Perguntas do paciente (4)

  • É possível termos sentimentos ou sensações que não queremos ter? Ontem eu estava acordando, ainda c

    É possível termos sentimentos ou sensações que não queremos ter?

    Ontem eu estava acordando, ainda com muito sono, em tinha aberto os olhos ainda, quando do nada me veio na cabeça um cara que um dia gostei e sorri. Assim que abri os olhos, pensei: “Ué, mas eu nem gosto mais dele. Essa pessoa me fez passar por coisas ruins, então por que eu tive essa reação?”

    Passei o dia remoendo isso e me sentindo culpada, porque eu sei que não gosto mais dele e não quero voltar a ficar com ele. Mas aquele momento me fez questionar se uma reação espontânea pode significar alguma coisa.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Sérgio Rosa

    Essa reação não significa nada sobre o que você sente hoje. Ela significa apenas que você teve uma experiência no passado que deixou vestígios emocionais o que é humano, normal e inevitável.
    O que define a sua posição não foi o sorriso involuntário. Foi o que você fez depois que abriu os olhos: pensou, refletiu, reafirmou para si mesma que não gosta mais e não quer voltar. Esse é o movimento consciente, e ele é o que conta.
    Se essa culpa persistir ou se tornar recorrente, esse padrão de se julgar por ter sentimentos que não escolheu ter, vale prestar atenção.
    A dificuldade em tolerar a própria experiência interna, exigindo que ela seja "limpa" e "coerente" o tempo todo, pode ser um sinal de uma autocobrança mais ampla que merece espaço na terapia.
    Sentimentos involuntários não são escolhas. E você não precisa se justificar para ninguém inclusive para você mesma por tê-los tido.
    Forte abraço!


  • Tenho dificuldade de me priorizar metas pessoais e fazer o que gosto. Sou de família que me deixou u

    Tenho dificuldade de me priorizar metas pessoais e fazer o que gosto. Sou de família que me deixou um pouco de lado emocionalmente e acredito que isso me bloqueia de me priorizar mais, sinto que tenho que tirar força negativa de dentro de mim pra tentar me priorizar e tenho uma crença de que acho que seria muito egoísta da minha parte ao me colocar em primeiro lugar. Como se trabalha isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Sérgio Rosa

    Esse padrão tem nome: esquema de auto sacrifício associado a esquema de privação emocional. Quando você cresce sem ter suas necessidades emocionais atendidas, o cérebro aprende uma regra implícita: "meu lugar é cuidar, não ser cuidada." Acreditar que se priorizar é egoísmo não é um valor moral que você escolheu é uma estratégia de sobrevivência. Se ninguém olhou por você, você aprendeu a não olhar por si mesma, muitas vezes para não sentir a dor da ausência.
    A necessidade de "tirar força negativa" para se priorizar mostra que o autocuidado não está registrado no seu sistema como algo legítimo. Precisa de raiva, de força bruta, porque o afeto por você mesma nunca foi modelado.
    Isso não se resolve por esforço consciente. É reestruturação emocional, leva tempo, mas é perfeitamente tratável.
    Forte abraço!


  • Eu comecei a usar anticoncepcional e estou na pausa da minha terceira cartela, eu tenho tomado "cert

    Eu comecei a usar anticoncepcional e estou na pausa da minha terceira cartela, eu tenho tomado "certo" mas as vezes esqueço por 1 a 2 horas no MÁXIMO, além disso eu sempre uso camisinha do início ao fim e também faço coito interrompido, existe alguma chance mesmo assim de engravidar? Sou muito paranóica com isso e acho que as vezes acabo estragando o momento por pensar demais e ficar com medo

