Perguntas do paciente (5)

  • Como lidar com crises de raiva no Transtorno de Déficit de Atenção” (TDAH) ?

    Como lidar com crises de raiva no Transtorno de Déficit de Atenção” (TDAH) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Suzi Engelke

    Ola, bom dia.
    De forma técnica os critérios se organizam assim:

    1. Presença persistente de sintomas de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade

    Segundo os manuais diagnósticos (DSM-5-TR / CID-11), é necessário que os sintomas estejam presentes por pelo menos 6 meses, em intensidade incompatível com o nível de desenvolvimento.

    Desatenção (exemplos):

    Dificuldade em manter foco em tarefas ou conversas

    Erros por descuido frequentes

    Parece não escutar quando se fala diretamente

    Dificuldade em organizar atividades e rotinas

    Evita tarefas que exigem esforço mental prolongado

    Esquecimentos frequentes no dia a dia

    Hiperatividade-impulsividade (exemplos):

    Agitação motora ou sensação interna de inquietude

    Dificuldade em permanecer sentado

    Fala excessiva

    Interrompe, responde antes da pergunta terminar

    Dificuldade em esperar a sua vez

    - Crianças: geralmente 6 ou mais sintomas
    - Adolescentes e adultos: 5 ou mais sintomas

    2. Início dos sintomas na infância

    Os sinais precisam ter aparecido antes dos 12 anos, mesmo que só tenham sido reconhecidos mais tarde. Às vezes, estavam ali como um sussurro ignorado: “desorganizado”, “avoado”, “não se esforça”.

    3. Presença dos sintomas em dois ou mais contextos

    O TDAH não mora em um único cenário. Ele aparece:

    Na escola ou no trabalho

    Em casa

    Nas relações sociais

    Se os sinais surgem apenas em um ambiente, é preciso investigar outras causas.

    4. Prejuízo funcional clinicamente significativo

    Não basta ter características; é preciso haver impacto real:

    Acadêmico

    Profissional

    Social

    Emocional

    O sofrimento e as dificuldades de desempenho são peças-chave desse quebra-cabeça.

    5. Exclusão de outras condições

    O diagnóstico exige cuidado para não confundir caminhos:

    Ansiedade

    Depressão

    Transtornos de aprendizagem

    Transtornos do humor

    Transtornos de personalidade

    Condições neurológicas ou uso de substâncias

    Às vezes, o que parece distração é medo; o que parece impulsividade é dor.

    6. Avaliação clínica ampla e criteriosa

    Não existe exame único que “prove” o TDAH. A confirmação vem da convergência de:

    Entrevista clínica detalhada

    Histórico de desenvolvimento

    Relatos familiares e escolares

    Escalas e questionários padronizados

    Avaliação neuropsicológica (quando indicada)

    7. Especificação do tipo

    Após a confirmação, define-se o perfil:
    -Predominantemente desatento
    - Predominantemente hiperativo-impulsivo
    - Apresentação combinada

    E também o grau de impacto: leve, moderado ou grave.

    Um olhar final
    Diagnosticar TDAH é reconhecer um modo singular de funcionamento cerebral — não uma falha moral, não falta de vontade, também não é preguiça. Quando bem identificado, o diagnóstico não aprisiona: ele organiza, acolhe e abre caminhos de cuidado.


  • Qual a diferença na instabilidade emocional entre Transtorno de Déficit de Atenção” (TDAH) e Transto

    Qual a diferença na instabilidade emocional entre Transtorno de Déficit de Atenção” (TDAH) e Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Suzi Engelke

    A instabilidade emocional existe nos dois quadros, sim — mas ela nasce de fontes diferentes, como dois incêndios acesos por faíscas distintas. O fogo parece o mesmo, mas a origem muda tudo.
    No TDAH: emoções que transbordam por falha de freio
    No TDAH, a instabilidade emocional está ligada, principalmente, a dificuldades nas funções executivas e na autorregulação neurobiológica.
    • As emoções surgem rápidas e intensas, mas passam relativamente rápido
    • Há dificuldade em modular a resposta emocional no momento
    • A reação costuma ser reativa ao ambiente (frustração, espera, tédio, sobrecarga)
    • Não há, em geral, uma crise profunda de identidade ou de vínculo
    • Depois da explosão, muitas vezes vem o arrependimento — e a emoção se dissipa
    É como um semáforo que demora a fechar: o carro passa rápido demais, mas segue adiante.

