Perguntas do paciente (5)

  • Estou passando por um casamento muito desgastado emocionalmente e gostaria de uma orientação do pont

    Estou passando por um casamento muito desgastado emocionalmente e gostaria de uma orientação do ponto de vista da psicanálise.

    Estou em um relacionamento em que há muitos conflitos, ofensas e perda de respeito mútuo. As brigas são frequentes e muitas vezes acontecem na frente dos nossos filhos. Já não existe mais convivência afetiva entre nós: não dormimos mais juntos e o carinho praticamente desapareceu.

    Sinto que, ao longo do relacionamento, houve um acúmulo de mágoas e quebra de confiança. Antes do casamento, minha esposa teve comportamentos que me geraram muita insegurança e desconfiança, o que fez com que eu entrasse no casamento já com o respeito e a admiração bastante abalados. Com o tempo, apesar de tentativas de reconstrução, o relacionamento foi se desgastando ainda mais.

    Hoje percebo um ciclo constante de conflito: eu reconheço meus erros e tento assumir responsabilidade pelas minhas atitudes durante as brigas, mas sinto que minha esposa não reconhece a própria participação nos problemas, o que me gera frustração e sensação de impotência. Isso acaba intensificando os conflitos entre nós.

    Também percebo em mim um grande desgaste emocional, sentimentos de baixa autoestima, medo de ficar sozinho e dúvida constante sobre se devo continuar tentando ou me afastar. Ao mesmo tempo, amo muito meus filhos e tenho muito medo de prejudicar a convivência com eles caso haja separação.

    Gostaria de entender, sob uma perspectiva psicanalítica, como esses padrões emocionais e relacionais podem estar se repetindo na minha vida e de que forma um processo terapêutico poderia me ajudar a compreender melhor minhas escolhas, meus vínculos afetivos e minha dificuldade em lidar com essa situação.

    Também gostaria de saber como a psicanálise enxerga situações em que há perda de respeito e repetição de conflitos dentro do casal, e quando isso pode indicar um limite emocional para a continuidade da relação.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Rosimeiry  Leandro

    Percebo que você está vivendo um sofrimento importante. O que mais chama a atenção no seu relato não é apenas a existência dos conflitos, mas a sensação de que eles se tornaram um padrão repetitivo, no qual ambos parecem ocupar posições que acabam alimentando novas brigas. Isso produz desgaste, perda de confiança, diminuição da intimidade e um sentimento crescente de desesperança.

    Na perspectiva psicanalítica, costumamos compreender que os relacionamentos afetivos não são construídos apenas pelo que acontece entre duas pessoas no presente. Cada parceiro chega ao relacionamento trazendo sua história emocional, suas experiências de amor, abandono, confiança, rejeição e suas formas inconscientes de se vincular.

    Quando você relata que entrou no casamento já carregando insegurança, desconfiança e uma perda de admiração, isso pode indicar que a relação começou com uma ferida emocional importante que talvez nunca tenha sido verdadeiramente elaborada. Feridas não elaboradas tendem a reaparecer repetidamente nos conflitos cotidianos.

    Também chama atenção sua fala sobre reconhecer seus próprios erros, mas sentir que sua esposa não reconhece os dela. Independentemente de como os fatos ocorreram, essa percepção produz em você uma vivência de solidão emocional e impotência, como se todo o esforço de mudança dependesse apenas de um dos lados. Essa sensação merece ser compreendida mais profundamente.

    Outro aspecto significativo é o medo intenso da separação. Muitas vezes, na clínica psicanalítica, percebemos que permanecer em um relacionamento extremamente doloroso nem sempre está relacionado apenas ao amor pelo parceiro. Pode envolver medos muito profundos, como o medo do abandono, da solidão, do fracasso, da culpa ou da perda da convivência com os filhos. Esses sentimentos precisam ser investigados para que você consiga distinguir aquilo que pertence à realidade atual daquilo que pode estar relacionado à sua história emocional.

    Também é importante refletirmos sobre seus filhos. As crianças não sofrem apenas com uma eventual separação; elas também são impactadas pela convivência contínua em um ambiente marcado por agressões, desrespeito e tensão. Isso não significa que a separação seja necessariamente a melhor solução, mas mostra que preservar o vínculo conjugal a qualquer custo nem sempre significa preservar o bem-estar familiar.

    A psicanálise não estabelece um momento exato em que alguém deve terminar uma relação. Essa decisão pertence ao sujeito. Porém, ela ajuda a identificar quando o vínculo passou a produzir sofrimento constante, quando o diálogo se tornou praticamente impossível, quando o respeito foi substituído por ataques frequentes e quando ambos perderam a capacidade de reconhecer a subjetividade do outro. Nesses casos, é importante investigar se ainda existe espaço psíquico para reconstrução ou se a manutenção da relação está sendo sustentada principalmente pelo medo.

    O processo terapêutico pode ajudá-lo a compreender por que determinadas escolhas afetivas se repetem, quais necessidades emocionais você busca satisfazer nesse relacionamento, como sua autoestima foi sendo afetada e quais recursos internos podem ser fortalecidos para que suas decisões deixem de ser movidas apenas pela culpa ou pelo medo.