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Sérgio Rosa

    A chance é extremamente baixa, muito menor do que sua ansiedade sugere. Vamos aos fatos:
    Sobre os atrasos de 1–2 horas: para o anticoncepcional combinado, a janela de segurança é de até 12 horas de atraso. Ou seja, esquecer por 1–2 horas não compromete a proteção — você está tomando "certo" de verdade. (A regra mais rígida de 3 horas vale para pílulas de progestagênio isolado; confirme qual é a sua com o ginecologista.)
    Sobre a proteção combinada:
    Pílula tomada corretamente: 99% de eficácia
    Camisinha do início ao fim: 98% (uso perfeito)
    Coito interrompido: 96% (uso perfeito) e nesse cenário ele é praticamente redundante, uma terceira camada sobre duas que já funcionam.
    Quando você soma métodos, as chances de falha se multiplicam, não se somam. O risco residual de gravidez com essa combinação é estatisticamente desprezível menor que 1%. Não existe "zero absoluto" em nenhum método (nem laqueação tem 100%), mas você está muito acima do padrão de segurança que a maioria dos casais usa.
    Agora, a parte que é meu território: o que está estragando o momento não é o risco, é a hipervigilância. Sexo exige que o cérebro esteja em modo de rendição e prazer; ansiedade o coloca em modo de ameaça. Os dois são fisiologicamente incompatíveis.
    E há uma armadilha: a própria ansiedade produz sintomas físicos (náusea, sensibilidade nas mamas, atraso menstrual por estresse) que imitam gravidez, alimentando o ciclo do medo.
    O que ajuda:
    Horário fixo com alarme — elimina a variável "será que esqueci?"
    Uma regra de si mesma: sem testes de farmácia "preventivos" a cada ciclo — isso alimenta o ritual ansioso, não o resolve
    Se o medo persistir e atrapalhar o prazer com frequência, isso merece espaço na terapia é ansiedade específica, e é tratável
    Forte Abraço!


  • Tenho um relacionamento aberto com meu esposo e vem funcionando bem para ambos por alguns anos, poré

    Tenho um relacionamento aberto com meu esposo e vem funcionando bem para ambos por alguns anos, porém por vezes surgem dúvidas e dilemas que nos motivaram a querer fazer terapia de casal.
    Estou com receio de marcar com um profissional e não nos sentirmos acolhidos ou compreendidos em nossa dinâmica por sermos abertos.
    A pergunta é: em geral, os terapeutas de casal estão preparados pra acolher essa demanda, ou preciso procurar indicações de quem trabalhe especificamente com esse nicho?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Sérgio Rosa

    Sua preocupação é legítima e, infelizmente, bem fundamentada.
    A realidade do campo: estudos sobre formação de terapeutas mostram que a maioria não recebe treinamento específico sobre não monogamias consensuais, e uma parcela minoritária, porém relevante, carrega vieses morais sobre o tema. Boa vontade não substitui competência técnica: um terapeuta pode ser acolhedor e, ainda assim, não saber trabalhar ciúme, acordos e gestão de insegurança nesse contexto — ou, pior, tratar o formato aberto como a "causa" dos problemas.
    O que esperar de um terapeuta afirmativo:
    Trabalha os dilemas (ciúme, acordos, comunicação, expectativas) sem patologizar o formato
    Não parte da premissa de que o relacionamento precisa "voltar a ser fechado" para funcionar
    Não usa a dinâmica aberta como atalho explicativo para qualquer conflito que aparecer
    Sinais de alerta: julgamento sutil, tentativas de converter, assumir que a abertura é sintoma de imaturidade ou de fuga de compromisso.
    Recomendação prática: sim, vale buscar indicação de quem tenha experiência declarada com relacionamentos abertos e não monogamias consensuais, mas o filtro pode ser simples. No primeiro contato, pergunte diretamente: "Você tem experiência com casais em relacionamentos abertos?" A resposta revela muito:
    Um profissional preparado responde com naturalidade, descreve como trabalha e pode até perguntar sobre a dinâmica de vocês
    Um profissional despreparado hesita, moraliza ou faz perguntas com tom de interrogatório
    Um detalhe importante: o objetivo da terapia não é defender o formato é dar contorno aos dilemas que surgem dentro dele. Um bom terapeuta ajuda a transformar dúvidas em acordos claros, não em motivos de culpa.
    Forte abraço!


Perguntas frequentes

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