A hiper-reatividade afetiva é constante na vida de uma pessoa com Transtorno de Personalidade Border

3 respostas
A hiper-reatividade afetiva é constante na vida de uma pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Oi, tudo bem? Essa é uma pergunta muito pertinente — e mostra sensibilidade em compreender como o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) funciona por dentro. A hiper-reatividade afetiva, ou seja, a intensidade com que a pessoa sente e reage emocionalmente, é um dos traços centrais do TPB. Mas isso não significa que ela esteja presente o tempo todo. O que acontece é que o sistema emocional de quem tem TPB é mais sensível a estímulos ligados a vínculo, rejeição e invalidação.

É como se o cérebro tivesse o “volume das emoções” ajustado um pouco mais alto. Pequenos gestos, silêncios ou mudanças na expressão do outro podem ser interpretados como ameaças de abandono, ativando um verdadeiro alarme interno. Quando essa rede emocional é acionada, o corpo reage com força — o coração acelera, a mente gira rápido e as emoções parecem ganhar vida própria. Mas quando a pessoa está em um ambiente seguro, com vínculos estáveis e experiências de aceitação, essa reatividade tende a diminuir bastante.

A terapia ajuda a treinar o cérebro e o corpo a identificar esses gatilhos e responder de modo mais equilibrado, sem que cada oscilação vire uma tempestade emocional. Você já percebeu se suas reações intensas surgem mais quando sente que alguém se afasta ou quando algo foge do controle? Observar isso pode ser um passo importante para entender o padrão.

A boa notícia é que a hiper-reatividade não é uma sentença, e sim um reflexo de um sistema emocional sobrecarregado que pode aprender a se reorganizar. Com tempo, paciência e autocompaixão, o que antes era um incêndio pode se tornar apenas uma chama — ainda intensa, mas agora sob controle. Caso precise, estou à disposição.

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Sim, a hiper-reatividade emocional é uma marca essencial do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e tende a manter-se presente, embora sua força mude conforme as circunstâncias e o estado psíquico do indivíduo.

Ela aparece por meio de oscilações súbitas de humor, respostas intensas a frustrações e receio de rejeição, revelando uma sensibilidade acentuada nas relações e nos afetos.

Sob a perspectiva psicanalítica, essa instabilidade reflete uma dificuldade na gestão da energia emocional, fazendo com que pequenas contrariedades sejam vividas como feridas profundas no vínculo com o outro. Assim, o sujeito borderline experimenta os sentimentos de forma intensa e imediata, alternando entre o anseio de proximidade e o temor do abandono.

A psicanálise pode ajudar a equilibrar os sintomas do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), embora o processo seja gradual e dependa da transferência.

Através da escuta e da interpretação, o paciente passa a reconhecer os próprios afetos, impulsos e padrões de relação, compreendendo melhor o que provoca suas reações intensas. Com o tempo, isso possibilita maior consciência emocional e capacidade de simbolização, reduzindo a necessidade de agir de forma impulsiva.

Assim, a psicanálise não “elimina” os sintomas, mas favorece uma integração psíquica mais estável, ajudando o sujeito a lidar com a dor e os vínculos de modo menos conflituoso e mais equilibrado.
A hiper-reatividade afetiva no Transtorno de Personalidade Borderline não é constante, mas recorrente e sensível aos contextos relacionais. Ela tende a emergir diante de vivências de rejeição, abandono ou frustração, variando conforme o estado emocional e os recursos psíquicos disponíveis no momento. Com acompanhamento psicoterapêutico, é possível ampliar a capacidade de regulação emocional e reduzir a intensidade dessas reações ao longo do tempo.

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