  • É normal não estar triste e nem feliz? Estou preocupada com minha neutralidade, só cumpro as obrigaç

    É normal não estar triste e nem feliz? Estou preocupada com minha neutralidade, só cumpro as obrigações com meus filhos e não quero mais nada.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Rosimeiry  Leandro

    O que você descreve merece ser escutado com atenção. Na psicanálise, mais do que perguntar se isso é "normal" ou "anormal", buscamos compreender o que essa neutralidade representa na sua história e na sua vida psíquica. Você diz que consegue cumprir suas obrigações com seus filhos, mas sente que não deseja mais nada além disso. Gostaria que observássemos juntas quando essa sensação começou, se ela veio após algum acontecimento específico e como você percebe isso dentro de você. Às vezes, a ausência de tristeza não significa necessariamente bem-estar, assim como a ausência de alegria pode ser uma forma de o psiquismo lidar com conflitos, perdas ou um grande desgaste emocional. Outro aspecto importante a ser considerado é a dimensão neurobiológica, uma vez que alterações no funcionamento cerebral também podem influenciar o embotamento afetivo e a redução da capacidade de experimentar prazer.

    Em qualquer circunstância, uma avaliação clínica mais aprofundada, preferencialmente realizada por uma equipe multiprofissional, é recomendada para compreender a origem e a extensão desses sintomas. Quando há anedonia intensa, desesperança, isolamento progressivo ou qualquer manifestação relacionada ao desejo de não viver, é fundamental que o caso seja acompanhado com atenção, por se tratar de sinais de possível risco. Nesses casos, a preservação da vida e o cuidado integral com o paciente devem ser sempre a prioridade.


  • Quanto tempo dura uma psicoterapia da área da psicanálise?

    Quanto tempo dura uma psicoterapia da área da psicanálise?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Rosimeiry  Leandro

    Na psicanálise, a pergunta não é 'quanto tempo vai durar?', mas 'quanto você está disposto a investir em si mesmo?'. O tempo da análise não é determinado por um número de sessões, porque cada história é única. O que determina o percurso é a profundidade das questões que serão trabalhadas e o compromisso com esse processo. Imagine uma árvore. Algumas pessoas querem apenas podar os galhos secos, e isso pode acontecer em poucos encontros. A psicanálise, porém, muitas vezes convida a olhar para as raízes. Cuidar das raízes exige dedicação, mas permite que a árvore floresça de maneira mais saudável e duradoura.


  • Como o Transtorno do Espectro Autista (TEA) afeta as habilidades sociais?

    Como o Transtorno do Espectro Autista (TEA) afeta as habilidades sociais?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Rosimeiry  Leandro

    As habilidades de comunicação e interação social constituem um dos principais domínios observáveis na avaliação diagnóstica do TEA, conforme os critérios do DSM-5-TR. No entanto, elas não são suficientes, isoladamente, para confirmar ou excluir o diagnóstico. Aspectos observáveis:

    Dificuldade em iniciar ou manter interações sociais recíprocas.
    Contato visual reduzido, excessivo ou pouco funcional ao contexto.
    Uso limitado ou atípico de gestos e expressões faciais.
    Dificuldade em compreender pistas sociais, ironias, metáforas ou intenções implícitas.
    Pouca reciprocidade socioemocional durante a conversa.
    Dificuldade para desenvolver e manter amizades compatíveis com a idade.
    Preferência por interações estruturadas ou centradas em interesses específicos.Hoje compreende-se que as dificuldades sociais no TEA não representam uma incapacidade de se relacionar, mas uma diferença no modo de perceber e interpretar o mundo social. Quando o ambiente oferece apoio adequado e respeita as características individuais, muitas pessoas com TEA desenvolvem estratégias eficazes para estabelecer relações significativas, participar da vida escolar, profissional e familiar e exercer sua autonomia.

    O objetivo das intervenções não é fazer com que a pessoa "pareça neurotípica", mas ampliar suas possibilidades de comunicação, participação social e qualidade de vida, respeitando sua singularidade.


  • O que é a psicanálise e como ela pode ajudar as pessoas?

    O que é a psicanálise e como ela pode ajudar as pessoas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Rosimeiry  Leandro

    A psicanálise, fundada por Sigmund Freud, parte da ideia de que nem sempre somos senhores daquilo que pensamos, sentimos ou fazemos. Muitos dos nossos sofrimentos têm origem em conflitos inconscientes que se expressam por meio de sintomas, angústias, sonhos, lapsos de memória e repetições de padrões de vida. O objetivo da psicanálise não é oferecer conselhos ou soluções prontas, mas possibilitar que aquilo que permanece inconsciente possa ser simbolizado pela palavra. Ao transformar o sofrimento em algo que pode ser pensado, o sujeito deixa de ser conduzido apenas pela repetição e conquista maior liberdade diante da própria história. Como afirmou Freud: 'Onde o id estava, o ego deve advir.' A psicanálise é, portanto, um convite para que cada pessoa se torne autora de sua própria existência, em vez de apenas repetir aquilo que desconhece em si mesma."


Perguntas frequentes

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