimento Infantil ? .

    Quais são as fases do Desenvolvimento Infantil ? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Rosemeire Garófolo

    Boa tarde! O desenvolvimento infantil acontece como o desabrochar de uma árvore, etapa por etapa, no tempo de cada criança, com raízes que se aprofundam e galhos que se estendem em direção ao mundo. Costumamos dividir esse processo em fases que ajudam a compreender melhor os movimentos da infância: Primeira infância (0 a 2 anos): É o tempo do corpo e do vínculo. A criança explora o mundo com os sentidos, forma laços afetivos e começa a perceber que é um ser separado do outro. É como quando a semente rompe a terra pela primeira vez, buscando luz. Segunda infância (2 a 6 anos): Surge a linguagem, a imaginação ganha força e o “não” aparece como forma de construção do “eu”. A criança experimenta o mundo simbólico, faz perguntas e testa limites. É uma fase de crescimento intenso; folhas se abrindo ao vento da descoberta. Terceira infância (7 a 12 anos): Aqui, a criança já começa a compreender regras, cooperação, responsabilidades. O grupo se torna importante, assim como a percepção do certo e errado. É um tempo de estruturação mais sólida, como o caule que sustenta e organiza a planta.
    Cada fase traz suas necessidades, dores e conquistas. E, mesmo ao crescer, as raízes da infância continuam vivas dentro de nós, pedindo cuidado, presença e escuta.
    As experiências infantis nos marcarão profundamente e nos munirão das habilidades necessárias para sermos adultos funcionais para nos mesmos e para a sociedade, se tivermos um ambiente seguro e acolhedor. O contrario também acontece - infelizmente é o que tem acontecido mais - ambiente inseguro, com acontecimentos traumáticos gera adulto infeliz, disfuncional, com poucas ou nenhuma habiidade para gerencia a própria vida e é daí que sai a maioria das queixas que vemos hoje. Se você tem uma pequena semente em casa, cuide dela com todo o amor, para que surja uma bela árvore. Forte abraço!


  • Como os preconceitos sociais afetam a inclusão de pessoas com deficiência intelectual?

    Como os preconceitos sociais afetam a inclusão de pessoas com deficiência intelectual?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Rosemeire Garófolo

    Boa tarde! Vivemos em uma sociedade que muitas vezes enxerga com os olhos, mas não sabe sentir com o coração. Os preconceitos sociais funcionam como muros invisíveis que se erguem ao redor das pessoas com deficiência intelectual — não porque lhes falte algo, mas porque insistimos em medir o valor humano por padrões rígidos e limitados.

    Esses preconceitos silenciam vozes, restringem oportunidades e alimentam a ideia de que a diferença é sinônimo de incapacidade. Isso fere não só quem é excluído, mas também toda a coletividade, que perde a chance de se tornar mais sensível, diversa e humana.

    Quando olhamos com mais profundidade, percebemos que a inclusão verdadeira não é só sobre acesso, mas sobre pertencimento. É reconhecer que cada pessoa carrega uma luz única — e que o mundo precisa de todas elas acesas. Forte abraço!


  • Sinto que procrastino demais, até para coisas que gosto de fazsr, mesmo que eu não queira. Isso tá

    Sinto que procrastino demais, até para coisas que gosto de fazsr, mesmo que eu não queira.
    Isso tá me atrapalhando bastante, principalmente porque deixo de fazer as coisas que preciso fazer e “deixo para depois”. Mesmo que eu quero parar eu não consigo. Faço tudo na ultima hora ou nem faço. Qual a melhor orientação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Rosemeire Garófolo

    Bom dia! Obriga pela sua pergunta!
    A procrastinação acontece porque em alguma medida estamos com desregulação emocional e possivelmente está ligado a um estado emocional perturbador do nosso sitema nervoso, como baixa estima por exemplo ou sensação de desamparo. Seria importante fazer psicoterapia para investigar as causas e buscar meios de tratar a raíz do problema. O que você pode fazer para amenizar o problema é buscar um estado de presença nessas tarefas, se concentrando no aqui e agora, repetindo mentlmente: "está tudo bem comigo e eu posso fazer essa tarefa". A atenção na respiração tabém irá ajudar, buscando uma respiração mais lenta e mais prolongada regula o sistema nervoso, que é quem comanda nosos estados emocionais. Espero ter ajudado! Um abraço!


  • É possível tratar a ansiedade social em pessoas com problemas de cognição ou baixa velocidade de rac

    É possível tratar a ansiedade social em pessoas com problemas de cognição ou baixa velocidade de raciocínio?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Rosemeire Garófolo

    Bom dia! Sim, é possível. O tratamento da ansiedade pode ser feito com treino de novas habilidades e técnicas que não envolvem raciocínio e cognição.


  • É possível desenvolver transtorno de estresse pós-traumático em decorrência de bullying e ambientes

    É possível desenvolver transtorno de estresse pós-traumático em decorrência de bullying e ambientes inóspitos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Rosemeire Garófolo

    Bom dia! O transtorno de estresse pós traumático (TEPT) ocorre quando a pessoa passa por um evento extremamente assustador com alto risco de morte ou quando ela presencia risco na vida a outros. Eventos esses que ela não tem capacidade de enfrentar, causando medo e angustia intensa. São exemplos: acidentes, guerras, desastres naturais, sequestros, entre outros. O bullying também se configura um trauma, mas não TEPT, trata-se de Trauma de Relacionamento. Se acontecer na infância ou adolescência é denominado Trauma de Desenvolvimento e pode levar a muitos sintomas disfuncionais, causando medo, insegurança, auto imagem distorcida e dificuldades para se relacionar, amoroso e socialmente, entre outros. Além disso, o tratamento tende a ser mais demorado que no TEPT, principalmente se ocorreu na infância. Pode ser tratado com psicoterapia ou psicoterapia mais a psiquiatria. Espero ter ajudado! Forte abraço!


  • Tenho notado ultimamente que meu humor muda em um horário específico do dia. Meu rosto "enrijesse",

    Tenho notado ultimamente que meu humor muda em um horário específico do dia. Meu rosto "enrijesse", tenho dificuldade de abrir a boca para conversar e sorrir. Tenho dificuldade em procurar ajuda, não aceito que eu possa estar com algum problema físico ou mental, o que eu posso fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Rosemeire Garófolo

    Bom dia! Possivelmente algum gatilho está desencadeando esses estados de estresse, pode ser até mesmo o próprio horário em que acontece. Normalmente esses sintomas são orquestrados pelo Sistema Nervo Autônomo (SNA), do qual não temos controle. Seu corpo está te sinalizando que algo não está bem e seria importante buscar ajuda psicológica para entender. Nesses momento o que pode fazer e levar sua atenção para sua respiração e ir prolongando a para informar seu SNA que está tudo bem, pode repetir mentalmente que está tudo bem e que você está seguro. Porém, isso seria uma técnica para conter a crise, o importante seria uma ajuda profissional para investigar e tratar. Forte abraço!


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