As escaladas emocionais no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) são um sinal de manipulação?
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As escaladas emocionais no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) são um sinal de manipulação?
Essa é uma dúvida muito comum e, sinceramente, uma das mais injustas que recaem sobre pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline. Vou responder a partir da minha experiência clínica e acadêmica, porque esse tema costuma ser mal compreendido, inclusive por profissionais.
As escaladas emocionais no TPB não são, em essência, um sinal de manipulação. Elas são, na maioria das vezes, uma expressão de desregulação emocional intensa. Desregulação emocional significa uma dificuldade significativa do sistema emocional em modular a intensidade, a duração e a velocidade das emoções. Em termos simples, a emoção sobe muito rápido, fica muito forte e demora a baixar.
No Transtorno de Personalidade Borderline, o cérebro reage aos estímulos emocionais como se eles fossem ameaças imediatas à sobrevivência emocional. Pequenos sinais de rejeição, afastamento, crítica ou ambiguidade podem ser vivenciados como abandono iminente. Esse medo do abandono não é racional no sentido lógico, mas é profundamente sentido no corpo e na emoção. Quando isso acontece, a pessoa entra em um estado de alarme emocional, semelhante a um modo de emergência.
Nesse estado, comportamentos intensos podem surgir. Choro, raiva, desespero, pedidos urgentes de atenção ou reações impulsivas não aparecem para controlar o outro de forma calculada, mas como uma tentativa desesperada de aliviar uma dor emocional que se torna insuportável naquele momento. Manipulação pressupõe intenção consciente, planejamento e objetivo claro de obter vantagem. No TPB, o que geralmente existe é sofrimento intenso e dificuldade de regular esse sofrimento.
O rótulo de manipulação costuma surgir porque, do ponto de vista de quem está observando de fora, o comportamento parece exagerado ou desproporcional à situação. Mas isso acontece porque a intensidade da experiência interna não é visível. A pessoa sente como se estivesse perdendo o chão emocionalmente, mesmo que o gatilho pareça pequeno para os outros.
Isso não significa que todo comportamento deva ser validado ou que limites não sejam necessários. Limites são importantes, inclusive no tratamento. Mas limite é diferente de julgamento. Quando tudo é interpretado como manipulação, a pessoa com TPB se sente ainda mais invalidada, o que paradoxalmente intensifica as escaladas emocionais.
Outro ponto importante é que, com tratamento adequado, especialmente psicoterapia focada em regulação emocional, essas escaladas tendem a diminuir bastante. A pessoa aprende a reconhecer os sinais iniciais da ativação emocional, a nomear o que está sentindo e a responder de forma menos impulsiva. Isso mostra claramente que o problema não é caráter, mas funcionamento emocional.
Portanto, as escaladas emocionais no Transtorno de Personalidade Borderline são, na maioria das vezes, sinais de dor psíquica intensa e dificuldade de regulação emocional, e não estratégias conscientes de manipulação. Enxergar dessa forma muda completamente a maneira de lidar com o transtorno e aumenta muito as chances de melhora.
Dr. Mário Neto, Phd
As escaladas emocionais no TPB não são, em essência, um sinal de manipulação. Elas são, na maioria das vezes, uma expressão de desregulação emocional intensa. Desregulação emocional significa uma dificuldade significativa do sistema emocional em modular a intensidade, a duração e a velocidade das emoções. Em termos simples, a emoção sobe muito rápido, fica muito forte e demora a baixar.
No Transtorno de Personalidade Borderline, o cérebro reage aos estímulos emocionais como se eles fossem ameaças imediatas à sobrevivência emocional. Pequenos sinais de rejeição, afastamento, crítica ou ambiguidade podem ser vivenciados como abandono iminente. Esse medo do abandono não é racional no sentido lógico, mas é profundamente sentido no corpo e na emoção. Quando isso acontece, a pessoa entra em um estado de alarme emocional, semelhante a um modo de emergência.
Nesse estado, comportamentos intensos podem surgir. Choro, raiva, desespero, pedidos urgentes de atenção ou reações impulsivas não aparecem para controlar o outro de forma calculada, mas como uma tentativa desesperada de aliviar uma dor emocional que se torna insuportável naquele momento. Manipulação pressupõe intenção consciente, planejamento e objetivo claro de obter vantagem. No TPB, o que geralmente existe é sofrimento intenso e dificuldade de regular esse sofrimento.
O rótulo de manipulação costuma surgir porque, do ponto de vista de quem está observando de fora, o comportamento parece exagerado ou desproporcional à situação. Mas isso acontece porque a intensidade da experiência interna não é visível. A pessoa sente como se estivesse perdendo o chão emocionalmente, mesmo que o gatilho pareça pequeno para os outros.
Isso não significa que todo comportamento deva ser validado ou que limites não sejam necessários. Limites são importantes, inclusive no tratamento. Mas limite é diferente de julgamento. Quando tudo é interpretado como manipulação, a pessoa com TPB se sente ainda mais invalidada, o que paradoxalmente intensifica as escaladas emocionais.
Outro ponto importante é que, com tratamento adequado, especialmente psicoterapia focada em regulação emocional, essas escaladas tendem a diminuir bastante. A pessoa aprende a reconhecer os sinais iniciais da ativação emocional, a nomear o que está sentindo e a responder de forma menos impulsiva. Isso mostra claramente que o problema não é caráter, mas funcionamento emocional.
Portanto, as escaladas emocionais no Transtorno de Personalidade Borderline são, na maioria das vezes, sinais de dor psíquica intensa e dificuldade de regulação emocional, e não estratégias conscientes de manipulação. Enxergar dessa forma muda completamente a maneira de lidar com o transtorno e aumenta muito as chances de melhora.
Dr. Mário Neto, Phd
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