    No TPB: emoções que invadem e reorganizam o mundo interno
    No Transtorno de Personalidade Borderline, a instabilidade emocional é estrutural, atravessa a forma como a pessoa sente, se percebe e se vincula.
    • Emoções extremamente intensas, duradouras e avassaladoras
    • Mudanças de humor profundas, muitas vezes sem gatilhos externos claros
    • Forte medo de abandono como eixo central
    • Oscilações entre idealização e desvalorização do outro
    • Sensação crônica de vazio e instabilidade de identidade
    Aqui, não é só o semáforo: é a estrada que muda de mapa de repente.

    Diferenças essenciais, lado a lado
    Origem
    • TDAH: neurodesenvolvimento e autorregulação
    • TPB: padrão de personalidade e vínculos emocionais
    Duração da reação
    • TDAH: curta, episódica
    • TPB: prolongada, recorrente
    Gatilho
    • TDAH: frustração, sobrecarga, interrupção
    • TPB: rejeição real ou percebida, abandono, ameaça relacional
    Identidade
    • TDAH: preservada
    • TPB: instável
    Relações
    • TDAH: conflitos por impulsividade e desatenção
    • TPB: relações intensas, instáveis, com medo de perda

    Um cuidado clínico fundamental
    A desregulação emocional do TDAH não é transtorno de personalidade.
    E a intensidade emocional do TPB não é apenas impulsividade.
    Confundir esses quadros pode levar a tratamentos ineficazes — ou dolorosamente injustos.

    Quando entendemos de onde vem a emoção, paramos de pedir que a pessoa “controle” o que, na verdade, precisa ser compreendido, sustentado e ensinado.
    Algumas emoções precisam de freio. Outras, de colo.
    E a clínica sensível sabe reconhecer a diferença.


  • Pode haver comorbidade entre Transtorno de Déficit de Atenção” (TDAH) e Transtorno de Personalidade

    Pode haver comorbidade entre Transtorno de Déficit de Atenção” (TDAH) e Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Suzi Engelke

    Sim, pode.

    A ciência clínica reconhece, hoje, que TDAH e Transtorno de Personalidade Borderline podem coexistir, especialmente em adolescentes e adultos. Essa comorbidade é mais comum do que se imaginava há algumas décadas e exige um olhar cuidadoso, histórico e profundamente humano.

    Por que essa comorbidade acontece?

    1. Territórios compartilhados no cérebro
    Ambos envolvem dificuldades nos circuitos de:

    Controle inibitório

    Regulação emocional

    Processamento de recompensas

    No TDAH, isso nasce no neurodesenvolvimento.
    No TPB, emerge da interação entre vulnerabilidade emocional e experiências relacionais precoces.

    2. Impulsividade como ponto de encontro
    A impulsividade é uma marca forte nos dois quadros:

    No TDAH: impulsividade cognitiva e comportamental

    No TPB: impulsividade afetiva e relacional

    Quando coexistem, os impulsos podem ganhar mais intensidade e menos freios.

    3. Desregulação emocional persistente
    Pessoas com TDAH não tratado podem crescer ouvindo críticas, vivendo fracassos repetidos e internalizando dor. Esse terreno, quando combinado a vínculos inseguros, pode favorecer o desenvolvimento de padrões borderline ao longo da vida.

    O que a comorbidade costuma intensificar?

    Quando TDAH e TPB caminham juntos, é comum observar:

    Oscilações emocionais mais abruptas

    Relações interpessoais mais instáveis

    Maior risco de comportamentos auto lesivos ou de risco

    Sensação crônica de vazio e inadequação

    Dificuldades maiores de adesão a tratamentos

    Não porque a pessoa seja “difícil”, mas porque o sistema interno vive em constante sobrecarga.

    Implicações diagnósticas importantes

    Aqui mora um ponto crucial:
    Impulsividade e instabilidade emocional do TDAH podem simular TPB, e
    A intensidade emocional do TPB pode mascarar um TDAH de base.

    Por isso, o diagnóstico precisa:

    Ser longitudinal (olhar a história desde a infância)

    Diferenciar traços de personalidade de sintomas do neurodesenvolvimento

    Avaliar o padrão de identidade, vínculos e medo de abandono (núcleo do TPB)

    E no tratamento?

