A cognição social pode ser desenvolvida em pessoas com autismo?

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A cognição social pode ser desenvolvida em pessoas com autismo?
Sim. A cognição social pode ser desenvolvida em pessoas com autismo por meio de intervenções estruturadas, como treinamento de habilidades sociais, terapias focadas em percepção emocional e programas educativos adaptados. Esses recursos ajudam a melhorar a compreensão de emoções, intenções e regras sociais, favorecendo interações mais eficazes.

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 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem? Essa é uma pergunta que aparece muito no consultório, e gosto de vê-la surgindo porque ela revela tanto curiosidade quanto esperança — duas forças que ajudam muito no processo terapêutico. Falar sobre cognição social no autismo exige cuidado, porque não estamos falando de “corrigir” alguém, e sim de ampliar formas de compreender e se conectar com o mundo, cada um dentro do próprio estilo.

A ciência mostra que sim, a cognição social pode ser desenvolvida em pessoas com autismo, mas talvez não da forma linear que muita gente imagina. Em vez de pensar como “aprender regras sociais”, é mais útil entender como um processo de experimentar, refletir e encontrar modos de interação que façam sentido para o jeito único de perceber as situações. O cérebro tem uma plasticidade interessante: com treino, experiências seguras e estratégias adequadas, ele pode criar caminhos alternativos para interpretar emoções, intenções e nuances sociais. E isso acontece no ritmo de cada pessoa, sem apagar a identidade autista. Como você percebe suas interações hoje? Há momentos em que sente que entende melhor o outro quando dispõe de mais tempo ou menos estímulos?

Também é comum que o desenvolvimento da cognição social aconteça quando a pessoa se sente compreendida. É quase como se o corpo saísse de um “modo de alerta” e abrisse espaço para observar detalhes que antes eram interpretados como ameaças ou confusão. Talvez seja interessante observar em quais ambientes você se sente mais à vontade para interagir e o que esses ambientes têm de diferente. O que muda dentro de você nesses contextos? Em quais situações sente que a leitura social fica mais difícil?

Esses caminhos podem ser trabalhados de forma muito cuidadosa em terapia, explorando tanto o que fortalece quanto o que gera desconforto, sempre respeitando as formas próprias de comunicação que fazem parte do TEA. Se fizer sentido para você, posso te ajudar a aprofundar essa compreensão com calma. Caso precise, estou à disposição.
Sim. Quando explico isso, eu costumo dizer que a cognição social — ou seja, a capacidade de entender emoções, intenções e comportamentos das outras pessoas — pode sim se desenvolver em pessoas com autismo. Estudos publicados na PubMed mostram que, ao longo do desenvolvimento, muitas pessoas autistas aprendem gradualmente habilidades sociais e de comunicação, principalmente quando recebem apoio terapêutico, intervenções educacionais e oportunidades de interação social. Pesquisas longitudinais indicam que parte das crianças apresenta melhora nas habilidades sociais e adaptativas com o tempo, o que sugere que essas competências podem ser treinadas e ampliadas ao longo da vida. Ou seja, o autismo não desaparece, mas a forma como a pessoa compreende e lida com as interações sociais pode evoluir com experiência, aprendizagem e suporte adequado (Lord et al., 2023; McCauley et al., 2023 – PubMed). Espero que tenha entendido direitinho. Neuropsicóloga Melise Rute

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