    Quando há comorbidade, o cuidado precisa ser integrado:

    Psicoeducação: entender os dois funcionamentos

    Tratamento do TDAH (quando indicado): organização, funções executivas, e às vezes medicação

    Psicoterapia estruturada: como a DBT, especialmente para TPB

    Trabalho com regulação emocional e vínculos

    Ritmo, previsibilidade e vínculo terapêutico seguro

    A comorbidade não define a pessoa — apenas explica por que viver, às vezes, dói mais. Quando nomeada com precisão, ela deixa de ser um labirinto sem mapa e se transforma em território possível de cuidado, escolha e reconstrução.


  • Quais são as semelhanças entre Transtorno de Déficit de Atenção” (TDAH) e Transtorno de Personalidad

    Quais são as semelhanças entre Transtorno de Déficit de Atenção” (TDAH) e Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Suzi Engelke

    Ola, bom dia.
    Algumas semelhanças costumam aparecer com frequência:

    1. Impulsividade como força que transborda
    Em ambos, o agir pode vir antes do pensar. Há decisões rápidas, falas precipitadas, respostas intensas. No TDAH, essa impulsividade nasce da dificuldade em frear o impulso; no TPB, ela costuma brotar da tempestade emocional. O gesto, porém, muitas vezes se parece.

    2. Dificuldades na regulação emocional
    As emoções chegam alto, rápidas, às vezes sem aviso. Mudanças de humor, frustrações que doem demais, reações que parecem desproporcionais ao contexto. No TDAH, isso se relaciona a falhas na modulação emocional; no TPB, à instabilidade afetiva profunda.

    3. Relações interpessoais turbulentas
    Conflitos, rupturas, sensação de não ser compreendido. Em ambos, há dificuldades em manter vínculos estáveis, seja pela desatenção, esquecimento ou impulsividade (TDAH), seja pelo medo intenso de abandono e pela oscilação entre idealização e desvalorização (TPB).

    4. Sensação crônica de inadequação
    Uma narrativa interna que sussurra: “há algo errado comigo”. Baixa autoestima, autocrítica severa e histórico de fracassos percebidos podem atravessar as duas condições, especialmente quando não houve acolhimento e compreensão ao longo do desenvolvimento.

    5. Dificuldade em manter objetivos e continuidade
    Projetos iniciados com entusiasmo e abandonados no meio do caminho. No TDAH, isso se liga à atenção sustentada e à função executiva; no TPB, às oscilações emocionais e identitárias. O resultado visível pode ser semelhante: instabilidade na trajetória.

    6. Comorbidades frequentes
    Ansiedade, depressão, abuso de substâncias e sofrimento psíquico intenso aparecem com frequência nos dois quadros, embaralhando ainda mais os sinais e exigindo um olhar clínico cuidadoso.

    Um cuidado essencial
    Apesar das semelhanças, a raiz é diferente. O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento; o TPB envolve padrões persistentes de funcionamento da personalidade e da vinculação emocional. Confundir um com o outro é como tratar febre sem buscar a infecção que a causa.

    Espero ter podido ajudar.
    Suzi Engelke - Psicóloga Clinica


  • Olá, tenho 20 anos, e quase todo dia tenho pensamentos obsessivos sobre algo que aconteceu de ruim n

    Olá, tenho 20 anos, e quase todo dia tenho pensamentos obsessivos sobre algo que aconteceu de ruim no passado, por exemplo, coisas erradas que fiz. Toda vez que isso acontece, eu tento suprimir falando comigo mesmo, fazendo algum gesto com as mãos, caretas... Um exemplo é: vem o pensamento 'X', isso me causa um grande desconforto (TODOS os pensamentos que vem me causam muito desconforto), e pra suprimir o X, eu falo "Cala a boca", ou aperto as mãos. São pensamentos aleatórios, literalmente cada vez pode ser um diferente, tem dias que isso dura o dia inteiro, um atrás do outro, tem dia que é pouco. Pesquisei bastante, e quase todos os sintomas se parecem com os de TOC, e que só piora se a pessoa continuar fazendo os rituais (percebi que piorou bastante da metade de 2025 pra cá). Oq devo fazer? Qual profissional devo procurar? Eu ignorava, mas agora tá ficando cansativo e insuportável.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Suzi Engelke

    Olá bom dia.
    Sim, os sintomas que você relata são do TOC.
    Os profissionais recomendados são da área da psiquiatria, para o uso de medicação e psicologia para Terapia Comportamental, para trabalhar os pensamentos disfuncionais e rituais.
    Fico a disposição.

    Suzi Engelke - Psicóloga Clinica


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